A luz no mundo

A luz no mundo

Deus disse: “Faça-se a luz”. E a luz se fez. Deus viu que a luz era boa.
No primeiro capítulo do primeiro livro da Sagrada Escritura, a luz é a 29ª
palavra dita por Deus e a terceira coisa a ser criada, logo após o céu e a terra,
ainda no primeiro dia. No quarto dia, apareceram no firmamento o grande
luzeiro (sol) para presidir o dia e o luzeiro menor (lua) para presidir a noite e
separar a luz das trevas. E Deus viu que era bom.

De lá para cá, o mundo mudou, mas a humanidade sempre soube: ter luz é
bom. Nas grutas escuras de Belém, por mais de 30 anos, São Jerônimo devia
agradecer à luz das velas que lhe permitiam traduzir toda a bíblia do grego e do
hebraico para a elegância clássica do seu latim, daí surgindo a “Vulgata”, que
significa de “uso comum”, tradução usada durante quase quinze séculos.
Estava São Jerônimo, então, nos tirando das trevas para a luz ao abastecer o
mundo com as palavras do Antigo e do Novo Testamento.

Dos anos 350 a 420 vamos para esses dias de 2018, quando chove tanto que
são normais os cortes de energia. E que fazemos nesses momentos?
Acendemos uma vela, duas, três. Precisamos iluminar os caminhos, vencer a
escuridão. Já nas festas de aniversário, as velas são a alegria do bolo. E antes
da missa, quem não acompanha o acender das velas no altar? A celebração
vai começar. Nas procissões uma vela acende a outra, enquanto se anda
devagar, tomando conta que o vento não sopre forte e apague a chama que
ilumina mais os corações que os caminhos.

Mãos postas em oração, ajoelhada diante do santo de devoção, a mãe acende
uma vela para rezar para o filho. Seja diante do oratório dentro de casa, na
capela do sítio, no velário de Nossa Senhora. Velas acesas sempre estão
ligadas às orações.

Antes da era cristã, Deus foi o Sol Invencível, festejado pelos pagãos de Roma,
o sol que trazia os raios da salvação. No NT, Cristo não só é a luz do mundo
como nos convida a sê-lo (“Vós sois a luz do mundo”). Neste Advento,
deixemos a luz sempre acesa, pois assim a tristeza não entra, a lágrima não
rola, a esperança não desiste de esperar. Sejamos velas acesas. Para que no
25º dia de dezembro, quando o Menino chegar, Deus veja e ache tudo bom.