03 de Julho de 2026

03 de Julho de 2026

- por Rogério

Antífona

 

– Vós sois o meu Deus e eu vos dou graças; vós sois o meu Deus e eu vos exalto: Eu vos dou graças porque vós tornastes para mim salvação

(Sl 117,28.21).

 

Coleta

 

– Concedei-nos, Deus todo-poderoso, celebrar com alegria a festa de São Tomé, para que sejamos sempre sustentados por sua proteção e tenhamos a vida pela fé no nome de Jesus Cristo, que o Apóstolo reconheceu como Senhor. Ele que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

 

1ª Leitura: Ef 2,19-22

 

– Leitura da carta de São Paulo aos Efésios: Irmãos, 19já não sois mais estrangeiros nem mi­grantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus. 20Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal. 21É nele que toda a construção se ajusta e se eleva para formar um templo Santo no Senhor. 22E vós também sois integrados nesta construção, para vos tornardes morada de Deus pelo Espírito.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 117,1-2 (R: Mc 16,15)

 

Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.
R: Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.

– Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos festejai-o!

R: Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.

– Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!

R: Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Acreditastes, Tomé, porque me vistes. Felizes os que creem sem ter visto

(Jo 20,29)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 20,24-29

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

– Glória a vós, Senhor!   

 

24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. 26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. 27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, por que me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Tomé Apóstolo

- por Rogério

Testemunho Bíblico

Tomé, chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com os discípulos quando Jesus apareceu. Os outros discípulos lhe disseram: “Vimos o Senhor!”. Mas ele lhes disse: “Se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não acreditarei”. Uma semana mais tarde, os seus discípulos estavam outra vez ali, e Tomé com eles. Apesar de estarem trancadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A Paz esteja com vocês!”. Depois, disse a Tomé: “Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e acredite”. Disse-lhe Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!”. Então Jesus lhe disse: “Você acreditou porque me viu! Felizes os que não viram e acreditarão». (Jo 20,24-29)

Tomé incrédulo? 

Geralmente, quando se fala de São Tomé, começa-se de trás para frente: depois da ressurreição, por não estar presente na aparição de Jesus aos Apóstolos, não acreditou no que lhe disseram. Porém, ninguém tem o direito de pensar que Tomé era uma pessoa tépida ou, pior ainda, um pecador. Era apenas um homem cuja fé profunda ainda devia ser posta à dura prova da vida, que ele não escondia: expôs suas dúvidas e fez a Jesus as perguntas que brotavam do seu coração. Por exemplo: quando Jesus voltou a Betânia, onde seu amigo Lázaro tinha falecido, os discípulos ficaram com medo, porque, na Judeia, o clima não era nada favorável. Ali, Tomé demonstrou não ter medo de nada, a ponto de dizer: “Vamos morrer com Ele”. Durante a Última Ceia também, quando Cristo disse que ia preparar um lugar para todos na Casa do Pai, Tomé ficou desorientado. Por isso, perguntou ao Senhor para onde ia, e qual seria o caminho para chegar lá. Então, Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a vida!”.

Incredulidade do Apóstolo como estereótipo

Toda a comunidade dos Apóstolos estava abalada pela morte de Jesus e pelas violências que padeceu. Porém, ao ressuscitar, Jesus apareceu, imediatamente, aos seus discípulos para tranquilizá-los. Tomé não estava lá naquele momento, e por isso não acreditou no que diziam. Talvez, por causa da sua teimosia inata ou por sentir de estar ausente, quis tocar as feridas dos cravos e nas mãos, e também no peito de Jesus. Afinal, ele era um homem como todos. Por isso, Jesus o satisfez ao voltar oito dias depois. Assim, Tomé acreditou, imediatamente, a ponto de confessar: “Meu Senhor e meu Deus!”, como ninguém jamais havia feito. Por fim, Jesus fez uma promessa, que servia para toda a humanidade, até o fim dos tempos: “Felizes dos que acreditarão sem ter visto”. O Papa São Gregório Magno, meditando essa realidade de São Tomé, diz: “A incredulidade de Tomé não foi um acaso, mas prevista nos planos de Deus. O discípulo, que duvidando da Ressurreição do Mestre, pôs as mãos em Suas chagas, e curou com isso a ferida da nossa incredulidade”.

A missão do discípulo

Sabemos que Tomé não era muito instruído, mas, certamente, compensava esta lacuna pelo imenso amor que sentia por Jesus. Segundo a tradição, o Apóstolo recebeu a missão de evangelizar a Síria e, depois, a cidade de Edessa, da qual partiu para fundar a primeira comunidade cristã na Babilônia, Mesopotâmia, onde permaneceu sete anos. Dalí, embarcou para a Índia. De Muziris, onde já havia comunidade judaica promissora, que se tornou cristã, rapidamente atravessou todo o país até chegar à China, sempre e somente por amor ao Evangelho. Ao voltar à Índia, foi martirizado, transpassado por uma lança, na atual Chennai, em 3 de julho de 72.

A minha oração

“Ó Santo Apóstolo, predileto do Senhor, com tua incredulidade curou a nossa, com tua audácia tocaste no corpo glorioso do Senhor. Ensinai-nos a crer sem precedências e a provar da ressurreição do divino Mestre. Amém!”

São Tomé , rogai por nós!

Vimos o Senhor... (Jo 20,24-29)

- por Rogério

Na festa litúrgica do apóstolo São Tomé, o Evangelho nos traz a conhecida cena que inspirou o pincel de Michelangelo Merisi, mais conhecido como Caravaggio. Jesus Cristo, já ressuscitado, apresenta a ferida do lado aberto para que o crente sob condição espete ali o seu indicador.

Convido você a buscar a tela na Internet e contemplá-la por alguns momentos. Que temos ali para VER? Temos OLHOS. Olhares. Quatro figuras humanas olhando para o mesmo ponto: a chaga de Jesus. Os olhares convergem geometricamente sobre a PROVA: o Ressuscitado é o mesmo Crucificado!

Como todos sabem, muita gente seguia Jesus. À espera de Pentecostes, eram 120 no salão de cima. Certa vez, o Mestre havia enviado 72 em missão. Mas havia um grupo “especial”: os Doze. Estes são os APÓSTOLOS.

O apóstolo convivia com Jesus. Era chamado ao deserto. Viajava na mesma barca. Cochilou no mesmo Jardim. Mas eles VIRAM! Os Doze estavam ali para ver. E assim, depois de terem visto, eles podiam afirmar: – Somos testemunhas oculares.

Sim, eu sei da afirmação do Senhor: “Felizes os que creram sem a necessidade da visão anterior”. Estes bem-aventurados somos nós: não vimos, mas cremos. No entanto, nós só cremos – sem termos visto – porque ELES VIRAM. E os evangelhos registram aquilo que foi VISTO. A pomba do Jordão. O sermão na sinagoga. A figueira que secou. A Talita que ficou de pé. O pão consagrado. Sangue e água correndo na ponta da lança do centurião…

ELES viram. Por isso é que NÓS cremos. Devemos nossa fé a eles, e não a alguma sábia demonstração teológica, nem a qualquer revelação baixada por um mensageiro alado. Como lemos no 4º Evangelho, “o que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais” (Jo 19,35).

Estamos diante de um fato central para a vida da Igreja: a imperiosa necessidade de TESTEMUNHAS. Nunca houve tantos pregadores. Nunca houve tantos milagreiros. Mas ainda faltam testemunhas. Aquele que possa dizer sobre os telhados, à luz do sol, diante de ameaças, perdendo amigos, arriscando o emprego: “Comigo foi assim. Cristo é minha vida. Ele me transformou. Só ele nos salva!”

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