06 de Abril de 2020

Semana da Santa Segunda-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEGUNDA FEIRA – SEMANA SANTA

(Roxo, pref. da paixão II, ofício do dia)

 

Antífona de entrada

 

– Acusai, Senhor, meus acusadores; combatei aqueles que me combatem! Tomai escudo e armadura, levantai-vos, vinde em meu socorro! Senhor, meu Deus, força que me salva!  (Sl 34,1; Sl 139,8).

 

Oração do dia

 

– Concedei, ó Deus, ao vosso povo, que desfalece por sua fraqueza, recobrar novo alento pela paixão do vosso Filho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 42,1-7

 

– Leitura do livro do profeta Isaías: 1“Eis o meu servo — eu o recebo; eis o meu eleito — nele se compraz Minh’ alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos”. 5Isto diz o Senhor Deus, que criou o céu e o estendeu, firmou a terra e tudo que dela germina, que dá a respiração aos seus habitantes e o sopro da vida ao que nela se move: 6“Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 27,1.2.3.13-14 (R: 1a)

 

– O Senhor é minha luz e salvação.
R: O Senhor é minha luz e salvação.

– O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

R: O Senhor é minha luz e salvação.

– Quando avançam os malvados contra mim, querendo devorar-me, são eles, inimigos e opressores, que tropeçam e sucumbem.

R: O Senhor é minha luz e salvação.

– Se contra mim um exército se armar, não temerá meu coração; se contra mim uma batalha estourar, mesmo assim confiarei.

R: O Senhor é minha luz e salvação.

– Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

R: O Senhor é minha luz e salvação.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 12,1-11

 

Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!

Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!

 

– Salve, nosso rei, somente vós tendes compaixão dos nossos erros (Ez 33,11)

 

Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

– Glória a vós, Senhor!  

 

1Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, que ele havia ressuscitado dos mortos. 2Ali ofereceram a Jesus um jantar; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo.  4Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: 5“Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para dá-las aos pobres?” 6Judas falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela. 7Jesus, porém, disse: “Deixa-a; ela fez isto em vista do dia da minha sepultura. 8Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis”. 9Muitos judeus, tendo sabido que Jesus estava em Betânia, foram para lá, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Jesus ressuscitara dos mortos. 10Então, os sumos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, 11porque por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

São Marcelino

- por Padre Alexandre Fernandes

Ocupou um cargo eminente no Império Romano entre os séculos IV e V, tanto que o imperador Honório o enviou para a África, em Cartago, devido a uma confusão com os donatistas, que ensinavam que a eficácia dos sacramentos dependia da santidade dos ministros.

Marcelino se aconselhou com seu amigo, Santo Agostinho, que era bispo de Hipona. E juntos, buscaram o bem comum e a paz para aquela cidade.

O santo de hoje foi mártir. Os donatistas vendo nele um entrave para os interesses pessoais, mandaram assassiná-lo. Pai de família, São Marcelino é exemplo para quem quer doar-se pela verdade e pela justiça.

São Marcelino, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

SEMANASANTA.SEGUNDA-FEIRA

41. AS NEGAÇÕES DE PEDRO

– São Pedro nega conhecer o Senhor. As nossas negações.

– O olhar de Jesus e a contrição de Pedro.

– O verdadeiro arrependimento. Atos de contrição.

I. ENQUANTO SE DESENROLAVA o processo contra Jesus diante do Sinédrio, tinha lugar a cena mais triste da vida de Pedro. Ele, que deixara tudo para seguir o Senhor, que vira tantos prodígios e recebera tantas provas de afeto, agora nega-o rotundamente. Sente-se encurralado e, sob juramento, nega conhecer Jesus.

Estando Pedro em baixo no átrio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote. Fixou os olhos em Pedro, que se aquecia, e disse-lhe: Também tu estavas com Jesus de Nazaré. Ele negou-o: Não o conheço nem sei de que falas. E saiu para a entrada do pátio; e um galo cantou. A criada que o vira começou a dizer aos circunstantes: Este faz parte do grupo deles. Mas Pedro negou-o por segunda vez. Pouco depois, os que ali estavam diziam a Pedro: Certamente tu és um deles, pois também és galileu. Então ele começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais1.

Pedro negou conhecer o seu Senhor, e com isso negou também o sentido profundo da sua existência: o de ser Apóstolo, testemunha da vida de Cristo, o de confessar que Jesus é o Filho do Deus vivo. A sua vida honrada, a sua vocação de Apóstolo, as esperanças que Jesus depositara nele, o seu passado, o seu futuro – tudo começa a ruir. Como foi possível que dissesse: Não conheço esse homem?

Uns anos antes, um milagre realizado por Jesus tivera para ele um significado especial e profundo. Ao presenciar a pesca milagrosa (a primeira delas), Pedro compreendera tudo: Caiu aos pés de Jesus e disse-lhe: Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador. Tanto ele como os seus companheiros estavam assombrados2. Foi como se num instante tivesse visto tudo claramente: a santidade de Cristo e a sua condição de homem pecador. O preto percebe-se em contraste com o branco, a escuridão em contraste com a luz e o pecado em contraste com a santidade. E então, enquanto os seus lábios diziam que pelos seus pecados se sentia indigno de estar ao lado do Senhor, os seus olhos e toda a sua atitude pediam a Jesus que jamais o deixasse separar-se dEle. Foi um dia muito feliz. Ali começou realmente tudo: Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. E trazendo as barcas para terra, deixaram tudo e o seguiram3. A vida de Pedro teria desde então um objetivo maravilhoso: amar a Cristo e serpescador de homens. O resto seria meio e instrumento para esse fim. E agora, por fragilidade, por se ter deixado dominar pelo medo e pelos respeitos humanos, Pedro desaba.

O pecado, a infidelidade em maior ou menor grau, é sempre uma negação de Cristo e do que há de mais nobre em nós, dos melhores ideais que o Senhor semeou no nosso íntimo. O pecado é a grande ruína do homem. Por isso, temos de lutar com afinco, com a ajuda da graça, para evitar todo o pecado grave – os que resultam da malícia, da fragilidade ou da ignorância culposa – e todo o pecado venial deliberado.

Mas, se tivermos a desgraça de cometê-lo, temos de tirar proveito do próprio pecado, pois a contrição fortalece a amizade com o Senhor. Os nossos erros não devem desanimar-nos nunca, se reagimos com humildade. Um arrependimento sincero é sempre ocasião de um encontro novo com o Senhor, e dele podem derivar conseqüências inesperadas para a nossa vida interior. “Pedro levou uma hora para cair, mas levanta-se num minuto e sobe mais alto do que estava antes da sua queda”4.

O Céu está cheio de grandes pecadores que souberam arrepender-se. Jesus recebe-nos sempre e alegra-se quando recomeçamos o caminho que havíamos abandonado.

II. MALTRATADO, O SENHOR é levado para outro lugar através de um dos átrios. Então, voltando-se, o Senhor olhou para Pedro5. “Os seus olhares cruzaram-se. Pedro quereria baixar a cabeça, mas não pôde afastar os seus olhos dAquele que acabava de negar. Conhece muito bem os olhares do Salvador: aquele olhar que decidira da sua vocação e a cuja autoridade e encanto não pudera resistir anos atrás; aquele olhar delicado do dia em que Jesus afirmara, ao contemplar os seus discípulos: Eis os meus irmãos, as minhas irmãs e a minha mãe; e o olhar que o fizera estremecer quando ele, Simão, pretendera suprimir a cruz do caminho de Cristo; e o olhar afetuosamente compassivo com que recebera o jovem demasiado rico para segui-Lo; e o olhar velado pelas lágrimas diante do sepulcro de Lázaro… Não há dúvida de que Pedro conhecia os olhares do Salvador! No entanto, nunca tinha visto no rosto do Senhor essa expressão que agora descobria nEle, esses olhos impregnados de tristeza, mas sem severidade. Olhar de censura, sem dúvida, mas que, ao mesmo tempo, suplicava e parecia repetir: Simão, eu orei por ti! Esse olhar só se deteve nele por um instante fugidio, porque Jesus não demorou a ser violentamente arrastado pelos soldados, mas Pedro nunca o esqueceria”6.

Vê o olhar indulgente sobre a chaga profunda da sua culpa. Compreende então a gravidade do seu pecado e recorda-se da profecia do Senhor sobre a sua traição: Hoje, antes que o galo cante, ter-me-ás negado três vezes. Saiu dali e chorou amargamente7. Sair “era confessar a sua culpa. Chorou amargamente porque sabia amar, e bem cedo as doçuras do amor substituíram nele as amarguras da dor”8.

Saber que Jesus o olhara impediu o Apóstolo de chegar ao desespero. Foi um olhar alentador e Pedro sentiu-se compreendido e perdoado. Como deve ter recordado então as parábolas do Bom Pastor, do filho pródigo, da ovelha perdida!

Na vida de Pedro, vemos refletida a nossa própria vida. “Dor de Amor. – Porque Ele é bom. – Porque é teu Amigo, que deu a sua Vida por ti. – Porque tudo o que tens de bom é dEle. – Porque O tens ofendido tanto… Porque te tem perdoado… Ele!… a ti! – Chora, meu filho, de dor de Amor”9.

A contrição dá à alma uma particular fortaleza, devolve-lhe a esperança, faz com que o cristão se esqueça de si mesmo e se aproxime novamente de Deus, num ato de amor mais profundo. A contrição enriquece a qualidade da vida interior e atrai sempre a misericórdia divina. Os meus olhares deixam-se atrair pelo humilde, pelo coração contrito que teme a minha palavra10. Cristo não terá inconveniente em edificar a sua Igreja sobre um homem que podia cair e que caiu. Deus conta também com os instrumentos débeis para realizar – se se arrependem – as suas grandes obras: a salvação dos homens.

III. ALÉM DE NOS DAR uma grande fortaleza, a verdadeira contrição prepara-nos para ser eficazes entre os outros. “O Mestre passa, uma vez e outra vez, muito perto de nós. Olha-nos… E se o olhas, se o escutas, se não o repeles, Ele te ensinará o modo de dares sentido sobrenatural a todas as tuas ações… E então também tu semearás, onde quer que te encontres, consolo e paz e alegria”11.

O olhar do Senhor recaiu também sobre Judas e incitou-o a mudar quando, no momento da sua traição, ouviu o Mestre chamá-lo amigo. Amigo! Com que propósito vieste? Não se arrependeu naquele momento, mas mais tarde: Vendo-o sentenciado, tomou-se de remorsos e foi devolver as trinta moedas de prata12.

Mas que diferença entre Pedro e Judas! Os dois foram infiéis ao Senhor, embora de modo diferente. Os dois se arrependeram. Mas, enquanto Pedro viria a ser a rocha sobre a qual se levantaria a Igreja de Cristo até o fim dos tempos, Judas foi e enforcou-se. O mero arrependimento humano não basta; produz angústia, amargura e desespero.

Junto de Cristo, o arrependimento transforma-se numa dor gozosa, porque se recupera a amizade perdida. Num instante, pela dor em face das suas negações, Pedro uniu-se ao Senhor muito mais fortemente do que jamais o estivera. As suas negações foram o ponto de partida de uma fidelidade que o levaria até o testemunho supremo do martírio. Judas, pelo contrário, ficou só: Que nos importa? Isso é lá contigo!, dizem-lhe os príncipes dos sacerdotes. Judas, no isolamento produzido pelo pecado, não soube ir até Cristo, faltou-lhe a esperança, e por isso o seu arrependimento foi estéril.

Devemos despertar com freqüência no nosso coração a dor de Amor pelos nossos pecados, sobretudo ao fazermos o exame de consciência no fim do dia, e ao prepararmos a nossa confissão. “A ti, que te desmoralizas, vou-te repetir uma coisa muito consoladora: a quem faz o que pode, Deus não lhe nega a sua graça; Nosso Senhor é Pai, e, se um filho lhe diz na quietude do seu coração: «Meu Pai do Céu, aqui estou eu, ajuda-me…», se recorre à Mãe de Deus, que é Mãe nossa, vai para a frente”13. E a sua dor levada a Cristo transforma-se numa dor gozosa, sobre a qual o Senhor edifica.

18ª Semana do Tempo Comum