02 de Novembro de 2020

31a semana do tempo comum Segunda-feira

- por Pe. Alexandre

SEGUNDA FEIRA – COMEMORAÇÃO DOS FINADOS
(roxo ou preto, pref. dos mortos – ofício próprio)

 

Antífona da entrada

– Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno e brilhe para eles a vossa luz (4Esd 2,34).

 

Oração do dia

– Ó Deus, glória dos fiéis e vida dos justos, que nos remistes pela morte e ressurreição do vosso Filho, concedei aos nossos irmãos e irmãs que, tendo professado o mistério da nossa ressurreição, mereçam alegrar-se na eterna felicidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 25, 6-9

 

– Leitura do livro do profete Isaías: 6 O Senhor dos exércitos dará nesta montanha para todos os povos um banquete de carnes gordas, um banquete de vinhos finos, de carnes suculentas e vinhos depurados. 7 Nesta montanha ele vai destruir o véu que envolvia os povos todos, a mortalha estendida sobre as nações. 8 Acabou com a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e, pela terra inteira, eliminará os vestígios da desonra do seu povo. Foi o Senhor quem falou! 9 Naquele dia vão comentar: “Este é o nosso Deus, dele esperávamos que nos salvasse, este é o Senhor, nele confiamos, vamos exultar de alegria porque ele nos salvou.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 25, 1-2.3-4.5.6 (R: 1a)

 

– Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma.
R: Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma.


– Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão, que são eternas! De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor!

R: Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma.


– Aliviai meu coração de tanta angústia e libertai-me das minhas aflições! Considerai minha miséria e sofrimento e concedei vosso perdão aos meus pecados!
R: Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma.


– Defendei a minha vida e libertai-me; em vós confio, que eu não seja envergonhado! Que a retidão e a inocência me protejam, pois em vós eu coloquei minha esperança!

R: Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma.

 

2ª Leitura: Rm 8, 14-23

– Leitura da carta de são Paulo aos Romanos: irmãos 14 Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15 De fato, vós não recebestes espírito de escravos, para recairdes no medo, mas recebestes o Espírito que, por adoção, vos torna filhos, e no qual clamamos: “Abbá, Pai!” 16 O próprio Espírito se une ao nosso espírito, atestando que somos filhos de Deus. 17 E, se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, se, de fato, sofremos com ele, para sermos também glorificados com ele. A esperança da glória 18 Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que há de ser revelada em nós. 19 De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus; 20 pois a criação foi sujeita ao que é vão e ilusório, não por seu querer, mas por dependência daquele que a sujeitou. 21 Também a própria criação espera ser libertada da escravidão da corrupção, em vista da liberdade que é a glória dos filhos de Deus. 22 Com efeito, sabemos que toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto, 23e não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nosso íntimo, esperando a condição filial, a redenção de nosso corpo.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Benditos do Pai, apossai-vos do reino, que foi preparado bem desde o começo! (Mt 25,34)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 25,31-46

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

 

31Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. 32Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34Então o Rei dirá aos que estão à direita: – Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, 35porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; 36nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. 37Perguntar-lhe-ão os justos: – Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? 38Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? 39Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? 40Responderá o Rei: – Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. 41Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: – Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. 42Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; 43era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes. 44Também estes lhe perguntarão: – Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? 45E ele responderá: – Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. 46E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

De todos os Finados

- por Pe. Alexandre

Depois de ter celebrado no dia 1º deste mês, seus filhos admitidos a Glória eterna, a Igreja, mãe compassiva e misericordiosa, recorda hoje aqueles que já salvaram suas almas, mas ainda não puderam entrar no Paraíso, por estarem se purificando no Purgatório. Ela incentiva os fiéis a rezarem por essas almas padecentes e abre com liberalidade, em benefício delas, os tesouros de suas indulgências.

Os cristãos batizados são convidados a santificar-se e os que decidem viver plenamente o mistério pascal de Cristo não têm medo da morte. Porque ele disse: “Eu sou a ressurreição e a vida”.

Para todos os povos da humanidade, seja qual for a origem, cultura e credo, a morte continua a ser o maior e mais profundo dos mistérios. Mas para os cristãos tem o gosto da esperança. Dando sua vida em sacrifício e experimentando a morte, e morte na cruz, ele ressuscitou e salvou toda a humanidade. Esse é o mistério pascal de Cristo: morte e ressurreição. Ele nos garantiu que, para quem crê, for batizado e seguir seus ensinamentos, a morte é apenas a porta de entrada para desfrutar com ele a vida eterna no Reino do Pai.

Enquanto para todos os seres humanos a morte é a única certeza absoluta, para os cristãos ela é a primeira de duas certezas. A segunda é a ressurreição, que nos leva a aceitar o fim da vida terrena com compreensão e consolo. Para nós, a morte é um passo definitivo em direção à colheita dos frutos que plantamos aqui na terra.

Assim sendo, até quando Nosso Senhor Jesus Cristo estiver na glória de seu Pai, estará destruída a morte e a ele serão submetidas todas as coisas. Alguns são seus discípulos peregrinos na terra, outros que passaram por esta vida estão se purificando e outros, enfim, gozam da glória contemplando Deus.

Os glorificados integram a Igreja triunfal e são Todos os Santos, os quais, nós, os integrantes da Igreja militante, cristãos peregrinos na terra, comemoramos no dia 1º de novembro. Os Fiéis Defuntos integram a Igreja padecente e são todos os que morreram sem arrepender-se do pecado.

O culto de hoje é especialmente dedicado a esses. Embora todos os dias, em todas as missas rezadas no mundo inteiro, haja um momento em que se pede pelas almas dos que nos deixaram e aguardam o tempo profetizado e prometido da ressurreição.

A Igreja ensina-nos que as almas em purificação podem ser socorridas pelas orações dos fiéis militantes. Assim, este dia é dedicado à memória dos nossos antepassados e que já partiram. No sentido de fazer-nos solidários para com os necessitados de luz e também para reflexão sobre nossa própria salvação.

Encontramos a celebração da missa pelos mortos desde o Século V. Santo Isidoro de Sevilha, que presidiu dois concílios importantes, confirmou o culto no século VII. Tempos depois, em 998, por determinação do abade santo Odilo, todos os conventos beneditinos passaram, oficialmente, a celebrar “o dia de todas as almas”, que já ocorria na comunidade no dia após à festa de Todos os Santos. A partir de então, a data ganhou expressão em todo o mundo cristão.

Em 1311, Roma incluiu, definitivamente, o dia 2 de novembro no calendário litúrgico da Igreja para celebrar “Todos os Finados”.

Somente no inicio do Século XX, em 1915, quando a morte, a sombra terrível, pairou sobre toda a humanidade, devido à I Guerra Mundial, o Papa Bento XV oficiou o decreto para que os sacerdotes do mundo todo rezassem três missas no dia 2 de novembro, para Todos os Fiéis Defuntos.

 

Meditação

- por Pe. Alexandre

Entrai na herança do Reino! (Mt 25, 31-46)

 

Podemos viver nossa religião como mendigos, tentando arrancar uma esmolinha de Deus, como se ele não fosse nosso Pai. O filho pródigo cometeu este engano: chegou a propor ao Pai que o tratasse como servo da casa, como se fosse possível um pai deixar de ser pai…

Podemos viver nossa religião como atletas, tentando exercitar os músculos das virtudes e, após longo treinamento, vencer a olimpíada do espírito e subir no pódio, coroados com os louros celestes. Com os anjos aplaudindo, é claro!

Podemos viver nossa religião como alquimistas medievais, debruçados sobre velhos pergaminhos, em busca da pedra filosofal. Uma vez dominado o secreto conhecimento das coisas divinas, tomaremos posse do céu num piscar de olhos: pura mágica!

De uma forma ou de outra, estamos longe da estrada real. Nem mendigos, nem recordistas, nem “iluminados”. Cristianismo é outra coisa… O cristão – desde o seu Batismo – foi adotado como filho. Já não é mais escravo. Nem mesmo simples criatura. Na estatura de filho, o cristão tem direito à herança!

Lembra-se de Abrão e de sua queixa ao Senhor Javé? Velho e sem herdeiros, sua herança acabaria nas mãos do escravo que vivia em sua casa (cf. Gn 15, 2). Mas, apesar da gemedeira do ancião, Deus tinha outros planos, que incluíam uma numerosa descendência para Abraão, culminando com o nascimento de Jesus.

Isto devia ser bem claro para nós: somos herdeiros de Deus. Em Jesus Cristo, enxertados em seu corpo, o que espera por nós é uma herança que não se traduz em valores materiais, objetos, terras e rebanhos. Nossa herança é o próprio Senhor!

Mas nossa herança é típica, diferente de todas as outras. Os outros herdeiros devem esperar a morte do pai para terem acesso à herança. Em nosso caso, não há nada a esperar. Afinal, Jesus morreu por nós. Isto quer dizer que podemos tomar posse da herança desde , aqui na terra, ainda que de modo parcial. é possível viver nossa condição de herdeiros em nossos dia-a-dia, fruindo o amor infinito que o Pai derrama sobre “todo homem que vem a este mundo”.

Se eu fosse Deus e Pai, ficaria muito chateado com essa multidão de mendigos…

29ª Semana do Tempo Comum

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