10 de Fevereiro de 2020

5a Semana Comum Segunda-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEGUNDA FEIRA – SANTA ESCOLÁSTICA VIRGEM E FUNDADORA

(cor branco – prefácio comum ou das virgens, ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– Exultemos de alegria, pois o Senhor do universo amou esta virgem santa e gloriosa.

 

Oração do dia

 

– Celebrando a festa da santa Escolástica, nós vos pedimos, ó Deus, a graça de imitá-la, servindo-vos com caridade perfeita e alegrando-nos com sinais do vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1Rs 8,1-7.9-13

– Leitura do primeiro livro dos Reis: Naqueles dias, 1Salomão convocou para junto de si, em Jerusalém, todos os anciãos de Israel, todos os chefes das tribos e príncipes das famílias dos filhos de Israel, a fim de transferir da cidade de Sião, que é Jerusalém, a arca da aliança do Senhor. 2Todo o Israel reuniu-se em torno de Salomão, no mês de Etanim, ou seja, no sétimo mês, durante a festa. 3Vieram todos os anciãos de Israel, e os sacerdotes tomaram a arca 4e carregaram-na junto com a tenda da reunião, como também todos os objetos sagrados que nela estavam; quem os carregava eram os sacerdotes e os levitas. 5O rei Salomão e toda a comunidade de Israel, reunida em torno dele, imolavam diante da arca ovelhas e bois em tal quantidade, que não se podia contar nem calcular. 6E os sacerdotes conduziram a arca da aliança do Senhor ao seu lugar, no santuário do templo, ao Santo dos Santos, debaixo das asas dos querubins, 7pois os querubins estendiam suas asas sobre o lugar da arca, cobrindo a arca e seus varais por cima. 9Dentro da arca só havia as duas tábuas de pedra, que Moisés ali tinha deposto no monte Horeb, quando o Senhor concluiu a aliança com os filhos de Israel, logo que saíram da terra do Egito. 10Ora, quando os sacerdotes deixaram o santuário, uma nuvem encheu o templo do Senhor, 11de modo que os sacerdotes não puderam continuar as funções porque a glória do Senhor tinha enchido o templo do Senhor. 12Então Salomão disse: “O Senhor disse que habitaria numa nuvem, 13e eu edifiquei uma casa para tua morada, um templo onde vivas para sempre”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 132,6-7.8-10 (R: 8a)

 

– Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso!
R: Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso!

– Nós soubemos que a arca estava em Éfrata e nos campos de Iaar a encontramos: Entremos no lugar em que ele habita, ante o escabelo de seus pés o adoremos!

R: Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso!

– Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, subi vós, com vossa arca poderosa! Que se vistam de alegria os vossos santos, e os vossos sacerdotes, de justiça! Por causa de Davi, o vosso servo, não afasteis do vosso Ungido a vossa face!

R: Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso!
 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Jesus pregava a boa nova, o reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo (MT 4,23).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 6, 53-56

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 53tendo Jesus e seus discípulos acabado de atravessar o mar da Galileia, chegaram a Genesaré e amarraram a barca. 54Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus. 55Percorrendo toda aquela região, levavam os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. 56E, nos povoados, cidades e campos onde chegavam, colocavam os doentes nas praças e pediam-lhe para tocar, ao menos, a barra de sua veste. E todos quantos o tocavam ficavam curados.

 

 – Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

Santa Escolástica

- por Padre Alexandre Fernandes

Hoje, recordamos o testemunho daquela que foi irmã gêmea de São Bento, pai do monarquismo cristão. Ambos nasceram em 480, em Núrsia, região de Umbria, Itália.

Santa Escolástica começou a seguir Jesus muito cedo. Mulher de oração, ela sempre foi acompanhando o irmão por meio de intercessão. Depois, ao falecer seus pais, ela deu tudo aos pobres. Junto com uma criada, que era amiga de confiança e seguidora também de Cristo, foi ter com São Bento, que saiu da clausura para acolhê-la. Com alguns monges eles dialogaram e ela expressou o desejo de seguir Cristo através das regras beneditinas.

São Bento discerniu pela vocação ao ponto de passar a regra para sua irmã e ela tornou-se a fundadora do ramo feminino: as Beneditinas. Não demorou muito, muitas jovens começaram a seguir Cristo nos passos de São Bento e de Santa Escolástica.

Uma vez por ano, eles se encontravam dentro da propriedade do mosteiro. Certa vez, num último encontro, a santa, com sua intimidade com Deus, teve a revelação de que a sua partida estava próxima. Então, depois do diálogo e da partilha com seu irmão, ela pediu mais tempo para conversar sobre as realidades do céu e a vida dos bem-aventurados. Mas São Bento, que não sabia do que se tratava, por causa da regra disse não. Ela, então, inclinou a cabeça, fez uma oração silenciosa e o tempo, que estava tão bom, tornou-se uma tempestade. Eles ficaram presos no local e tiveram mais tempo.

A reação de São Bento foi de perguntar o que ela havia feito e desejar que Deus a perdoasse por aquilo. Santa Escolástica, na simplicidade e na alegria, disse-lhe: “Eu pedi para conversar, você não aceitou. Então, pedi para o Senhor e Ele me atendeu”.

Passados três dias, São Bento teve a visão de uma pomba que subia aos céus. Era o símbolo da partida de sua irmã. Não demorou muito, ele também faleceu.

Santa Escolástica, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

TEMPO COMUM. QUINTA SEMANA. SEGUNDA-FEIRA

37. VIVER EM SOCIEDADE

– Dimensão social do homem.

– Caridade e solidariedade humana. Conseqüências na vida de um cristão.

– Contribuições para o bem comum.

I. A PRIMEIRA PÁGINA da Sagrada Escritura descreve-nos com simplicidade e grandiosidade a criação do mundo: E Deus viu que era bom tudo o que saía das suas mãos1. Depois, coroando tudo quanto havia feito, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança2. E a própria Escritura nos ensina que o enriqueceu de dons e privilégios sobrenaturais, destinando-o a uma felicidade inefável.

Revela-nos também que os demais homens procedem de Adão e Eva. E que, embora estes se tenham afastado do seu Criador, Deus não deixou de considerá-los seus filhos e os destinou novamente à sua amizade3. A vontade divina dispôs que a criatura humana participasse na conservação e propagação do gênero humano, que povoasse a terra e a submetesse, dominando sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu, sobre todos os animais e sobre tudo o que vive e se move à face da terra4.

O Senhor quis também que as relações entre os homens não se reduzissem a um simples trato ocasional e passageiro de vizinhança, antes constituíssem vínculos fortes e duradouros que viessem a ser as bases da vida em sociedade. O homem deveria buscar ajuda para tudo aquilo que a necessidade e o decoro da vida exigem, pois a Providência divina organizou-lhe a natureza de tal modo que nascesse inclinado a associar-se e a unir-se aos outros, na sociedade doméstica e na sociedade civil5. O Concílio Vaticano II recorda-nos que “o homem, pela sua íntima natureza, é um ser social e não pode viver nem desenvolver as suas qualidades sem se relacionar com os outros”6.

A vida em sociedade proporciona-nos assim os meios materiais e espirituais necessários para desenvolvermos a vida humana e sobrenatural. Mas se essa convivência é fonte de bens, também gera obrigações nas diversas esferas em que a nossa existência se insere: família, sociedade civil, vizinhança, trabalho… São obrigações que têm um caráter moral pela relação do homem com o seu último fim, Deus. A sua observância aproxima-nos de Deus e o seu descumprimento afasta-nos dEle. São matéria de exame de consciência.

Vejamos hoje neste tempo de oração se vivemos abertos aos outros, particularmente àqueles que o Senhor colocou mais perto de nós. Pensemos se cumprimos exemplarmente os deveres familiares e sociais, se pedimos com freqüência luz ao Senhor para saber o que devemos fazer em cada ocasião, e energia para realizá-lo com firmeza, com valentia, com espírito de sacrifício.

Perguntemo-nos muitas vezes: que mais posso eu fazer pelos outros? “A vida passa. Cruzamo-nos com as pessoas nos variadíssimos caminhos ou avenidas da vida humana. Quanto resta por fazer!… E por dizer!… É verdade que primeiro é preciso fazer (cfr. At 1, 1); mas depois é preciso dizer: cada ouvido, cada coração, cada mente têm o seu momento, esperam a voz amiga que pode despertá-los do marasmo e da tristeza. Se se ama a Deus, não se pode deixar de sentir a censura dos dias que passam, das pessoas (às vezes tão próximas) que passam… sem que nós saibamos fazer o que seria necessário fazer, dizer o que se deveria dizer”7.

II. ESTA SOLIDARIEDADE e mútua dependência entre os homens, nascida por vontade divina, foi reforçada e fortalecida por Jesus Cristo ao assumir a natureza humana e ao redimir todo o gênero humano na Cruz. Este é o novo título de unidade: termos sido constituídos filhos de Deus e irmãos dos homens. Devemos tratar assim todos aqueles que encontramos diariamente no nosso caminho. “Talvez se trate de um filho ignorante da sua grandeza e até rebelde contra o seu Pai. Mas em todos, mesmo no mais deformado, há um brilho da grandeza divina […]. Sabendo olhar, notamos que estamos rodeados de príncipes, a quem temos que ajudar a descobrir as raízes e as exigências da sua estirpe”8.

Além disso, na noite anterior à sua Paixão, o Senhor estabeleceu-nos um mandamento novo, a fim de que superássemos – heroicamente, se necessário – as ofensas, o rancor e tudo o que é causa de separação. Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei9, isto é, sem limites. Portanto, a nossa vida está cheia de razões poderosas para convivermos em sociedade. Não somos como grãos de areia soltos e desligados uns dos outros, pois estamos relacionados mutuamente por vínculos naturais, e os cristãos, além disso, por vínculos sobrenaturais10.

Uma parte importante da moral são os deveres relativos ao bem comum de todos os homens, da pátria em que vivemos, da empresa em que trabalhamos, do bairro em que moramos, da família que é objeto dos nossos desvelos. Não é cristão nem humano considerar esses deveres apenas na medida em que nos são úteis pessoalmente. Deus espera-nos no nosso empenho por melhorar a sociedade e os homens que a compõem, na medida das nossas possibilidades. Não lhe agradaríamos se, de uma forma ou de outra, nos isolássemos das pessoas que temos à nossa volta ou se as tratássemos com indiferença. “Temos de reconhecer Cristo que nos sai ao encontro nos nossos irmãos, os homens. Nenhuma vida humana é uma vida isolada, mas entrelaça-se com as outras vidas. Nenhuma pessoa é um verso solto: fazemos todos parte de um mesmo poema divino, que Deus escreve com o concurso da nossa liberdade”11.

III. O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE dá-se graças à contribuição dos seus membros, mediante os dons que cada um recebeu de Deus e que desenvolveu com a sua inteligência, a ajuda da sociedade e a graça divina. Estes bens e dons foram-nos dados para desenvolvermos a nossa personalidade e para alcançarmos o fim último, mas também para servirmos o próximo. Não poderíamos alcançar o nosso fim pessoal se não contribuíssemos para o bem de todos12.

Como o desenvolvimento da sociedade está dentro dos planos de Deus, o contributo pessoal de cada um para o bem comum deixa de ser algo facultativo ou que dependa das circunstâncias individuais, e menos ainda um peso. “A vida social não é uma sobrecarga acidental para o homem. Por isso, através do trato com os demais, da reciprocidade de serviços, do diálogo com os irmãos, a vida social engrandece o homem em todas as suas qualidades e capacita-o para corresponder à sua vocação”13.

Deve ser uma norma de conduta e de ação prática. “Há aqueles que defendem opiniões amplas e generosas, mas na realidade vivem sempre como se nunca tivessem a menor preocupação pelas necessidades sociais. Mais ainda, em vários países são muitos os que menosprezam as leis e as normas sociais”14, e vivem de costas para os seus irmãos os homens e para Deus.

Pensemos junto do Senhor naqueles que nos rodeiam. Contribuo de acordo com as minhas possibilidades para fomentar o bem comum? Por exemplo, dedicando algum tempo a instituições e obras que trabalham para o bem da sociedade, colaborando com elas economicamente, apoiando iniciativas em prol dos outros, particularmente dos mais carentes? Cumpro fielmente as obrigações que derivam da vida em sociedade: respeitando as regras de trânsito, as posturas municipais, pagando as taxas e impostos?

“Oxalá te habitues a ocupar-te diariamente dos outros, com tanta entrega que te esqueças de que existes!”15; assim teremos encontrado uma boa parte da felicidade que se pode conseguir nesta terra e teremos ajudado os outros a ser muito mais felizes, tendo presente que são filhos de Deus e nossos irmãos.

18ª Semana do Tempo Comum