24 de Janeiro de 2021

Terceira semana do tempo Comum- Domingo

- por Pe. Alexandre

III DOMINGO DO TEMPO COMUM

(verde, glória, creio, III semana do saltério)

 

Antífona da entrada

– Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor, majestade e beleza brilham no seu templo santo (Sl 95, 1.6).

 

Oração do dia

– Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Jn 3,1-5.10

– Leitura da profecia de Jonas: 1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, pela segunda vez: 2“Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe a mensagem que eu te vou confiar”. 3Jonas pôs-se a caminho de Nínive, conforme a ordem do Senhor. Ora, Nínive era uma cidade muito grande; eram necessários três dias para ser atravessada. 4Jonas entrou na cidade, percorrendo o caminho de um dia; pregava ao povo dizendo: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída”. 5Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram fazer jejum, e vestiram sacos, desde o superior ao inferior. 10Vendo Deus as suas obras de conversão e que os ninivitas se afastavam do mau caminho, compadeceu-se e suspendeu o mal que tinha ameaçado fazer-lhes, e não o fez.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 25,4ab-5ab.6-7bc.8-9 (R: 4a.5a)

 

– Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza!
R: Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza!

– Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação.

R: Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza!

– Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão que são eternas! De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor!

R: Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza!

– O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho.
R: Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza!

2ª Leitura: 1 Cor 7,29-31

 

– Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios: 29Eu digo, irmãos: o tempo está abreviado. Então que, doravante, os que têm mulher vivam como se não tivessem mulher; 30e os que choram, como se não chorassem, e os que estão alegres, como se não estivessem alegres; e os que fazem compras, como se não possuíssem coisa alguma; 31e os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois a figura deste mundo passa.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

– Aleluia, aleluia, aleluia.

– Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– O reino do céu está perto! Convertei-vos, irmãos, é preciso! Crede todos no evangelho! (Mc 1,15).

 

– Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 1,14-20

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos

– Glória a vós, Senhor!   14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo:  15O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”  16E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.  17Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”.  18E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. 19Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

São Francisco de Sales

- por Pe. Alexandre

 

São Francisco de Sales

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Deus é o Deus do coração humano, nestas palavras aparentemente simples vemos a característica da espiritualidade de um grande mestre, que hoje a Igreja celebra: são Francisco de Sales. Ele nasceu em 1567, numa região francesa de fronteira, filho do Senhor de Boisy, antiga e nobre família de Sabóia. Viveu entre dois séculos, XVI-XVII, e reuniu em si o melhor dos ensinamentos e das conquistas culturais do século que terminava, reconciliando a herança do humanismo com o impulso rumo ao absoluto, próprio das correntes místicas. A sua formação foi muito atenta; realizou os estudos superiores em Paris, dedicando-se também à teologia, e na Universidade de Pádua fez os estudos de jurisprudência, direito canónico e direito civil.

Na sua juventude, ponderando sobre o pensamento dos santos Agostinho e Tomás de Aquino, teve uma crise profunda que o levou a interrogar sobre a própria salvação eterna e acerca da predestinação de Deus para a sua vida e padeceu como verdadeiro drama espiritual as principais questões teológicas da sua época.

Rezava intensamente, mas a dúvida atormentou-o de maneira tão forte, que durante algumas semanas praticamente não conseguiu comer nem dormir. No ápice da provação foi à igreja dos Dominicanos, em Paris, abriu o seu coração e orou diante do Altar confiando toda  a sua vida a misericórdia de Deus.

Francisco, então com vinte anos, encontrou a paz na realidade radical e libertadora do amor de Deus: amá-lo sem nada pedir em troca e confiar no amor divino; Assim encontrou a paz, e a questão da predestinação — sobre a qual se debatia naquela época — tinha sido resolvida, porque ele não buscava mais do que podia receber de Deus; amava-O simplesmente, abandonando-se à sua bondade. E este será o segredo da sua vida, que transparecerá na sua obra principal: o Tratado do amor de Deus.

 

Vencendo as resistências do pai, Francisco seguiu o chamamento do Senhor e, no dia 18 de Dezembro de 1593, foi ordenado sacerdote. Em 1602 tornou-se Bispo de Genebra, num período em que a cidade era uma fortaleza do Calvinismo, a tal ponto que a sede episcopal se encontrava «no exílio», em Annecy. Foi Pastor de uma diocese pobre e atormentada. São Francisco é apóstolo, pregador, escritor, homem de ação e de oração; comprometido na realização dos ideais do Concílio de Trento; empenhado na controvérsia e no diálogo com os protestantes, experimentando cada vez mais, para além do necessário confronto teológico, a eficácia da relação pessoal e da caridade; encarregado de missões diplomáticas a nível europeu, e de tarefas sociais de mediação e de reconciliação. Mas sobretudo, são Francisco de Sales é guia de almas: do encontro com uma jovem,  encontrará inspiração para escrever um dos livros mais lidos na era moderna, a Introdução à vida devota; da sua profunda comunhão espiritual com uma personalidade extraordinária, santa Joana Francisca de Chantal, nascerá uma nova família religiosa, a Ordem da Visitação, caracterizada — como o santo desejava — por uma consagração total a Deus, vivida na simplicidade e na humildade, a cumprir extraordinariamente bem as tarefas ordinárias e glorificar a Deus Nosso Senhor com humildade.

Faleceu em 1622, com cinquenta e cinco anos de idade, depois de uma existência marcada pela dureza dos tempos e da obra apostólica.

A vida de são Francisco de Sales foi relativamente breve, mas vivida com grande intensidade. Da figura deste santo emana uma impressão de rara plenitude, demonstrada na tranquilidade da sua investigação intelectual, mas também na riqueza dos seus afetos, na «docilidade» dos seus ensinamentos, que tiveram uma grande influência sobre a consciência cristã.

Na Filotea, destinatária ideal da sua Introdução à vida devota, Francisco de Sales dirige um convite que, nessa época, podia parecer revolucionário. Trata-se do convite a pertencer completamente a Deus, vivendo em plenitude a presença no mundo e as tarefas da sua condição.

Assim nascia aquele apelo aos leigos, o cuidado pela consagração das realidades temporais e pela santificação da vida diária, sobre o qual insistirão depois o Concílio Vaticano II e a espiritualidade do nosso tempo. Manifestava-se o ideal de uma humanidade reconciliada, na sintonia entre ação no mundo e oração, entre condição secular e busca da perfeição, com a ajuda da Graça de Deus, que permeia o humano e, sem o destruir, o purifica, elevando-o às alturas divinas.

Meditação

- por Pe. Alexandre

Completou-se o tempo! (Mc 1,14-20)

 

Vivemos no tempo. Somos seres “históricos, ainda que vocacionados ao eterno. Foi-nos dado um começo. Chegaremos sem dúvida a um final. Entre os dois extremos, uma duração: é nesta duração que somos chamados a cumprir uma tarefa essencial: nosso encontro definitivo com Deus.

Esta condição “histórica é a marca registrada dos seres humanos: efêmeros, sim, mais frágeis que a erva que brotou nos telhados (cf. Sl 129,6), mas dotados de um potencial de eternidade que deriva de nossa comunhão com a vida divina. Quem dela participa, não morrerá para sempre (cf. Jo 11,26). Daí a importância da fé que leva à inadiável conversão e mudança de vida.

Comentando a liturgia deste Domingo, o teólogo Hans Urs Von Balthasar afirma que o tema dos três textos é a urgência da conversão; não há mais tempo para outra coisa.

“O Evangelho mostra as consequências do tempo que Jesus proclama “cumprido”. Com este cumprimento, o Reino de Deus se encontra no limiar do tempo terrestre, e torna-se também importante consagrar-se a este começo infalível com toda a sua existência. Não fazemos isto espontaneamente: somos chamados e equipados por Deus.

Aqui, quatro discípulos são chamados por Jesus a deixarem a sua atividade profana – e eles obedecem a este chamado sem vacilar – a fim de serem equipados para sua vocação no Reino de Deus: eles serão pescadores de homens: pescar, eles podem…

Estas são vocações exemplares e não podemos, propriamente, falar de exceções. Também cristãos que permanecem em sua profissão secular foram chamados ao serviço do Reino que Jesus anuncia. Para seguir a este chamado, eles têm necessidade exatamente da indiferença de que Paulo falou na segunda leitura.

Assim como os filhos de Zebedeu deixam seu pai e os operários para seguirem a Jesus, assim também o cristão que permanece no mundo deve deixar muito daquilo que lhe parecia indispensável, se quiser seguir seriamente a Jesus. “Quem pôs a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus. (Lc 9,62.)”

Ainda temos tempo. Não sabemos quanto. Mas como é precioso este tempo que nos foi dado para o exercício do amor! Tempo valioso demais para ser desperdiçado em pequenas brincadeiras, suaves diversões.

De todo modo, não deixa de ser consolador o registro evangélico sobre o ladrão crucificado ao lado de Jesus (cf. Lc 23,40-42). Tudo indica que Dimas vinha desperdiçando seu tempo de vida. Mas ele ainda teve tempo. Ao apagar das luzes, viu a Luz…

29ª Semana do Tempo Comum

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