01 de Dezembro de 2019

1a ª semana do Advento Domingo

- por Padre Alexandre Fernandes

1º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A

 (roxo, creio, prefácio do Advento I, ofício da I semana do saltério )

 

Antífona da entrada

 

– A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera (Sl 24,1).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus todo-poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 2,1- 5

 

– Leitura do livro do profeta Isaías: 1Visão de Isaías, filho de Amós, sobre Judá e Jerusalém. 2Acontecerá, nos últimos tempos, que o monte da casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas e dominará as colinas. A ele acorrerão todas as nações, 3para lá irão numerosos povos e dirão: 'Vamos subir ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que ele nos mostre seus caminhos e nos ensine a cumprir seus preceitos'; porque de Sião provém a lei e de Jerusalém, a palavra do Senhor. 4Ele há de julgar as nações e arguir numerosos povos; estes transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices: não pegarão em armas uns contra os outros e não mais travarão combate. 5Vinde, todos da casa de Jacó, e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus

 

Salmo Responsorial: Sl 121, 1-2.4-5.6-7.8-9 (R: 1)

 

R: Que alegria, quando me disseram: 'Vamos à casa do Senhor!

– Que alegria, quando ouvi que me disseram: 'Vamos à casa do Senhor!'
E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas. 
R: Que alegria, quando me disseram: 'Vamos à casa do Senhor!

– para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor. Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está e o trono de Davi. 

R: Que alegria, quando me disseram: 'Vamos à casa do Senhor!

– Rogai que viva em paz Jerusalém, e em segurança os que te amam! Que a paz habite dentro de teus muros, tranquilidade em teus palácios! 
R: Que alegria, quando me disseram: 'Vamos à casa do Senhor!

– Por amor a meus irmãos e meus amigos, peço: 'A paz esteja em ti!' Pelo amor que tenho à casa do Senhor, eu te desejo todo bem! 

R: Que alegria, quando me disseram: 'Vamos à casa do Senhor!

 

2ª Leitura: Romanos 13, 11-14

 

– Irmãos: 11Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar.
Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando  abraçamos a fé. 12A noite já vai adiantada, o dia vem chegando:
despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz. 13Procedamos honestamente, como em pleno dia: nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades.
14Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo

 

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia

 

– Mostrai-nos, ó Senhor, a vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei! (Sl 84,8)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mc 24, 37- 44

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: 37'A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. 38Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. 39E eles nada perceberam até que veio o dilúvio e  arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem. 40Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado. 41Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada e a outra será deixada. 42Portanto, ficai atentos! porque não sabeis em que dia virá o Senhor. 43Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

 

 

Santo Elígio

- por Padre Alexandre Fernandes

Santo Elígio nasceu em Limoges no ano de 588, de nobre família galo-romana, exerceu várias profissões e chegou a Bispo.

Elígio (também conhecido pelo nome de Elói) que em Paris tinha trabalhado como aprendiz junto com o superintendente de confecções de moedas reais, empenhou-se tanto e com tamanha honestidade que, com o precioso metal (ouro) que lhe foi fornecido para fazer um trono para o rei Clotário II, ele fez dois tronos, isso valeu-lhe a promoção de diretor da casa da moeda e ourives do rei. Ainda existem muitas moedas assinadas por Elígio e sabe-se que, em determinada altura, também cunhou moedas em Marselha.

No tempo de Dagoberto II, filho e sucessor de Clotário II, Elígio foi um dos conselheiros mais influentes do rei. Diz-se que os enviados dos príncipes estrangeiros se avistavam previamente com ele, antes de serem recebidos oficialmente pelo soberano. Era diplomata hábil e por mais de uma vez conseguiu evitar a guerra. Gozava de tanta confiança junto do rei, que não só se permitia fazer-lhe reparos sobre a indumentária descuidada, mas também sobre a sua vida privada que, como se sabe, deixava ainda mais a desejar.

O tempo que sobrava a este homem da corte, dos seus negócios e orações, de acudir aos pobres, remir cativos ou libertar escravos, empregava-o em honrar com a sua arte as relíquias dos santos. Atribuem-se-lhe os relicários feitos para S. Germano de Paris, S. Piat, S. Severino, S. Martinho, Santa Comba e Santa Genoveva. Diz-se que decorou também com trabalhos de ourivesaria o túmulo de S. Dinis. Além disso, fundou mosteiros, entre os quais um perto de Solignac em Limousin, outro dedicado a S. Martinho de Noyon e ainda outro a seis milhas de Arrás, numa colina que depois se chamou Monte de Santo Elói (Santo Elígio).

Em 639, morto o rei, demitiu-se de todos os cargos, para entrar na vida eclesiástica, tendo sido ordenado sacerdote por Deodato, Bispo de Mans. Foi sagrado Bispo em Ruão, no dia 14 de maio de 641, e ocupou desde então a Sé Episcopal de Noyon. Foi grande organizador, apóstolo cheio de zelo, sabedoria e bondade. A sua atividade irradiou para Flandres, Holanda e até, segundo se conta, para a Suécia e Dinamarca.

Faleceu no ano de 659 com 71 anos de idade.

Santo Elígio, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Se o dono da casa soubesse… (Mt 24,37-44)

 

            Sim, se ele soubesse da hora em que viria o assaltante, estaria preparado para defender a sua casa. Mas ele não sabe… Como diz Jesus, “não vos pertence saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade”. (At 1,7)

 

            O Senhor nos somente dá um conselho: “Vigiai!” Só que temos entendido essa vigilância como uma atitude de crispação, como quem tranca sua porta e se arma para impedir uma invasão. Ora, é exatamente o contrário: a vigilância do cristão, em tempos de Advento do Senhor, é uma abertura total Àquele que vem. Trata-se de escancarar as portas, as janelas e o coração, para que o Visitante do Natal encontre espaço em nós, em nossa vida, em todo o nosso ser.

 

            Eis o comentário de Hans Urs von Balthasar: “Antes de distinguir entre uma primeira e uma segunda Vinda de Deus, importa que compreendamos a mensagem geral do Advento e a premente exortação que ele contém: Deus vem até nós. Era este o crescente pressentimento de toda a Antiga Aliança que, com a chegada de seu Messias, esperava também o tempo final, o pressentimento imediato de Joao Batista que, segundo os três sinóticos, não queria fazer outra coisa senão preparar no deserto o caminho do Senhor e anunciar um julgamento definitivo: “O machado já se encontra na raiz das árvores”. (Lc 3,9) O que evem depois dele é a última decisão divina da história”.

 

            Os três textos da liturgia deste Domingo estão orientados para a vinda de Deus ao meio dos homens. Tentam despertar-nos do sono e da indiferença e reacender em nós aquela virtude cada vez mais rara no meio da sociedade: a esperança. Por desespero ou ceticismo, a grande massa já não espera nada, apenas vive (ou sobrevive) no presente.

 

            O cristão, porém, que conserva em seu íntimo um traço da infância, insiste em esperar por Deus. Claro que os antigos não esperavam pelo grande acontecimento nos moldes em que ele ocorreu: o próprio Deus se fazer carne, nascer de Mulher, assumir plenamente nossa humanidade – exceto o pecado – e tornar-se a vítima de nossa salvação, ao preço de seu próprio sangue.

 

            Alguns temem a vinda de Deus. Parece que temem perder algo com o cumprimento da divina promessa. O cristão, ao contrário, junta-se aos pastores da terra e aos anjos do céu, à espera da mais luminosa de todas as noites.

 

Orai sem cessar: “Sim, eu venho em breve…” (Ap 22,20)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum