03 de Outubro de 2019

26ª semana comum Quinta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUINTA FEIRA – BEATOS ANDRÉ E AMBRÓSIO PRESBITEROS E MÁRTIRES
(vermelho, pref. comum ou dos mártires – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– Pelo amor de Cristo, o sangue dos mártires foi derramado na terra. Por isso sua recompensa é eterna.

 

Oração do dia

 

– Deus de misericórdia, aumentai em nós a fé que, conservada à custa do próprio sangue, glorificou vossos mártires bem-aventurados André, Ambrósio e companheiros. Dai-nos também ser santificados pela vivência da mesma fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Ne 8,1-4a.5-6.7b-12

 

– Leitura do livro de Neemias: Naqueles dias, 1todo o povo se reuniu como um só homem na praça que fica defronte da porta das Águas, e pediu ao escriba Esdras que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor havia prescrito a Israel. 2O sacerdote Esdras apresentou a Lei diante da assembleia de homens, de mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. 3Assim, na praça que fica defronte da porta das Águas, Esdras fez a leitura do livro, desde o amanhecer até o meio-dia, na presença dos homens, das mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. E todo o povo escutava com atenção a leitura do livro da Lei. 4aEsdras, o escriba, estava de pé sobre um estrado de madeira, erguido para esse fim. 5Estando num lugar mais alto, ele abriu o livro à vista de todo o povo. E, quando o abriu, todo o povo ficou de pé. 6Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu, levantando as mãos: “Amém! Amém!” Depois inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor, com o rosto em terra. 7bOs levitas explicavam a Lei ao povo, e cada um ficou em seu lugar. 8E leram clara e distintamente o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. 9O governador Neemias e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo disseram a todos: “Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus! Não fiqueis tristes nem choreis”, pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei. 10E Neemias disse-lhes: “Ide para vossas casas e comei carnes gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força”. 11E os levitas acalmavam todo o povo, dizendo: “Ficai tranquilos; hoje é um dia santo. Não vos aflijais!” 12E todo o povo se retirou para comer e beber. Distribuíram também aos outros e expandiram-se em grande alegria, pois haviam entendido as palavras que lhes tinham sido explicadas.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 19,8.9.10.11 (R: 9a)

 

– Os ensinos do Senhor são sempre retos, alegria ao coração.

R: Os ensinos do Senhor são sempre retos, alegria ao coração.

 

– A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

R: Os ensinos do Senhor são sempre retos, alegria ao coração.

 

– Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

R: Os ensinos do Senhor são sempre retos, alegria ao coração.

 

– É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

R: Os ensinos do Senhor são sempre retos, alegria ao coração.

 

– Mais desejáveis do que o ouro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

R: Os ensinos do Senhor são sempre retos, alegria ao coração.

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Convertei-vos e crede no evangelho, pois o reino de Deus está chegando!

(Mc 1,15).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 10,1-12

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa nem sacola nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’. 10Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11‘Até a poeira de vossa cidade que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!’ 12Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

Protomártires do Brasil

- por Padre Alexandre Fernandes

Fazemos memória aos Protomártires do Brasil, missionários e leigos martirizados

Dentro da conturbada invasão dos holandeses no nordeste do Brasil, encontram-se os dois martírios coletivos: o de Cunhaú e o de Uruaçu. Estes martírios aconteceram no ano de 1645, sendo que o Pe. André de Soveral e Domingos de Carvalho foram mártires em Cunhaú e o Pe. Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira em Uruaçu; dentre outros.

No Engenho de Cunhaú, principal pólo econômico da Capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte), existia uma pequena e fervorosa comunidade composta por 70 pessoas sob os cuidados do Pe. André de Soveral. No dia 15 de julho chegou em Cunhaú Jacó Rabe, trazendo consigo seus liderados, os ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe Jerera e soldados holandeses. Jacó Rabe era conhecido por seus saques e desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava.

Dizendo-se em missão oficial pelo Supremo Conselho Holandês do Recife, convoca a população para ouvir as ordens do Conselho após a missa dominical no dia seguinte. Durante a Santa Missa, após a elevação da hóstia e do cálice, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares.

A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o Rio Grande e capitanias vizinhas, mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos. Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário Pe. Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o Moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto. Os outros moradores, a grande maioria, não podendo ficar no Forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 km de Fortaleza.

Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes. Após passar por várias localidades do Rio Grande e da Paraíba, Rabe foi então à Potengi, e encontrou heróica resistência armada dos fortificados. Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por 16 dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da Fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las. Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos de Deus.

Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estêvão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia. Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois grupos: 12 na Fortaleza e o restante sob custódia em Potengi.

Dia 2 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, 3 de outubro. Os holandeses decidiram eliminar primeiro os 12 da Fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário.

Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o chefe indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados. Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia.

Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

A 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa João Paulo II beatificou os 30 protomártires brasileiros, sendo 2 sacerdotes e 28 leigos beatificados.

Protomártires do Brasil, rogai por nós!

 

FONTE: Canção Nova 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Escolheu e enviou… (Lc 10,1-12)

 

            Dois verbos essenciais para nossa compreensão a respeito da missão. Em primeiro lugar, a infinita liberdade de Deus, que escolhe a quem ele bem entende, conforme seus desígnios de salvação para a humanidade. Em segundo lugar, a condição que dá legitimidade ao missionário: ter sido enviado.

 

            Dois verbos com duas consequências: 1) ninguém tem o direito de questionar a escolha que Deus fez. Ele não leva em conta as honras de família, o poder econômico do clã, o brilho da inteligência pessoal. Não fosse assim, Jesus não teria convocado para apóstolos quatro pescadores, um cobrador de impostos, dois guerrilheiros e gente da mesma categoria. Deus vê diferente. 2) o chamado tem em vista a missão, isto é, existe uma tarefa a ser realizada, sem a qual o missionário teria falhado por completo.

 

            Claro que isto reduz a zero as nossas preferências, nossos comodismos e até mesmo nossas pretensas habilidades pessoais. Um exemplo basta: Albert Schweitzer, de rica família, teólogo protestante, destacado organista e intérprete da obra musical de Johan Sebastian Bach, sente-se chamado por Deus para cuidar dos nativos do então Congo Belga. Diante da perspectiva da missão, ele concentra seus esforços em estudar medicina e, uma vez diplomado, vai para a África, implantando seu primeiro hospital em um galinheiro abandonado.

 

            Humanamente falando, seus dons naturais e sua realidade social apontavam em outra direção, mas ele preferiu seguir a missão que Deus lhe apontava no íntimo do coração. Em 1952, Albert Schweitzer recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho no campo da medicina juntos aos nativos africanos. Isto é: até a sociedade dos homens vinha confirmar o chamado de Deus…

 

            Alguém diria que, passados 60 anos, os nativos africanos continuam a morrer por falta de assistência médica, às voltas com a AIDS, as epidemias do Ebola e da Febre do Rio. É verdade. E sabem por quê? Porque são muitos os chamados, e poucos os escolhidos. Muita gente ouviu o mesmo chamado que Schweitzer, mas preferiu ficar em casa, acompanhando as novelas e os campeonatos…

 

            A tarefa é imensa. Os operários são muito poucos. A colheita se perde. Os missionários estão sobrecarregados. Enquanto isso, muitos batizados acham que a missão é para… os outros…

 

Orai sem cessar: “Aqui estou! Envia-me! (Is 6,8)

 

29ª Semana do Tempo Comum

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