03 de Março de 2020

1a Semana da Quaresma Terça-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

TERÇA FEIRA – Iª SEMANA DA QUARESMA

(Roxo, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Vós fostes, Senhor, o refúgio para nós de geração em geração: desde sempre e para sempre vós sois Deus (Sl 89,1).

 

Oração do dia

 

– Olhai, ó Deus, vossa família e fazei crescer no vosso amor aqueles que agora se mortificam pele penitência corporal. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 55, 10-11

 

– Leitura do livro do profeta Isaías: Isto diz o Senhor: 10Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, 11assim a palavra que sair de minha boca não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 34,4-5.6-7.16-17.18-19 (R: 18b)

 

– O Senhor liberta os justos de todas as angústias.
R: O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

– Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

R: O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

– Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

R: O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

– O Senhor pousa seus olhos sobre os justos, e seu ouvido está atento ao seu chamado; mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança.

R: O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

– Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido.

R: O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 6,7-15

 

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!

 

– O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus 

(Mt 4,4).

 

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!  

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. 8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. 11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, 13e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

 

Santos Marino e Astério

- por Padre Alexandre Fernandes

Os santos de hoje foram mártires no século III. São Marino era oficial romano, mas sobretudo, cristão. Já tinha feito seu caminhar com Cristo, estando em constante aprofundamento. No Império, não era reconhecido como cristão, e nem era possível uma evangelização aberta. Mas com sua vida, seu jeito profissional de ser, comunicava a verdade e o amor. Era cogitado para ocupar uma posição chave: a de centurião romano na Cesareia.

Outros queriam esse cargo, e sabiam que ele era cristão. Por isso, um deles levantou uma lei antiga, onde para assumir o cargo era preciso antes sacrificar aos deuses. Imediatamente, Marino revelou publicamente que não poderia fazer isso e professou sua fé. Pela admiração que muitos tinham por ele, não o mataram na hora. Deram a ele três horas para escolher entre apostatar da fé ou morrer.

Ao sair do pretório, encontrou-se com o bispo Teotecno que o levou à igreja e, apontando-lhe para uma espada e para o Evangelho, o motivou a fazer uma escolha digna de cristão. O oficial livremente abraçou o Evangelho.

Passado o tempo, as autoridades o quiseram ouvir. Marino permaneceu fiel por amor a Cristo e à Igreja e acabou sendo degolado. Isto no ano de 260.

De repente, Astério se aproximou do corpo, cobriu-o e enterrou o oficial. Ele sabia que isso poderia levá-lo ao martírio também. E foi o que aconteceu.

O testemunho deles nos convida a evangelizarmos a partir da nossa vida, e em todos os lugares da sociedade, e a nunca renunciarmos nossa fé, mesmo que o martírio nos espere.

Santos Marino e Astério, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Não como os pagãos… (Mt 6,7-15)

 

            Muita gente pensa que os antigos pagãos não rezavam. Pois é um engano. Os pagãos eram muito religiosos. O apóstolo Paulo, pregando em Atenas, destacou a religiosidade deles: “Em tudo vejo que sois extremamente religiosos”. (At 17,22) Paulo tinha visto na cidade grande número de templos e de estátuas dos deuses gregos, ao ponto de existir ali um altar dedicado “ao deus desconhecido”.

 

            Em certos templos pagãos, o visitante recebia (ou comprava) determinada palavra mágica, que deveria ser repetida indefinidamente até que a divindade se dispusesse a atendê-lo. É contra essa “polilogia” que este Evangelho nos previne. Quando os discípulos pedem a Jesus que os ensine a rezar, o Mestre deixa claro que eles não iam dirigir-se a uma divindade distante, indiferente, que devesse ser convencida ou forçada a custa de muito falar.

 

            Sim, em nossa oração, é a Pai que nos dirigimos. Por isso mesmo, nossa oração deve ser uma prece filial. Um pagão pediria dinheiro e poder, sucesso nos negócios ou a morte de seus inimigos. Já os filhos pedem que o Nome de Deus seja santificado, que seu Reino venha logo, que sua vontade seja feita plenamente.

 

            Um missionário italiano, em missão no Japão, tentava ensinar às crianças a oração do Senhor, isto é, o Pai-Nosso. Quando chegaram à frase “seja feita a vossa vontade”, os pequenos pagãos protestaram: – “Não! É ele quem deve fazer a nossa vontade!”

 

            Bem, não devemos rir dessas crianças de olhinhos apertados… Na prática, não é isso mesmo que acontece entre nós? Quase sempre, nossa oração chega até nosso Deus e Pai carregada de pedidos práticos que são de nosso interesse: o filho que deve passar no vestibular; a promoção com que sonhamos no trabalho; aquela venda especial de fim de ano que garantiria nossas férias; a cura da doença que os médicos não conseguem curar.

 

            Menos mal quando ainda rezamos pelos outros: sustentando com nossa oração o trabalho de um missionário, intercedendo por um amigo em depressão, pedindo luzes para o Papa cercado de inimigos…

 

            E Jesus a ensinar: “Não façam como os pagãos!” Se formos obedientes à sua lição, pode ser que nossa oração chame a atenção de alguém. Como aquela senhora que rezava pela conversão do assassino de seu filho. Uma coisa assim faz pensar: “Como pode?! Ela não pede justiça, pede perdão?!” Exatamente. Essa mulher não reza como um pagão, não pede que os raios de Júpiter caiam sobre os bandidos, não clama por vingança, mas imita o próprio Jesus: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem!” Ela reza como filha de Deus…

 

18ª Semana do Tempo Comum