16 de Fevereiro de 2020

6a Semana Comum Domingo

- por Padre Alexandre Fernandes

DOMINGO DA VI SEMANA DO TEMPO COMUM
(cor verde, gloria, creio – II semana do saltério)

 

Antífona da entrada

 

– Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para a honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais (Sl 30,3).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Eclo 15,16-21

– Leitura do livro do Eclesiástico: 16Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. 17Diante de ti, Ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão. 18Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir. 19A sabedoria do Senhor é imensa, ele é forte e poderoso e tudo vê continuamente. 20Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem. Ele conhece todas as obras do homem. 21Não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 119,1-2.4-5.17-18.33-34 (R: 1)

 

– Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

R. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

 

– Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo! Feliz o homem que observa seus preceitos, e de todo o coração procura a Deus!
R. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

 

– Os vossos mandamentos vós nos destes, para serem fielmente observados.
Oxalá seja bem firme a minha vida em cumprir vossa vontade e vossa lei!
R. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

 

– Sede bom com vosso servo, e viverei, e guardarei vossa palavra, ó Senhor.
Abri meus olhos, e então contemplarei as maravilhas que encerra a vossa lei!
R. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

 

– Ensinai-me a viver vossos preceitos; quero guardá-los fielmente até o fim!
Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei, e de todo o coração a guardarei. 

R. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

 

2ª Leitura: 1º Cor 2,6-10

-Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios: Irmãos: 6Entre os perfeitos nós falamos de sabedoria, não da sabedoria deste mundo nem da sabedoria dos poderosos deste mundo, que, afinal, estão votados à destruição. 7Falamos, sim, da misteriosa sabedoria de Deus, sabedoria escondida, que, desde a eternidade, Deus destinou para nossa glória. 8Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa sabedoria. Pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. 9Mas, como está escrito, 'o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram nem os ouvidos ouviram nem coração algum jamais pressentiu'. 10A nós Deus revelou esse mistério através do Espírito. Pois o Espírito esquadrinha tudo, mesmo as profundezas de Deus.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Eu te louvo ò, Pai santo, Deus do céu, Senhor da terra; os mistérios do teu reino são pequenos, Pai, revelas (Mt 11,25).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 5,17-37

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 17Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. 20Porque eu vos digo: Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. 21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno. 23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto nóo pagares o último centavo. 27Ouvistes o que foi dito: 'Não cometerás adultério'. 28Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. 30Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno. 3lFoi dito também: 'Quem se divorciar de sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio'. 32Eu, porém, vos digo: Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério. 33Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos: 'Não jurarás falso', mas 'cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor'. 34Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 35nem pela terra, porque é o suporte onde apóia os seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. 36Não jures tão pouco pela tua cabeça, porque tu não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. 37Seja o vosso 'sim': 'Sim', e o vosso 'não': 'Não'. Tudo o que for além disso vem do Maligno.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

Santo Onésimo

- por Padre Alexandre Fernandes

Bispo e mártir, Santo Onésimo teve em sua história São Paulo e também os amigos dele. O que se sabe concretamente sobre Onésimo está testemunhado na carta de São Paulo a Filémon que começa assim: “Paulo, prisioneiro de Jesus Cristo, e seu irmão Timóteo, a Filémon, nosso muito amado colaborador” (Filémon 1,1). Foi nessa missão de São Paulo que ele encontrou-se com um fugitivo escravo chamado Onésimo, cujo nome significa, em grego, útil.

Onésimo abandonou a casa de seu senhor, provavelmente levando os bens próprios deste. A partir do versículo 8, São Paulo, pede para seu amigo uma intercessão. “Por esse motivo, se bem que eu tenha plena autoridade em Cristo para prescrever-te o que é da tua obrigação, prefiro fazer apenas um apelo para a sua caridade. Eu, Paulo, idoso como estou e, agora, preso por Jesus Cristo, venho suplicar-te em favor deste meu filho que gerei na prisão: Onésimo” (Filémon 1,8-10). Esta expressão de São Paulo, de gerar, significa evangelizar, cuidar; não apenas dar a conhecer a Cristo, mas acompanhar o crescimento do cristão.

Era assim o relacionamento de amor entre Paulo e Onésimo. Mas São Paulo sabia que Onésimo precisava ir ao encontro de Filémon. Então, prossegue: “Ele poderá ter sido de pouca serventia para ti, mas agora poderá ser útil tanto para ti quanto para mim. Torno a enviá-lo para junto de ti e é como se fosse o meu próprio coração, que é amor do apóstolo, um amor que se compadece e que toma a causa”. Por isso, não só Onésimo foi ao encontro de Filémon, como este o dispensou e o perdoou.

O santo de hoje ajudou São Paulo em sua missão e chegou a ser escolhido como Bispo que, por amor a Cristo, deixou-se apedrejar, perdoando a todos e sendo testemunho para os cristãos.

Santo Onésimo, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

43. FIRMES NA FÉ

– O depósito da fé. Um tesouro que é recebido por cada geração das mãos da Igreja.

– Evitar tudo o que atenta contra a virtude da fé.

– Prudência nas leituras.

I. O SENHOR diz no Evangelho da Missa1 que Ele não veio destruir a antiga Lei, mas dar-lhe a sua plenitude; restaura, aperfeiçoa e eleva a uma ordem superior os preceitos do Antigo Testamento.

A doutrina de Jesus Cristo tem um valor perene para os homens de todos os tempos e é “fonte de toda a verdade salvífica e de toda a norma de conduta”2. É um tesouro que cada geração recebe das mãos da Igreja, que o guarda fielmente com a assistência do Espírito Santo e o expõe com autoridade. “Ao aderirmos à fé que a Igreja nos propõe, pomo-nos em comunicação direta com os Apóstolos […]; e através deles com Jesus Cristo, nosso primeiro e único Mestre; vamos à sua escola, anulamos a distância de séculos que nos separa deles”3. Graças a este Magistério vivo podemos dizer, de certo modo, que o mundo inteiro recebeu a doutrina dos lábios de Cristo e se converteu na Galiléia: toda a terra é Jericó e Cafarnaum, a humanidade está às margens do lago de Genesaré4.

A conservação fiel das verdades da fé é necessária à salvação dos homens. Que outra verdade pode salvar senão a verdade de Cristo? Que “nova verdade” pode ter interesse – nem que seja a do mais sábio dos homens –, se se afasta do ensinamento do Mestre? Quem se atreverá a interpretar ao seu gosto, mudar ou acomodar a Palavra divina? Por isso o Senhor nos adverte hoje: Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor do reino dos céus.

São Paulo exortava Timóteo com estas palavras: Guarda o depósito que te foi confiado, evitando as vaidades ímpias e as contradições da falsa ciência que alguns professam, extraviando-se da fé5. Com essa expressão – depósito –, a Igreja continua a designar o conjunto de verdades que recebeu do próprio Cristo e que há de conservar até o fim dos tempos.

A verdade da fé “não muda com o tempo, não se desgasta através da história; poderá admitir e mesmo exigir uma vitalidade pedagógica e pastoral própria da linguagem, e assim descrever uma linha de desenvolvimento, mas sempre segundo a conhecidíssima sentença tradicional de São Vicente de Lérins […]: Quod ubique, quod semper, quod ab omnibus: «Aquilo que em toda a parte, aquilo que sempre, aquilo que por todos» foi crido, isso deve ser preservado como elemento integrante do depósito da fé […]. Esta fixação dogmática defende o patrimônio autêntico da religião católica. O Credo não muda, não envelhece, não se desfaz”6. É a coluna firme que não admite concessões, nem sequer em pormenores, ainda que por temperamento se esteja inclinado a transigir: “Aborrece-te ferir, criar divisões, demonstrar intolerâncias…, e vais transigindo em atitudes e pontos – não são graves, garantes! – que trazem conseqüências nefastas para tantos. – Perdoa a minha sinceridade: com esse modo de proceder, cais na intolerância – que tanto te aborrece – mais néscia e prejudicial: a de impedir que a verdade seja proclamada”7.

II. O CRISTÃO, LIBERTADO de toda a tirania do pecado, sente-se impelido pela nova Lei de Cristo a comportar-se como um filho diante de seu Pai-Deus. As normas morais deixam então de ser meros sinais indicadores dos limites entre o permitido e o proibido, para passarem a ser manifestações do caminho que conduz a Deus, manifestações de amor.

Devemos conhecer bem e proteger cuidadosamente esse conjunto de verdades e preceitos que constituem o depósito da fé, pois é o tesouro que o Senhor nos entrega através da Igreja para que possamos alcançar a nossa salvação. E protegemo-lo especialmente quando fomentamos a piedade pessoal (a oração e os sacramentos), quando nos propomos alcançar uma séria formação doutrinal, adequada a cada um, e também quando somos prudentes nas leituras.

Todos acham razoável que, por exemplo, numa matéria de física ou de biologia, se recomendem determinados textos, se desaconselhe o estudo de outros e se declare inútil ou mesmo prejudicial a leitura desta ou daquela publicação a quem esteja realmente interessado em adquirir uma séria formação científica. Não falta, no entanto, quem se espante de que a Igreja reafirme a sua doutrina sobre a necessidade de se evitarem certas leituras que seriam danosas para a fé ou para a moral, e exerça o seu direito e o seu dever de examinar, julgar e, em casos extremos, reprovar os livros contrários à verdade religiosa8. A raiz desse assombro infundado poderia estar numa certa deformação do sentido da verdade, que admitiria um magistério no campo científico, mas consideraria impossível emitir mais do que meras opiniões no âmbito das verdades religiosas.

Ao avivarmos agora nestes minutos de oração a nossa disposição de ser fiéis ao depósito da revelação, lembremo-nos ao mesmo tempo de que a própria lei natural, inscrita por Deus em nossos corações, nos impele interiormente a dar todo o valor aos dons do Céu e conseqüentemente “obriga a evitar na medida do possível tudo o que atente contra a virtude da fé”9, tal como nos pede, por exemplo, que conservemos a vida física. Por isso, “seria um pecado pôr voluntariamente em perigo a fé com leituras perniciosas sem um motivo justificado, ainda que atualmente não se incorra em nenhuma pena eclesiástica”10.

Após uma longa experiência de estudo e de convívio com autores pagãos, São Basílio recomendava: “Deveis, pois, seguir à risca o exemplo das abelhas. Porque estas não param em qualquer flor nem se esforçam por levar tudo o que lhes oferecem as flores em que pousam no seu vôo, mas, depois de tomarem o conveniente para o seu fim, deixam o resto em paz. Também nós, se formos prudentes, extrairemos dos autores o que nos convenha e mais se pareça à verdade, e deixaremos de lado o restante. E assim como, ao colhermos a flor da roseira, fugimos dos espinhos, assim, ao pretendermos tirar o maior fruto possível de tais escritos, tomaremos cuidado com o que possa prejudicar os interesses da alma”11.

III. FELIZES AQUELES cuja vida é pura e que seguem a lei do Senhor. Felizes os que guardam com esmero os seus preceitos e o procuram de todo o coração12, diz o Salmo responsorial, avivando a nossa disposição de seguir fielmente o Senhor.

A fé é o nosso maior tesouro e não podemos expor-nos a perdê-la ou a deixar que se deteriore. Não há nada que valha a pena em comparação com a fé. Um dos nossos maiores desejos deve ser instruirmo-nos mais nela e vê-la respeitada – e não atacada ou minada – em tudo o que lemos, sem pensar que já temos suficiente formação para não nos deixarmos influenciar pelas idéias errôneas ou preconceituosas. A história testemunha de forma evidente que, mesmo que se possuam todas as condições de piedade e de doutrina, não é raro que o cristão se deixe seduzir pela parte de verdade ou pela aparência de verdade que sempre há em todos os erros13.

Mostrai-me, Senhor, o caminho das vossas leis […]. Ensinai-me a cumprir a vossa vontade, continuamos a dizer a Jesus com palavras do Salmo responsorial14. E Ele, através de uma consciência bem formada, animar-nos-á a ser humildes e a procurar nas nossas leituras um assessoramento com garantias, se devemos estudar questões científicas, humanísticas, literárias, etc. que possam infeccionar o nosso pensamento.

Se permanecermos bem junto de Cristo, se soubermos dar todo o seu valor ao dom da fé, andaremos sem falsos complexos, com naturalidade, sem o prurido superficial de “estar atualizados”, tal como se têm comportado sempre muitos intelectuais cristãos: professores, pesquisadores, etc. Se formos humildes e prudentes, se tivermos “senso comum”, não seremos “como os que tomam o veneno misturado com mel”15.

Fiéis ao ensinamento do Evangelho e do Magistério da Igreja, necessitamos de uma formação que nos permita apreciar o que se pode encontrar de válido na diversas manifestações da cultura – pois o cristão deve estar sempre aberto a tudo o que é verdadeiramente positivo –, ao mesmo tempo que detectamos o que é contrário a uma visão cristã da vida.

Peçamos à Santíssima Virgem, Sede da Sabedoria, esse discernimento no estudo, nas leituras e em todo o âmbito das idéias e da cultura. Peçamos-lhe também que nos ensine a valorizar e amar cada vez mais o tesouro da nossa fé.

18ª Semana do Tempo Comum