04 de Dezembro de 2020

1a semana do Advento - Ano B Sexta-feira

- por Pe. Alexandre

QUARTA FEIRA DA I SEMANA DO ADVENTO
(roxo, pref. do Advento I – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

– O Senhor vai chegar, não tardará: há de iluminar o que as trevas ocultam e se manifestará a todos os povos (Hab 2,3; 1Cor 4,5).

 

Oração do dia

– Senhor Deus, preparai os nossos corações com a força da vossa graça, para que, ao chegar o Cristo, vosso Filho, nos encontre dignos do banquete da vida eterna e ele mesmo nos sirva o alimento celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 25, 6-10a

– Leitura do livro do profeta Isaías: Naquele dia, 6o Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos. 7Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos, a teia em que tinha envolvido todas as nações. 8O Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra; o Senhor o disse. 9Naquele dia, se dirá: “Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo”. 10aE a mão do Senhor repousará sobre este monte.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 23, 1-3a.3b-4.5.6 (R: 6cd)

 

– Na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos.
R: Na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos.

– O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.

R: Na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos.

– Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!

R: Na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos.

– Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça e o meu cálice transborda.

R: Na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos.

– Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

R: Na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Eis que o Senhor há de vir a fim de salvar o seu povo; felizes são todos aqueles que estão prontos para ir-lhe ao encontro.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 15, 29-37

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 29Jesus foi para as margens do mar da Galileia, subiu a montanha, e sentou-se. 30Numerosas multidões aproximaram-se dele, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E ele os curou. 31O povo ficou admirado, quando viu os mudos falando, os aleijados sendo curados, os coxos andando e os cegos enxergando. E glorificaram o Deus de Israel. 32Jesus chamou seus discípulos e disse: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho”. 33Os discípulos disseram: “Onde vamos buscar, neste deserto, tantos pães para saciar tão grande multidão?” 34Jesus perguntou: “Quantos pães tendes?” Eles responderam: “Sete, e alguns peixinhos”. 35E Jesus mandou que a multidão se sentasse pelo chão. 36Depois pegou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os, e os dava aos discípulos, e os discípulos, às multidões. 37Todos comeram, e ficaram satisfeitos; e encheram sete cestos com os pedaços que sobraram.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São João Damasceno

- por Pe. Alexandre

 

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Hoje a Igreja celebra a memória de São Joao Damasceno, uma personalidade de primária importância na história da teologia bizantina, um grande doutor na história da Igreja universal. Ele é sobretudo uma testemunha ocular da passagem da cultura cristã grega e síria.

João, nascido numa rica família cristã, ainda jovem assumiu o cargo de responsável econômico do califado. Mas insatisfeito com a vida da corte, amadureceu a escolha monástica, entrando no mosteiro de São Saba, perto de Jerusalém. Sem jamais se afastar do mosteiro, se dedicou com todas as forças à ascese e à atividade literária, sem deixar de lado a atividade pastoral, de que dão testemunho sobretudo as suas numerosas “Homilias”. O Papa Leão XIII o proclamou Doutor da Igreja universal em 1890.

Dele temos a recordação principalmente dos três discursos que fez contra aqueles que caluniam as santas imagens. Nestes discursos é possível encontrar as primeiras tentativas teológicas de legitimação da veneração das imagens sagradas, ligando estas ao mistério da Encarnação do Filho de Deus no seio da Virgem Maria.

Além disso, João Damasceno foi um dos primeiros a distinguir, no culto público e privado dos cristãos, entre adoração e veneração: a primeira só pode dirigir-se a Deus, sumamente espiritual; a segunda, no entanto, pode utilizar uma imagem para se dirigir àquele que é representado na própria imagem.

São João Damasceno nos deixou este ensinamento sobre a veneração das imagens: Deus nunca foi representado em imagens, uma vez que era incorpóreo e sem rosto. Mas dado que agora Deus foi visto na carne e viveu no meio dos homens, eu represento aquilo que é visível em Deus. Não venero a matéria, mas o criador da matéria, que por nós se fez matéria e se dignou habitar na matéria e realizar a nossa salvação através da matéria.

Por isso, não cessarei de venerar a matéria através da qual chegou a minha salvação. Mas não a venero de modo algum como Deus! Como poderia ser Deus, aquilo que recebeu a existência a partir do não-ser? Mas venero e respeito também todo o resto da matéria que me propiciou a salvação, enquanto plena de energias e de graças santas. Não é por acaso matéria o madeiro da cruz três vezes santa? E a tinta e o livro santíssimo dos Evangelhos não são matéria? O altar salvífico que nos dispensa o pão de vida não é matéria? E, antes de tudo, não são matéria a carne e o sangue do meu Senhor? Deves suprimir o cariz sagrado de tudo isto, ou deves conceder à tradição da Igreja a veneração das imagens de Deus e a dos amigos de Deus, que são santificados pelo nome que têm, e por esta razão são habitados pela graça do Espírito Santo. Portanto, não ofendas a matéria: ela não é desprezível, porque nada do que Deus fez é desprezível.

 

Vemos que, por causa da encarnação, a matéria parece como que divinizada, e é vista como morada de Deus. Trata-se de uma nova visão do mundo e das realidades materiais. Deus fez-se carne, e a carne tornou-se realmente morada de Deus, cuja glória resplandece no rosto humano de Cristo. Portanto, as solicitações do Doutor oriental são ainda hoje de extrema atualidade, considerada a excelsa dignidade que a matéria recebeu na Encarnação, podendo tornar-se na fé sinal e sacramento eficaz do encontro do homem com Deus.

 

João Damasceno permanece uma testemunha privilegiada do culto do ícone, que chegará a ser um dos aspectos mais distintivos da teologia e da espiritualidade oriental até hoje. É uma forma de culto que pertence simplesmente à fé cristã, à fé naquele Deus que se fez carne e se tornou visível. O ensinamento de São João Damasceno se insere assim na tradição da Igreja universal, cuja doutrina sacramental prevê que elementos materiais tomados da natureza possam tornar-se pontes de graça em virtude da invocação do Espírito Santo, acompanhada pela profissão da verdadeira fé.

Em ligação com estas ideias fundamentais, João Damasceno coloca inclusive a veneração das relíquias dos santos, com base na convicção de que os santos cristãos, tornando-se partícipes da ressurreição de Cristo, não podem ser considerados simplesmente «mortos».

São João Damasceno foi adequadamente cognominado “o São Tomás do Oriente”. Feliz equiparação porque esses dois luminares da Igreja se assemelham a um título muito superior: ambos refulgem pela santidade de vida tanto ou mais que pela ciência. Deles se pode bem dizer: Quando o amor vivifica a dimensão orante da teologia, o conhecimento, adquirido através da razão, se dilata. A verdade é procurada com humildade, acolhida com enlevo e gratidão: numa palavra, o conhecimento cresce somente quando se ama a verdade. O amor se torna inteligência e a teologia se torna autêntica sabedoria do coração, que orienta e sustenta a fé e a vida dos fiéis.

São João Damasceno, rogai por nós.

Abençoe-vos o Deus todo Poderoso, Pai, e Filho , e Espírito Santo. Amém.

Meditação

- por Pe. Alexandre

Enxugará as lágrimas… (Is 25,6-10a)

 

Esta passagem do profeta Isaías, selecionada pela Igreja para a liturgia do tempo do Advento, quando nos preparamos para vinda de Jesus Cristo no Natal, está marcada por vários símbolos dos tempos messiânicos. Entre eles, a figura do banquete, a fartura de um festim, imagem que o próprio Cristo iria retomar nos Evangelhos para falar do Reino de Deus entre os homens. Outras imagens falam de um véu a ser tirado de nossos olhos, da mortalha que desaparecerá.

No entanto, mais que a fome saciada ou a cegueira iluminada, fala ao nosso coração a promessa da consolação que o Messias traz para a humanidade que chora: “O Senhor Deus enxugará as lágrimas em todos os rostos”. É o tipo de promessa que nos reconduz à infância, quando chegávamos em casa com um joelho ralado ou a unha do dedão levantada por uma pedra, e mamãe logo vinha cuidar do machucado e secar nossas lágrimas com um colo gostoso…

Sim, Deus Pai é Deus Mãe. O Salvador que nos envia é acima de tudo um Consolador. Sim, Deus é sensível às lágrimas humanas. No versículo mais curto dos Evangelhos, o Filho de Deus também chora (cf. Jo 11,35). Com certeza, na gruta de Belém, o Menino chorava. Por isso mesmo, não temos junto ao Pai um mediador que ignore as dores e as angústias de nossa humana condição (cf. Hb 4,15-16; 5,2). Podemos esperar pelas manifestações palpáveis de seu amor que vem consolar e reanimar. Por isso mesmo, uma das nove bem-aventuranças do Evangelho é dirigida às lágrimas que derramamos: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!” (Mt 5,5)

Nosso povo anda sem esperança. Depois de apostar nas promessas de governantes que se apresentavam como salvadores da pátria, a multidão se recolheu ao desânimo e ao ceticismo. Quanto maior o sonho, tanto mais funda a decepção. Neste Advento, Deus nos convida a redirecionar os anseios profundos de nosso coração para o Menino que se avizinha. Ele não decepcionará…

Os últimos versículos da profecia de Isaías garantem que não são infundadas as nossas esperanças, mas serão recompensadas com a libertação final, fonte de júbilo e alegria. Como escreveu Bento XVI, “Com esta confiança segura, confiamo-nos a Ele: Ele, presente no meio de nós, vence o poder do maligno (cf. Lc 11,20); e a Igreja, comunidade visível da sua misericórdia, permanece n’Ele como sinal da reconciliação definitiva com o Pai”. (PF,15.)

29ª Semana do Tempo Comum

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