09 de Fevereiro de 2020

5a Semana Comum Domingo

- por Padre Alexandre Fernandes

DOMINGO DA V SEMANA DO TEMPO COMUM
(cor verde, glória, creio – I semana do saltério)

 

Antífona da entrada

 

– Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6).

 

Oração do dia

 

– Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 58,7-10

– Leitura do livro do profeta Isaias: Assim diz o Senhor: 7Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. 8Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. 9Então invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: 'Eis-me aqui'. Se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo o socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 112,4-9 (R: 4a.3b)

 

– Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez.

R: Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez.

 

– Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos. Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça.

R: Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez.

 

– Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente. Ele não teme receber notícias más: confiando em Deus, seu coração está seguro.
R: Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez.

 

–  Seu coração está tranquilo e nada teme, ele reparte com os pobres os seus bens; permanece para sempre o bem que fez e crescerão a sua glória e seu poder.

R: Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez.

 

2ª Leitura: 1º Cor 2,1-5

– Leitura da primeira carta de são Paulo aos Corintios: 1Irmãos, quando fui à vossa cidade anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri a uma linguagem elevada ou ao prestígio da sabedoria humana. 2Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. 3Aliás, eu estive junto de vós, com fraqueza e receio, e muito tremor. 4Também a minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, 5para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus e não na sabedoria dos homens.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Pois eu sou a luz do mundo, quem nos diz é o Senhor; e vai ter a luz da vida quem se faz meu seguidor (Jo 8,12).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 5,13-16

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

– Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 13Vós sois o sal da terra.
Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada, e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos que estão na casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Miguel Febres

- por Padre Alexandre Fernandes

Nascido no Equador, em 1854, São Miguel Febres recebeu como nome de batismo Francisco. Nasceu com uma grave deformação física nos pés, mas seus pais amaram, acima de tudo, aquele filho do Senhor. Sua deficiência não o impediu de dar passos concretos para a vontade de Deus.

O santo entrou para a Congregação dos Lassalistas depois de conhecer a vida religiosa e, ali, foi dando frutos para o Reino de Deus. Dotado de muitos dons para lecionar e escrever, pertenceu à Academia de Letras do Equador. Prestou um grande serviço em Quito, no colégio de La Salle coordenando 1200 crianças. Em tudo buscou a vontade de Deus.

Numa pobreza interior muito grande, a infância espiritual foi o seu segredo; colocou-se no lugar do ser humano, que é o coração de Deus. Totalmente dependente d’Ele e amando o próximo, seu nome de batismo era Francisco, mas seu nome religioso era Miguel. Mais do que uma mudança de nome, uma mudança constante de vida.

Como todos os santos, conseguiu corresponder ao belo chamado do Senhor. São Miguel Febres deu o seu testemunho até o último instante. Quando, no Equador, rompeu-se a perseguição aos cristãos e um grande levante anticlerical, por obediência este santo foi para a Europa. Lá, ele pôde lecionar línguas.

Em 1910, ele partiu para a glória. Suas últimas palavras foram: “Jesus, José e Maria, eu vos dou o meu coração e a minha alma”. Palavras essas que bem representam toda uma vida entregue nas mãos de Deus.

Rezemos, pedindo a intercessão desse santo para que a nossa vida seja assim também.

São Miguel Febres, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Para ser jogado fora… (Mt 5,13-16)

 

            Quando ganhamos um presente, demonstramos alegria e gratidão. Se a criança ganha uma bicicleta no Natal, bem cedinho já estará com ela na praça do bairro. Há casos, porém, em que o presente não agrada e acaba esquecido em um canto da casa. Se o doador vem a saber, não ficará feliz.

 

            Há muitos anos, no Natal, dei a meu filho caçula dois presentes: um livro e uma bola. O livro “O Gigante de Botas” ficava esquecido e, depois de meses, reaparecia no alto de um armário ou no fundo de uma gaveta. Eu o recolocava à vista, mas o presente rejeitado logo sumia de novo.

 

            Cada um de nós vem ao mundo como um dom, um presente de Deus. O presente se dirige aos pais, à família ampliada, à comunidade, à Igreja. Nossa presença deve iluminar o ambiente: uma lâmpada acesa sobre o candelabro. Nossa existência deve dar sabor ao mundo: sal da terra. Presentes deste tipo foram Irmã Dulce, a Dra. Zilda Arns, o Dr. Albert Sabin e tantos professores que iluminaram a vida de seus alunos.

 

            Entretanto, a realidade pode ser dura. A luz pode apagar-se. O sal, perder o sabor. Nestes casos, estamos diante de um verdadeiro desperdício. Pode ser que os pais cheguem a dizer: – “Este menino não tem mais jeito!” E a comunidade venha a comentar: – “Com fulano não se pode contar!”

 

            Nós não fomos chamados à existência para sermos desperdiçados. O verbo desperdiçar vem de “perder” … E o caminho que livremente escolhemos pode desviar-se daquela trilha luminosa e saborosa que tornaria o mundo melhor. Assim, nossa vida oscila entre a perdição e a salvação.

 

            Há algum tempo, a pregação dominante nas Igrejas acentua o lado da paciência de Deus, sua misericórdia, sua propensão a perdoar. E isto é absolutamente bíblico. Não se trata de uma heresia. Mas é apenas um lado da verdade. Nosso Deus também é justo. Várias parábolas de Jesus mostram uma repreensão ao “servo mau” que não fez frutificar o investimento de seu Senhor. Ou seja, os dons de Deus não podem ser impunemente desperdiçados.

 

            As famílias precisam investir nos dons que receberam: seus filhos. O Estado não pode negar-se a cuidar da educação da juventude: ela é dom de Deus. E quando famílias e governos se omitem em sua missão, temos uma sociedade sombria e sem gosto.

 

            O grande número de pessoas excluídas, jogadas fora, será considerado no Juízo Final…

 

Orai sem cessar: “Não descuides do dom que está em ti!” (1Tm 4,14)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

14º Domingo do Tempo Comum