06 de maio de 2020

4a Semana de Páscoa Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA – IV SEMANA DA PÁSCOA

(Branco, ofício do dia)

Antífona da entrada

– Senhor, eu vos louvarei entre os povos, anunciarei vosso nome aos meus irmãos, aleluia! (Sl 17,50;.21,23).

Oração do dia

– Ó Deus, vida dos que crêem em vós, glória dos humildes e felicidade dos justos, atendei com bondade às nossas preces e saciai sempre com vossa plenitude os que anseiam pelas riquezas que prometestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1ª Leitura: At 12,24-13,5a

– Leitura dos Atos dos Apóstolos: Naqueles dias, 24a palavra do Senhor crescia e se espalhava cada vez mais. 25Barnabé e Saulo, tendo concluído seu ministério, voltaram de Jerusalém, trazendo consigo João, chamado Marcos.
13,1Na Igreja de Antioquia, havia profetas e doutores. Eram eles: Barnabé, Simeão, chamado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado junto com Herodes, e Saulo. 2Um dia, enquanto celebravam a liturgia, em honra do Senhor, e jejuavam, o Espírito Santo disse: “Separai para mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei”. 3Então eles jejuaram e rezaram, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo, e deixaram-nos partir. 4Enviados pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e daí navegaram para Chipre. 5aQuando chegaram a Salamina, começaram a anunciar a Palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Eles tinham João como ajudante.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Salmo Responsorial: Sl 67,2-3.5.6.8 (R: 4)

– Que as nações vos glorifiquem ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.
R: Que as nações vos glorifiquem ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.

– Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós! Que na terra se conheça o seu caminho e a sua salvação por entre os povos.

R: Que as nações vos glorifiquem ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.

– Exulte de alegria a terra inteira, pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão, e guiais, em toda a terra, as nações.

R: Que as nações vos glorifiquem ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.

– Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem! Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, e o respeitem os confins de toda a terra!

R: Que as nações vos glorifiquem ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.

Aclamação ao santo Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

– Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12).

Aleluia, aleluia, aleluia.

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 12,44-50

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

– Glória a vós, Senhor!

– Naquele tempo, 44Jesus exclamou em alta voz: “Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou. 45Quem me vê, vê aquele que me enviou. 46Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. 47Se alguém ouvir as minhas palavras e não as observar, eu não o julgo, porque eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. 48Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras já tem o seu juiz: a palavra que eu falei o julgará no último dia. 49Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. 50Eu sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que eu digo, eu o digo conforme o Pai me falou”

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Domingos Sávio

- por Padre Alexandre Fernandes

O santo de hoje viveu o lema “Antes morrer do que pecar”.

Nascido em Turim, na Itália, no ano de 1842, Domingos conheceu muito cedo Dom Bosco e participou do Oratório – lugar de formação integral – onde seu coração se apaixonou por Jesus e Nossa Senhora Auxiliadora.

Pequeno na estatura, mas gigante na busca de corresponder ao chamado à santidade, foi um ícone da alegria de ser santo. Um jovem comum, que buscava cumprir os seus deveres e amava a vida de oração.

Com a saúde fragilizada, faleceu com apenas 15 anos.

São Domingos Sávio, rogai por nós.

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

EMPO PASCAL. QUARTA SEMANA. QUARTA-FEIRA

71. AÇÕES DE GRAÇAS

– O agradecimento a Deus por todos os bens é uma manifestação de fé, de esperança e de amor. Inúmeros motivos para sermos agradecidos.

– Ver a bondade de Deus na nossa vida. A virtude humana da gratidão.

– A ação de graças depois da Santa Missa e da Comunhão.

I. EU VOS LOUVAREI, ó Senhor, entre as nações; contarei a vossa fama aos meus irmãos. Aleluia1, rezamos na antífona de entrada da Missa.

A Sagrada Escritura convida-nos constantemente a dar graças a Deus; os hinos, os salmos e as palavras de todos os homens justos estão cheios de louvor e de agradecimento a Deus. Bendiz, ó minha alma, o Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios2, diz o salmista.

O agradecimento é uma forma extraordinariamente bela de nos relacionarmos com Deus. É um modo de orar muito grato ao Senhor, pois antecipa de alguma maneira o louvor que lhe daremos para sempre na eternidade. Chamamos precisamente ação de graças ao sacramento da Sagrada Eucaristia, porque nela antecipamos aquela união que será o cerne da bem-aventurança eterna.

No Evangelho, vemos como o Senhor se queixa da ingratidão de uns leprosos que não sabem ser agradecidos: depois de terem sido curados, já não se lembram de quem lhes devolveu a saúde, e com ela a família, o trabalho…, a vida. E Jesus fica à espera deles3. Do mesmo modo, sofre pela cidade de Jerusalém, que não percebe a infinita misericórdia com que Deus a visita4, nem o dom que lhe faz ao procurar juntá-la como a galinha junta os seus pintainhos debaixo das asas5.

Agradecer é uma forma de exprimirmos a nossa fé, pois reconhecemos o Senhor como fonte de todos os bens; é uma manifestação de esperança, pois afirmamos que nEle residem todos os bens; e conduz ao amor6 e à humildade, pois nos reconhecemos pobres e necessitados. São Paulo exortava encarecidamente os primeiros cristãos a serem agradecidos: Dai graças, porque isto é o que Deus quer que façais em Jesus Cristo7; e considera a ingratidão como uma das causas do paganismo8.

“São Paulo – diz São João Crisóstomo – dá graças em todas as suas cartas por todos os benefícios da terra. Demo-las nós também pelos benefícios próprios e alheios, pelos pequenos e pelos grandes”9. Um dia, quando estivermos na presença de Deus para sempre, entenderemos com total clareza que não só lhe devemos a nossa existência, mas ainda que toda ela esteve repleta de cuidados, graças e benefícios do Senhor, tão abundantes “que ultrapassam em número as areias do mar”10. Perceberemos que tivemos inúmeros motivos de agradecimento a Deus. Só quando a fé se apaga é que se deixam de ver esses bens e essa grata obrigação.

“Habitua-te a elevar o coração a Deus em ação de graças, muitas vezes ao dia. – Porque te dá isto e aquilo. – Porque te desprezaram. – Porque não tens o que precisas, ou porque o tens.

“Porque fez tão formosa a sua Mãe, que é também tua Mãe. – Porque criou o Sol e a Lua e este animal e aquela planta. – Porque fez aquele homem eloqüente e a ti te fez difícil de palavra…

“Dá-Lhe graças por tudo, porque tudo é bom”11.

II. O SENHOR ENSINOU-NOS a ser agradecidos até pelos menores favores: Nem um copo de água que derdes em meu nome ficará sem recompensa12. O samaritano que voltou para agradecer a sua cura partiu com um dom ainda maior: a fé e a amizade do Senhor. Levanta-te e vai, a tua fé te salvou13, disse-lhe Jesus. Os nove leprosos desagradecidos ficaram sem a melhor parte que o Senhor lhes reservara. Deus espera que nós, cristãos, nos aproximemos dEle todos os dias para lhe dizer muitas vezes: “Obrigado, Senhor!”

Como virtude humana, a gratidão constitui um vínculo eficaz entre os homens e revela com bastante exatidão a qualidade interior da pessoa. “É de bem nascidos ser agradecidos”, diz o refrão popular. E a falta desta virtude torna difícil a convivência humana. Quando somos agradecidos, guardamos a recordação afetuosa de um benefício que nos fizeram, ainda que pequeno, e ficamos desejosos de retribuí-lo de alguma maneira. Muitas vezes, apenas poderemos dizer “obrigado” ou coisa parecida. Mas a alegria que pusermos nesse gesto mostrará todo o nosso agradecimento.

A pessoa agradecida a Deus também o é em relação aos outros. Sabe enxergar e agradecer com maior facilidade os pequenos favores que lhe prestam. O soberbo, que só pensa nas suas coisas, é incapaz de agradecer; acha que tudo o que recebe não passa de um direito.

Se estivermos atentos a Deus e aos outros, apreciaremos no nosso próprio lar muitos motivos de agradecimento: que a casa esteja limpa e em ordem, que alguém tenha fechado as janelas para que não entre o frio, o calor ou a chuva, que a roupa esteja limpa e bem passada… E se por vezes uma ou outra destas coisas não está como esperávamos, saberemos desculpar, porque é infinitamente maior o número de coisas gratas e favores que recebemos.

E ao sairmos à rua, o porteiro merece o nosso agradecimento por guardar o prédio, e merece-o o empregado da farmácia que nos aviou a receita, e os que compõem e imprimem o jornal e passaram a noite trabalhando, e o motorista do ônibus… Toda a convivência humana está cheia de pequenos serviços mútuos, e como seria diferente essa convivência se, além de pagarmos e cobrarmos o que é justo em cada caso, também soubéssemos agradecer! A gratidão é própria dos que têm o coração grande.

III. AS AÇÕES DE GRAÇAS freqüentes devem impregnar o nosso relacionamento diário com o Senhor, porque estamos rodeados dos seus cuidados e favores: “A graça inunda-nos”14. Mas há um momento muito extraordinário em que o Senhor nos cumula dos seus dons, e em que devemos mostrar-nos especialmente agradecidos: a ação de graças depois da Missa.

O nosso diálogo com Jesus Cristo nesses minutos após a Comunhão deve ser especialmente íntimo, simples e alegre. Não podem faltar os atos de adoração, de agradecimento, de humildade, de desagravo, bem como os pedidos. “Os santos têm-nos dito muitas vezes que a ação de graças sacramental é para nós o momento mais precioso da vida espiritual”15.

Nesses momentos, devemos fechar a porta do nosso coração a tudo aquilo que não seja o Senhor, por mais importante que possa ser ou parecer. Umas vezes, ficaremos a sós com Ele, e as palavras não serão necessárias; bastará saber que Ele está na nossa alma e nós nEle. Não será preciso muito para estarmos profundamente agradecidos, contentes, e experimentarmos a verdadeira amizade com o Amigo. Por ali perto estarão os anjos, que o adoram na nossa alma… Nesses momentos, a alma é o que nesta terra mais se assemelha ao Céu. Como podemos estar pensando em outras coisas?…

Outras vezes, servir-nos-emos dessas orações que se incluem nos devocionários, e que alimentaram a piedade de gerações de cristãos durante séculos: Te Deum, Trium puerorum, Adoro te devote, Alma de Cristo…, e muitas outras, que os santos e os bons cristãos que amaram de verdade o Senhor Sacramentado nos deixaram para alimento da nossa piedade.

“O amor a Cristo, que se oferece por nós, incita-nos a saber encontrar, uma vez terminada a Missa, alguns minutos para uma ação de graças pessoal e íntima, que prolongue no silêncio do coração essa outra ação de graças que é a Eucaristia. Como havemos de nos dirigir a Ele, como falar-lhe, como comportar-nos? A vida cristã não se compõe de normas rígidas […]. Penso, não obstante, que em muitas ocasiões o nervo do nosso diálogo com Cristo, da ação de graças após a Santa Missa, pode ser a consideração de que o Senhor é para nós Rei, Médico, Mestre e Amigo”16.

Rei, porque nos resgatou do pecado e nos transferiu para o reino da luz. Pedimos-lhe que reine no nosso coração, nas palavras que pronunciarmos nesse dia, no trabalho que lhe queremos oferecer, nos nossos pensamentos, em cada uma das nossas ações.

Médico, porque junto dEle encontramos o remédio para todas as nossas doenças. Abeiramo-nos da Comunhão como se aproximavam dEle os cegos, os surdos, os paralíticos… E não esquecemos que temos na nossa alma, à nossa disposição, a Fonte de toda a vida. Ele é a Vida.

Mestre, e reconhecemos que Ele tem palavras de vida eterna… e em nós existe tanta ignorância! Ele ensina sem cessar, mas nesses minutos após a Comunhão devemos permanecer atentos. Se estivéssemos com a imaginação, a memória e os sentidos dispersos…, não o ouviríamos.

Amigo, o verdadeiro Amigo, de quem aprendemos o que é a amizade. Contamos-lhe o que se passa conosco, e sempre obtemos uma palavra de alento, de consolo… Ele nos entende bem. Pensemos que está dentro de nós com a mesma presença real com que está no Céu, pensemos que os Anjos o rodeiam… Vez por outra, pediremos a ajuda do nosso Anjo da Guarda: “Dá-lhe graças por mim, pois sabes fazê-lo melhor”.

Nenhuma criatura como a Virgem, que trouxe em seu seio durante nove meses o Filho de Deus, poderá ensinar-nos a tratá-lo melhor na ação de graças depois da Comunhão. Recorramos a Ela.

29ª Semana do Tempo Comum

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