08 de Novembro de 2019

31ª semana comum Sexta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEXTA FEIRA – XXXI SEMANA DO TEMPO COMUM

(Verde – ofício do dia da)

 

Antífona da entrada

 

– Não me abandoneis jamais, Senhor, meu Deus, não fiqueis longe de mim! Depressa, vinde em meu auxílio, ó Senhor, minha salvação! (Sl 37,22).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus de poder e misericórdia, que concedeis a vossos filhos e filhas a graça de vos servir como devem, fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Rm 15,14-21

 

– Leitura da carta de são Paulo aos Romanos: Meus irmãos, 14de minha parte, estou convencido, a vosso respeito, de que tendes bastante bondade e ciência, de tal maneira que podeis admoestar-vos uns aos outros. 15No entanto, em algumas passagens, eu vos escrevo com certa ousadia, como para reavivar a vossa memória, em razão da graça que Deus me deu. 16Por esta graça eu fui feito ministro de Jesus Cristo entre os pagãos e consagrado servidor do Evangelho de Deus, para que os pagãos se tornem uma oferenda bem aceite santificada no Espírito Santo. 17Tenho, pois, esta glória em Jesus Cristo no que se refere ao serviço de Deus: 18Não ouso falar senão daquilo que Cristo realizou por meu intermédio, para trazer os pagãos à obediência da fé, pela palavra e pela ação, 19por sinais e prodígios, no poder do Espírito de Deus. Assim, eu preguei o Evangelho de Cristo, desde Jerusalém e arredores até a Ilíria, 20tendo o cuidado de pregar somente onde Cristo ainda não fora anunciado, para não acontecer de eu construir sobre alicerce alheio. 21Agindo desta maneira, eu estou de acordo com o que está escrito: “Aqueles aos quais ele nunca fora anunciado, verão; aqueles que não tinham ouvido falar dele, compreenderão”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 98,1.2-3ab.3cd-4 (R: 2b)

 

– O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.
R: O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

– Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.

R: O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

– O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.

R: O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

– Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!

R: O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– O amor de Deus se realiza em todo aquele que guarda sua palavra fielmente (1Jo 2,5)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 16,1-8

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 1Jesus disse aos discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. 2Ele o chamou e lhe disse: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’. 3O administrador então começou a refletir: ‘O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. 4Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração’. 5Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ 6Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!” O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!’ 7Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve oitenta’. 8E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. “Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São Deodato - Papa em Roma

- por Padre Alexandre Fernandes

São Deodato, era o guia civil, o juiz, o supremo magistrado, a garantia da ordem

O santo de hoje, cujo nome significa “dado por Deus”, foi por quarenta anos Padre em Roma antes de suceder ao Papa Bonifácio IV a 19 de outubro de 615. Em Roma, o Papa não era somente o Bispo e o Pai espiritual, mas também o guia civil, o juiz, o supremo magistrado, a garantia da ordem. Com a morte de cada pontífice, os romanos se sentiam privados de proteção, expostos às invasões dos bárbaros nórdicos ou às reivindicações do império do Oriente. A teoria dos dois únicos, Papa e imperador, que deviam governar unidos o mundo cristão, não encontrava grandes adesões em Constantinopla.

O Papa Deodato, entretanto, buscou o diálogo junto ao imperador intercedendo pelas necessidades de seu povo e, apesar do imperador mostrar-se pouco solícito para o bem do povo, enviou o exarca Eleutério para acabar com as revoltas de Ravena e de Nápoles. Foi a única vez que o Papa Deodato, ocupado em aliviar os desconfortos da população da cidade, nas calamidades acima referidas, teve um contato, se bem que indireto, com o imperador.

Foi inserido no Martirológio Romano, um episódio que revalidaria a fama de santidade que circundava este pontífice que guiou os cristãos em épocas tão difíceis: durante uma das suas frequentes visitas aos doentes, os mais abandonados, os que era atingidos pela lepra, teria curado um desses infelizes, após havê-lo amavelmente abraçado e beijado.

São Deodato morreu em novembro do ano 618, amado e chorado pelos romanos que tiveram a oportunidade de apreciar seu bom coração durante as grandes calamidades que se abateram sobre Roma nos seus três anos de Pontificado (inclusive um terremoto, que deu golpe de graça aos edifícios de mármore dos Foros, já devastados por sucessivas invasões bárbaras e horríveis epidemia).

São Deodato, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Esbanjar os bens… (Lc 16,1-8)

 

            Foi esta a acusação que levou o gerente a ser demitido pelo Proprietário das terras: esbanjar os bens. Realmente, isto não se faz!

 

            Quando o Dono das terras admite um gerente, inicia uma relação de mútua confiança. Por um lado, o Senhor das propriedades espera por algum retorno e confia que a atuação do gerente levará a terra a produzir o ouro do trigo e o sangue vivo das videiras. Por outra parte, o gerente merece o salário combinado e, possivelmente, uma participação nos lucros de seu Patrão.

 

            Sei que não estou no foco da parábola contada por Jesus e registrada por São Lucas, que era bem outro: para tomar posse das coisas de Deus, os filhos da luz deveriam dedicar a mesma astúcia e o mesmo empenho que os filhos do mundo dedicam às posses materiais. Esta era a lição central que o Mestre nos passava.

 

            Mas vou prosseguir no rumo inicial: não se pode impunemente esbanjar os bens que nos foram confiados. E isto inclui, por certo, os dons da Criação. Em sua recente Encíclica sobre as questões ambientais, que tem como título as palavras de um poema de Francisco de Assis – Laudato Si’ -, o Papa do mesmo nome escreve:

 

            “Esta irmã [nossa casa comum, o planeta Terra] clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que ‘geme e sofre as dores do parto’ (Rm 8,22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2,7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos.” (Laudato Si’, 2)

 

            Estas palavras do Papa nos ajudam a tomar consciência de que estamos imersos em um processo iniciado já na Idade Média, e que podemos chamar de expansão capitalista. Movidos pelo lucro, os homens consideraram os dons do Criador – o Proprietário / Dono / Patrão – como reles matéria-prima logo transformada em mercadoria. Uma sociedade mercantil tende a cometer esta degradação dos dons divinos: nada mais que matérias, substâncias e objetos para comprar, vender e acumular.

 

            Na prática, esta realidade faz de nós sérios devedores. Estamos sujeitos a uma grave cobrança: “Presta contas de tua administração!” (Lc 16,2) Não seria a hora de convocar os outros devedores e realizar uma boa partilha de tudo o que acumulamos indevidamente?

 

Orai sem cessar: “Abres a mão, Senhor, e todos se saciam de bens!” (Sl 104,28)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum