01 de Outubro de 2020

26a semana do tempo comum Quinta-feira

- por Pe. Alexandre

QUINTA FEIRA – SANTA TERESINHA – VIRGEM E DOUTORA
(branco, pref. comum ou das virgens – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

– Deus cercou-a de cuidados e a instruiu, guardou-a como a pupila dos seus olhos. Ele abriu suas asas como águia e em cima dos seus ombros a levou. É só ele, o Senhor, foi o seu guia (Dt 32,10ss).

 

Oração do dia

– Ó Deus, que preparais o vosso Reino para os pequenos e humildes, dai-nos seguir confiantes o caminho de Santa Teresinha, para que, por sua intercessão, nos seja revelada a vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Jó 19,21-27

– Leitura do livro de Jó: Disse Jó: 21“Piedade, piedade de mim, meus amigos, pois a mão de Deus me feriu! 22Por que me perseguis como Deus, e não vos cansais de me torturar? 23Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! 25Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros. Dentro de mim consomem-se os meus rins”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 27,7-8a.8b-9abc.13-14 (R: 13)

 

– Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.
R: Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

– Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo, atendei por compaixão! Meu coração fala convosco confiante, e os meus olhos vos procuram.

R: Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

– Senhor é vossa face que eu procuro; não me escondais a vossa face! Não afasteis em vossa ira o vosso servo, sois vós o meu auxílio! Não me esqueçais nem me deixeis abandonado, meu Deus e Salvador!

R: Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

– Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

R: Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Convertei-vos e crede no evangelho, pois o reino de Deus está chegando!

(Mc 1,15).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 10,1-12

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa nem sacola nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa! 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’. 10Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11‘Até a poeira de vossa cidade que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!’ 12Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

 

Santa Teresinha do Menino Jesus

- por Pe. Alexandre

“Não quero ser santa pela metade, escolho tudo”.

A santa de hoje nasceu em Alençon (França) em 1873 e morreu no ano de 1897. Santa Teresinha não só descobriu que no coração da Igreja sua vocação era o amor, como também sabia que o seu coração – e o de todos nós – foi feito para amar. Nascida de família modesta e temente a Deus, seus pais (Luís e Zélia) tiveram oito filhos antes da caçula Teresa: quatro morreram com pouca idade, restando em vida as quatro irmãs da santa (Maria, Paulina, Leônia e Celina). Teresinha entrou com 15 anos no Mosteiro das Carmelitas em Lisieux, com a autorização do Papa Leão XIII. Sua vida se passou na humildade, simplicidade e confiança plena em Deus.

Todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior, oferecia a Deus pela salvação das almas e na intenção da Igreja. Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face esteve como criança para o Pai, livre, igual a um brinquedo aos cuidados do Menino Jesus e, tomada pelo Espírito de amor, que a ensinou um lindo e possível caminho de santidade: infância espiritual.

O mais profundo desejo do coração de Teresinha era ter sido missionária “desde a criação do mundo até a consumação dos séculos”. Sua vida nos deixou como proposta, selada na autobiografia “História de uma alma” e, como intercessora dos missionários sacerdotes e pecadores que não conheciam a Jesus, continua ainda hoje, vivendo o Céu, fazendo o bem aos da terra.

Morreu de tuberculose, com apenas 24 anos, no dia 30 de setembro de 1897 dizendo suas últimas palavras: “Oh!…amo-O. Deus meu,…amo-Vos!”

Após sua morte, aconteceu a publicação de seus escritos. A chuva de rosas, de milagres e de graças de todo o gênero. A beatificação em 1923, a canonização em 1925 e declarada “Patrona Universal das Missões Católicas” em 1927, atos do Papa Pio XI. E a 19 de outubro de 1997, o Papa João Paulo II proclamou Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face doutora da Igreja.

Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

25. A MESSE É GRANDE

– Urgência de novos apóstolos para reevangelizar o mundo.

– A caridade, fundamento do apostolado.

– A alegria que deve acompanhar a mensagem cristã.

I. DENTRE O NUMEROSO grupo de discípulos1 que seguiu Jesus, alguns acompanharam-no desde o batismo nas margens do Jordão até à Ascensão: os Atos dos Apóstolos dão-nos notícia de dois deles: José, chamado Bársabas, e Matias2. Também estariam nesse grupo Cléofas e o seu companheiro, a quem Jesus ressuscitado apareceu no caminho de Emaús3.

Sem pertencerem ao círculo dos Doze, estes discípulos chegaram a formar uma categoria especial entre os ouvintes e amigos do Senhor, sempre dispostos a atender ao que o Mestre lhes pedisse4. Com toda a certeza, formaram o núcleo da primitiva Igreja depois de Pentecostes. No Evangelho da Missa5, lemos que, desses que o seguiam com plena disponibilidade, Jesus designou setenta e dois para que fossem adiante dEle, preparando as almas para a sua chegada. E disse-lhes: A messe é grande, mas os operários são poucos.

Também hoje o campo apostólico é imenso: países de tradição cristã que é necessário evangelizar de novo, nações que durante muitos anos sofreram perseguições por causa da fé e que precisam da nossa ajuda, povos inteiros que acabam de surgir no cenário da história e que estão sedentos de doutrina… Basta lançarmos um olhar à nossa volta – ao lugar de trabalho, à Universidade, aos meios de comunicação… – para nos apercebermos de tudo o que está por fazer. A messe é grande… “Nações e países inteiros, onde a religião e a vida cristã foram em tempos tão prósperas e capazes de dar origem a comunidades de fé viva e operosa, encontram-se hoje sujeitos a duras provas, e, por vezes, até são radicalmente transformados pela contínua difusão do indiferentismo, do secularismo e do ateísmo. É o caso, em especial, dos países e das nações do chamado Primeiro Mundo, onde o bem-estar econômico e o consumismo – se bem que misturados com espantosas situações de pobreza e de miséria – inspiram e permitem uma existência vivida como se Deus não existisse.

“Ora, o indiferentismo religioso e a total irrelevância prática de Deus à hora de resolver os problemas, mesmo graves, da vida, não são menos preocupantes e desoladores do que o ateísmo declarado. E também a fé cristã – ainda que sobreviva em algumas manifestações tradicionais e ritualistas – tende a desaparecer nos momentos mais significativos da existência, como são os momentos do nascer, do sofrer e do morrer. Daí que se levantem interrogações e enigmas tremendos, que, ao ficarem sem resposta, expõem o homem contemporâneo a inconsoláveis decepções e à tentação de eliminar a própria vida humana que levanta esses problemas”6.

Este é o tempo de lançar a semente divina e também o tempo de recolher. Há lugares em que não se pode semear por falta de operários, e messes que se perdem porque não há quem as recolha. Daí a urgência de novos apóstolos. A messe é grande; os operários, poucos.

Nos primeiros tempos do cristianismo, num mundo cuja situação era parecida à nossa – com abundância de recursos materiais, mas espiritualmente pobre –, a Igreja nascente teve o necessário rigor, não só para se proteger do inimigo exterior, o paganismo, mas também para transformar por dentro uma civilização tão afastada de Deus. Não parece que o mundo de há dois mil anos estivesse nem melhor nem pior preparado do que o nosso para ser evangelizado. À primeira vista, podia parecer fechado à mensagem de Cristo, como o de agora; mas aqueles primeiros cristãos, todos eles apóstolos, providos das mesmas armas que nós – o espírito de Jesus –, souberam transformá-lo. Não poderemos nós mudar o mundo que nos rodeia: a família, os amigos, os companheiros de trabalho…?

O mundo atual talvez precise de muitas coisas, mas de nenhuma outra precisa com mais urgência do que de apóstolos santos, alegres, de convicções firmes, fiéis à doutrina da Igreja, que anunciem com simplicidade que Cristo vive. É o próprio Senhor quem nos indica o caminho para conseguirmos novos operários que trabalhem na sua vinha: Rogai, pois, ao dono da messe que mande operários para a sua messe. Rogai…, diz-nos. “A oração é o meio mais eficaz de proselitismo”7. As nossas ânsias apostólicas devem traduzir-se, em primeiro lugar, numa petição contínua, confiada e humilde, de novos apóstolos. A oração deve sempre preceder a ação.

“Corta o coração aquele clamor – sempre atual! – do Filho de Deus, que se lamenta porque a messe é muita e os operários são poucos.

“– Esse grito saiu da boca de Cristo para que também tu o ouças. Como lhe respondeste até agora? Rezas, ao menos diariamente, por essa intenção?”8

II. A MESSE É GRANDE “Para a messe abundante – comenta São Gregório Magno –, são poucos os operários – coisa que não podemos dizer sem grande tristeza –; porque, se é verdade que não falta quem ouça coisas boas, falta, no entanto, quem as difunda”9. O Senhor quer servir-se agora de nós, como fez naquela ocasião com os que o acompanhavam e depois com todos os que quiseram segui-lo de perto.

O Mestre, antes de enviar os seus discípulos ao mundo inteiro, fê-los viver como amigos na sua intimidade; deu-lhes a conhecer o Pai, revelou-lhes e sobretudo comunicou-lhes o seu amor. Como o Pai me amou, assim eu vos amei10; chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo aquilo que ouvi de meu Pai. E acrescentou, como conclusão: Eu vos destinei para que vades e deis fruto11.

É com essa caridade que temos de ir a toda a parte, pois o apostolado consiste essencialmente em “manifestar e comunicar a caridade de Deus a todos os homens e povos”12, essa caridade com que o Senhor nos ama e com que quer que amemos a todos. O cristão será apóstolo na medida em que for amigo de Deus e projetar essa amizade naqueles que encontra diariamente no seu caminho.

Num mundo onde a agressividade e a desconfiança parecem ir ganhando terreno, a nossa primeira preocupação deve ser a de viver com esmero a caridade em todas as suas manifestações. Quando as pessoas que se aproximam de nós – por mais afastadas que estejam de Deus – virem que confiamos nelas, que estamos dispostos a oferecer-lhes a nossa ajuda, a sacrificar-nos por elas, mesmo sem as conhecermos bem, que não somos negativos nem falamos mal seja de quem for…, não demorarão a pensar que nós, os cristãos, somos muito diferentes, e que o somos porque seguimos Alguém muito especial: Cristo.

Isto não quer dizer que não tenhamos diferenças com os outros, mas que as manifestamos sem ar de ofendidos, sem pôr em dúvida a boa-fé das pessoas, sem as atacar, ainda que estejamos longe das suas idéias. Quando não excluímos ninguém do nosso convívio e da nossa ajuda, então damos testemunho de Cristo.

III. JUNTO COM A CARIDADE, devemos manifestar ao mundo a nossa alegria, aquela que o Senhor nos prometeu na Última Ceia13 e que nasce da intimidade com Deus e do esquecimento dos nossos problemas.

A alegria é um elemento essencial da ação apostólica, pois quem pode sentir-se atraído por uma pessoa triste, negativa, que se queixa continuamente? Se a doutrina do Senhor se propagou como um incêndio nos primeiros séculos, foi, em boa parte, porque os cristãos se mostravam cheios de segurança e alegria por serem portadores da Boa Nova: eram os mensageiros gozosos dAquele que trouxera a salvação ao mundo. Constituíam sem dúvida um povo feliz no meio de um mundo triste, e a sua alegria irradiava a fé que tinham em Cristo, era portadora da verdade que traziam no coração e da qual falavam no lar, na intimidade de uma conversa entre amigos…, em todo o momento, porque era a razão das suas vidas.

A alegria do cristão tem um fundamento bem firme: o sentido da sua filiação divina, o saber-se filho de Deus em qualquer circunstância. “Como sugere Chesterton, é alegria não porque o mundo possa satisfazer todas as nossas aspirações, mas ao contrário. Não estamos onde temos de permanecer: estamos a caminho. Tínhamos perdido o rumo e Alguém veio buscar-nos e leva-nos de volta ao lar paterno. É alegria não porque tudo o que nos acontece seja bom – não é assim –, mas porque Alguém sabe aproveitá-lo para o nosso bem. A alegria cristã é conseqüência de sabermos enfrentar a única realidade autenticamente triste da vida, que é o pecado; e de sabermos neutralizá-la com uma realidade gozosa ainda mais real e mais forte que o pecado: o amor e a misericórdia de Deus”14.

Temos de perguntar-nos se realmente refletimos na nossa vida diária tantos motivos que possuímos para estar alegres: o júbilo da filiação divina, do arrependimento e do perdão, de nos sentirmos a caminho da felicidade sem fim…, a imensa alegria de podermos comungar com tanta freqüência! “O primeiro passo para aproximares os outros dos caminhos de Cristo é que te vejam contente, feliz, seguro no teu caminhar para Deus”15.

E, com a alegria e a caridade de Cristo, temos de saber mostrar que possuímos a única verdade que pode salvar os homens e fazê-los felizes. “Somente os cristãos persuadidos têm a possibilidade de persuadir os outros. Os cristãos persuadidos a meias não persuadirão ninguém”16.

29ª Semana do Tempo Comum

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