04 de Novembro de 2020

31a semana do tempo comum Quarta-feira

- por Pe. Alexandre

QUARTA FEIRA – SÃO CARLOS BORROMEU BISPO E AMIGO DOS POBRES
(branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

– O Senhor firmou com ele uma aliança de paz, fazendo-o chefe do seu povo e sacerdote para sempre (Eclo 45,30).

 

Oração do dia

– Conservai, ó Senhor, no vosso povo o espírito que animava são Carlos Borromeu, para que a vossa Igreja, continuamente renovada e sempre fiel ao evangelho, possa mostrar ao mundo a verdadeira face do Cristo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Fl 2,12-18

– Leitura da carta de são Paulo aos Filipenses: 12Meus queridos, como sempre fostes obedientes, não só em minha presença, mas ainda mais agora na minha ausência, trabalhai para a vossa salvação, com temor e tremor. 13Pois é Deus que realiza em vós tanto o querer como o fazer, conforme o seu desígnio benevolente. 14Fazei tudo sem reclamar ou murmurar, 15para que sejais livres de repreensão e ambiguidade, filhos de Deus sem defeito, no meio desta geração depravada e pervertida, na qual brilhais como os astros no universo. 16Conservai com firmeza a palavra da vida. Assim, no dia de Cristo, terei a glória de não ter corrido em vão, nem trabalhado inutilmente. 17E ainda que eu seja oferecido em libação, no sacrifício que é o sagrado serviço de vossa fé, fico feliz e alegro-me com todos vós. 18Vós também, alegrai-vos pelo mesmo motivo e congratulai-vos comigo.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 27, 1.4.13-14 (R: 1a)

 

– O Senhor é minha luz e salvação!
R: O Senhor é minha luz e salvação!

– O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

R: O Senhor é minha luz e salvação!

– Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo.

R: O Senhor é minha luz e salvação!

– Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

R: O Senhor é minha luz e salvação!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Felizes sereis vós se fordes ultrajados por causa de Jesus, pois repousa sobre vós o Espírito de Deus (1Pd 4,14).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 14,25-33

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 25grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ 31Ou ainda: Qual rei que, ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São Carlos Borromeu

- por Pe. Alexandre

Carlos, o segundo filho de Gilberto, nasceu em 2 de outubro de 1538. Menino ainda, revelou ótimo talento e uma inteligência rara. Ao lado destas qualidades, manifestou forte inclinação para a vida religiosa, pela piedade e o temor a Deus. Ainda criança, era seu prazer construir altares minúsculos, diante dos quais, em presença dos irmãos e companheiros de idade, imitava as funções sacerdotais que tinha observado na Igreja. O amor à oração e o aborrecimento aos divertimentos profanos, eram sinais mais positivos da vocação sacerdotal.

O ano de 1562 veio a Carlos com a graça do sacerdócio. No silêncio da meditação, lançou Carlos planos grandiosos para a reorganização da Igreja Católica. Estes todos se concentraram na ideia de concluir o Concílio de Trento. De fato, era o que a Igreja mais necessitava, como base e fundamento da renovação e consolidação da vida religiosa. Carlos, sem cessar, chamava a atenção do seu tio (que era Cardeal e foi eleito Papa, com o nome de Pio IV) para esta necessidade, reclamada por todos os amigos da Igreja. De fato, o Concílio se realizou, e Carlos quis ser o primeiro a executar as ordens da nova lei, ainda que por esta obediência tivesse de deixar sua posição para ocupar outra inferior.

Carlos sabia muito bem que a caridade abre os corações também à religião. Por isto foi que grande parte de sua receita pertencia aos pobres, reservando ele para si só o indispensável. Heranças ou rendimentos que lhe vinham dos bens de família, distribuía-os entre os desvalidos. Tudo isto não aguenta comparação com as obras de caridade que o Arcebispo praticou, quando em 1569-1570, a fome e uma epidemia, semelhante à peste, invadiram a cidade de Milão. Não tendo mais o que dar, pedia ele próprio esmolas para os pobres e abria assim fontes de auxílio, que teriam ficado fechadas.

Quando, porém, em 1576, a cidade foi atingida pela peste, e o povo abandonado pelos poderes públicos, visto que ninguém se compadecia do povo, ainda procurava os pobres doentes dos quais ninguém lembrava, consolava-os e dava-lhes os santos sacramentos. Tendo-se esgotado todas as fontes de recurso, Carlos lançou mão de tudo o que possuía, para amenizar a triste sorte dos doentes. Mais de  cem sacerdotes tinham pago com a vida, na sua dedicação e serviço aos doentes. Deus conservava a vida do Arcebispo, e este se aproveitou da ocasião para dizer duras verdades aos ímpios e ricos esquecidos de Deus.

Gregório XIII, não só rejeitou as acusações infundados feitas ao Arcebispo, mas ainda recebeu Carlos Borromeu em Roma, com as mais altas distinções. Em resposta a este gesto do Papa, o governador de Milão, organizou no primeiro domingo da Quaresma de 1579, um indigno préstito carnavalesco pelas ruas de Milão, precisamente à hora da missa celebrada pelo Arcebispo. O mesmo governador, que tanta guerra ao Prelado movera, e tantas hostilidades contra São Carlos estimulara, no leito de morte reconheceu o erro e teve o consolo da assistência do santo Bispo na hora da agonia. Seu sucessor, Carlos de Aragão, duque de Terra Nova, viveu sempre em paz com a autoridade eclesiástica. O Arcebispo gozou deste período só dois anos.

Quando em outubro de 1584, como era de costume, se retirara para fazer os exercícios espirituais, teve fortes acessos de febre, aos quais não deu importância e dizia: “Um bom pastor de almas, deve saber suportar três febres, antes de se meter na cama”. Os acessos renovaram-se e consumiram as forças do Arcebispo. Ao receber os santos sacramentos, expirou aos 03 de novembro de 1584. Suas últimas palavras foram: “Eis Senhor, eu venho, vou já”. São Carlos Borromeu tinha alcançado a idade de 46 anos.

O Papa Paulo V, canonizou-o em 1610 e fixou-lhe a festa para o dia 04 de novembro.

São Carlos Borromeu, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

69. OS FRUTOS DA CRUZ

– O sentido da dor.

– Os seus frutos na vida cristã.

– Recorrer a Jesus e a Maria na doença e na contradição.

I. A CRUZ É O SÍMBOLO e o sinal do cristão porque nela se consumou a Redenção do mundo. O Senhor empregou a expressão tomar a cruz para indicar qual deveria ser a atitude dos seus discípulos ante a dor e a contradição. No Evangelho da Missa, Jesus diz-nos: Aquele que não toma a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo1. E em outra ocasião, dirigindo-se a todos os presentes, advertiu-os: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-me2.

A dor, nas suas diferentes manifestações, é uma realidade universal. São Paulo compara o sofrimento às dores da mãe ao dar à luz: Sabemos que todas as criaturas gemem e estão como que com dores de parto3, e a experiência nos ensina que não há ser humano algum que não sofra por um ou outro motivo. Por isso, São Pedro advertia aos primeiros cristãos na epístola que lhes dirigiu: Caríssimos, não vos perturbeis com o fogo da tribulação que se acendeu no meio de vós para vos provar, como se vos acontecesse algo de extraordinário4.

É como se a dor derivasse da própria natureza humana. No entanto, a fé nos ensina que o sofrimento penetrou no mundo pelo pecado. Deus tinha preservado o homem da dor por um ato de bondade infinita. Criado num lugar de delícias, se tivesse sido fiel a Deus, teria sido levado desse paraíso terreno para o Céu para gozar eternamente da mais pura felicidade.

O pecado de Adão, transmitido aos seus descendentes, alterou os planos divinos. Com o pecado, entraram no mundo a dor e a morte. Mas o Senhor assumiu o sofrimento, não só através das privações normais de qualquer ser humano (passou fome e sede, cansou-se no trabalho…), como sobretudo da sua Paixão e Morte na Cruz, e assim converteu as dores e penas desta vida num bem imenso. Além disso, todos nós fomos chamados – mediante o sofrimento e o sacrifício voluntário – a completar no nosso corpo a Paixão de Jesus5.

A fé nesta participação misteriosa da Cruz de Cristo dá-nos “a certeza interior de que o homem que sofre completa o que falta aos sofrimentos de Cristo, e de que, na dimensão espiritual da obra da Redenção serve, como Cristo, para a salvação dos seus irmãos e irmãs. Portanto, não só é útil aos outros, mas presta-lhes ainda um serviço insubstituível. No Corpo de Cristo […], precisamente o sofrimento impregnado do espírito de Cristo é o mediador insubstituível e autor dos bens indispensáveis à salvação do mundo. Mais do que qualquer outra coisa, o sofrimento abre caminho à graça que transforma as almas. Mais do que qualquer outra coisa, o sofrimento torna presentes na história da humanidade as forças da Redenção”6.

Está nas nossas mãos colaborarmos generosamente com Cristo mediante a aceitação amorosa de todos os tipos de dor: as contrariedades, as dificuldades da vida, a doença, os sofrimentos próprios e os dos outros…, que Ele permite para a nossa santificação pessoal e de toda a Igreja. A dor ganha então todo o seu sentido e converte-nos em verdadeiros colaboradores do Senhor na obra da salvação das almas: completa-se a obra da nossa santificação7.

II. A ÁRVORE DA CRUZ está cheia de frutos. Os sofrimentos ajudam-nos a estar mais desprendidos dos bens da terra, da saúde, da riqueza e das honras… “Deus meus et omnia!”, meu Deus e meu tudo!8, exclamava São Francisco de Assis. Se o tivermos a Ele, todo o resto não representará grande perda. “Feliz quem pode dizer de todo o coração: meu Jesus, Tu me bastas!”9

As tribulações são uma excelente oportunidade para expiarmos melhor as nossas faltas e pecados da vida passada. Santo Agostinho diz que, especialmente quando sofremos, o Senhor atua como médico para curar as chagas que os pecados deixaram em nós, e emprega esses sofrimentos como remédio10.

As nossas dificuldades e dores fazem-nos recorrer com maior prontidão e constância à misericórdia divina: Na sua tribulação, hão de procurar-me pela manhã cedo11, diz o Senhor pelo profeta Oséias. E Jesus convida-nos a recorrer a Ele em todas as circunstâncias difíceis: Vinde a mim todos os que trabalhais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei12. Quantas vezes experimentamos este alívio! Verdadeiramente Ele é o nosso refúgio e a nossa fortaleza13 no meio de todas as tempestades da vida, é o porto a que temos de dirigir-nos pressurosamente.

As contrariedades, a doença, a dor… permitem-nos praticar muitas virtudes (a fé, a coragem, a alegria, a humildade, a identificação com a vontade divina…) e dão-nos a possibilidade de alcançarmos muitos méritos. “Ao pensares em todas as coisas da tua vida que ficarão sem valor por não as teres oferecido a Deus, deverias sentir-te avaro: ansioso por apanhar tudo, por não desaproveitar também nenhuma dor. – Porque, se a dor acompanha a criatura, o que é senão insensatez desperdiçá-la?”14 E existem épocas na vida em que ela se apresenta abundantemente… Não deixemos que passe sem deixar frutos copiosos na alma.

A dor, enfrentada com sentido cristão, é um grande meio de santidade. A nossa vida interior precisa também das contradições e dos obstáculos para crescer. Santo Afonso Maria de Ligório afirmava que, assim como a chama se aviva em contacto com o ar, assim a alma se aperfeiçoa em contacto com as tribulações15. Até as próprias tentações ajudam a progredir no amor ao Senhor. Deus é fiel, pois não permitirá que sejais tentados além do que podem as vossas forças, antes vos dará com a tentação a ajuda necessária para suportá-la16. E a prova, suportada junto do Senhor, atrai novas graças e bênçãos.

III. SEMPRE QUE NOS VEJAMOS atribulados, procuremos Jesus, em quem sempre encontraremos consolo e ajuda. Como o Salmista, também nós poderemos dizer: Na minha tribulação, clamei ao Senhor e ele ouviu-me17, pois em nós certamente não há forças suficientes para podermos resistir a essa multidão que se lança sobre nós. E como não sabemos o que fazer, não temos outro recurso senão voltar para Ti os nossos olhos18.

No Coração misericordioso de Jesus encontramos sempre a paz e o auxílio. É a Ele que devemos recorrer em primeiro lugar, com toda a serenidade, para não termos que ouvir as palavras que um dia dirigiu a Pedro: Homem de pouca fé, por que duvidaste?19 “Oh! Valha-me Deus! – exclamava Santa Teresa –. Quando Vós, Senhor, quereis dar ânimo, que pouca impressão causam todas as contradições”20. Peçamos esse “ânimo” a Jesus quando tivermos de enfrentar a dor e a tribulação.

Junto do Senhor, poderemos tudo; longe dEle, não resistiremos muito: “Com tão bom amigo presente – Nosso Senhor Jesus Cristo –, com tão esforçado capitão, que em matéria de padecer foi o primeiro, tudo se pode sofrer. Serve de ajuda e dá esforço; nunca falta; é amigo verdadeiro”21. Com Ele, saberemos comportar-nos com alegria, e mesmo com bom humor, no meio das dificuldades, como fizeram os santos. Deixaram-nos abundantes exemplos disso.

O Senhor ensinar-nos-á também a ver as provas e penas com mais objetividade, para não darmos importância ao que realmente não a tem e para não inventarmos penas que, por falta de humildade, são mero produto da imaginação, “a louca da casa”, como a chamava Santa Teresa; ou ainda para não aumentarmos o seu volume quando, com um pouco de boa vontade, podemos suportá-las sem lhes dar a categoria de drama ou de tragédia.

Ao terminarmos a nossa oração, acudimos a Nossa Senhora para que Ela nos ensine a tirar fruto de todas as dificuldades que venhamos a padecer ou pelas quais estejamos passando nestes dias. “«Cor Mariae perdolentis, miserere nobis!» – invoca o Coração de Santa Maria, com ânimo e decisão de te unires à sua dor, em reparação pelos teus pecados e pelos de todos os homens de todos os tempos.

“– E pede-lhe – para cada alma – que essa sua dor aumente em nós a aversão pelo pecado, e que saibamos amar, como expiação, as contrariedades físicas ou morais de cada jornada”22.

29ª Semana do Tempo Comum

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