05 de Outubro de 2020

27a semana do tempo comum. Segunda-feira

- por Pe. Alexandre

SEGUNDA FEIRA DA XXVII SEMANA COMUM
(verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Senhor, tudo está em vosso poder, e ninguém pode resistir a vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra e tudo o que eles contêm; sois o Deus do universo! (Est, 13.9).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis, no vosso imenso amor de Pai, mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Gl 1,6-12– Leitura da carta de são Paulo aos Gálatas. Irmãos, 6admiro-me de terdes abandonado tão depressa aquele que vos chamou, na graça de Cristo, e de terdes passado para um outro evangelho. 7Não que haja outro evangelho, mas algumas pessoas vos estão perturbando e querendo mudar o evangelho de Cristo. 8Pois bem, mesmo que nós ou um anjo vindo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja excomungado. 9Como já dissemos e agora repito: Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja excomungado. 10Será que eu estou buscando a aprovação dos homens ou a aprovação de Deus? Ou estou procurando agradar aos homens? Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo. 11Irmãos, asseguro-vos que o evangelho pregado por mim não é conforme critérios humanos. 12Com efeito, não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 111,1-2.7-8.9-10 (R: 5b)

 

– O Senhor se lembra sempre da Aliança.
R: O Senhor se lembra sempre da Aliança.

– Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração!

R: O Senhor se lembra sempre da Aliança.

– Suas obras são verdade e são justiça, seus preceitos, todos eles são estáveis, confirmados para sempre e pelos séculos, realizados na verdade e retidão.

R: O Senhor se lembra sempre da Aliança.

– Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. Permaneça eternamente o seu louvor.

R: O Senhor se lembra sempre da Aliança.

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Eu vos dou um novo preceito: que uns aos outros vos amei como eu vos tenho amado (Jo 13,34).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 10, 25-37

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 25um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” 26Jesus lhe disse: “Que está escrito na Lei? Como lês?” 27Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e a teu próximo como a ti mesmo!” 28Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”. 29Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Eles arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. 31Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. 33Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais”. E Jesus perguntou: 36“Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” 37Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

 

Santa Maria Faustina Kowalska

- por Pe. Alexandre

A misericórdia divina revelou-se manifestamente na vida desta bem-aventurada, que nasceu no dia 25 de agosto de 1905, em Glogowiec, na Polônia Central. Faustina foi a terceira de dez filhos de um casal pobre. Por isso, após dois anos de estudos, teve de aplicar-se ao trabalho para ajudar a família.

Com dezoito anos, a jovem Faustina disse à sua mãe que desejava ser religiosa, mas os pais disseram-lhe que nem pensasse nisso. A partir disso, deixou-se arrastar para diversões mundanas até que, numa tarde de 1924, teve uma visão de Jesus Cristo flagelado que lhe dizia: “Até quando te aguentarei? Até quando me serás infiel?”

Faustina partiu então para Varsóvia e ingressou no Convento das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia no dia 1 de agosto de 1925. No convento tomou o nome de Maria Faustina, ao qual ela acrescentou “do Santíssimo Sacramento”, tendo em vista seu grande amor a Jesus presente no Sacrário. Trabalhou em diversas casas da congregação. Amante do sacrifício, sempre obediente às suas superioras, trabalhou na cozinha, no quintal, na portaria. Sempre alegre, serena, humilde, submissa à vontade de Deus.

Santa Faustina teve muitas experiências místicas onde Jesus, através de suas aparições, foi recordando à humilde religiosa o grande mistério da Misericórdia Divina. Um dos seus confessores, Padre Sopocko, exigiu de Santa Faustina que ela escrevesse as suas vivências em um diário espiritual. Desta forma, não por vontade própria, mas por exigência de seu confessor, ela deixou a descrição das suas vivências místicas, que ocupa algumas centenas de páginas.

Santa Faustina sofreu muito por causa da tuberculose que a atacou. Os dez últimos anos de sua vida foram particularmente atrozes. No dia 5 de outubro de 1938 sussurrou à irmã enfermeira: “Hoje o Senhor me receberá”. E assim aconteceu.

Beatificada a 18 de abril de 1993 pelo Papa João Paulo II, Santa Faustina, a “Apóstola da Divina Misericórdia”, foi canonizada pelo mesmo Sumo Pontífice no dia 30 de abril de 2000.

Santa Faustina, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

33. DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS E DE PETIÇÃO

– Ser agradecidos. Imitar o Senhor.

– Inúmeros motivos para dar graças continuamente.

– Pedir com confiança. Recorrer à Virgem nos nossos pedidos.

Hoje a Igreja convida-nos a fazer um balanço dos benefícios que recebemos de Deus, para dar graças, e do muito que ainda nos falta, tanto no plano material como no espiritual, para pedi-lo ao nosso Pai-Deus, que está sempre disposto a conceder-nos aquilo de que precisamos.

I. COROASTE O ANO com a tua bondade, Senhor, e serás a esperança de todos os confins da terra1.

As Têmporas são dias de ação de graças que a Igreja eleva a Deus quando terminam no hemisfério Norte as colheitas e o período anual de descanso. É também um dia propício para pedirmos ao Senhor que nos ajude a recomeçar com brio as tarefas profissionais2.

Agradecer e pedir são dois modos de nos relacionarmos diariamente com o nosso Pai-Deus. É muito o que precisamos; é muito o que devemos agradecer. Em primeiro lugar, temos de ser conscientes dos dons do Senhor, “porque se não conhecemos aquilo que recebemos, não despertamos para o amor”3. Não sabemos amar se não somos agradecidos. Toma cuidado e não te esqueças do Senhor teu Deus – lemos na primeira Leitura da Missa – […] Não suceda que, depois de teres comido e estares saciado, e teres edificado belas casas e morares nelas, e teres manadas de bois e rebanhos de ovelhas e abundância de prata e de ouro e de todas as coisas, o teu coração se empertigue, e não te lembres do Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão, e que foi o teu guia no imenso e terrível deserto, onde havia dragões de sopro ardente e escorpiões, e falta completa de água; e que fez brotar arroios da pedra duríssima4.

A vida de Jesus, nosso modelo, é uma contínua ação de graças ao Pai. No momento em que vai ressuscitar Lázaro, o Senhor exclama: Pai, dou-te graças porque me tens ouvido5. Na multiplicação dos pães, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados; e igualmente os peixes, quantos eles queriam6. Na instituição da Eucaristia, deu graças7 antes de pronunciar as palavras sobre o pão e o vinho. E fez o mesmo em muitas outras ocasiões. Por isso, “podemos dizer – afirma o Papa João Paulo II – que a sua oração e toda a sua existência terrena se converteram em revelação dessa verdade fundamental enunciada pela Epístola de São Tiago: Toda a dádiva excelente e todo o dom perfeito procedem do alto e descem do Pai das luzes… (Ti 1, 17)”.

A ação de graças “é como uma restituição, porque todas as coisas têm em Deus o seu princípio e a sua fonte. Gratias agamus Domino Deo nostro: é o convite que a Igreja coloca no centro da liturgia eucarística”8. Não há nada mais justo e necessário do que darmos graças ao Senhor durante todos os dias da nossa vida, sem esquecermos que a “maior prova de agradecimento a Deus é amarmos apaixonadamente a nossa condição de filhos seus”9. Hoje, a Igreja no-lo recorda especialmente.

II. A PRINCIPAL CENSURA que São Paulo dirige aos pagãos é que, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus nem lhe deram graças10. Não sejamos ingratos.

Este ano – pelo qual damos graças – esteve repleto de dons do Senhor. Uns foram claros e visíveis; outros, às vezes mais valiosos, ficaram ocultos: perigos para a alma e para o corpo de que o Senhor nos livrou; pessoas que conhecemos e que terão uma importância decisiva na nossa salvação; graças e ajudas que nos passaram desapercebidas; e até acontecimentos que nos pareceram negativos (uma doença, um fracasso profissional…) e que não demoraremos a ver que foram um presente de Deus. Toda a nossa vida é um bem imerecido.

As ações de graças devem, pois, ser contínuas: devem ser atos de piedade e de amor praticados sem interrupção. Compreendemos que, no Prefácio da Santa Missa, a Igreja nos recorde diariamente que é nosso dever e salvação dar-Vos graças, Senhor, nosso Pai, sempre e em todo o lugar, mesmo quando chegam a dor e a doença. Meu Deus, obrigado! E a alma enche-se de paz, porque compreende que Deus tirará muito fruto daquilo que parece pouco grato ou indesejável. “Esse obrigado é como o lenho que Deus mostrou a Moisés e que, lançado nas águas amargas, as transformou em água doce (cfr. Êx 15, 25)”11.

O Fundador do Opus Dei costumava recomendar aos seus filhos que dessem graças ao Senhor pro universis beneficiis tuis… etiam ignotis, por todos os seus benefícios, incluídos os que nos passaram despercebidos12. Possivelmente “um dos nossos maiores rubores ao chegarmos ao Juízo procederá daí: da imensa quantidade de presentes divinos que não soubemos apreciar e agradecer como tais; dos desgostos desnecessários que tivemos com acontecimentos que nos pareceram indiferença divina para com as nossas orações. Ao menos então daremos graças ao Senhor, envergonhados por Ele ter tido a bondade de não escutar tantos pedidos néscios que lhe fizemos. É muito possível que, se tivesse feito caso das nossas orações e atendido literalmente aos nossos pedidos, tivéssemos que escutar no último dia as mesmas palavras que dirigiu ao atormentado epulão, triunfador nesta terra: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida (Lc 16, 25)”13.

Que surpresa quando descobrirmos que os homens, com um pouco mais de fé e de sentido sobrenatural, teriam podido ver um grande bem em muitos dos acontecimentos que lhes pareceram um mal! A nossa gratidão está muito relacionada com o Céu, do qual é já uma antecipação, mas também com o Purgatório. “Como agradeceremos ao Senhor os dissabores que permitiu na nossa vida! São delicadezas de um Pai que deseja ver os seus filhos limpos, purificados, prontos para comparecer diante dEle, imediatamente, ao concluírem a sua viagem por este mundo. Como nos ama, não quer para nós a dilação de um imprescindível Purgatório, e faz-nos o favor de facilitá-lo nesta vida. No fim, dar-lhe-emos graças sobretudo por ter acolhido em particular uma das nossas orações: essa pela qual pedimos com a Igreja spatium verae poenitentiae, oportunidade para uma verdadeira e frutuosa penitência”14.

Damos graças ao Senhor em todo o tempo e lugar, em qualquer circunstância, mas de modo muito particular na Santa Missa, a ação de graças por excelência. E com a Liturgia da Missa, dizemos-lhe: Ó Deus, nós Vos oferecemos este sacrifício de louvor pelos benefícios recebidos; ajudai-nos a atribuir ao vosso nome o que nos concedestes sem o merecermos15.

III. E COM A AÇÃO DE GRAÇAS contínua, a petição reiterada, porque são muitos os auxílios de que necessitamos. Se bem que o Senhor nos concede efetivamente muitos dons sem que nós lho peçamos, dispôs que nos concederia outros tendo em conta a força da oração dos seus filhos. E como não sabemos qual a medida da oração que a sua insondável Providência espera para nos conceder essas graças, é necessário que peçamos incansavelmente: É preciso orar sempre e não desfalecer16. E do Evangelho da Missa17 tiramos a plena certeza de que as nossas orações serão sempre atendidas. O próprio Senhor se apresenta como fiador da sua palavra: tudo o que pedirmos e for para nosso bem, ser-nos-á sempre concedido. Pedi e ser-vos-á dado; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Porque todo o que pede recebe; e o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.

Há, além disso, uma outra razão para sermos perseverantes nas nossas súplicas: quanto mais pedimos, mais nos aproximamos de Deus, mais cresce a nossa amizade com Ele. Na terra, quando temos de pedir um favor a uma pessoa, procuramos alguém que sirva de intermediário, esperamos pelo momento oportuno, em que a pessoa esteja bem disposta… No caso do nosso Pai-Deus, sempre o encontramos disposto a escutar-nos. Há porventura algum de vós que, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai, que está nos céus, dará o bom espírito aos que lho pedirem? Dispomos de todos os motivos para recorrer com confiança a Deus. Nada pode enfraquecer essa fé, nada pode legitimamente atenuá-la.

E o que devemos pedir? “Quem não tem coisas a pedir? Senhor, essa doença… Senhor, esta tristeza… Senhor, aquela humilhação que não sei suportar pelo teu amor… Queremos o bem, a felicidade e a alegria das pessoas da nossa casa; oprime-nos o coração a sorte dos que padecem fome e sede de pão e de justiça; dos que experimentam a amargura da solidão; dos que, no fim dos seus dias, não recebem um olhar de carinho nem um gesto de ajuda.

“Mas a grande miséria que nos faz sofrer, a grande necessidade que queremos remediar, é o pecado, o afastamento de Deus, o risco de que as almas se percam por toda a eternidade”18.

Temos um caminho, que a Igreja sempre nos mostrou, para que as nossas orações cheguem mais prontamente à presença de Deus. Esse caminho é a mediação de Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa. E entre as orações que a piedade cristã dirigiu a Santa Maria ao longo dos séculos, o Santo Rosário, que a Igreja nos propõe como devoção particular neste mês de outubro, sempre foi um caminho eficaz para todas as petições, para todas as necessidades. “Não deixeis de inculcar com todo o cuidado a prática do Rosário – aconselhava Pio XI –, a oração tão querida da Virgem e tão recomendada pelos Sumos Pontífices, por meio da qual os fiéis podem cumprir mais suave e eficazmente o preceito divino do Mestre: Pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á19. Não façamos ouvidos surdos ao conselho.

29ª Semana do Tempo Comum

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