02 de Maio de 2019

2ª Semana da Páscoa - Quinta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUINTA FEIRA – SANTO ATANÁSIO BISPO E DOUTOR
(branco, pref. pascal ou dos pastores – ofício memória)

 

Antífona da entrada

 

– No meio da Igreja o Senhor colocou a palavra nos seus lábios; deu-lhe o espírito de sabedoria e inteligência e o revestiu de glória, aleluia! (Eclo 15,5)

 

Oração do dia

 

– Deus eterno e todo-poderoso, que nos destes em santo Atanásio um exímio defensor da divindade de vosso Filho, concedei-nos, por sua doutrina e proteção, crescer continuamente no vosso conhecimento e no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: At 5,27-33

 

– Leitura dos Atos dos Apóstolos: Naqueles dias, 27os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao Sinédrio. O sumo sacerdote começou a interrogá-los, 28dizendo: “Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!” 29Então Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. 30O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. 31Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia Supremo e Salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. 32E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que a Ele obedecem”. 33Quando ouviram isto, ficaram furiosos e queriam matá-los.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 34, 2.9.17-18.19-20 (R: 7a)

 

– Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.
R: Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.

– Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

R: Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.

– Mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta.

R: Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.

– Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta.

R: Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Acreditastes, Tomé, porque me viste. Felizes aqueles que creram sem ter visto (Jo 20,29).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 3,31-36

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

– Glória a vós, Senhor!  

 

31“Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra, pertence à terra e fala das coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. 32Dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. 34De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o espírito sem medida. 35O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. 36Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna. Aquele, porém, que rejeita o Filho não verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele”.

 

Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santo Atanásio

- por Padre Alexandre Fernandes

Houve um tempo em que a Igreja se viu livre da perseguição mortal dos pagãos. Foi no ano 313 e o famoso Edito de Milão transformou o cristianismo de perseguido a favorecido pelos imperadores romanos. Mas a luta não terminou aí, pois na mesma época a semente da discórdia foi plantada no interior do catolicismo, com a heresia de Ário.

Foi então que a fé extrema e a dedicação na defesa da divindade de Cristo transformaram Atanásio, o bispo de Alexandria, no mais vigoroso combatente dos hereges. 
 

Atanásio nasceu no Egito em 296, filho da cidade da qual seria o bispo mais lembrado. Ainda adolescente, foi considerado um dos homens mais inteligentes de Alexandria entre as celebridades que ali vivam.

Ingressou na Igreja por meio do bispo Alexandre. Na qualidade de seu assessor especial, embora fosse apenas diácono, Atanásio participou do Concílio de Nicéia, em 325, e passou para a história da Igreja. 
 

Em todos os registros sobre esse Concílio, que definiu o arianismo como heresia, o nome de Atanásio é o mais citado. O arianismo negava a santidade de Jesus. Considerava-o apenas "uma criatura do Pai" e não parte dele, equivalente a ele. Atanásio foi um dos responsáveis na luta para que a Igreja retomasse o caminho apontado e definido pelos apóstolos.

Conta-se que os seus discursos empolgantes, com uma argumentação bíblica brilhante e a lucidez de sua doutrina, foram essenciais na defesa e manutenção da ortodoxia cristã. Apontou um por um os erros históricos e dogmáticos dos hereges, conquistando a vitória para a causa católica e, conseqüentemente, o ódio profundo dos arianos.

 

Atanásio foi um religioso muito atuante, discípulo e contemporâneo de figuras muito importantes do clero que a Igreja honrou com a veneração nos altares.

Quando morreu o bispo Alexandre, tanto o povo como o clero apontaram Atanásio como seu sucessor. Seu bispado durou quarenta e seis anos, recheados de perseguição e sofrimento. Apoiados pelo imperador, os arianos espalharam calúnias incríveis.

Atanásio sofreu cinco exílios seguidos, intercalados com fugas e com afastamentos por vontade própria, que suportou com paciência e determinação. Foi assim que conheceu santo Antão, de quem escreveu a biografia, contando também como era a vida monástica no deserto, o que atraiu muitos cristãos aos mosteiros eremitas. 
 

Atanásio morreu, com setenta e sete anos, no dia 2 de maio de 373.

Logo depois, foi inserido entre os celebres "Padres da Igreja", sendo canonizado e declarado "doutor da Igreja".

Sua festa litúrgica é celebrada no dia de sua morte em todo o mundo cristão.

FONTE: Derradeiras Graças

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

O Pai ama o Filho… (Jo 3,31-36)

 

            Deus é amor, define São João. Este amor é um amor eterno, vivido no seio da Trindade antes que nada existisse. No Deus uno e trino, realiza-se a comunhão amorosa de três Pessoas: o Pai amante, o Filho amado e o Espírito que é amor partilhado e comunicado entre o Pai e o Filho.

 

            Em momentos especiais dos Evangelhos, como as teofanias do Batismo e da Transfiguração, a voz do Pai declara o seu amor: “Tu és o meu Filho muito amado; ponho em ti minha afeição”. (Lc 3,22.) Gerado eternamente pelo Pai (genitum, non factum, isto é, “gerado, mas não criado”, afirma o Credo de Niceia e Constantinopla), o Filho é o modelo de acolhida do divino Amor.

 

            Há mistérios que nossa razão humana não consegue atingir: como é que um Pai amoroso permite – e chega mesmo a propor! – que seu Filho se encarne e dê a vida por nossa salvação? Em nossa mentalidade humana, amar alguém inclui a atitude de envolvê-lo em uma redoma que o impeça de sofrer. Nós mesmos, em nossa vida pessoal e familiar, muitas vezes falhamos em nossa missão pela recusa dos sofrimentos inerentes a ela.

 

            Talvez a resposta a esse mistério esteja exatamente no amor. O Pai tem outros filhos. Eles estão afastados, rompido que foi o canal da comunicação amorosa entre coração e coração. A Paixão e Morte do Verbo encarnado, isto é, do Filho, condição por ele assumida em plena liberdade, participando do mesmo amor do Pai, viria reatar a amizade rompida entre o Pai Criador e todos os filhos dispersos. Impelido pelo Espírito, o Filho abraça o desígnio do Pai e nos resgata da morte do pecado, ao preço de seu sangue.

 

            Também não estamos muito aptos a compreender como se sentia Jesus, Deus e homem verdadeiro, em sua experiência terrena. Mas podemos levantar ao menos uma ponta do véu e imaginar que ele se sentia de tal modo amado pelo Pai, que os extremos sofrimentos da carne eram acima de tudo uma resposta de amor. Padecimentos físicos, dores morais, sofrimentos do espírito, tudo adquire nova dimensão sob o signo do amor, tal como as dores do parto são compensadas pela alegria do filho que nasceu como novo atrativo para o amor materno.

 

            Você se sente amado pelo Pai? Esta experiência amorosa o conforta nas horas difíceis? Não seria o caso de pedir a Jesus a graça de partilhar do seu sentimento de ser amado como filho?

 

Orai sem cessar: “Pai de amor, eu quero ser teu filho amado!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

29ª Semana do Tempo Comum

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