01 de Fevereiro de 2020

3a Semana Comum Sábado

- por Padre Alexandre Fernandes

SABADO DA III SEMANA COMUM 

(verde, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor majestade e beleza brilham no seu templo santo (Sl 95, 1.6).

 

Oração do dia

 

– Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 2Sm 12,1-7.10-17

 

– Leitura do segundo livro de Samuel: Naqueles dias, 1o Senhor mandou o profeta Natã a Davi. Ele foi ter com o rei e lhe disse: “Numa cidade havia dois homens, um rico e outro pobre. 2O rico possuía ovelhas e bois em grande número. 3O pobre só possuía uma ovelha pequenina, que tinha comprado e criado. Ela crescera em sua casa junto com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo do mesmo copo, dormindo no seu regaço. Era para ele como uma filha. 4Veio um hóspede à casa do homem rico, e este não quis tomar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para preparar um banquete e dar de comer ao hóspede que chegara. Mas foi, apoderou-se da ovelhinha do pobre e preparou-a para o visitante”. 5Davi ficou indignado contra esse homem e disse a Natã: “Pela vida do Senhor, o homem que fez isso merece a morte! 6Pagará quatro vezes o valor da ovelha, por ter feito o que fez e não ter tido compaixão”. 7aNatã disse a Davi: “Esse homem és tu! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: 10Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher do hitita Urias para fazer dela a tua esposa. 11Assim diz o Senhor: Da tua própria casa farei surgir o mal contra ti e tomarei as tuas mulheres, sob os teus olhos, e as darei a um outro, e ele se aproximará das tuas mulheres à luz deste sol. 12Tu fizeste tudo às escondidas. Eu, porém, farei o que digo diante de todo o Israel e à luz do sol”. 13Davi disse a Natã: “Pequei contra o Senhor”. Natã respondeu-lhe: “De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás! 14Entretanto, por teres ultrajado o Senhor com teu procedimento o filho que te nasceu morrerá”. 15E Natã voltou para a sua casa. O Senhor feriu o filho que a mulher de Urias tinha dado a Davi e ele adoeceu gravemente. 16Davi implorou a Deus pelo menino e fez um grande jejum. E, voltando para casa, passou a noite deitado no chão. 17Os anciãos do palácio insistiam com ele para que se levantasse do chão; mas ele não o quis fazer nem tomar com eles alimento algum.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 51, 12-17 (R: 12a).

 

– Criai em mim um coração que seja puro!
R: Criai em mim um coração que seja puro!

–  Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

R: Criai em mim um coração que seja puro!

–  Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados.

R: Criai em mim um coração que seja puro!

– Da morte como pena, libertai-me, e minha língua exaltará vossa justiça! Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor!

R: Criai em mim um coração que seja puro!
 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Deus o mundo tanto amou, que lhe deu seu próprio Filho, para que todo que nele crer encontre vida eterna (Jo 3,16).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 4, 35-41

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos

– Glória a vós, Senhor!  

35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!” 36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava na barca. Havia ainda outras barcas com ele. 37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” 39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que estais com medo? Ainda não tendes fé?” 41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santa Veridiana

- por Padre Alexandre Fernandes

Nasceu em Florença, em 1182, numa família nobre que respeitava as opções de Veridiana com relação a Deus. Ela trabalhou com um tio comerciante e o ajudou a administrar seus negócios, mas percebeu que sua vocação era muito mais do que administrar; era deixar que o próprio Deus cuidasse dela e de sua história.

Jovem de oração, de penitência e contemplação, priorizou a vontade do Senhor, por isso chegou a um ponto em que deixou tudo para seguir a vontade de Deus, trabalhando e servindo-O por meio dos pobres e peregrinos.

Na época em que administrava o comércio do tio, já ajudava os pobres. Mas, agora, ela se doava para os seus irmãos mais necessitados. Ficou gravemente ferida, quando, ao fazer uma peregrinação pelos túmulos de São Pedro e São Paulo, foi a pé e descalça pedindo esmolas. Santa Veridiana ofereceu todos esses seus sacrifícios pela conversão das pessoas.

Uma mulher possuída pelo Espírito Santo, foi dócil à vontade de Deus e viveu o restante de sua vida acamada, enferma, oferecendo-se ao Senhor, aconselhando muitas pessoas e intercedendo por todos. Seus alimentos eram pão e água.

Mulher penitente e feliz, viveu até os 60 anos de idade consumindo-se de amor a Deus para o bem dos irmãos.

Santa Veridiana, neste tempo marcado pelo hedonismo e pela busca desenfreada por prazeres, nos aponta, denuncia que não é este o caminho da felicidade, mas apenas um: Nosso Senhor Jesus Cristo.

Peça a intercessão dessa santa para que todos possam, na oração, na penitência, na doação ao irmão, encontrarmos a verdadeira felicidade.

Santa Veridiana, rogai por nós!

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Por que estais com medo? (Mc 4,35-41)

 

            O coração do homem pode ser morada de feras terríveis, como o ódio, a inveja e o ciúme. Mas é o medo que paralisa seus passos, recolhe suas mãos e impede que ele assuma a missão que Deus lhe reservou.

 

            Neste Evangelho, um vendaval ameaça levar ao fundo a barca que vai sendo inundada pela água embravecida. Jesus dormia, como anotou o Evangelista? Ou simulava dormir no meio de toda a agitação, testando a reação dos discípulos? O fato que é eles vão acordá-lo, vencidos pelo terror. “Não te importa que pereçamos?”

 

            Neste início de milênio, a sociedade planetária também se vê ameaçada em sua sobrevivência: graves alterações climáticas, a crescente poluição, o buraco da camada de ozônio, tudo faz pensar em uma catástrofe sem proporções. Enfermidades novas (como a AIDS) e antigas (como a tuberculose) são virtuais pandemias. Os desequilíbrios sociais e econômicos alimentam a onda terrorista.

 

            Diante desse panorama, duas reações predominam: o desespero pânico e o cinismo niilista. Em ambos os grupos, não se percebe nenhum sinal de esperança, de confiança em um Deus que é Pai e, por isso mesmo, saberá cuidar de seus filhos. É desta convicção que brota o dinamismo capaz de animar alguém a se comprometer com algum tipo de trabalho para recuperar o ambiente degradado, recompor as relações sociais, reduzir a desigualdade econômica.

 

            Há muitas outras tempestades na vida humana. Traições da pessoa amada. Doenças inesperadas. Perda de entes queridos. O coração sitiado por paixões avassaladoras. A injustiça sistêmica. Seja qual for o mar agitado que nos cerca, é o mesmo Jesus quem nos vem perguntar: “Por que estais assim com medo? Não tendes fé?”

 

            No fundo, é como se o Senhor nos perguntasse: “Não percebeis que eu também estou na mesma barca? Não abandono a Igreja à sua humanidade? Não me ausento de vosso lar?” A impressão de que estamos sós,

abandonados à nossa fragilidade, é ilusão ou tentação. Ou as duas coisas…

 

            Aliás, os não cristãos estão permanentemente de olho em nós. Querem ver nossas reações diante das dificuldades desta vida. Se nos deixamos dominar pelo medo, abanarão a cabeça e duvidarão de nossa fé. Se permanecermos em paz, é este exato testemunho que pode aproximá-los do Senhor Jesus!

 

Orai sem cessar: “O Senhor reduziu a tempestade ao silêncio”. (Sl 107,29)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum