21 de Janeiro de 2020

2a Semana Comum Terça-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SABADO – SANTA INÊS, VIRGEM E MÁRTIR
(vermelho, pref. comum ou dos santos – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– Esta é uma virgem sábia, do número das prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada acesa.

 

Oração do dia

 

– Deus eterno e todo-poderoso, que escolheis as criaturas mais frágeis para confundir os poderosos, dai-nos ao celebrar o martírio de santa Inês, a graça de imitar sua constância na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1 Sm 16,1-13

 

– Leitura do primeiro livro de Samuel: Naqueles dias, 1o Senhor disse a Samuel: “Até quando ficarás chorando por causa de Saul, se eu mesmo o rejeitei para que não reine mais sobre Israel? Enche o chifre de óleo e vem, para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos”. 2Samuel ponderou: “Como posso ir? Se Saul o souber, vai me matar”. O Senhor respondeu: “Tomarás contigo uma novilha da manada, e dirás: ‘Vim para oferecer um sacrifício ao Senhor’. 3Convidarás Jessé para o sacrifício. Eu te mostrarei o que deves fazer, e tu ungirás a quem eu te designar”. 4Samuel fez o que o Senhor lhe disse, e foi a Belém. Os anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro, e perguntaram: “É de paz a tua vinda?” 5“Sim, é de paz”, respondeu Samuel. Vim para fazer um sacrifício ao Senhor. “Purificai-vos e vinde comigo, para que eu ofereça a vítima”. Ele purificou então Jessé e seus filhos e convidou-os para o sacrifício. 6Assim que chegaram, Samuel viu a Eliab, e disse consigo: “Certamente é este o ungido do Senhor!” 7Mas o Senhor disse-lhe: “Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. 8Então Jessé chamou Abinadab e apresentou-o a Samuel, que disse: “Também não é este que o Senhor escolheu”. 9Jessé trouxe-lhe depois Sama, e Samuel disse: “A este tampouco o Senhor escolheu”.  10Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. 11E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?” Jessé respondeu: “Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar”. 12Jessé mandou buscá-lo. Era ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!” 13Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia, o espírito do Senhor se apoderou de Davi. A seguir, Samuel se pôs a caminho e voltou para Ramá.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: 89,20.21-22.27-28 (R: 21a)

 

– Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor.
R: Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor.

– Outrora vós falastes em visões a vossos santos: “Coloquei uma coroa na cabeça de um herói e do meio deste povo escolhi o meu eleito”.

R: Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor.

– Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. Estará sempre com ele a minha mão onipotente e meu braço poderoso há de ser a sua força.

R: Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor.

– Ele, então, me invocará: ‘Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu rochedo onde encontro a salvação!’ “E por isso farei dele o meu filho primogênito, sobre os reis de toda a terra farei dele o rei altíssimo”.

R: Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Que o Pai do Senhor Jesus Cristo vos dê do saber o Espírito; para que conheçais a esperança, reservada para vós como herança! (Ef 1,17).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 2,23-28

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!  

23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?” 25Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”. 27E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santa Inês

- por Padre Alexandre Fernandes

Virgem e mártir, Santa Inês se deixou transformar pelo amor de Deus que é santo

Seu nome vem do grego, que significa pura. Ela pertenceu a uma família romana e, segundo os costumes do seu tempo, foi cuidada por uma aia (uma babá) que só a deixaria após o casamento.

Santa Inês tinha cerca de 12 anos quando um pretendente se aproximou dela; segundo a tradição, era filho do prefeito de Roma e estava encantado pela beleza física de Inês. Mas sua beleza principal é aquela que não passa: a comunhão com Deus. De maneira secreta, ela tinha feito uma descoberta vocacional, era chamada a ser uma das virgens consagradas do Senhor; e fez este compromisso. O jovem não sabia e, diante de tantas propostas, ela sempre dizia ‘não’. Até que ele denunciou Inês para as autoridades, porque sob o império de Diocleciano, era correr risco de vida. Quem renunciasse Jesus ficava com a própria vida; caso contrário, se tornava um mártir. Foi o que aconteceu com esta jovem de cerca de 12 ou 13 anos.

Tão conhecida e citada pelos santos padres, Santa Inês é modelo de uma pureza à prova de fogo, pois diante das autoridades e do imperador, ela se disse cristã. Eles começaram pelo diálogo, depois as diversas ameaças com fogo e tortura, mas em nada ela renunciava o seu Divino Esposo. Até que pegaram-na e a levaram para um lugar em Roma próprio da prostituição, mas ela deixou claro que Jesus Cristo, seu Divino Esposo, não abandona os seus. De fato, ela não foi manchada pelo pecado.

Auxiliada pelo Espírito Santo, com muita sabedoria, ela permaneceu fiel ao seu voto e ao seu compromisso; até que as autoridades, vendo que não podiam vencê-la pela ignorância, mandaram, então, degolar a jovem cristã. Ela perdeu a cabeça, mas não o coração, que ficou para sempre em Cristo.

Santa Inês tem uma basílica que foi consagrada a ela no lugar onde foi enterrada.

Santa Inês, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Por causa do homem… (Mc 2,23-28)

 

            Sim, o sábado foi feito por causa do homem. Afinal, Deus não se cansa, não precisa repousar, não precisa do sábado. O “sétimo dia” – o shabbat, uma pausa após seis dias de trabalho – foi dado ao homem pelo Criador para ritmar sua vida neste planeta, alternando o tempo de trabalho (quando o homem corre o risco de se mudar em escravo) e o tempo de descanso, de culto e de ação de graças (quando o homem recupera sua condição de liberdade).

 

            Ora, toda a Lei foi feita “por causa do homem”. Na tradução latina de São Jerônimo, “propter hominem”. Todo mandamento do Decálogo visa ao bem da pessoa humana, impedindo que seja roubada, assassinada, abandonada pelos filhos, fraudada, dominada por falsos deuses ou transformada em besta de carga.

 

            Onde a Lei é abolida (no regime socialista soviético, no regime nazista alemão ou no capitalismo selvagem), os homens são escravizados, tratados como anônima massa de mão-de-obra, impedidos de prestar culto a Deus, transformados em bucha de canhão. Sem a Lei de Deus, perdemos a liberdade.

 

            Isto vale também como freio para excessos cometidos sob a aparência de “religião”, como nas seitas que proíbem a transfusão de sangue com base em uma leitura fundamentalista da Escritura. A Igreja Católica, ao mesmo tempo que preserva o Dia do Senhor, sempre entendeu que há certas atividades, essenciais para a vida social que não podem ser interrompidas mesmo no Domingo, como o trabalho os médicos de plantão, dos motoristas dos coletivos etc. Aliás, o Domingo é exatamente o dia em que os sacerdotes estão mais ocupados em seu trabalho e nem por isso quebram o mandamento de guardar o Shabbat. (Cf. Mt 12,5.) Do mesmo modo, enfermos e idosos ficam dispensados do preceito da missa dominical.

 

            A religião deve ser libertadora. Não pode ser reduzida a uma camisa-de-força, uma espécie de molde rígido onde as pessoas devem entrar espremidas, forçadas, engessadas. Do contrário, corremos o risco do farisaísmo, quando as aparências são mantidas, mas o coração fica longe de Deus. Tal como os fariseus do tempo de Jesus, que declaravam “corban”, isto é, consagrados a Deus, os bens que possuíam, para assim ficarem desobrigados de socorrer os próprios pais em suas necessidades.

 

            E minha vida? Também é “por causa do homem”?

 

Orai sem cessar: “Por meus irmãos e meus amigos, digo:

                             ‘Reine a Paz sobre ti!’” (Sl 122,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

29ª Semana do Tempo Comum

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