10 de Fevereiro de 2019

5º Domingo do Tempo Comum

- por Padre Alexandre Fernandes

V DOMINGO DO TEMPO COMUM.

(verde, glória ,creio, I semana do saltério)

 

Antífona da entrada

 

– Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6).

 

Oração do dia

 

– Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 6,1-8

 

– Livro do profeta Isaías: 1No ano da morte do rei Ozias, vi o Senhor sentado num trono de grande altura; o seu manto estendia-se pelo templo. 2aHavia serafins de pé a seu lado; cada um tinha seis asas. 3Eles exclamavam uns para os outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória”.  4Ao clamor dessas vozes, começaram a tremer as portas em seus gonzos e o templo encheu-se de fumaça. 5Disse eu então: “Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”. 6Nisto, um dos serafins voou para mim, tendo na mão uma brasa, que retirara do altar com uma tenaz, 7e tocou a minha boca, dizendo: “Assim que isto tocou teus lábios, desapareceu tua culpa, e teu pecado está perdoado”.
8Ouvi a voz do Senhor, que dizia: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” Eu respondi: “Aqui estou! Envia-me”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 138, 1-5.7c-8 (R: 1c.2a)

 

– Vou cantar-vos ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.
R: Vou cantar-vos ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.

– Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me.

R: Vou cantar-vos ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.

– Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma.

R: Vou cantar-vos ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.

– Os reis de toda a terra hão de louvar-vos, quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa. Hão de cantar vossos caminhos e dirão: “Como a glória do Senhor é grandiosa!”

R: Vou cantar-vos ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.

– Estendereis o vosso braço em meu auxílio e havereis de me salvar com vossa destra. Contemplai em mim a obra começada; ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos!

R: Vou cantar-vos ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.

 

2ª Leitura: 1Cor 15,3-8.11

 

– Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios: 1Quero lembrar-vos, irmãos, o evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes.
2Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim.
De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão. 3Com efeito, transmití-vos em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras; 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo. 9Na verdade, eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. 10É pela graça de Deus que eu sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril: a prova é que tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos – não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo. 11É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado e é isso o que crestes.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – “Vinde após mim”, o Senhor lhes falou, “e vos farei pescadores de homens”.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 5, 1-11

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

Naquele tempo, 1Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. 2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. 5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. 6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. 8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” 9É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”. 11Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

Santa Escolástica

- por Padre Alexandre Fernandes

Santa Escolástica, doou, junto com seu irmão, toda sua vida pelas almas

Hoje, recordamos o testemunho daquela que foi irmã gêmea de São Bento, pai do monarquismo cristão. Ambos nasceram em 480, em Núrsia, região de Umbria, Itália.

Santa Escolástica começou a seguir Jesus muito cedo. Mulher de oração, ela sempre foi acompanhando o irmão por meio de intercessão. Depois, ao falecer seus pais, ela deu tudo aos pobres. Junto com uma criada, que era amiga de confiança e seguidora também de Cristo, foi ter com São Bento, que saiu da clausura para acolhê-la. Com alguns monges eles dialogaram e ela expressou o desejo de seguir Cristo através das regras beneditinas.

São Bento discerniu pela vocação ao ponto de passar a regra para sua irmã e ela tornou-se a fundadora do ramo feminino: as Beneditinas. Não demorou muito, muitas jovens começaram a seguir Cristo nos passos de São Bento e de Santa Escolástica.

Uma vez por ano, eles se encontravam dentro da propriedade do mosteiro. Certa vez, num último encontro, a santa, com sua intimidade com Deus, teve a revelação de que a sua partida estava próxima. Então, depois do diálogo e da partilha com seu irmão, ela pediu mais tempo para conversar sobre as realidades do céu e a vida dos bem-aventurados. Mas São Bento, que não sabia do que se tratava, por causa da regra disse não. Ela, então, inclinou a cabeça, fez uma oração silenciosa e o tempo, que estava tão bom, tornou-se uma tempestade. Eles ficaram presos no local e tiveram mais tempo.

A reação de São Bento foi de perguntar o que ela havia feito e desejar que Deus a perdoasse por aquilo. Santa Escolástica, na simplicidade e na alegria, disse-lhe: “Eu pedi para conversar, você não aceitou. Então, pedi para o Senhor e Ele me atendeu”.

Passados três dias, São Bento teve a visão de uma pomba que subia aos céus. Era o símbolo da partida de sua irmã. Não demorou muito, ele também faleceu.

Santa Escolástica, rogai por nós!

 

FONTE: Canção Nova 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Serás pescador de homens… (Lc 5,1-11)

 

            Na visão do biblista Helmut Gollwitzer, a história da Igreja tem seu início nesta passagem do Evangelho. O surgimento da Igreja – diz ele – “não está ligado somente ao evento da Páscoa ou ao de Pentecostes, mas já se manifesta no início da atividade de Jesus. Para que a Igreja nasça, não basta que ‘o povo se comprima para escutar a palavra de Deus’ (Lc 5,1); de fato, a Igreja não tem sua fonte no desejo dos homens, mas na vontade e no chamado de Cristo. Fora deste chamado, podem existir adeptos, mas somente este chamado suscita a Igreja dos apóstolos e dos discípulos”.

 

            Não deixa de ser motivo de espanto que Jesus Cristo, capaz de salvar sozinho a humanidade, tenha preferido convocar auxiliares humanos, frágeis e pecadores, como mediações humanas para o anúncio do Evangelho e o pastoreio de seus discípulos.

 

            O mesmo Gollwitzer comenta: “Se, na epístola aos Efésios, a Igreja nos é descrita como o acontecimento decisivo da história do mundo – pelo qual Deus revela sua infinita sabedoria ‘a todo o Cosmo’ (Ef 3,10) – a pobreza de suas origens é ainda mais chocante. Desta maneira a Igreja toma parte no abaixamento de seu Senhor. Nada de fundação solene, nada de um grande centro onde se forja a história; estes homens são gente humilde, e o cenário de sua vocação nada tem de solenidade: eles lavam as redes, manifestando as decepções de uma pescaria infrutuosa”.

 

            Devíamos prestar atenção no detalhe: Jesus encontra seus primeiros seguidores num cenário de decepção e fracasso: após uma noite inteira de trabalho, eles não haviam pescado peixe algum. Isto devia ser animador para nós quando experimentamos fracassos semelhantes. Aliás, fracassos bem necessários para nos recordar que os eventuais sucessos não se devem a nosso esforço, mas à Graça de Deus.

 

            Por enquanto, Jesus acena a estes humildes pescadores com uma reviravolta: de pescadores de peixes, para pescadores de homens. Mais adiante, já ressuscitado (cf. Jo 21,1511-17), Jesus cobrará uma mudança bem maior: de pescadores para pastores, pois não basta “fisgar” novos fiéis, é imperativo pastoreá-los. Além de pescadores, Cristo procura por pastores…

 

Orai sem cessar: “A salvação dos justos vem do Senhor!” (Sl 37,39)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

14º Domingo do Tempo Comum