06 de Novembro de 2019

31ª semana comum Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA – XXXI SEMANA DO TEMPO COMUM

(Verde – ofício do dia da )

 

Antífona da entrada

 

– Não me abandoneis jamais, Senhor, meu Deus, não fiqueis longe de mim! Depressa, vinde em meu auxílio, ó Senhor, minha salvação! (Sl 37,22).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus de poder e misericórdia, que concedeis a vossos filhos e filhas a graça de vos servir como devem, fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Rm 13, 8-10

– Leitura da carta de são Paulo aos Romanos: Irmãos, 8não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo – pois quem ama o próximo está cumprindo a Lei. 9De fato, os mandamentos: “Não cometerás adultério”, “Não matarás”, “Não roubarás”, “Não cobiçarás”, e qualquer outro mandamento se resumem neste: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”.10O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 112, 1-2.4-5.9 (R: 5a)

 

– Feliz quem tem piedade e empresta!

R: Feliz quem tem piedade e empresta!

 

– Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!

R: Feliz quem tem piedade e empresta!

 

– Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos. Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça.

R: Feliz quem tem piedade e empresta!

 

– Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder.

R: Feliz quem tem piedade e empresta!

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Felizes sereis vós se fordes ultrajados por causa de Jesus, pois repousa sobre vós o Espírito de Deus (1Pd 4,14)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 14, 25-33.

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 25grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ 31Ou ainda: Qual rei que, ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Nuno de Santa Maria

- por Padre Alexandre Fernandes

São Nuno de Santa Maria, abandonou as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito

Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, e recebeu a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo.

Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezesseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim.

Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.

Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei.

Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.

Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela Eucaristia e pela Virgem Maria são os alicerces da sua vida interior.

O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.

Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acaba por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria.

Impelido pelo amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado.

O Condestável do rei de Portugal, o comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria — a sua terna Padroeira que sempre venerou—, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.

Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, aos 71 anos de idade. Era o Domingo de Páscoa, dia 1 de Abril de 1431. Após sua morte, passou imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.

Nuno Álvares Pereira foi beatificado em 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV através do Decreto “Clementíssimus Deus” e foi consagrado o dia 6 de Novembro ao, então, beato.

O Santo Padre, Papa Bento XVI, durante o Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009.

São Nuno de Santa Maria, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

TEMPO COMUM. TRIGÉSIMA PRIMEIRA SEMANA. QUARTA-FEIRA

69. OS FRUTOS DA CRUZ

– O sentido da dor.

– Os seus frutos na vida cristã.

– Recorrer a Jesus e a Maria na doença e na contradição.

I. A CRUZ É O SÍMBOLO e o sinal do cristão porque nela se consumou a Redenção do mundo. O Senhor empregou a expressão tomar a cruz para indicar qual deveria ser a atitude dos seus discípulos ante a dor e a contradição. No Evangelho da Missa, Jesus diz-nos: Aquele que não toma a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo1. E em outra ocasião, dirigindo-se a todos os presentes, advertiu-os: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-me2.

A dor, nas suas diferentes manifestações, é uma realidade universal. São Paulo compara o sofrimento às dores da mãe ao dar à luz: Sabemos que todas as criaturas gemem e estão como que com dores de parto3, e a experiência nos ensina que não há ser humano algum que não sofra por um ou outro motivo. Por isso, São Pedro advertia aos primeiros cristãos na epístola que lhes dirigiu: Caríssimos, não vos perturbeis com o fogo da tribulação que se acendeu no meio de vós para vos provar, como se vos acontecesse algo de extraordinário4.

É como se a dor derivasse da própria natureza humana. No entanto, a fé nos ensina que o sofrimento penetrou no mundo pelo pecado. Deus tinha preservado o homem da dor por um ato de bondade infinita. Criado num lugar de delícias, se tivesse sido fiel a Deus, teria sido levado desse paraíso terreno para o Céu para gozar eternamente da mais pura felicidade.

O pecado de Adão, transmitido aos seus descendentes, alterou os planos divinos. Com o pecado, entraram no mundo a dor e a morte. Mas o Senhor assumiu o sofrimento, não só através das privações normais de qualquer ser humano (passou fome e sede, cansou-se no trabalho…), como sobretudo da sua Paixão e Morte na Cruz, e assim converteu as dores e penas desta vida num bem imenso. Além disso, todos nós fomos chamados – mediante o sofrimento e o sacrifício voluntário – a completar no nosso corpo a Paixão de Jesus5.

A fé nesta participação misteriosa da Cruz de Cristo dá-nos “a certeza interior de que o homem que sofre completa o que falta aos sofrimentos de Cristo, e de que, na dimensão espiritual da obra da Redenção serve, como Cristo, para a salvação dos seus irmãos e irmãs. Portanto, não só é útil aos outros, mas presta-lhes ainda um serviço insubstituível. No Corpo de Cristo […], precisamente o sofrimento impregnado do espírito de Cristo é o mediador insubstituível e autor dos bens indispensáveis à salvação do mundo. Mais do que qualquer outra coisa, o sofrimento abre caminho à graça que transforma as almas. Mais do que qualquer outra coisa, o sofrimento torna presentes na história da humanidade as forças da Redenção”6.

Está nas nossas mãos colaborarmos generosamente com Cristo mediante a aceitação amorosa de todos os tipos de dor: as contrariedades, as dificuldades da vida, a doença, os sofrimentos próprios e os dos outros…, que Ele permite para a nossa santificação pessoal e de toda a Igreja. A dor ganha então todo o seu sentido e converte-nos em verdadeiros colaboradores do Senhor na obra da salvação das almas: completa-se a obra da nossa santificação7.

II. A ÁRVORE DA CRUZ está cheia de frutos. Os sofrimentos ajudam-nos a estar mais desprendidos dos bens da terra, da saúde, da riqueza e das honras… “Deus meus et omnia!”, meu Deus e meu tudo!8, exclamava São Francisco de Assis. Se o tivermos a Ele, todo o resto não representará grande perda. “Feliz quem pode dizer de todo o coração: meu Jesus, Tu me bastas!”9

As tribulações são uma excelente oportunidade para expiarmos melhor as nossas faltas e pecados da vida passada. Santo Agostinho diz que, especialmente quando sofremos, o Senhor atua como médico para curar as chagas que os pecados deixaram em nós, e emprega esses sofrimentos como remédio10.

As nossas dificuldades e dores fazem-nos recorrer com maior prontidão e constância à misericórdia divina: Na sua tribulação, hão de procurar-me pela manhã cedo11, diz o Senhor pelo profeta Oséias. E Jesus convida-nos a recorrer a Ele em todas as circunstâncias difíceis: Vinde a mim todos os que trabalhais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei12. Quantas vezes experimentamos este alívio! Verdadeiramente Ele é o nosso refúgio e a nossa fortaleza13 no meio de todas as tempestades da vida, é o porto a que temos de dirigir-nos pressurosamente.

As contrariedades, a doença, a dor… permitem-nos praticar muitas virtudes (a fé, a coragem, a alegria, a humildade, a identificação com a vontade divina…) e dão-nos a possibilidade de alcançarmos muitos méritos. “Ao pensares em todas as coisas da tua vida que ficarão sem valor por não as teres oferecido a Deus, deverias sentir-te avaro: ansioso por apanhar tudo, por não desaproveitar também nenhuma dor. – Porque, se a dor acompanha a criatura, o que é senão insensatez desperdiçá-la?”14 E existem épocas na vida em que ela se apresenta abundantemente… Não deixemos que passe sem deixar frutos copiosos na alma.

A dor, enfrentada com sentido cristão, é um grande meio de santidade. A nossa vida interior precisa também das contradições e dos obstáculos para crescer. Santo Afonso Maria de Ligório afirmava que, assim como a chama se aviva em contacto com o ar, assim a alma se aperfeiçoa em contacto com as tribulações15. Até as próprias tentações ajudam a progredir no amor ao Senhor. Deus é fiel, pois não permitirá que sejais tentados além do que podem as vossas forças, antes vos dará com a tentação a ajuda necessária para suportá-la16. E a prova, suportada junto do Senhor, atrai novas graças e bênçãos.

III. SEMPRE QUE NOS VEJAMOS atribulados, procuremos Jesus, em quem sempre encontraremos consolo e ajuda. Como o Salmista, também nós poderemos dizer: Na minha tribulação, clamei ao Senhor e ele ouviu-me17, pois em nós certamente não há forças suficientes para podermos resistir a essa multidão que se lança sobre nós. E como não sabemos o que fazer, não temos outro recurso senão voltar para Ti os nossos olhos18.

No Coração misericordioso de Jesus encontramos sempre a paz e o auxílio. É a Ele que devemos recorrer em primeiro lugar, com toda a serenidade, para não termos que ouvir as palavras que um dia dirigiu a Pedro: Homem de pouca fé, por que duvidaste?19 “Oh! Valha-me Deus! – exclamava Santa Teresa –. Quando Vós, Senhor, quereis dar ânimo, que pouca impressão causam todas as contradições”20. Peçamos esse “ânimo” a Jesus quando tivermos de enfrentar a dor e a tribulação.

Junto do Senhor, poderemos tudo; longe dEle, não resistiremos muito: “Com tão bom amigo presente – Nosso Senhor Jesus Cristo –, com tão esforçado capitão, que em matéria de padecer foi o primeiro, tudo se pode sofrer. Serve de ajuda e dá esforço; nunca falta; é amigo verdadeiro”21. Com Ele, saberemos comportar-nos com alegria, e mesmo com bom humor, no meio das dificuldades, como fizeram os santos. Deixaram-nos abundantes exemplos disso.

O Senhor ensinar-nos-á também a ver as provas e penas com mais objetividade, para não darmos importância ao que realmente não a tem e para não inventarmos penas que, por falta de humildade, são mero produto da imaginação, “a louca da casa”, como a chamava Santa Teresa; ou ainda para não aumentarmos o seu volume quando, com um pouco de boa vontade, podemos suportá-las sem lhes dar a categoria de drama ou de tragédia.

Ao terminarmos a nossa oração, acudimos a Nossa Senhora para que Ela nos ensine a tirar fruto de todas as dificuldades que venhamos a padecer ou pelas quais estejamos passando nestes dias. “«Cor Mariae perdolentis, miserere nobis!» – invoca o Coração de Santa Maria, com ânimo e decisão de te unires à sua dor, em reparação pelos teus pecados e pelos de todos os homens de todos os tempos.

“– E pede-lhe – para cada alma – que essa sua dor aumente em nós a aversão pelo pecado, e que saibamos amar, como expiação, as contrariedades físicas ou morais de cada jornada”22.

(1) Lc 14, 27; (2) Lc 9, 23; (3) Rom 8, 22; (4) 1 Pe 4, 12; (5) cfr. Col 1, 24; (6) João Paulo II, Carta Apostólica Salvifici doloris, 11.02.84, 27; (7) cfr. Adolphe Tanquerey, La divinización del sufrimiento, págs. 20-21; (8) São Francisco de Assis, Opúsculos, Pedeponti, 1739, vol. I, pág. 20; (9) Santo Afonso Maria de Ligório, Sermões abreviados, 43; (10) cfr. Santo Agostinho, Comentário aos Salmos, 21, 2, 4; (11) Os 6, 1; (12) Mt 11, 28; (13) Sl 45, 2; (14) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Sulco, n. 997; (15) Santo Afonso Maria de Ligório, Sermões abreviados, pág. 823; (16) 1 Cor 10, 13; (17) Sl 119, 1; (18) 2 Par 20, 12; (19) Mt 14, 31; (20) Santa Teresa, Fundações, 3, 4; (21) Santa Teresa, Vida, 22; (22) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Sulco, n. 258.

29ª Semana do Tempo Comum

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