02 de Agosto de 2020

17a 18a semana comum Domingo

- por Pe. Alexandre

DOMINGO – XVIII SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – II semana do saltério)

 

Antífona da entrada

– Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, não tardeis mais (Sl 69,2,6).

 

Oração do dia

– Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 55,1-3

– Leitura do livro do profeta Isaías: Assim diz o Senhor: 1“Ó vós todos que estais com sede, vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite, sem nenhuma paga. 2Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa? Ouvi-me com atenção, e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo. 3Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida; farei convosco um pacto eterno, manterei fielmente as graças concedidas a Davi”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 145,8-9.15-16.17-18 (R: 16)

 

– Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos.
R: Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos.

– Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

R: Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos.

– Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam e vós lhes dais no tempo certo o alimento; vós abris a vossa mão prodigamente e saciais todo ser vivo com fartura.

R: Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos.

– É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.

R: Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos.

 

2ª Leitura: Rm 8,35.37-3

– Leitura da carta de são Paulo aos Romanos: Irmãos: 35Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação? Angústia? Perseguição? Fome? Nudez? Perigo? Espada? 37Em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou! 38Tenho a certeza de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os poderes celestiais, nem o presente, nem o futuro, nem as forças cósmicas, 39nem a altura, nem a profundeza, nem outra criatura qualquer será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

– O homem não vive somente de pão, mas vive de toda palavra que sai da boca de Deus, e não só de pão. Amém. Aleluia, aleluia! (Mt 4,4).

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 14,13-21

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 13quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé. 14Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes. 15Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!” 16Jesus, porém, lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!”
17Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”.
18Jesus disse: “Trazei-os aqui”. 19Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida, partiu os pães e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões. 20Todos comeram e ficaram satisfeitos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios. 21E os que haviam comido eram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

 

São Pedro Julião Eymard

- por Pe. Alexandre

Fundador da Família Sacramentina

“Adveniat Regnum Tuum Eucharisticum”

Venha o teu Reino Eucarístico

São Pedro Julião Eymard, interpelado pela ignorância e indiferença religiosa, buscou uma resposta às necessidades de seu tempo” (Regra de Vida, nº 2). Tempo marcado pela miséria da Europa do fim do século XIX. Uma Europa pós-revolução francesa e mergulhada na revolução industrial. Nesse contexto, Padre Eymard foi uma presença sensível à dor dos mais pobres,  tendo a Eucaristia como lugar de partida e de chegada.

Nasceu no dia 4 de fevereiro de 1811, em La Mure/França, na rua Breuil, às 11 horas da manhã de uma segunda-feira.

Despertado para o seguimento do Senhor, através do Presbiterato, Pedro Julião teve que enfrentar uma grande resistência de seu pai. Após muita luta, seu pai aceitou sua vocação. Pedro Julião foi ordenado Presbítero pela Diocese de Grenoble no dia 20 de Julho de 1834. Em 1839 entrou para os Maristas (Sociedade de Maria), para entregar-se à vida religiosa.

Fundação da Congregação:

Depois de muitos anos como marista, Deus preparou uma obra maior para Padre Eymard, um carisma lhe invadiu o coração: ser fundador de uma Congregação.
Em Paris, a 13 de maio de 1856, após anos de discernimento e consultas, Padre Eymard recebeu a permissão de Dom Sibour, Arcebispo de Paris, para fundar a Congregação do Santíssimo Sacramento.
Pouco tempo depois, Padre Eymard fundou a Agregação do Santíssimo Sacramento e junto com Margarida Guillot, em 1864, fundaram a Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento – ramo feminino da Congregação.

Meditação

- por Pe. Alexandre

46. OS BENS MESSIÂNICOS

– Multiplicação dos pães. Jesus cuida daqueles que o seguem.

– Este milagre é, além disso, figura da Sagrada Eucaristia, em que o Senhor se dá como alimento.

– Procurar o Senhor na Comunhão como aquelas multidões que se esqueciam até do indispensável para não o perderem. Preparar cada comunhão como se fosse a única da nossa vida.

I. DESTE‑NOS, SENHOR, o pão do céu, que encerra em si todas as delícias1.

O Evangelho da Missa2 conta‑nos que o Senhor se meteu sozinho numa barca e se afastou para um lugar solitário. Mas muitos souberam para onde ia e seguiram‑no a pé. Ao desembarcar, o Senhor viu a multidão que o procurava e encheu‑se de compaixão por ela e curou os enfermos. Cura‑os sem que lho peçam, porque, para muitos, chegar àquele lugar levando até doentes impossibilitados de andar, era já suficiente expressão de uma fé grande. São Marcos3 diz‑nos que Jesus se deteve longamente doutrinando essa multidão que o seguia, porque estavam como ovelhas sem pastor, cheios de confiança nEle.

O Senhor não viu passar o tempo, absorvido em ensinar e atender a todos, e os discípulos, não sem certa inquietação, sentiram‑se levados a intervir, porque já era avançada a hora e o lugar era deserto: Despede essa gente para que, indo às aldeias, compre de comer, dizem‑lhe. Mas Jesus surpreende‑os com a sua resposta: Não têm necessidade de ir; dai‑lhes vós de comer. E os Apóstolos fazem o que podem: conseguem cinco pães e dois peixes. É de notar que eram cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças. Jesus realizará um milagre portentoso com esses poucos pães e peixes, e com a obediência daqueles que o seguiam.

Depois de mandar que se sentassem na relva, Jesus, tomando os cinco pães e os dois peixes, levantando os olhos ao céu, pronunciou a bênção e, partindo os pães, deu‑os aos discípulos, e os discípulos às turbas. Todos comeram até ficarem saciados. O Senhor cuida dos seus, dos que o seguem, mesmo nas necessidades materiais quando é necessário, mas procura a nossa colaboração, que sempre é pequena. “Se o ajudares, mesmo que seja com uma ninharia, como fizeram os Apóstolos, Ele estará disposto a realizar milagres, a multiplicar os pães, a mudar as vontades, a dar luz às inteligências mais obscurecidas, a fazer – mediante uma graça extraordinária – que sejam capazes de retidão os que nunca o foram. – Tudo isto… e mais, se o ajudares com o que tens”4.

Então compreenderemos melhor o que São Paulo nos diz na segunda Leitura: Quem nos separará, pois, do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a fome, a nudez, o perigo, a perseguição, a espada? […]. De todas estas coisas saímos vencedores por aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as virtudes, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem a força, nem a altura, nem a profundidade, nem outra criatura alguma nos poderá separar do amor de Deus que está em Jesus Cristo Nosso Senhor5. Em Cristo encontramos sempre a nossa fortaleza.

II. O RELATO DO MILAGRE começa com as mesmas palavras e descreve os mesmos gestos com que os Evangelhos e São Paulo nos transmitem a instituição da Eucaristia6. Semelhante coincidência faz‑nos ver7 que esse milagre, além de ser uma manifestação da misericórdia divina de Jesus para com os necessitados, era figura da Sagrada Eucaristia, da qual o Senhor falaria pouco depois, na sinagoga de Cafarnaum8. Assim o interpretaram muitos Padres da Igreja. O próprio gesto do Senhor ao levantar os olhos para o céu é recordado pela liturgia no Cânon Romano da Santa Missa: Et elevatis oculis in caelum, ad Te Deum Patrem suum omnipotentem… Ao recordá‑lo, preparamo‑nos para assistir a um milagre muito maior que o da multiplicação dos pães: a conversão do pão no próprio Corpo de Cristo, que é oferecido sem medida como alimento a todos os homens.

O milagre daquela tarde junto do lago manifestou o poder e o amor de Jesus pelos homens. Poder e amor que hão de possibilitar também, ao longo da história, que o Corpo de Cristo seja encontrado, sob as espécies sacramentais, pelas multidões dos fiéis que o procurarão famintas e necessitadas de consolo. Como diz São Tomás no hino que compôs para a Missa do Corpus Christi: sumit unus, sumunt mille…, tomam‑no um, tomam‑no mil, tomam‑no este ou aquele, mas não se esgota quando o tomam…

“O milagre da multiplicação dos pães adquire assim todo o seu significado, sem perder nada da sua realidade. É grande em si mesmo, mas torna‑se ainda maior pelo que promete: evoca a imagem do bom pastor que alimenta o seu rebanho. Dir‑se‑ia que é como um ensaio de uma nova ordem. Multidões inteiras virão tomar parte no festim eucarístico, onde serão alimentadas de uma maneira muito mais milagrosa, com um manjar infinitamente superior”9.

Esta multidão que se prende ao Senhor revela a forte impressão que a sua Pessoa produzia no povo, pois são tantos os que se dispõem a segui‑lo até paragens desérticas, a uma grande distância das vias mais transitadas e das aldeias. Vão sem provisões, não querem perder tempo em procurá‑las, pelo receio de perderem de vista o Senhor. Um bom exemplo para quando tivermos alguma dificuldade em visitá‑lo ou recebê‑lo. Para encontrar o Mestre, vale a pena qualquer sacrifício.

São João indica‑nos que o milagre causou um grande entusiasmo naquela multidão que se tinha saciado10. “Senhor, se aqueles homens, por um pedaço de pão – embora o milagre da multiplicação tenha sido muito grande –, se entusiasmam e te aclamam, que não deveremos nós fazer pelos muitos dons que nos concedeste, e especialmente porque te entregas a nós sem reservas na Eucaristia?”11

Na Comunhão, recebemos Jesus, Filho de Maria, que naquela tarde realizou o grandioso milagre. “Na Hóstia, possuímos o Cristo de todos os mistérios da Redenção: o Cristo de Maria Madalena, do filho pródigo e da Samaritana, o Cristo ressuscitado dos mortos, sentado à direita do Pai […]. Esta maravilhosa presença de Cristo no meio de nós deveria revolucionar a nossa vida […]; Ele está aqui, conosco: em cada cidade, em cada povoado […]”12. Espera‑nos e sente a nossa falta quando nos atrasamos.

III. OS OLHOS DE TODOS esperam em Ti, Senhor, / e tu lhes dás o sustento no tempo oportuno; / Tu abres as mãos e sacias com benevolência todos os viventes, podemos ler no Salmo responsorial13.

Jesus, realmente presente na Sagrada Eucaristia, dá a este sacramento uma eficácia sobrenatural infinita. Nós, quando desejamos expressar o nosso amor a uma pessoa, damos‑lhe algum objeto, fazemos‑lhe um favor ou prestamos‑lhe ajuda, procuramos estar atentos à pessoa amada…, mas sempre deparamos com um limite: não podemos dar‑nos nós mesmos. Jesus Cristo, pelo contrário, pode: dá‑se Ele mesmo, unindo‑nos a Ele, identificando‑nos com Ele.

E nós, que o procuramos com maiores desejos e maiores necessidades que aquelas pessoas que até se esqueceram da comida para não o perderem, encontramo‑lo diariamente na Sagrada Comunhão. Ele nos espera a cada um. Não fica na expectativa de que lhe peçamos alguma coisa: antecipa‑se e cura‑nos das nossas fraquezas, protege‑nos contra os perigos, contra as vacilações que pretendem separar‑nos dEle, e dá vida ao nosso caminhar. Cada Comunhão é uma fonte de graças, uma nova luz e um novo impulso que, às vezes sem o notarmos, nos dá fortaleza para enfrentarmos com garbo humano e sobrenatural a vida diária, a fim de que os nossos afazeres nos levem até Ele.

A participação destes benefícios depende, no entanto, da qualidade das nossas disposições interiores, porque os sacramentos “produzem um efeito tanto maior quanto mais perfeitas forem as disposições de quem os recebe”14. Disposições habituais da alma e do corpo, desejos cada vez maiores de limpeza e de purificação, que nos farão recorrer à Confissão com uma periodicidade certa, ou antes se for necessário ou conveniente. “A piedade eucarística – diz João Paulo II – aproximar‑vos‑á cada vez mais do Senhor; e pedir‑vos‑á o oportuno recurso à Confissão sacramental, que leva à Eucaristia, como a Eucaristia leva à Confissão”15.

Quanto mais se aproxima o momento de comungar, mais vivo se deve fazer o desejo de preparação, de fé e de amor. “Pensaste alguma vez como te prepararias para receber o Senhor, se apenas se pudesse comungar uma vez na vida? – Agradeçamos a Deus a facilidade que temos para nos aproximarmos dEle, mas… temos de agradecer preparando‑nos muito bem para recebê‑lo”16, como se fosse a única Comunhão de toda a nossa vida, como se fosse a última. Um dia será a última, e pouco depois nos encontraremos cara a cara com Jesus, com quem estivemos tão intimamente no sacramento. Como nos hão de alegrar então as mostras de fé e de amor que lhe tivermos manifestado!

Aos que alimentastes com este Pão do céu, Senhor, protegei‑os com o vosso auxílio e concedei‑lhes que alcancem a redenção eterna, pedimos com a liturgia da Missa17.

29ª Semana do Tempo Comum

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