11 de Setembro de 2020

23a semana comum Sexta-feira

- por Pe. Alexandre

SEXTA FEIRA – XXIII SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia (Sl 118,137.124).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1Cor 9,16-19.22b-27

 

– Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios: Irmãos, 16pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho! 17Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. 18Em que consiste então o meu salário? Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça, e sem usar os direitos que o evangelho me dá.
19Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. 22bCom todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. 23Por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele. 24Acaso não sabeis que os que correm no estádio correm todos juntos, mas um só ganha o prêmio? Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio. 25Todo atleta se sujeita a uma disciplina rigorosa em relação a tudo, e eles procedem assim, para receberem uma coroa corruptível. Quanto a nós, a coroa que buscamos é incorruptível! 26Por isso, eu corro, mas não à toa. Eu luto, mas não como quem dá murros no ar. 27Trato duramente o meu corpo e o subjugo, para não acontecer que, depois de ter proclamado a Boa Nova aos outros, eu mesmo seja reprovado.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 84,3-6.12 (R: 2)

 

– Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!
R: Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

– Minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo!

R: Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

– Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa, e a andorinha ali prepara o seu ninho, para nele seus filhotes colocar: vossos altares, ó Senhor Deus do universo! Vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor!

R: Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

– Felizes os que habitam vossa casa; para sempre haverão de vos louvar! Felizes os que em vós têm sua força, e se decidem a partir quais peregrinos!

R: Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

– O Senhor Deus é como um sol, é um escudo, e largamente distribui a graça e a glória. O Senhor nunca recusa bem algum àqueles que caminham na justiça.

R: Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Vossa Palavra é a verdade; santificai-nos na verdade! (Jo 17,7).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 6,39-42

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 39Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. 41Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho?  42Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então enxergarás direito para tirar o cisco do olho do teu irmão”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São João Gabriel Perboyre

- por Pe. Alexandre

João Gabriel Perboyre nasceu em 5 de janeiro de 1802, em Mongesty (França), numa família de agricultores, numerosa e profundamente cristã. Era o primeiro dos oito filhos do casal, sendo educado para seguir a profissão do pai. Mas o menino era muito piedoso, demonstrando desde a infância sua vocação religiosa. Assim, aos quatorze anos, junto com dois de seus irmãos, Luís e Tiago, decidiu seguir o exemplo do seu tio Jacques Perboyre, que era sacerdote.

Ingressou na Congregação da missão fundada por São Vicente de Paulo para tornar-se um padre vicentino ou lazarista, como também são chamados os sacerdotes desta Ordem. João Gabriel recebeu a ordenação sacerdotal em 1826. Ficou alguns anos em Paris, como professor e diretor nos seminários vicentinos. Porém seu desejo era ser um missionário na China, onde os vicentinos atuavam e onde, recentemente, Padre Clet fora martirizado.

Em 1832, seu irmão, Padre Luís foi designado para lá. Mas ele morreu em pleno mar, antes de chegar nas Missões na China. Foi assim que João Gabriel pediu para substituí-lo. Foi atendido e, três anos depois, em 1835, chegou em Macau, deixando assim registrado: “Eis-me aqui. Bendito o Senhor que me guiou e trouxe”.

Na Missão, aprendeu a disfarçar-se de chinês, porque a presença de estrangeiros era proibida por lei. Estudou o idioma e os costumes e seguiu para ser missionário nas dioceses Ho-Nan e Hou-Pé. Entretanto foi denunciado e preso na perseguição de 1839. Permaneceu um ano no cativeiro, sofrendo torturas cruéis, até ser amarrado a uma cruz e estrangulado, no dia 11 de setembro de 1840.

Beatificado em 1889, João Gabriel Perboyre foi proclamado santo pelo Papa João Paulo II em 1996. Festejado no dia de sua morte, tornou-se o primeiro missionário da China a ser declarado santo pela Igreja.

São João Gabriel Perboyre, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

98. FILIAÇÃO DIVINA

– Generosidade de Deus, que quis fazer‑nos seus filhos.

– Conseqüências da filiação divina: abandono em Deus.

– “Comportar‑nos como filhos de Deus com os filhos de Deus”: fraternidade.

I. SÃO PAULO ESCREVE a Timóteo e, abrindo‑lhe o coração, conta‑lhe como o Senhor confiou nele e o fez Apóstolo, apesar de ter sido blasfemo e perseguidor dos cristãos. A graça de Nosso Senhor – diz‑lhe – superabundou em mim, dando‑me a fé e a caridade em Cristo Jesus1. Cada um de nós pode afirmar também que Deus derramou sobre ele a sua graça abundantemente. Deus criou‑nos e quis dar‑nos depois gratuitamente a maior dignidade que se possa imaginar: a de sermos seus filhos, domestici Dei, da sua própria família2.

A filiação divina natural dá‑se em Deus Filho: “Jesus Cristo, Filho unigênito do Pai, nascido do Pai antes de todos os séculos…, gerado, não criado; consubstancial ao Pai”3. Mas Deus quis, por meio de uma nova criação, fazer‑nos participar da filiação do Unigênito, tornando‑nos seus filhos adotivos: Vede que amor nos mostrou o Pai em querer que sejamos chamados filhos de Deus, e que o sejamos efetivamente4; quis que o cristão recebesse a graça, de modo a participar da natureza divina: divinae consortes naturae, diz São Pedro numa das suas Epístolas5.

A vida que os filhos recebem por meio da geração humana já não é dos pais; pelo contrário, o que se dá aos homens pela graça santificante é a própria vida de Deus. Sem que com isso se destrua nem se force a nossa natureza humana, somos admitidos na intimidade da Santíssima Trindade. Toda a vida é afetada pela filiação divina: o nosso ser e a nossa atuação6.

Isto tem múltiplas conseqüências práticas. Assim, por exemplo, a nossa oração será a de um filho pequeno que se dirige ao seu pai, pois descobrimos que Deus, além de ser o Ser Supremo, Criador e Todo‑Poderoso, é verdadeiramente Pai amoroso de cada um de nós; e a vida interior já não é uma luta solitária contra os defeitos nem uma corrida ofegante em busca do “auto‑aperfeiçoamento”, mas desejo vivo de dar alegrias ao nosso Pai‑Deus, de quem nos sabemos muito queridos, e abandono confiante nos seus braços fortes.

Esta realidade dá à nossa vida uma especial firmeza e um modo peculiar de enfrentar tudo o que ela traz consigo. “Descansa na filiação divina. Deus é um Pai – o teu Pai! – cheio de ternura, de infinito amor.

“Chama‑lhe Pai muitas vezes, e diz‑lhe – a sós – que o amas, que o amas muitíssimo!: que sentes o orgulho e a força de ser seu filho”7.

II. FAZER‑SE FILHO DE DEUS significa identificar‑se com o Filho, isto é, significa ver os acontecimentos e julgá‑los com os olhos do Filho, obedecer como o Filho, que se fez obediente até à morte8amar e perdoar como Ele, comportar‑se sempre como os filhos que se sabem na presença de seu Pai‑Deus9, e se sentem confiantes e serenos, compreendidos, perdoados, estimulados sempre a seguir adiante…

Quem se sabe filho de Deus não deve ter nenhum temor na sua vida. Deus conhece melhor do que nós as nossas necessidades reais, é mais forte do que nós e é nosso Pai10. Devemos fazer como aquele menino que no meio de uma tempestade no mar alto continuava a brincar, enquanto os marinheiros temiam pelas suas vidas; era o filho do timoneiro do barco. Quando, ao desembarcar, lhe perguntaram como tinha estado tão tranqüilo no meio daquele mar embravecido, respondeu: “Ter medo? Mas se o leme estava nas mãos de meu pai!” Quando nos esforçamos por identificar a nossa vontade com a de Deus, Ele, que conhece bem a rota que conduz ao porto seguro, toma nas mãos o leme da nossa vida.

Uma alma que luta seriamente pela santidade pode sentir‑se às vezes, por permissão de Deus, como que perdida, inepta, desconcertada no meio de um cúmulo de dificuldades; apesar do seu desejo de ser inteiramente de Deus, não compreende o que acontece à sua volta. “Nesses momentos, em que nem sequer se sabe qual é a Vontade de Deus, e se protesta: Senhor, como podes querer isto que é mau, que é abominável ab intrinseco! – à semelhança da Humanidade de Cristo, que se queixava no Horto das Oliveiras –, quando parece que a cabeça enlouquece e o coração se rompe… Se alguma vez sentis este cair no vazio, aconselho‑vos aquela oração que eu repeti muitas vezes junto do túmulo de uma pessoa amada: Fiat, adimpleatur, laudetur atque in aeternum superexaltetur iustissima atque amabilissima…11 “«Faça‑se, cumpra‑se, seja louvada e eternamente glorificada a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas. – Assim seja. Assim seja»”12.

É o momento de sermos muito fiéis à Vontade de Deus, de nos deixarmos exigir e ajudar por meio da direção espiritual pessoal, com uma docilidade absoluta. Se Deus, que é nosso Pai, permite esse estado interior de trevas, também nos concederá as graças e ajudas necessárias para sairmos dele. Esse abandono, sem pôr limite algum, nas mãos de Deus, dar‑nos‑á uma paz inquebrantável e nos fará sentir o braço de Deus, poderoso e suave, que nos ampara no meio do mais completo vazio. Também nós repetiremos então, bem devagar, saboreando‑a docemente, essa oração confiante: Faça‑se, cumpra‑se, seja louvada…

III. ENSINAR‑ME‑EIS O CAMINHO DA VIDA, saciar‑me‑eis de felicidade na vossa presença, de perpétua alegria à vossa direita13, proclama o Salmista.

Não existe alegria mais profunda – mesmo no meio da necessidade e do vazio, quando o Senhor o permite –, que a do filho de Deus que se abandona nas mãos de seu Pai; porque nenhum bem pode ser comparado à infinita riqueza de nos sabermos familiares de Deus, filhos de Deus.

Esta alegria sobrenatural relacionada com a Cruz é o “gigantesco segredo do cristão”14. Quem se sente filho de Deus não perde a paz, nem sequer nos momentos mais duros. A consciência da sua filiação divina liberta‑o de tensões interiores e quando, pela sua fraqueza, se desencaminha, se realmente se sente filho, volta arrependido e confiante à casa do Pai.

“A filiação divina é também fundamento da fraternidade cristã, que está muito por cima do vínculo de solidariedade que une os homens entre si”15. Os cristãos sentem‑se verdadeiramente irmãos, porque são filhos do único Pai, que quis estabelecer conosco o vínculo sobrenatural da caridade. No Evangelho da Missa, o Senhor pede‑nos um olhar puro para vermos os nossos irmãos. Por que vês a palha no olho do teu irmão, e não notas a trave no teu? […]. Tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás de tirar a palha do olho do teu irmão16.

O Mestre convida‑nos a olhar os outros sem esses preconceitos que forjamos com as nossas próprias faltas e, em última análise, com a nossa soberba, que nos faz tender a aumentar as fraquezas alheias e a diminuir as próprias. Exorta‑nos “a olhar os outros de uma forma mais profunda, com um olhar novo […]; é preciso que tiremos a trave do nosso próprio olho. Ocupamo‑nos muitas vezes na tarefa superficial de querer tirar a qualquer custo a palha do olho de toda a gente. E o que temos de fazer é renovar a forma de contemplar os outros”17.

“Devemos pensar nos outros – em primeiro lugar, nos que estão ao nosso lado – como verdadeiros filhos de Deus que são, com toda a dignidade desse título maravilhoso.

“Com os filhos de Deus temos que nos comportar como filhos de Deus: o nosso amor tem de ser sacrificado, diário, feito de mil detalhes de compreensão, de sacrifício silencioso, de dedicação que não se nota. Este é o bonus odor Christi, que fazia dizer aos que viviam entre os nossos primeiros irmãos na fé: «Vede como se amam!»”18

Comportarmo‑nos como filhos de Deus com os filhos de Deus, ver as pessoas como Cristo as via, com amor e compreensão; tanto os que estão perto de nós como os que parece que se afastam, pois a fraternidade estende‑se a todos os homens, porque todos são filhos de Deus – criaturas dEle – e todos foram chamados também à intimidade da casa do Pai.

Seguindo este caminho amplo da filiação divina, passaremos pela vida com serenidade e paz, fazendo o bem19, como Jesus Cristo, o Modelo que devemos olhar continuamente, de quem devemos aprender a ser filhos de Deus Pai. Se recorrermos a Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, Ela nos ensinará a abandonar‑nos no Senhor, como filhos pequenos que não se podem valer a si próprios.

29ª Semana do Tempo Comum

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