03 de Abril de 2019

4ª Semana da Quaresma - Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA DA  IV SEMANA DA QUARESMA

(Roxo, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– A vós, Senhor, minha oração dirijo, no tempo em que me ouvis; respondei-me, ó Deus, com a largueza de vossa misericórdia e com a verdade de vossa salvação!  (Sl 68,14).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que recompensais os méritos dos justos e perdoais aos pecadores que fazem penitência, sede misericordioso para convosco: fazei que a confissão de nossas culpas alcance o vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 49,8-15

 

– Leitura do livro do profeta Isaías: 8Isto diz o Senhor: “Eu atendo teus pedidos com favores e te ajudo na obra de salvação; preservei-te para seres elo de aliança entre os povos, para restaurar a terra, para distribuir a herança dispersa; 9para dizer aos que estão presos: ‘Saí!’ e aos que estão nas trevas: ‘Mostrai-vos’. E todos se alimentam pelas estradas e até nas colinas estéreis se abastecem; 10não sentem fome nem sede, não os castiga nem o calor nem o sol, porque o seu protetor toma conta deles e os conduz às fontes d’água.
11Farei de todos os montes uma estrada e os meus caminhos serão nivelados. 12Eis que estão vindo de longe, uns chegam do Norte e do lado do mar, e outros, da terra de Sinim”. 13Louvai, ó céus, alegra-te, terra; montanhas, fazei ressoar o louvor, porque o Senhor consola o seu povo e se compadece dos pobres. 14Disse Sião: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” 15Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém não me esquecerei de ti.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 145,8-9.13cd-14.17-18 (R: 8a)

 

– Misericórdia e piedade é o Senhor.
R: Misericórdia e piedade é o Senhor.

– Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

R: Misericórdia e piedade é o Senhor.

– O Senhor é amor fiel em sua palavra, é santidade em toda obra que ele faz. Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou.

R: Misericórdia e piedade é o Senhor.

– É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.

R: Misericórdia e piedade é o Senhor.
 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 5,17-30

 

Jesus Cristo, sois bendito o ungido de Deus Pai!

 Jesus Cristo, sois bendito o ungido de Deus Pai!

 

– Eu sou a ressurreição, eu sou a vida, quem crê em mim, ainda que morra, viverá  (Jo 11,25)

 

Jesus Cristo, sois bendito o ungido de Deus Pai!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

– Glória a vós, Senhor!  

 

Naquele tempo, 17Jesus respondeu aos judeus: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. 18Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus. 19Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: “Em verdade, em verdade vos digo, o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz também. 20O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo que ficareis admirados. 21Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho também dá a vida a quem ele quer. 22De fato, o Pai não julga ninguém, mas ele deu ao Filho o poder de julgar, 23para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou. 24Em verdade, em verdade, eu vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, pois já passou da morte para a vida. 25Em verdade, em verdade, eu vos digo: está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem viverão. 26Porque, assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo. 27Além disso, deu-lhe o poder de julgar, pois ele é o Filho do Homem. 28Não fiqueis admirados com isso, porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão: 29aqueles que fizeram o bem, ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação. 30Eu não posso fazer nada por mim mesmo. Eu julgo conforme o que escuto, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

São Ricardo

- por Padre Alexandre Fernandes

Com alegria contemplamos a vida de santidade do nosso irmão da fé São Ricardo, que hoje brilha no Céu como intercessor de todos os irmãos que peregrinam na Igreja terrestre.

Nascido em 1197, era pobre, teve dificuldade de estudar e perdeu muito cedo seus pais. No seu tempo, Ricardo começou a ver a ignorância e superstição; ambição dos nobres; luxo do clero; regalismo do trono e decadência da vida monástica. Diante de sua realidade, não se entregou a murmurações e desânimos, mas como professor e reitor da Universidade de Oxford decidiu-se pela santidade, a fim de ser instrumento de renovação da Igreja na Inglaterra.

Unido aos frades franciscanos e dominicanos, Ricardo fez de tudo, – como leigo, sacerdote e bispo ordenado pelo Papa – para reverter a resistência do rei que não queria a sua ordenação e, de toda situação triste que acabava atingindo duramente o povo.

São Ricardo, até entrar na Casa do Pai com 56 anos, por dois anos coordenou sua diocese clandestinamente, visitando pobres, doentes e fazendo de tudo para evangelizar e ajudar na santificação dos mosteiros, clero e nobres ingleses, isto principalmente depois que o rei se dobrou sob ameaça de excomunhão do Papa.

São Ricardo, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Ouvirão a sua voz… (Jo 5,17-30)

 

            Os mortos? Sim. A voz de Deus se dirige também àqueles que estão nos túmulos (v. 28). Aliás, nada que devesse deixar-nos admirados, pois a 1ª Carta de São Pedro registra que Jesus Ressuscitado desceu à mansão dos mortos – o Xeol – para anunciar a Boa Nova também aos que já tinham morrido (cf. 1Pd 4,6). Também eles tinham pleno direito à oportunidade de aderir ao Salvador. E os ícones da Ressurreição – a Anástasis – mostram Jesus arrombando as portas do Xeol, derrotando o demônio e puxando o velho Adão pelo pulso, retirando-o de seu túmulo.

 

Jesus Cristo é Senhor dos vivos e dos mortos! A voz de Cristo se dirige a todos eles, sem exceção. E se o morto o ouve – Lázaro que o diga! – a passagem para a vida está à sua disposição.

 

            Sugiro, porém, olhar em outra direção. Refiro-me aos “mortos” deste mundo. Por exemplo, em cinco anos de serviço na Pastoral Carcerária, em um presídio de segurança máxima, nossa equipe da Comunidade Católica Nova Aliança teve a oportunidade de conviver com 900 presidiários. Eram ladrões, traficantes e assassinos. Aos olhos da sociedade, estavam mortos e enterrados.

 

            No entanto, muitas vezes verificamos que continuavam sensíveis à palavra do Evangelho: “Se eu tivesse ouvido isto antes, não estaria aqui hoje!” Era comum ver lágrimas nos olhos dos presos que participavam dos encontros de evangelização. Muitos se confessavam e passavam a comungar. Alguns manifestaram o desejo de serem preparados para a primeira comunhão. Na capela da Casa de Detenção, pudemos realizar o casamento de um presidiário que já convivia com sua mulher. Na Comunidade, chegamos a receber visita de algum deles, já libertado da prisão.

 

            Estavam mortos, mas ouviram a Palavra de Deus. Ninguém apostava neles, mas Deus ainda tinha cartas na manga…

 

            E os demais “mortos”? São muitos: os drogados e traficantes, os fracassados aos olhos do mundo, os favelados sem futuro, todos aqueles que foram descartados pelo sistema. Foi por eles que Madre Teresa deixou a segurança de seu colégio de ricos para levar o abraço de Jesus aos mendigos e leprosos de Calcutá.

 

            “Não se espantem”, escreve São João. “Vem a hora em que todos dos túmulos ouvirão a sua voz.” (Jo 5,28) Nossa sociedade inoculada de desespero e ceticismo será capaz de avivar esta chama de esperança? Estaremos dispostos a investir em nossos mortos? Ou já cruzamos os braços diante do inevitável?

 

Orai sem cessar: “Senhor, a tua promessa me faz viver!” (Sl 119,50)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

29ª Semana do Tempo Comum

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