06 de Agosto de 2019

18ª semana comum Terça-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

TERÇA FEIRA – TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

(Branco, glória, pref. próprio – ofício da festa)

 

Antífona da entrada

 

– O Espírito Santo apareceu na nuvem luminosa e a voz do Pai se fez ouvir: Este é meu Filho amado, nele depositei todo o meu amor. Escutai-o (Mt 17,5).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que na gloriosa Transfiguração de vosso Filho confirmastes os mistérios da fé pelo testemunho de Moisés e Elias, e manifestastes de modo admirável a nossa glória de filhos adotivos, concedei aos vossos servos e servas ouvir a voz do vosso Filho amado, e compartilhar da sua herança. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Dn 7,9-10.13-14

 

– Leitura da profecia de Daniel: 9Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. 10Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos. 13Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho do homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 97,1-2.5-6.9 (R: 1a9a)

 

– Deus é Rei, é o Altíssimo, muito acima do universo.
R: Deus é Rei, é o Altíssimo, muito acima do universo.

– Deus é Rei! Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apóia na justiça e no direito.

R: Deus é Rei, é o Altíssimo, muito acima do universo.

– As montanhas se derretem como cera ante a face do Senhor de toda a terra; e assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória.

R: Deus é Rei, é o Altíssimo, muito acima do universo.

– Porque vós sois o altíssimo, Senhor, muito acima do universo que criastes, e de muito superais todos os deuses.

R: Deus é Rei, é o Altíssimo, muito acima do universo.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Eis meu Filho muito amado, nele está meu benquerer, escutai-o, todos vós! (Mt 17,5).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 9,28-36

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 28bJesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. 29Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. 30Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moi­sés e Elias. 31Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. 33E quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.
Pedro não sabia o que estava dizendo. 34Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem. 35Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”
36Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

 

São Justo e São Pastor

- por Padre Alexandre Fernandes

São Justo e São Pastor, corajosos discípulos de Cristo que não recuaram diante das ameaças

Com alegria, toda a Igreja festeja neste dia, a Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo, a qual se encontra testemunhada nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. Neste fato bíblico, nós nos deparamos com o segredo da santidade para todos os tempos: “Este é o meu Filho bem-amado, aquele que me aprove escolher. Ouvi-o!” (Mc 9,7)

Sem dúvida, os santos que estamos lembrando hoje, somente estão no Eterno Tabor, por terem vivido esta ordem do Pai. Conta-se que eram jovens cristãos e estavam na escola, quando souberam que o perseguidor e governador Daciano acabara de entrar na cidade. Sendo assim, os santos Justo e Pastor, fugiram, mas foram pegos e entregues por pagãos ao grande perseguidor dos cristãos.

Diante do governador que estava sobre o seu cavalo, os corajosos discípulos de Cristo não recuaram diante das ameaças, tanto assim que, frente à possibilidade do martírio, a resposta de São Justo e Pastor foi um canto de felicidade. O governador, ridicularizado pela fé que transfigurava aqueles jovens, mandou que lhes cortassem as cabeças, isto ocorreu em Alcalá de Henares, em Castela, no ano de 304.

Santos Justo e Pastor, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Da nuvem saía uma voz… (Lc 9,28b-36)

 

            Neste Evangelho da Transfiguração do Senhor, temos duas realidades de alto valor simbólico na Sagrada Escritura: a nuvem e a voz. Na primeira, Deus se oculta; na segunda, Deus se manifesta.

 

            Desde já, é inevitável a aproximação desta cena com o momento do batismo de Jesus no Jordão. Também ali, enquanto o Filho saía das águas e João via o Espírito Santo baixar sobre Jesus na forma visível de uma pomba, a mesma Voz proveniente da nuvem fazia um reconhecimento: “Tu és o meu Filho bem-amado…” (Mc 1,11; Mt 3,16-17)

 

            Estamos diante de uma manifestação trinitária, uma teofania em que transparecem as três Pessoas da Santíssima Trindade: a voz do Pai, a presença histórica do Filho nascido de Mulher e o Espírito divino, tanto na visão da pomba, no Jordão, quanto na irradiação luminosa do Tabor.

 

            A reação dos discípulos inclui temor, silêncio e segredo. É a atitude humana “normal” perante o sagrado. Algo semelhante ao modo como reagiam os hebreus no deserto, quando a montanha fumegava (Ex 19,21-24) ou a nuvem divina preenchia o espaço da tenda de reunião (Ex 33,8-10).

 

            Quando Pedro sugere que levantem três tendas na montanha, ele “não sabia o que estava dizendo”, comenta Lucas. E é sempre assim quando falamos das coisas divinas. Nossas linguagens humanas – códigos criados para recortar o mundo em que vivemos – são impróprias para designar as realidades espirituais, a vida post mortem e os atributos divinos. Ao falar de Deus, recorremos a imagens antropomórficas, referindo-nos à “mão” de Deus, a seus “olhos”, ao “dedo da mão direita do Pai” [digitus paternae dexterae], chegando ao absurdo de representar o Pai eterno – que, sendo eterno, é imune ao tempo – como um triste velho encanecido.

 

Por isso mesmo, diante de nossa incompreensão das coisas espirituais, Jesus precisa recorrer a imagens para nos apresentar o Reino de Deus: tesouro escondido, sementes na terra, grão de mostarda, fermento do pão, rede de pesca etc. Nós também não sabemos bem o que dizer de tudo isso, e precisamos da contribuição dos místicos e dos poetas para superar o muro grosseiro de nossa razão.

 

            É dentro destes limites humanos que vivenciamos nossa fé: entre a nuvem e a voz. Existem fases de obscuridade, quando nosso Deus parece distante, alheio, indiferente e uma nuvem nos envolve. Há momentos de consolo, quando a voz se faz clara, ressoa suavemente em nosso intimo e tudo se ilumina como no alto do Tabor.

 

            Por enquanto, é hora de descer a montanha e assumir nossa missão…

 

Orai sem cessar: “Senhor, à tua luz nós vemos a luz!” (Sl 36,10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

29ª Semana do Tempo Comum

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