10 de Abril de 2019

5ª Semana da Quaresma - Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA DA V SEMANA DA QUARESMA

(Roxo, pref. da paixão I, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Vós me livrais, Senhor, de meus inimigos; vós me fazeis suplantar o agressor e do homem violento salvais!  (Sl 17,48).

 

Oração do dia

– Ó Deus de misericórdia, iluminai nossos corações purificados pela penitência. E ouvi com paternal bondade aqueles a quem dais o afeto. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Dn 3,14-20.24.49.91-92.95

 

– Leitura da profecia de Daniel: Naqueles dias, 14o rei Nabucodonosor tomou a palavra e disse: “É verdade, Sidrac, Misac e Abdênago, que não prestais culto a meus deuses e não adorais a estátua de ouro que mandei erguer? 15E agora, quando ouvirdes tocar trombeta, flauta, cítara, harpa, saltério e gaitas, e toda espécie de instrumentos, estais prontos a prostrar-vos e adorar a estátua que mandei fazer? Mas, se não fizerdes adoração, no mesmo instante sereis atirados na fornalha de fogo ardente; e qual é o deus que poderá libertar-vos de minhas mãos?” 16Sidrac, Misac e Abdênago responderam ao rei Nabucodonosor: “Não há necessidade de respondermos sobre isto: 17se o nosso Deus, a quem rendemos culto, pode livrar-nos da fornalha de fogo ardente, ele também poderá libertar-nos de tuas mãos, ó rei. 18Mas, se ele não quiser libertar-nos, fica sabendo, ó rei, que não prestaremos culto a teus deuses e tampouco adoraremos a estátua de ouro que mandaste fazer”.
19A estas palavras, Nabucodonosor encheu-se de cólera contra Sidrac, Misac e Abdênago, a ponto de se alterar a expressão do rosto; deu ordem para acender a fornalha com sete vezes mais fogo que de costume; 20e encarregou os soldados mais fortes do exército para amarrarem Sidrac, Misac e Abdênago e os lançarem na fornalha de fogo ardente. 24Os três jovens andavam de cá para lá no meio das chamas, entoando hinos a Deus e bendizendo ao Senhor. 49aMas o anjo do Senhor tinha descido simultaneamente na fornalha para junto de Azarias e seus companheiros. 91O rei Nabucodonosor, tomado de pasmo, levantou-se apressadamente, e perguntou a seus ministros: “Porventura, não lançamos três homens bem amarrados no meio fogo?” Responderam ao rei: “É verdade, ó rei”. 92Disse este: “Mas eu estou vendo quatro homens andando livremente no meio do fogo, sem sofrerem nenhum mal, e o aspecto do quarto homem é semelhante ao de um filho de Deus”. 95Exclamou Nabucodonosor: “Bendito seja o Deus de Sidrac, Misac e Abdênago que enviou seu anjo e libertou seus servos, que puseram nele sua confiança e transgrediram o decreto do rei, preferindo entregar suas vidas a servir e adorar qualquer outro Deus que não fosse o seu Deus.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl, (Dn 3),52.53.54.55.56 (R: Dn 3,52b)

 

– A vós louvor, honra e glória eternamente!
R: A vós louvor, honra e glória eternamente!

– Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais. A vós louvor, honra e glória eternamente! Sede bendito, nome santo e glorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente!

R: A vós louvor, honra e glória eternamente!

– No templo santo onde refulge a vossa glória. A vós louvor, honra e glória eternamente! E em vosso trono de poder vitorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente!

R: A vós louvor, honra e glória eternamente!

– Sede bendito, que sondais as profundezas. A vós louvor, honra e glória eternamente! E superior aos querubins vos assentais. A vós louvor, honra e glória eternamente!

R: A vós louvor, honra e glória eternamente!

– Sede bendito no celeste firmamento. A vós louvor, honra e glória eternamente!

R: A vós louvor, honra e glória eternamente!

– Obras todas do Senhor, glorificai-o. A ele louvor, honra e glória eternamente.

R: A vós louvor, honra e glória eternamente!

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 8,31-42

 

Honra e glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!

Honra e glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!

 

– Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Lc 8,15)

 

Honra e glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

– Glória a vós, Senhor!  

 

Naquele tempo, 31Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, 32e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. 33Responderam eles: “Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: ‘Vós vos tornareis livres’?”  34Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. 35O escravo não permanece para sempre numa família, mas o filho permanece nela para sempre. 36Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. 37Bem sei que sois descendentes de Abraão; no entanto, procurais matar-me, porque a minha palavra não é acolhida por vós. 38Eu falo o que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai”. 39Eles responderam então: “Nosso pai é Abraão”. Disse-lhes Jesus: “Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão! 40Mas agora, vós procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez. 41Vós fazeis as obras do vosso pai”.
Disseram-lhe, então: “Nós não nascemos do adultério, temos um só pai: Deus”. 42Respondeu-lhes Jesus: “Se Deus fosse vosso Pai, certamente me amaríeis, porque de Deus é que eu saí, e vim. Não vim por mim mesmo, mas foi ele que me enviou”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

 

Santa Madalena Canossa

- por Padre Alexandre Fernandes

A santa de hoje é fundadora das ‘Filhas da Caridade’, congregação que iniciou em Veneza, Itália. Nasceu em Verona, no ano de 1774 e faleceu com 61 anos. Mas viveu o céu já aqui, acolhendo a salvação e sendo canal dela para muitos. Perdeu cedo seus pais.

Teve seu chamado à vocação religiosa, numa consagração total, mas não foi aceita na primeira tentativa, porém, não parou no primeiro obstáculo. Uma mulher mística. Pela sua vida de oração e seu amor a Jesus Crucificado, galgou degraus para uma mística profunda, sendo muito sensível à dor dos irmãos.

Viveu num tempo difícil, de guerras, precisando refugiar-se em Veneza. Ali, ela discerniu o carisma como fundadora, e na prática – por causa dos órfãos, enfermos e vítimas da guerra – sua caridade era ardente e reconhecida por muitos. Napoleão Bonaparte conhecia seu testemunho e a chamava de ‘anjo da caridade’. Entrou na glória de Deus, porque deixou a glória de Deus a transformar aqui.

Santa Madalena de Canossa, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Escravo do pecado… (Jo 8,31-42)

 

            Bem sei que este não costuma ser propriamente um tema “paroquial”. O tema do pecado é considerado antipático, fora de moda, em especial após a enxurrada freudiana que invadiu o pensamento e as consciências. Por isso mesmo, ele passa longe das homilias e sermões habituais. Até a palavra “pecado” costuma ser evitada, eufemisticamente substituída por “falhas” ou “fragilidades”. No entanto, se o pecado é ignorado, para que precisaríamos de um Salvador?

 

            Na verdade, a Igreja jamais se deteve no pecado como um desastre sem conserto. Ao contrário, a liturgia quase faz o elogio do pecado, ao cantar com Santo Agostinho: “Ó feliz culpa, que nos mereceu tão grande Salvador!” [O felix culpa, quæ talem ac tantum méruit habére Redemptórem!] Sem ter caído no pecado, jamais chegaríamos a conhecer a infinita misericórdia de Deus.

 

            Neste Evangelho, Jesus é categórico na solene afirmativa: “Aquele que faz o pecado torna-se seu escravo” (v. 34) No original grego, está o verbo “poiôn” [= faz]. O pecado é algo que se “faz”, uma obra do homem que se afasta do amor de Deus, seja por atos, palavras, pensamentos ou omissões. Como consequência, perde-se a liberdade para amar, e amar mais.

 

            Os confessores e conselheiros conhecem bem a situação do penitente ou consulente que, após algum tempo a repetir os mesmos pecados, vê estratificar-se em seu íntimo uma “segunda natureza” que passa, por conta própria, a decidir o destino da pessoa. O povo tem uma palavra para isto: vício. Uma situação em que se estabelece forte dependência (não só de drogas, álcool e tabaco, mas também do jogo, da masturbação, da gula, da prostituição, da maledicência, da indiferença etc.), a ponto de a faculdade volitiva ficar praticamente anulada. Experimenta-se visível escravidão.

 

            Na prática, é comum que o novo “escravo” tente sufocar a própria consciência. Muitos procuram justificativas intelectuais para sua conduta, ou tentam transferir a responsabilidade para outras pessoas [o conhecido bode expiatório], a situação familiar, as condições sociais, as estruturas econômicas. Fogem da Palavra de Deus, recusam conselhos de pais e amigos, afastam-se da Igreja. Tudo em vão.

 

            A consciência não se cala. E é exatamente o sentimento de culpa o mais destrutivo de todos os invasores do coração humano. É hora de ouvir a exortação do apóstolo Paulo aos Gálatas: “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão”. (Gl 5,1) Em tempo: “jugo” é a “canga” que prende o boi de carro pelo pescoço: tão forte e… tão escravo! Vai obedecer às ferroadas do carreiro…

 

Orai sem cessar: “O Senhor libertará o pobre que o invoca!” (Sl 72,12)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

25ª Semana do Tempo Comum