05 de Fevereiro de 2020

4a Semana Comum Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA-FEIRA – SANTA AGUEDA – VIRGEM E MÁRTIR
(vermelho, pref. dos mártires ou das virgens – oficio da memória)

 

Antífona da entrada

 

– Esta é uma virgem sábia, do número das prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada acesa.

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que santa Águeda, virgem e mártir, agradável ao vosso coração pelo mérito da castidade e pela força no martírio, implore vosso perdão em nosso favor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 2Sm 24,2.9-17

– Leitura do segundo livro de Samuel: Naqueles dias, 2disse o rei Davi a Joab e aos chefes de seu exército que estavam com ele: “Percorrei todas as tribos de Israel, desde Dã até Bersabeia, e fazei o recenseamento do povo, de maneira que eu saiba o seu número”. 9Joab apresentou ao rei o resultado do recenseamento do povo: havia em Israel oitocentos mil homens de guerra, que manejavam a espada; e, em Judá, quinhentos mil homens. 10Mas, depois que o povo foi recenseado, Davi sentiu remorsos e disse ao Senhor: “Cometi um grande pecado, ao fazer o que fiz. Mas perdoa a iniquidade do teu servo, porque procedi como um grande insensato”. 11Pela manhã, quando Davi se levantou, a palavra do Senhor tinha sido dirigida ao profeta Gad, vidente de Davi, nestes termos: 12“Vai dizer a Davi: Assim fala o Senhor: dou-te a escolher três coisas: escolhe aquela que queres que eu te envie”. 13Gad foi ter com Davi e referiu-lhe estas palavras, dizendo: “Que preferes: três anos de fome na tua terra, três meses de derrotas diante dos inimigos que te perseguem, ou três dias de peste no país? Reflete, pois, e vê o que devo responder a quem me enviou”. 14Davi respondeu a Gad: “Estou em grande angústia. É melhor cair nas mãos do Senhor, cuja misericórdia é grande, do que cair nas mãos dos homens!” 15E Davi escolheu a peste. Era o tempo da colheita do trigo. O Senhor mandou, então, a peste a Israel, desde aquela manhã até o dia fixado, de modo que morreram setenta mil homens da população, desde Dã até Bersabeia. 16Quando o anjo estendeu a mão para exterminar Jerusalém, o Senhor arrependeu-se desse mal e disse ao anjo que exterminava o povo: “Basta! Retira agora a tua mão!” O anjo estava junto à eira de Areuna, o jebuseu. 17Quando Davi viu o anjo que afligia o povo, disse ao Senhor: “Fui eu que pequei, eu é que tenho a culpa. Mas estes, que são como ovelhas, que fizeram? Peço-te que a tua mão se volte contra mim e contra a minha família!”

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 32,1-2.5.6.7 (R: 5c)

 

– Perdoai-me, Senhor, meu pecado!
R: Perdoai-me, Senhor, meu pecado!

– Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há falsidade!

R: Perdoai-me, Senhor, meu pecado!

– Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: “Eu irei confessar meu pecado!” E perdoastes, Senhor, minha falta.

R: Perdoai-me, Senhor, meu pecado!

– Todo fiel pode, assim, invocar-vos, durante o tempo da angústia e aflição, porque, ainda que irrompam as águas, não poderão atingi-lo jamais.

R: Perdoai-me, Senhor, meu pecado!

– Sois para mim proteção e refúgio; na minha angústia me haveis de salvar, e envolvereis a minha alma no gozo da salvação que me vem só de vós.

R: Perdoai-me, Senhor, meu pecado!
 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Minhas ovelhas escutam minha voz; eu as conheço e elas me seguem

(Jo 10,27).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 6,1-6

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!

 

 – Naquele tempo, 1Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? 3Este homem não é o filho do carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele. 4Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. 5E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

Santa Águeda

- por Padre Alexandre Fernandes

Virgem e mártir, Santa Águeda nasceu no século III numa família muito conhecida, em Catânia, na Sicília. Muito cedo, ela discerniu um chamado a Deus consagrando a sua virgindade ao Senhor, seu amado e esposo. A grande santa italiana foi uma jovem de muita coragem vivendo o Santo Evangelho na radicalidade num tempo em que o imperador Décio levantou contra o Cristianismo uma forte perseguição. Aqueles que não renunciassem ao senhorio de Cristo e não O desprezassem eram punidos com muitos sofrimentos até a morte.

Santa Águeda era consagrada ao Senhor, amava a Deus, mas foi pedida em casamento por um outro jovem. Claro, por coerência e por vocação, ela disse ‘não’. Esse jovem, que dizia amá-la, a denunciou às autoridades. Ela foi presa e injustamente condenada. Que terríveis sofrimentos e humilhações!

Ela sempre se expressava com muita transparência e dizia que pertencia a uma família nobre, rica, conhecida, mas tinha honra de servir a Nosso Senhor, o seu Deus. De fato, para os santos, a maior honra e a maior glória é servir ao Senhor.

Entregaram-na a uma mulher tomada pelo pecado, uma velha prostituta para pervertê-la, mas esta não conseguiu, pois o reinado de Cristo se dava no coração de Águeda antes de tudo. Então, novamente, como num gesto de falsa misericórdia, perguntaram-lhe: “Então, o que você escolheu, Águeda, para a salvação?”. “A minha salvação é Cristo”, ela respondeu.

Os santos passaram por muitas dificuldades, mas, em tudo, demonstraram para nós que é possível glorificar a Deus na alegria, na tristeza, na saúde, na dor.

Em 254 foi martirizada e se encontra na eternidade, com seu esposo, Jesus Cristo, a interceder por nós.

Santa Águeda, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Não é este o carpinteiro? (Mc 6,1-6)

 

            Estamos diante de um caso de preconceito. Na Palestina daqueles tempos, o múnus de pregador cabia aos rabis, profissionais da palavra de Deus, devidamente formados para o ofício. Eram eles homens – nunca mulheres! – que recebiam do povo o máximo respeito e reverência. Afinal, representavam a legítima tradição mosaica, mantida século após século na reunião semanal da sinagoga.

 

            Eis que surge, ninguém sabe de onde, um novo pregador. Ele prega diferente dos demais. Não fica citando a opinião de outros mestres, mas fala com autoridade pessoal. Não teme sequer fazer umas correções à Lei tradicional: “Vocês ouviram dos antigos… Eu, porém, vos digo…”

 

            E da palavra ele passa à ação: cura cegos e surdos, faz andar os coxos, ressuscita os mortos. E, como se não fosse muito, ousa perdoar pecados. Daí o espanto geral: “Que sabedoria é essa? De onde lhe vem o poder?” E se escudam atrás dos muros do preconceito: “Afinal, não é ele tão somente o filho do carpinteiro?”

 

            Faber, diz São Jerônimo. Carpinteiro. O ofício do pai, José. Aliás, em tempos antigos, os filhos normalmente davam prosseguimento ao ofício paterno. A profissão fazia parte da herança. E os judeus estão diante de uma ruptura incompreensível: um trabalhador braçal manifesta uma sabedoria das coisas do Espírito que nada pode explicar. Logo, deve ser um impostor…

 

            Nós não sabemos o que devemos mais admirar: se um Deus que se encarna e vem assumir a vida de um simples trabalhador braçal, ou a ação do Espírito Santo que pode transformar em mestre um homem do povo… Não sabemos o que devemos mais reprovar: a grosseria de um preconceito que cega ou aquela má vontade em acolher os imprevistos de Deus…

 

            Também hoje, Deus continua a fazer com que nossos olhos fiquem piscando diante do que nos parece incompreensível: o monge prisioneiro que se oferece para substituir um condenado à morte, a freira professora que abandona seu tranquilo convento para cuidar dos mendigos, o profissional da saúde que arrisca continuamente sua vida para cuidar de doenças contagiosas…

 

            E também hoje somos desafiados a olhar para Jesus e tomar uma decisão que compromete toda a nossa vida. Acolher ou… rejeitar…

 

Orai sem cessar: “Senhor, eu te seguirei aonde fores!” (Lc 9,57)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum