09 de Setembro de 2019

23ª Semana Comum Segunda -feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEGUNDA FEIRA – XXIII SEMANA DO TEMPO COMUM

(Verde, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia (Sl 118,137.124).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Cl 1,24-2,3

 

– Leitura da carta de são Paulo aos Colossenses: Irmãos, 1,24alegro-me de tudo o que já sofri por vós e procuro completar na minha própria carne o que falta das tribulações de Cristo, em solidariedade com o seu corpo, isto é, a Igreja. 25A ela eu sirvo, exercendo o cargo que Deus me confiou de vos transmitir a palavra de Deus em sua plenitude: 26o mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado aos seus santos. 27A estes Deus quis manifestar como é rico e glorioso entre as nações este mistério: a presença de Cristo em vós, a esperança da glória. 28Nós o anunciamos, admoestando a todos e ensinando a todos, com toda sabedoria, para a todos tornar perfeitos em sua união com Cristo. 29Para isso eu me esforço com todo o empenho, sustentado pela sua força que em mim opera. 2,1Quero pois que saibais que luta difícil sustento por vós, pelos fiéis de Laodiceia e por tantos outros, que não me conhecem pessoalmente, 2para que sejam consolados e se mantenham unidos na caridade, para que eles cheguem a entender profunda e plenamente o mistério de Deus Pai e de Cristo Jesus, 3no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 62,6-7.9 (R: 8a)

 

– A minha glória e salvação estão em Deus.
R: A minha glória e salvação estão em Deus.

– Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza, onde encontro segurança!

R: A minha glória e salvação estão em Deus.

– Povo todo, esperai sempre no Senhor, e abri diante dele o coração: nosso Deus é um refúgio para nós.

R: A minha glória e salvação estão em Deus.

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Minhas ovelhas escutam minha voz, e eu as conheço e elas me seguem

(Jo 10,27).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 6,6-11

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Aconteceu num dia de sábado que 6Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. 7Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para ver se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. 8Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te, e fica aqui no meio”. Ele se levantou, e ficou de pé. 9Disse-lhes Jesus: “Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?”  10Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem assim o fez e sua mão ficou curada. 11Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São Pedro Claver

- por Padre Alexandre Fernandes

São Pedro Claver servia aos escravos, cuidando deles, do físico ao espiritual

O papa Leão XIII, ao canonizar São Pedro Claver, declarou: “Pedro Claver é o santo que mais me impressionou depois da vida de Cristo”.

Nasceu em Verdú, na Catalunha (Espanha) em 1580. Desejando os piedosos pais consagrar o filho ao serviço do altar, enviaram Pedro à Salsona para estudar os primeiros elementos da gramática. Com 15 anos, o Bispo de Salsona conferiu-lhe a primeira tonsura e, aos 21 anos, entrou na Companhia de Jesus em Barcelona. Pedro era devotíssimo da Virgem Maria e um profundo adorador de Jesus Eucarístico. Após os estudos, Pedro foi ordenado sacerdote e enviado como missionário à Cartagena, porto da Colômbia, onde viveu seu apostolado entre os escravos por mais de quarenta anos.

Em Cartagena, Pedro Claver estava diante de um dos três portos negreiros da América Espanhola, onde a cada ano chegavam de 12 a 14 navios carregados de escravos.

Os escravos trazidos ou “roubados” da África ficavam durante a viagem nos porões escuros do navio, que não tinham condições para abrigar seres humanos. Eram tratados com menos cuidado do que os animais selvagens, e por fim os que não morriam, eram vendidos.

Sem dúvida, o mercado dos escravos foi a página mais vergonhosa da colonização das Américas. Muitos missionários levantaram a voz contra esta desumanidade, mas sofriam perseguições e eram expulsos. O Papa proibiu repetidas vezes o comércio de escravos, mas a voz da Igreja não comovia a dureza dos comerciantes e nem das autoridades.

Durante mais de quarenta anos, a vida de Pedro Claver foi servir àqueles escravos, cuidando deles, do físico ao espiritual. Claver fazia de tudo para evangelizar um por um. Por suas mãos passaram mais de trezentos mil escravos.

No dia 3 de abril de 1622, Pedro Claver acrescentou aos votos religiosos de sua profissão mais um voto: o de gastar a vida inteira ao serviço dos negros escravos. Testificando este voto, escreveu de próprio punho: “para sempre escravo dos negros”.

Vítima da caridade, acabou morrendo em 1654, com 74 anos de idade e 52 anos de vida religiosa, quando ao socorrer o Cristo excluído e chagado, pegou uma terrível peste.

Foi declarado pelo Papa Pio X especial patrono de todas as missões entre os negros.

São Pedro Claver, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova 
 

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Eles se encheram de raiva… (Lc 6,6-11)

 

            O cenário é a sinagoga judaica, onde os judeus fiéis se reúnem todos os sábados para ouvir e partilhar a Lei e os Profetas. Diante deles está Jesus, nada menos que o Messias prometido por Deus e esperado há séculos por muitas gerações do povo escolhido. Exatamente aquele Messias de quem falava o profeta: “Ele não quebra o caniço já rachado, nem apaga o pavio já fraco de chama…” (Is 42,1-4)

 

            Caniço rachado… pavio fumegante… Símbolos da fraqueza humana, marcada pela doença e pela dor, por todos os limites de nossa condição. Diante da humana miséria, Deus prometera um Messias – isto é, um Ungido, um Cristo – que viria para consolar, para reanimar e curar. Enfim, um Salvador.

 

            E ali, bem no meio da sinagoga, chamado por Jesus ao centro das atenções, está o homem “de mão seca”, alguém que perdera os movimentos da mão. Neste momento, é ele o caniço rachado. É ele a mecha que ainda fumega. E Jesus faz a pergunta que devia encontrar a resposta em todas as promessas renovadas pelos profetas da Primeira Aliança: “Em dia de sábado, o que é permitido fazer: fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer?”

 

            Neste momento, com evidente intenção didática, o Mestre faz uma pausa e corre o olhar em torno, envolvendo a todos os presentes. O silêncio deixa todos em suspenso. Agora, ele diz ao deficiente: “Estende a mão!” E assim que este o faz, tem restabelecidos os movimentos da mão.

 

            O milagre devia ser entendido como um “sinal”. O milagre sinaliza que o caniço pode ser renovado, e a chama ser devolvida ao pavio. Mais: pode clamar que ali está, bem à frente de todos, o Messias prometido.

 

            Mas escribas e fariseus – os homens da Lei mosaica – estão aferrados ao preceito sobre o sábado, quando era interdito todo trabalho manual, inclusive a medicina. Daí a sua reação: encheram-se de raiva. Podiam encher-se de alegria, do mais profundo júbilo, se conseguissem clamar: “Ele chegou! O Messias está no meio de nós!”

 

            Ainda hoje, existem religiosos irados, fiéis raivosos. Sua religião, que poderia ser uma nascente de louvor e ação de graças, é antes de tudo uma espécie de campanha guerreira, que consiste em refutar doutrinas, realçar os erros dos outros, acusar os pecadores e rogar o fogo do céu sobre eles.

 

            Enquanto isso, o pavio fumega, à espera de um sopro de vida…

 

Orai sem cessar: “O Senhor dá a bênção e a vida para sempre!” (Sl 133,3b)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum