07 de Agosto de 2019

18ª semana comum Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA – XVIII SEMANA DO TEMPO COMUM

(Verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, não tardeis mais (Sl 69,2,6).

 

Oração do dia

 

– Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Nm 13,1-2.25-14,1.26-30.34-35

 

– Leitura do livro dos Números: Naqueles dias, 13,1o Senhor falou a Moisés, no deserto de Faran, dizendo: 2“Envia alguns homens para explorar a terra de Canaã, que vou dar aos filhos de Israel. Enviarás um homem de cada tribo, e que todos sejam chefes”. 25Ao fim de quarenta dias, eles voltaram do reconhecimento do país 26e apresentaram-se a Moisés, a Aarão e a toda a Comunidade dos filhos de Israel, em Cades, no deserto de Faran. E, falando a eles e a toda a comunidade, mostraram os frutos da terra 27e fizeram a sua narração, dizendo: “Entramos no país, ao qual nos enviastes, que de fato é uma terra onde corre leite e mel, como se pode reconhecer por estes frutos. 28Porém, os habitantes são fortíssimos, e as cidades grandes e fortificadas. Vimos lá descendentes de Enac; 29os amalecitas vivem no deserto do Negueb; os hititas, jebuseus e amorreus, nas montanhas; mas os cananeus, na costa marítima e ao longo do Jordão”. 30Entretanto Caleb, para acalmar o povo revoltado, que se levantava contra Moisés, disse: “Subamos e conquistemos a terra, pois somos capazes de fazê-lo”. 31Mas os homens que tinham ido com ele disseram: “Não podemos enfrentar esse povo, porque é mais forte do que nós”. 32E, diante dos filhos de Israel, começaram a difamar a terra que haviam explorado, dizendo: “A terra que fomos explorar é uma terra que devora os seus habitantes: o povo que aí vimos é de estatura extraordinária. 33Lá vimos gigantes, filhos de Enac, da raça dos gigantes; comparados com eles parecíamos gafanhotos”. 14,1Então, toda a comunidade começou a gritar, e passou aquela noite chorando. 26O Senhor falou a Moisés e Aarão, e disse: 27”Até quando vai murmurar contra mim esta comunidade perversa? Eu ouvi as queixas dos filhos de Israel. 28Dize-lhes, pois: ‘Por minha vida, diz o Senhor, juro que vos farei assim como vos ouvi dizer! 29Neste deserto ficarão estendidos os vossos cadáveres. Todos vós que fostes recenseados, da idade de vinte anos para cima, e que murmurastes contra mim, 30não entrareis na terra na qual jurei, com mão levantada, fazer-vos habitar, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. 34Carregareis vossa culpa durante quarenta anos, que correspondem aos quarenta dias em que explorastes a terra, isto é, um ano para cada dia; e experimentareis a minha vingança’. 35Eu, o Senhor, assim como disse, assim o farei com toda essa Comunidade perversa, que se insurgiu contra mim: nesta solidão será consumida e morrerá”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 106,6-7a.13-14.21-22.23 (R: 4a)

 

– Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo o amor para com vosso povo!
R: Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo o amor para com vosso povo!

– Pecamos como outrora nossos pais, praticamos a maldade e fomos ímpios; no Egito nossos pais não se importaram com os vossos admiráveis grandes feitos.

R: Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo o amor para com vosso povo!

– Mas bem depressa esqueceram suas obras, não confiaram nos projetos do Senhor. No deserto deram largas à cobiça, na solidão eles tentaram o Senhor.

R: Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo o amor para com vosso povo!

– Esqueceram-se do Deus que os salvara, que fizera maravilhas no Egito; no país de Cam fez tantas obras admiráveis, no Mar Vermelho, tantas coisas assombrosas.

R: Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo o amor para com vosso povo!

– Até pensava em acabar com sua raça, não se tivesse Moisés, o seu eleito, interposto, intercedendo junto a ele, para impedir que sua ira os destruísse.

R: Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo o amor para com vosso povo!

Aclamação ao Santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo, aleluia

(Lc 7,16).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 15,21-28

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 21Jesus retirou-se para a região de Tiro e Sidônia. 22Eis que uma mulher cananeia, vindo daquela região, pôs-se a gritar: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!” 23Mas, Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: “Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós”. 24Jesus respondeu: “Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel”. 25Mas, a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar: “Senhor, socorre-me!” 26Jesus lhe disse: “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos”. 27A mulher insistiu: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!” 28Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!” E desde aquele momento sua filha ficou curada.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São Sisto II

- por Padre Alexandre Fernandes

Os anos que se seguiram de 250 até 260 foram uns dos mais terríveis e, ao mesmo tempo, gloriosos do Cristianismo; terríveis devido à fúria dos imperadores Décio e Valeriano, e gloriosos por conta da têmpera dos inúmeros mártires, que foram os que mais glorificaram a Deus.

O Santo Papa Sisto II, a quem celebramos neste dia, foi um destes homens que soube transformar o terrível em glória, a partir do seu testemunho de fé, amor e esperança em Cristo Jesus. Pertence à lista de cinco consecutivos Papas mártires, São Sisto II governou a Igreja durante um ano (257 – 258) e neste tempo semeou a paz e a unidade no seio da Igreja de Cristo.

Foi Sisto decapitado pela polícia durante uma cerimônia clandestina que ele celebrava num cemitério da via Ápia. Foram ao mesmo tempo executados seis dos sete diáconos que o rodeavam. Só pouparam algum tempo o diácono Lourenço, seu tesoureiro, a quem deixaram quatro dias para entregar os bens da Igreja. Assim se procedia desde que o imperador Valeriano (+260) estabelecera a pena de morte “sem julgamento, só com verificação de identidade”, contra os Bispos, padres e diáconos da religião cristã.

Desta forma, São Sisto II e seus companheiros mártires entregaram suas vidas em sinal de fidelidade a Cristo e foram recompensados com o tesouro da eternidade no Céu.

São Sisto II e companheiros mártires, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova 

 

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Migalhas que caem da mesa… (Mt 15,21-28)

 

            Este Evangelho é um daqueles textos memoráveis que jamais chegaremos a esgotar em sua riqueza de significados. Este encontro de Jesus com a mulher cananeia nos fala de fé e de humildade, de amor pelos filhos, de diferenças étnicas e sociais. Mas fala também de… desperdício!

 

            Em minha remota infância, um simples pedaço de pão caído ao chão disparava um tapa na orelha ou um doído beliscão: “Cata depressa! O pão é sagrado!” E a criança se apressava em recuperar o dom perdido. Bons tempos! Tempos em que a comida era escassa, mas sempre venerada como precioso dom de Deus.

 

            Lembro-me de meu avô Giuseppe, já bem velhinho, ao final das refeições: com o miolo do pão, ele “enxugava” literalmente o prato, deixando-o limpo e brilhante. É que, após sete anos seguidos de guerra, longe de sua Itália – Campanha da Tripolitânia, Guerra Ítalo-turca e Primeira Guerra Mundial – vovô aprendera a aproveitar cada migalha da comida. Ele experimentara a falta do pão.

 

            Bem, não é este o nosso caso, certo? Parece que nós vivemos tempos de vacas gordas, rebanhos numerosos, superprodução de grãos, hipermercados bem abastecidos. Dá até fastio! Natural que produzamos muitas migalhas, abundante lixo orgânico, comida desperdiçada. A gente acaba por se acostumar com a fartura…

 

            Não é exatamente o caso de nossa vida eclesial neste início de milênio? Quanta fartura! Quanta abundância! Palavra de Deus. Eucaristia. Sacramentos. Grupos de oração. Retiros espirituais. Congressos. Reflexões na Internet. Pregadores na TV. Padres cantores. Traduções da Bíblia em centenas de idiomas. Turismo religioso. Nunca foi tão fácil ser cristão! Religião pra dar e vender…

 

            De tudo isto, quanto cai no chão? Quanto se desperdiça do pão destinado aos filhos, mas que pode acabar na boca dos cachorrinhos? Ainda brota em nosso coração um sentimentozinho de gratidão pelo rico cardápio que o Senhor oferece aos filhos?

 

            Em viagem missionária pela Transamazônica, vi a fome espiritual dos moradores do Pará. Em cada “folha” do seu território, uma capela de madeira. Nenhuma imagem de santo. Nenhum sacrário com o depósito eucarístico. Padre? Uma vez por semestre… uma vez por ano… E o povo ali reunido, todas as noites, em oração. Confesso: tive vergonha de mim…

 

            Neste Evangelho, aquela mulher humilde foi agraciada com as “sobras” desperdiçadas pelos filhos da casa. E ela se deu por satisfeita com as migalhas recolhidas do solo. Jesus não pôde refrear a exclamação: “Mulher, é grande a tua fé! Assim como queres, te seja feito!”

 

            Que faremos do Pão que Deus nos oferece?

 

Orai sem cessar: “O Senhor dá alimento a quem tem fome…” (Sl 146,7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

29ª Semana do Tempo Comum

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