26 de Agosto de 2020

21a semana comum Quarta-feira

- por Pe. Alexandre

QUARTA FEIRA – XXI SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – I semana do saltério)

 

Antífona da entrada

– Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e escutai-me; salvai, meu Deus, o servo que confia em vós. Tende compaixão de mim, clamo por vós o dia inteiro (Sl 85,1).

 

Oração do dia

– Deus que uni os corações dos vossos fieis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde encontram as verdadeiras alegrias. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 2Ts 3,6-10.16-18

– Leitura da segunda carta de são Paulo aos Tessalonicenses: 6Nós vos ordenamos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos afasteis de todo irmão que se comporta de maneira desordenada e contrária à tradição que de nós receberam. 7Bem sabeis como deveis seguir o nosso exemplo, pois não temos vivido entre vós na ociosidade. 8De ninguém recebemos de graça o pão que comemos. Pelo contrário, trabalhamos com esforço e cansaço, de dia e de noite, para não sermos pesados a ninguém. 9Não que não tivéssemos o direito de fazê-lo, mas queríamos apresentar-nos como exemplo a ser imitado. 10Com efeito, quando estávamos entre vós, demos esta regra: “Quem não quer trabalhar também não deve comer”. 16Que o Senhor da paz, ele próprio, vos dê a paz, sempre e em toda a parte. O Senhor esteja com todos vós. 17Esta saudação é de meu próprio punho, de Paulo. Assim é que assino todas as minhas cartas; é a minha letra. 18A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vós.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 128,1-2.4-5 (R: 1a)

 

– Felizes todos que respeitam o Senhor!
R: Felizes todos que respeitam o Senhor!

– Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem!

R: Felizes todos que respeitam o Senhor!

– Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

R: Felizes todos que respeitam o Senhor!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– O amor de Deus se realiza em todo aquele que guarda a sua Palavra fielmente (1Jo 2,5).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 23,27-32

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, disse Jesus: 27“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão! 28Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça. 29Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, 30e dizeis: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas’. 31Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. 32Completai, pois, a medida de vossos pais!”

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São Zeferino

- por Pe. Alexandre

Zeferino era romano, filho de Abôndio e assumiu no século II a Cátedra de Pedro, num período de grande perseguição para os cristãos, tanto assim que os seus treze predecessores morreram todos mártires.

O que mais abalava a Igreja não eram as perseguições e massacres, mas sim as heresias que foram surgindo conjuntamente à tentativa de elaborar as Revelações com dados puramente filosóficos. Os gnósticos chegavam a negar a divindade de Cristo; Teodoro subordinou de tal forma Cristo ao Pai que fez dele uma simples criatura e Montano profetizava e pregava sobre o fim do mundo a partir da consciência de ser a revelação do Espírito Santo.

Diante de todas as agitações, São Zeferino, mesmo não sendo um teólogo e nem escritor, soube com o bom senso e a ajuda do Espírito Santo unir-se a grande sábios da ortodoxia da época, como Santo Irineu, Hipólito e Tertuliano, a fim de livrar os cristãos da mentira e rigorismos. São Zeferino foi martirizado e entrou na Igreja Triunfante no ano de 217.

São Zeferino, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

 

78. AMAR O TRABALHO PROFISSIONAL

– O exemplo de São Paulo.

– A qualidade humana do trabalho.

– Amar a nossa ocupação profissional.

I. O TRABALHO É um dom de Deus, um grande bem para o homem, ainda que seja “o sinal de um bem árduo, conforme a terminologia de São Tomás […]. E é não somente um bem útil ou para ser usufruído, mas um bem digno, isto é, um bem que corresponde à dignidade do homem, que expressa essa dignidade e a aumenta”1. Uma vida sem trabalho corrompe‑se, e, no trabalho, o homem “torna‑se mais homem”2, mais digno e mais nobre, se o realiza como Deus quer.

O trabalho é conseqüência do preceito de dominar a terra3 dado por Deus à humanidade, que se tornou penoso pelo pecado original4, mas que constitui o “eixo da nossa santidade e o meio sobrenatural e humano apto para levarmos Cristo conosco e fazermos o bem a todos”5. É como que a coluna vertebral do homem, que dá base de sustentação a toda a sua vida, e o meio através do qual devemos alcançar a nossa santidade e a dos outros. Um modo errôneo de equacionar o trabalho profissional pode repercutir em toda a vida do homem, mesmo nas suas relações com Deus.

Por isso, compreendemos bem os males que a preguiça, o trabalho mal feito, as tarefas realizadas pela metade podem ocasionar… “O ferro que jaz ocioso, consumido pela ferrugem, torna‑se mole e inútil; mas, se é empregado no trabalho, é muito mais útil e belo, e não fica muito atrás da prata pelo seu brilho. A terra baldia não produz nada de útil, mas mato, cardos, espinhos e árvores infrutíferas; mas a que é cultivada coroa‑se de suaves frutos. E, para dizê‑lo numa só palavra, todo o ser se corrompe pela ociosidade e se aperfeiçoa pela operação que lhe é própria”6; o homem, pelo seu trabalho.

São Paulo, como lemos na primeira Leitura da Missa7, fala aos primeiros cristãos de Tessalônica do modo como se comportou com eles enquanto lhes pregava a Boa Nova de Jesus: Estais lembrados – diz‑lhes – dos nossos trabalhos e fadigas; trabalhando noite e dia para não sermos pesados a nenhum de vós…8 E mais tarde, na segunda Epístola: Vós mesmos sabeis como deveis imitar‑nos; pois não vivi entre vós sem trabalhar, nem comi de graça o pão de ninguém, mas trabalhei e cansei‑me de noite e de dia para não ser pesado a ninguém9. O Espírito Santo, com este exemplo, inculcava‑nos um princípio prático bem claro a seguir: Se alguém não quiser trabalhar, que não coma.

Hoje, na nossa oração serena e sossegada, temos que ter presente que o Senhor também espera de nós esse mesmo espírito de laboriosidade, de trabalho intenso, que se viveu entre os primeiros cristãos. Um dos escritos cristãos mais antigos – a Didaquê – deixou‑nos este admirável testemunho: “Todo aquele que chegar a vós em nome do Senhor, seja recebido; depois, examinando‑o, vireis a conhecê‑lo […]. Se quem chega é um viajante, não permanecerá entre vós mais do que dois dias ou, se for necessário, três. Mas, se quiser estabelecer‑se entre vós, tendo um ofício, que trabalhe e assim se alimente. E se não tiver ofício, provede conforme a vossa prudência, de modo que não viva entre vós nenhum cristão ocioso. Se não quiser fazer assim, é um traficante de Cristo; estai alerta contra esses”10.

II. NOS SEUS ANOS de Nazaré, o Senhor deu‑nos um exemplo admirável da importância do trabalho e da perfeição humana e sobrenatural com que devemos realizar a nossa tarefa profissional. “Jesus, crescendo e vivendo como um de nós, revela‑nos que a existência humana, a vida comum e de cada dia, tem um sentido divino. Por muito que tenhamos considerado estas verdades, devemos encher‑nos sempre de admiração ao pensar nos trinta anos de obscuridade que constituem a maior parte da vida de Jesus entre os seus irmãos, os homens. Anos de sombra, mas, para nós, claros como a luz do sol”11.

A sua própria maneira de falar, as parábolas e imagens que emprega na sua pregação revelam um homem que conheceu muito de perto o trabalho; fala sempre “para quem se afana, para uma vida ordinária sempre regida pela lei da normalidade, pela aparição previsível dos mesmos problemas para as mesmas pessoas. Este é o ambiente da pregação de Cristo; os seus ensinamentos ficaram graficamente inseridos neste contexto. Não era o “filósofo”, nem o “visionário”, mas o artesão. Alguém que trabalhava, como todos”12.

Durante a sua vida pública, o Mestre chamou para junto de si pessoas que estavam habituadas ao trabalho: São Pedro, pescador de ofício, voltará às suas tarefas de pesca logo que tiver a primeira oportunidade13; São Mateus é convidado a seguir o Senhor num momento em que estava ocupado no seu ofício de cobrador de impostos, e o mesmo aconteceu com os outros Apóstolos.

Quando São Paulo partiu de Atenas e chegou a Corinto, encontrou um judeu chamado Áquila, originário do Ponto, e sua esposa Priscila. Juntou‑se a eles. E como era do mesmo ofício, hospedou‑se em casa deles e trabalhava em companhia de Áquila; ambos eram fabricantes de lonas14. Foi durante essa estadia de ano e meio em Corinto que São Paulo escreveu as exigentes exortações que dirigiu aos cristãos de Tessalônica, convencido de que muitos dos males que vinham afligindo aquela comunidade cristã se deviam à circunstância de que alguns eram mais dados a falar e a andar de casa em casa do que a ocupar‑se no seu trabalho.

Devemos examinar com freqüência a qualidade humana do nosso trabalho: se o começamos e terminamos no horário previsto, ainda que alguns dos nossos colegas, ou mesmo todos, não o façam; se o realizamos com ordem, sem deixar para o fim os assuntos mais difíceis ou menos gratos; se trabalhamos intensamente, procurando evitar conversas, chamadas telefônicas inúteis ou menos necessárias; se procuramos melhorar constantemente a qualidade desse trabalho com o estudo oportuno, procurando estar atualizados nas novas questões que surgem em todas as profissões; se nos excedemos em cumpri‑lo, como acontece com tudo o que se ama, mas com prudência e retidão, sem prejudicar o tempo que devemos à família, ao apostolado, à nossa formação espiritual e religiosa… Numa palavra, contemplemos Jesus na sua oficina de Nazaré, peçamos licença ao Senhor para entrar ali com os olhos da fé, e então veremos se o nosso trabalho tem a qualidade e a profundidade que Ele pede aos que o seguem.

III. TEMOS QUE AMAR e cuidar do nosso trabalho porque é um preceito do nosso Pai‑Deus. Mediante o trabalho de todos os dias, a personalidade desenvolve‑se, ganha‑se o preciso para as necessidades da família e para as pessoais, bem como para prestar ajuda às boas obras de formação, de apostolado, etc. Temos que amar o trabalho e convertê‑lo ao mesmo tempo em tema e campo de oração, porque, acima de tudo, é caminho de santidade.

Podemos oferecer todos os dias ao Senhor imensas coisas que procuramos que estejam bem feitas: o estudante poderá oferecer‑lhe horas de estudo intensas e seguidas; a mãe de família, a solicitude eficaz pelos filhos, pelo marido, o cuidado dos mil detalhes que fazem da sua casa um verdadeiro lar; o médico, a par da competência profissional, o trato amável e acolhedor com os pacientes; as enfermeiras, essas horas cheias de serviço contínuo, como se cada um dos doentes fosse o próprio Cristo…

É no meio e na execução do próprio trabalho que devem surgir com freqüência os pedidos de ajuda ao Senhor, as ações de graças, os desejos de dar glória a Deus com aquilo que temos entre mãos… Nós, os cristãos correntes, os simples leigos, não nos santificamos apesar do trabalho, mas através do trabalho; encontramos o Senhor nos mais variados incidentes que o compõem, uns agradáveis, outros menos, mas todos eles o campo por excelência em que se exercitam as virtudes humanas e as sobrenaturais.

O amor ao nosso trabalho profissional levar‑nos‑á freqüentemente a permanecer, talvez por muitos anos ou por toda a vida, na mesma tarefa. Isto não significa que não devamos aspirar a conseguir uma situação ou um lugar de trabalho de mais destaque. Mas esse desejo legítimo, que faz parte da boa mentalidade profissional, não deve causar intranqüilidade nem desassossego, como se o êxito profissional e financeiro fosse o único motivo que nos leva a trabalhar. Os cristãos não devem medir os seus trabalhos unicamente pelo dinheiro, como se fosse o que em última análise lhes importa. Enquanto não nos chegam essas oportunidades de subir na escala profissional, se fizemos jus a isso, devemos santificar precisamente essas tarefas que nos ocupam, sem uma mentalidade provisória que comprometeria a sua eficácia santificadora.

E por fim, lembremo‑nos de que São Paulo, no meio da preocupação por sustentar‑se e não ser gravoso a ninguém, continuava a ser o Apóstolo das gentes, o eleito de Deus, e servia‑se da sua profissão para aproximar os outros de Cristo. Assim devemos nós fazer, qualquer que seja o nosso ofício e o nosso lugar na sociedade.

29ª Semana do Tempo Comum

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