05 de Março de 2020

1a Semana da Quaresma Quinta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUINTA FEIRA – I SEMANA DA QUARESMA

(Roxo, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Ouvi, Senhor, minha oração, compreendei o meu lamento. Atendei à voz de meu apelo, ó meu rei e meu Deus! (Sl 5,2).

 

Oração do dia

 

– Dai-nos, ó Deus, pensar sempre o que é reto e realizá-lo com solicitude. E, como só podemos existir em vós, fazei-nos viver segundo a vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Es 4,17n.p-r.aa-bb

 

– Leitura do livro de Ester: Naqueles dias, 17na rainha Ester, temendo o perigo de morte que se aproximava, buscou refúgio no Senhor. 17pProstrou-se por terra desde a manhã até o anoitecer, juntamente com suas servas, e disse: 17q“Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó, tu és bendito. Vem em meu socorro, pois estou só e não tenho outro defensor fora de ti, Senhor, 17rpois eu mesma me expus ao perigo. 17ª Senhor, eu ouvi, dos livros de meus antepassados, que tu libertas, Senhor, até o fim, todos os que te são caros.
17b Agora, pois, ajuda-me, a mim que estou sozinha e não tenho mais ninguém senão a ti, Senhor meu Deus. 17g Vem, pois, em auxílio de minha orfandade. Põe em meus lábios um discurso atraente, quando eu estiver diante do leão, e muda o seu coração para que odeie aquele que nos ataca, para que este pereça com todos os seus cúmplices. 17h E livra-nos da mão de nossos inimigos. Transforma nosso luto em alegria e nossas dores em bem-estar”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 138,1-2a.2bc-3.7c-8 (R: 3a)

 

– Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!
R: Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!

– Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me.

R: Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!

– Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma.

R: Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!

– Estendereis o vosso braço em meu auxílio e havereis de me salvar com vossa destra. Completai em mim a obra começada; ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos!

R: Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!
 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 7,7-12

 

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

 

– Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo a alegria de ser salvo! (Sl 50,12.14)

 

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!   

– Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! 8Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate a porta será aberta.
9Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? 10Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? 11Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

 

São João José da Cruz

- por Padre Alexandre Fernandes

O santo de hoje nasceu no século XVII, e muito cedo descobriu seu chamado a uma consagração total. Pensou na vida sacerdotal, mas percebeu que muitos buscavam o sacerdócio somente para obter honras e dignidades.

João José discerniu melhor, e descobriu que Deus o queria um religioso. Assim, partiu para a vida eremítica, segundo a Ordem de São Pedro de Alcântara. Ele viveu uma vida de oração profunda, se alimentando e dormindo somente o necessário. Recebendo a confiança de seus superiores, foi enviado para Piemonte, em Ávila, para começar um novo mosteiro. E de maneira braçal, iniciou a construção.

Com sua perseverança, a Providência Divina e a ajuda do povo, construiu o mosteiro. Recebeu de Deus o dom dos milagres, e muitos o buscavam. João José da Cruz sempre apresentava o Senhor Jesus e levava o povo à oração.

São João José da Cruz, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

TEMPO DA QUARESMA. PRIMEIRA SEMANA. QUINTA-FEIRA

9. A ORAÇÃO DE PETIÇÃO

– Pedir e agradecer, duas formas de nos relacionarmos com Deus. Dois modos de oração muito gratos a Deus. Retidão de intenção ao pedir.

– Humildade e perseverança na oração.

– O Senhor sempre nos atende. Procurar também a intercessão da Virgem, nossa Mãe, e do Anjo da Guarda.

I. PEDI E DAR-SE-VOS-Á. Buscai e achareis. Batei e abrir-se-vos-á1.

Passamos uma boa parte da nossa vida pedindo coisas a outras pessoas que possuem mais ou que têm conhecimentos superiores aos nossos. Pedimos, porque somos pessoas necessitadas. E é, em muitas ocasiões, a única possibilidade de nos relacionarmos com os outros. Se nunca pedíssemos nada a ninguém, terminaríamos numa especie de vazio e de falsa e empobrecida autosuficiência. Pedir e dar: nisso consiste a maior parte da nossa vida e do nosso ser. Ao pedir, reconhecemo-nos pessoas necessitadas. Ao dar, podemos tomar consciência da riqueza sem fim que Deus colocou no nosso coração.

O mesmo acontece com respeito a Deus. Grande parte das nossas relações com Ele situam-se no âmbito da petição: as restantes, no do agradecimento. Ao pedir, manifestamos a nossa radical insuficiência. Pedir torna-nos humildes; além disso, é uma oportunidade que damos a Deus de mostrar-se Pai e de conhecermos assim o amor que Ele tem por nós. Quem dentre vós, se um filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? […] Quanto mais vosso Pai celestial dará coisas boas aos que lhe pedirem2.

Não pedimos por egoísmo, nem levados pela soberba, pela avareza ou pela inveja. Se pedimos, por exemplo, um favor material, devemos examinar na presença de Deus qual o verdadeiro motivo que nos leva a fazê-lo. Será necessário que perguntemos a Deus, na intimidade da nossa alma, se isso que lhe solicitamos nos ajudará a amá-lo mais e a realizar melhor a sua vontade. E em muitas ocasiões perceberemos imediatamente que esse assunto que nos parecia questão de vida ou morte não tinha qualquer valor, ou ao menos não era tão importante. Saberemos alinhar a nossa vontade pela de Deus e, então, a nossa petição estará muito mais bem encaminhada.

Podemos pedir ao Senhor que nos cure rapidamente de uma doença; mas devemos pedir ao mesmo tempo que, se isso não acontecer porque os seus planos são outros – planos misteriosos e desconhecidos de nós, mas que vêm de um Pai –, nos conceda então a graça necessária para enfrentar com paciência essas dores, e a sabedoria para tirar dessa doença frutos que beneficiem a nossa alma e toda a Igreja.

A primeira condição de toda a petição eficaz é, pois, conformar a nossa vontade com a de Deus, que por vezes quer ou permite coisas e acontecimentos que nós não queremos nem entendemos, mas que acabarão por ser de grande proveito para nós e para os outros. Sempre que fizermos este ato de identificação do nosso querer com o de Deus, estaremos identificando-nos com a oração de Cristo: Não se faça a minha vontade, mas a tua3.

II. PROCUREMOS ORAR sempre com a confiança de filhos. O Evangelho apresenta-nos muitos casos desta oração filial, humilde e perseverante. São Mateus narra o pedido de uma mulher que pode servir de exemplo para todos nós4. Jesus chegou à região de Tiro e Sidon, terra de gentios. Devia estar procurando algum lugar onde os seus Apóstolos pudessem descansar, já que não o conseguira encontrar na região desértica de Betsaida; queria passar uns dias a sós com eles.

Enquanto caminhavam, aproximou-se uma mulher, com um pedido insistente. E, apesar da sua perseverança na súplica, Jesus permaneceu calado: Jesus não lhe respondeu palavra alguma, diz o evangelista.

Os discípulos pedem-lhe que a despeça, pois a sua insistência já começava a incomodar. Mas Jesus pensa de outro modo. Passados uns momentos, quebra o seu silêncio e, enternecido pela humildade da pobre mulher, conversa com ela. Explica-lhe o plano divino da salvação: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Era o plano divino desde a eternidade. Jesus Cristo redimiria com a sua vida e a sua morte todos os homens; mas a evangelização começaria por Israel; depois, os apóstolos de todos os tempos levá-la-iam até os confins da terra.

Mas esta mulher cananéia, que certamente não compreendeu o que o Senhor lhe dizia, não desanimou diante da sua resposta: Mas ela veio prostrar-se diante dele e disse-lhe: Senhor, ajuda-me! Sabe o que quer e sabe que pode consegui-lo de Jesus.

O Senhor explica-lhe novamente, com uma parábola, a mesma coisa que lhe acabava de dizer:Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos. Mas a mulher não cede no seu empenho. A sua fé e a sua confiança crescem e transbordam. E ela introduz-se na parábola, com grande humildade, como um personagem mais: É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.

Tanta fé, tanta humildade, tanta persistência fazem o Senhor exclamar: Ó mulher, grande é a tua fé! E num tom solene e ao mesmo tempo cheio de compaixão, acrescenta: Faça-se conforme desejas. O evangelista terá o cuidado de anotar: E desde aquela hora a sua filha ficou curada. Para este milagre excepcional, foram necessárias também uma fé, uma humildade e uma perseverança excepcionais.

Jesus ouve-nos sempre: mesmo quando parece calar-se. Talvez seja então que mais atentamente nos escuta. Com esse silêncio aparente, talvez queira provocar em nós as condições necessárias para que o milagre se realize: que peçamos com confiança, sem desanimar, com fé.

Quantas vezes a nossa oração perante necessidades urgentes não será a mesma: Senhor, ajuda-me! Que bonita jaculatória para tantas necessidades – sobretudo da alma – que nos são tão urgentes!

Mas não basta pedir; temos que fazê-lo com perseverança, como essa mulher, sem nos cansarmos, para que a constância alcance aquilo que os nossos méritos não conseguem. Muito vale a oração perseverante do justo5. Deus previu todas as graças e ajudas de que necessitamos, mas previu também a nossa oração.

Pedi e dar-se-vos-á… Batei e abrir-se-vos-á. E lembramo-nos agora das nossas muitas necessidades pessoais e das daqueles que vivem junto de nós. O Senhor não nos abandona.

III. EXISTEM INÚMEROS BENS que o Senhor espera que lhe peçamos para que nos sejam concedidos: bens espirituais e materiais, todos eles orientados para a nossa salvação e para a do próximo. “Não concordais comigo em que, se não alcançamos o que pedimos a Deus, é porque não oramos com fé, com o coração suficientemente puro, com uma confiança suficientemente grande, ou porque não perseveramos na oração como deveríamos? Deus jamais negou nem negará nada aos que lhe pedem as suas graças da maneira devida”6.

Se numa ou noutra ocasião não nos foi concedida alguma coisa que pedíamos confiadamente, era porque não nos convinha: “Vela pelo teu bem Aquele que não te concede o que lhe pedes, quando lhe pedes o que não te convém”7. Jesus sabe perfeitamente o que nos convém. Essa oração, que talvez tivéssemos feito com tanta insistência, foi com certeza eficaz para outros bens ou para outra ocasião mais necessária. O nosso Pai-Deus encaminhou-a bem! “Ele sempre dá mais do que lhe pedimos”8.Sempre.

Para que a nossa petição seja atendida com mais rapidez, podemos solicitar as orações de outras pessoas que estejam próximas de Deus, como fez o centurião de Cafarnaum: enviou a Jesus alguns anciãos dos judeus, para suplicar-lhe que viesse curar o seu criado. Estes amigos cumpriram bem a sua tarefa: foram até o Senhor e rogaram-lhe com grande insistência que condescendesse: É uma pessoa– diziam-lhe – que merece que lhe faças este favor…9 O Senhor atendeu o pedido.

Em momentos como esse, pode ser útil lembrarmo-nos de que “depois da oração do Sacerdote e das virgens consagradas, a oração mais grata a Deus é a das crianças e a dos doentes”10. E pediremos também ao nosso Anjo da Guarda que interceda por nós e apresente as nossas súplicas ao Senhor, pois “o anjo particular de cada um de nós – mesmo que sejamos dos mais insignificantes dentro da Igreja –, por estar contemplando sempre o rosto de Deus que está nos Céus e vendo a divindade do nosso Criador, une a sua oração à nossa e colabora na medida do que lhe é possível em favor do que pedimos”11.

Temos, por último, um caminho que a Igreja sempre nos ensinou, para que as nossas orações cheguem à presença de Deus. Este caminho é a intercessão de Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa. A Ela recorremos agora e sempre: “Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria, de que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro…”12

18ª Semana do Tempo Comum