06 de Junho de 2026

06 de Junho de 2026

- por Rogério

Antífona

– Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão, porque sou pobre e estou sozinho. Considerai minha miséria e sofrimento e concedei vosso perdão aos meus pecados (Sl 24, 16-18).

 

Coleta

– Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos pedimos humildemente: afastai de nós o que é nocivo e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

 

1ª Leitura: 2 Tm 4,1-8

– Leitura da segunda carta de São Paulo a Timóteo: Caríssimo, 1diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de vir a julgar os vivos e os mortos, e em virtude da sua manifestação gloriosa e do seu Reino, eu te peço com insistência: 2proclama a palavra, insiste oportuna ou importunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina. 3Pois vai chegar o tempo em que não suportarão a sã doutrina, mas, com o prurido da curiosidade nos ouvidos, se rodearão de mestres ao sabor de seus próprios caprichos. 4E assim, deixando de ouvir a verdade, se desviarão para as fábulas.  5Tu, porém, mostra vigilância em tudo, suporta o sofrimento, desempenha o teu serviço de pregador do evangelho, cumpre com perfeição o teu ministério. Sê sóbrio. 6Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 71,8-9.14-15ab.16-17.22 (R: 15a)

– Minha boca anunciará vossa justiça.
R:  Minha boca anunciará vossa justiça.

– Vosso louvor é transbordante de meus lábios, cantam eles vossa glória o dia inteiro. Não me deixeis quando chegar minha velhice, não me falteis quando faltarem minhas forças!

R:  Minha boca anunciará vossa justiça.

– Eu, porém, sempre em vós confiarei, sempre mais aumentarei vosso louvor! Minha boca anunciará todos os dias vossa justiça e vossas graças incontáveis.

R:  Minha boca anunciará vossa justiça.

– Cantarei vossos portentos, ó Senhor, lembrarei vossa justiça sem igual! Vós me ensinastes desde a minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas.

R:  Minha boca anunciará vossa justiça.

– Então, vos cantarei ao som da harpa, celebrando vosso amor sempre fiel; para louvar-vos tocarei a minha cítara, glorificando-vos, ó Santo de Israel!

R:  Minha boca anunciará vossa justiça.

Aclamação ao santo Evangelho

  Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 – Felizes os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus (Mt 5,3).

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 12,38-44

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos

– Glória a vós, Senhor!   

 – Naquele tempo, 38Jesus dizia, no seu ensinamento, à multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; 39gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. 40Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”. 41Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias. 42Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. 43Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. 44Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São Norberto, apóstolo da Eucaristia

- por Rogério

Família nobre e vida mundana

Norberto nasceu numa família de nobres por cerca do ano 1080, em Gennep ou Xanten, no norte da Renânia (atual Alemanha). Ainda criança, foi apresentado ao Capítulo da Catedral de São Vítor em Xanten, onde, mais tarde, foi ordenado subdiácono. O Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Henrique V, notou o carisma e os dons de Norberto, nomeando-o como seu conselheiro pessoal na corte imperial. Ali, Norberto viveu uma vida mundana.

Mudança de Vida

No ano de 1115, após cair do seu cavalo e quase morrer numa tempestade, Norberto se arrependeu e assumiu uma vida de penitência. Ordenado diácono e sacerdote no mesmo dia, ele peregrinou pelo país, pregando a Palavra de Deus, denunciando os abusos dos clérigos e reconciliando inimigos. Uma das mais antigas pinturas de Norberto o retratam com o livro dos Evangelhos e um ramo de oliveira representando a paz. Criticado e perseguido pelos membros da hierarquia, Norberto solicitou e obteve a aprovação do Papa Gelásio II como pregador itinerante.

Fundador

Mais tarde, o Papa Calixto II o encorajou a fundar uma comunidade religiosa na diocese de Laon, no norte da França. Ali, no vale desolado e de difícil acesso de Prémontré, no norte da França, na noite de Natal do ano de 1121, Norberto fundou sua ordem religiosa, a Ordem dos Cônegos Regulares Premonstratenses. Ele escolheu a Regra de Santo Agostinho, tornando-se um dos mais ávidos reformadores do seu tempo. A comunidade era marcada pela vida austera, pela pobreza e pela intensa vida litúrgica e de oração, mas, acima de tudo, pela completa fidelidade ao ideal de vida comunitária retratado na Regra de Agostinho.

Episcopado

Embora relutante, em 25 de julho de 1126, Norberto foi ordenado arcebispo de Magdeburgo e deixou a liderança de sua Ordem aos cuidados de Hugo de Fosses, para trabalhar no pastoreio dessa vasta arquidiocese na fronteira nordeste do Sacro Império Romano-Germânico. Durante seus anos como arcebispo, Norberto lutou energicamente pela liberdade da Igreja em relação aos príncipes e provou-se como ardente defensor do Romano Pontífice. Ele foi indispensável na deposição do antipapa Anacleto II e no retorno do Papa Inocêncio II à Sé Petrina. Enfraquecido pelos vários trabalhos e viagens, Norberto retornou à Magdeburgo, onde morreu em 06 de junho de 1134.

Apóstolo da Eucaristia

Como “Apóstolo da Eucaristia”, a reverente contemplação de Norberto fixa-se no ostensório em sua mão direita. Muitos dos milagres atribuídos a São Norberto ocorreram no contexto do Santo Sacrifício da Missa: milagres de cura, de exorcismo e de reconciliação. De fato, São Norberto insistia em celebrar a missa antes de assumir qualquer trabalho, pois tão grande era a sua fé no poder da Eucaristia. No início de sua conversão, quando ele abriu mão de literalmente tudo que possuía, ele reteve consigo apenas os artigos necessários para a celebração da Missa enquanto ele viajava a pé pela Europa. Era de tal forma, que ele podia celebrar a Eucaristia diariamente — embora não fosse uma prática comum na época um sacerdote celebrar tão frequentemente, apenas nos domingos. O ostensório realmente só entrou em uso muito depois, mas, durante os tempos conturbados da revolta protestante, ele se tornou uma expressão artística da tão conhecida devoção Eucarística de São Norberto.

A minha oração

“Grande bispo e pastor das almas, ajudai-nos a viver com sinceridade e verdade os sacramentos, tendo como centro da nossa vida a Eucaristia. Que Jesus seja cada dia mais amado e adorado, e nós sejamos seus fiéis seguidores. Amém!”

São Norberto, rogai por nós!

Uma pobre viúva... (Mc 12,38-44)

- por Rogério

No Evangelho de hoje, Jesus Cristo elogia a viúva pobre que dá suas duas últimas moedinhas para o cofre das esmolas. Parece um tema obscuro na sociedade do capital, das bolsas de valores, das grandes corporações, quando o dinheiro carrega consigo mais vergonhas do que santidade. Mas o caso pode encerrar alguma lição…

Diretamente dos Apotegmas dos Padres do deserto, José de Enaton [Séc. V] narra as palavras de Abba José ao sofista Sofrônio, que perguntava sobre o interesse de Deus em nossas esmolas:

“Deus determinou que as primícias de tudo o que nasce, de todos os frutos e animais puros, lhe sejam oferecidas em vista da bênção do restante e da remissão dos pecados. Ademais, prescreveu que os primogênitos dos homens lhe sejam consagrados.

Os ricos fazem o contrário: guardam para si os objetos úteis e dão aos pobres ou a seus irmãos aquilo que não serve. Por exemplo, eles bebem o vinho bom, mas o ácido ou ruim, eles o dão às viúvas e aos órfãos. Um fruto em bom estado, eles mesmos o comem, mas o fruto podre, eles o dão. As vestes cômodas e suntuosas, guardam para si, mas as que estão rasgadas ou usadas, lançam-nas aos indigentes.

Entre os filhos, aqueles que estão com saúde e bem conformados, guardam-nos para as uniões e casamentos, e para isso assumem grandes cuidados; mas os doentes, os caolhos, os enfermos e aleijados, eles os consagram a Deus e enviam para os mosteiros. Eis porque aquilo que é oferecido por eles não é aceito. Tal como Caim, quando fazia as oferendas (cf. Gn 4,3), não só não agradou a Deus, mas o irritou.

Seria preciso que essas pessoas pensassem nisto: quando queremos agradar a homens mortais. Nós nos esforçamos por oferecer-lhes aquilo que lhes parece o mais precioso; quanto mais se queremos agradar a Deus, nosso Criador, de quem recebemos as mesmas coisas que lhe oferecemos!

E como nós queremos que ele nos seja favorável por causa da esmola, devemos oferecer-lhe o que temos de mais precioso, para que nosso presente não seja vergonhosamente recusado em nosso seio e nossa oferenda não seja um objeto de horror que se recusa. De fato, assim como o sacrifício de Noé não era mais que aroma e fumaça, mas em consequência da boa intenção daquele que o apresentava, foi considerado como um odor agradável, conforme está escrito: ‘O Senhor sentiu um aroma agradável’ (Gn 8,21).”

Devia ser evidente. Não precisava explicar. Mas eu quero insistir: Deus não olha a moeda. Olha o coração…

 

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