10 de Fevereiro de 2021

Quinta semana do tempo Comum Quarta-feira

- por Pe. Alexandre

QUARTA FEIRA – SANTA ESCOLÁSTICA VIRGEM E FUNDADORA 
(branco, pref. comum ou das virgens – ofício da memória)

Antífona da entrada

– Exultemos de alegria, pois o Senhor do universo amou esta virgem santa e gloriosa.

 

Oração do dia

 

– Celebrando a festa de santa Escolástica, nós vos pedimos, ó Deus, a graça de imitá-la, servindo-vos com caridade perfeita e alegrando-nos com sinais do vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Gn 2,4b-9.15-17

– Leitura do livro do Gênesis: 4bNo dia em que o Senhor fez a terra e o céu, 5ainda não havia nenhum arbusto do campo sobre a terra, e ainda nenhuma erva do campo tinha brotado, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem existia homem para cultivar o solo. 6Mas uma fonte brotava da terra, e lhe regava toda a superfície. 7Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente. 8Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden, a oriente, e ali pôs o homem que havia formado. 9E o Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores de aspecto atraente e de fruto saboroso ao paladar, a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. 15O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim de Éden, para o cultivar e guardar. 16E o Senhor Deus deu ao homem uma ordem, dizendo: “Podes comer de todas as árvores do jardim, 17mas não comas da árvore do conhecimento do bem e do mal; porque, no dia em que fizeres, sem dúvida morrerás”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 104,

 

– Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

– Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto.

R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

– Todos eles, ó Senhor, de vós esperam que a seu tempo vós lhes deis o alimento; vós lhes dais o que comer e eles recolhem, vós abris a vossa mão e eles se fartam.

R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

– Se tirais o seu respiro, eles perecem e voltam para o pó de onde vieram; enviais o vosso espírito e renascem e da terra toda a face renovais.

R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade! (Jo 17,17)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 7,14-23

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos

– Glória a vós, Senhor!  


Naquele tempo, 14Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai todos e com­preendei: 15o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 16Quem tem ouvidos para ouvir ouça”. 17Quando Jesus entrou em casa, longe da multidão, os discípulos lhe perguntaram sobre essa parábola. 18Jesus lhes disse: “Será que nem vós compreen­deis? Não entendeis que nada do que vem de fora e entra numa pessoa pode torná-la impura, 19porque não entra em seu coração, mas em seu estômago e vai para a fossa?” Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros. 20Ele disse: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. 21Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

 

Santa Escolástica

- por Pe. Alexandre

Hoje, recordamos o testemunho daquela que foi irmã gêmea de São Bento, pai do monarquismo cristão. Ambos nasceram em 480, em Núrsia, região de Umbria, Itália.

Santa Escolástica começou a seguir Jesus muito cedo. Mulher de oração, ela sempre foi acompanhando o irmão por meio de intercessão. Depois, ao falecer seus pais, ela deu tudo aos pobres. Junto com uma criada, que era amiga de confiança e seguidora também de Cristo, foi ter com São Bento, que saiu da clausura para acolhê-la. Com alguns monges eles dialogaram e ela expressou o desejo de seguir Cristo através das regras beneditinas.

São Bento discerniu pela vocação ao ponto de passar a regra para sua irmã e ela tornou-se a fundadora do ramo feminino: as Beneditinas. Não demorou muito, muitas jovens começaram a seguir Cristo nos passos de São Bento e de Santa Escolástica.

Uma vez por ano, eles se encontravam dentro da propriedade do mosteiro. Certa vez, num último encontro, a santa, com sua intimidade com Deus, teve a revelação de que a sua partida estava próxima. Então, depois do diálogo e da partilha com seu irmão, ela pediu mais tempo para conversar sobre as realidades do céu e a vida dos bem-aventurados. Mas São Bento, que não sabia do que se tratava, por causa da regra disse não. Ela, então, inclinou a cabeça, fez uma oração silenciosa e o tempo, que estava tão bom, tornou-se uma tempestade. Eles ficaram presos no local e tiveram mais tempo.

A reação de São Bento foi de perguntar o que ela havia feito e desejar que Deus a perdoasse por aquilo. Santa Escolástica, na simplicidade e na alegria, disse-lhe: “Eu pedi para conversar, você não aceitou. Então, pedi para o Senhor e Ele me atendeu”.

Passados três dias, São Bento teve a visão de uma pomba que subia aos céus. Era o símbolo da partida de sua irmã. Não demorou muito, ele também faleceu.

Santa Escolástica, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

39. A DIGNIDADE DO TRABALHO

– O mandamento divino do trabalho não é um castigo, mas uma bênção; faz-nos participar do poder criador de Deus. O cansaço e a fadiga devem ajudar-nos a ser corredentores com Cristo.

– Prestígio profissional. A preguiça, o grande inimigo do trabalho.

– Virtudes do trabalho bem realizado.

I. DEPOIS QUE DEUS criou a terra e a enriqueceu com todo o tipo de bens, tomou o homem e colocou-o no paraíso de delícias para que o cultivasse e guardasse1, isto é, para que o trabalhasse. O Senhor, que tinha feito o homem à sua imagem e semelhança2, quis também que ele participasse do seu poder criador, transformando a matéria, descobrindo os tesouros que ela encerra e plasmando a beleza mediante as obras das suas mãos. O trabalho nunca foi um castigo, mas, pelo contrário, “uma dignidade de vida e um dever imposto pelo Criador, já que o homem foi criado ut operaretur, para trabalhar. O trabalho é um meio pelo qual o homem se torna participante da criação e, portanto, não só é digno, seja qual for, mas é instrumento para se conseguir a perfeição humana – terrena – e a perfeição sobrenatural”3.

Este preceito divino existia antes de os nossos primeiros pais terem pecado. O pecado original acrescentou ao trabalho a fadiga e o cansaço, mas o trabalho em si continua a ser nobre, digno, por ser participação no poder criador de Deus, ainda que “agora se faça acompanhar de penas e sofrimentos, de infecundidade e cansaço. Continua a ser um dom divino e uma tarefa que deve ser realizada sob condições penosas, tal como o mundo continua a ser o mundo de Deus, mas um mundo em que já não se distingue com clareza a voz divina”4.

Com a Redenção, os aspectos penosos do trabalho ganharam um valor santificador para quem o exerce e para toda a humanidade. O suor e a fadiga, oferecidos com amor, tornam-se tesouros de santidade, pois o trabalho feito por amor a Deus representa a participação humana, não só na obra da Criação, mas também na da Redenção.

Todo o trabalho implica uma quota-parte de fadiga e de preocupação que podemos oferecer ao Senhor em expiação das culpas humanas. Aceitar com humildade essa parte de esforço, que mesmo a melhor organização trabalhista não consegue eliminar, significa colaborar com Deus na purificação da nossa inteligência, da nossa vontade e dos nossos sentimentos5.

Examinemos hoje na nossa oração se oferecemos ao Senhor a fadiga e o cansaço por fins nobremente ambiciosos. Averigüemos se, nesses aspectos menos agradáveis de qualquer trabalho, encontramos a mortificação cristã que nos purifica e que nos permite oferecê-lo pelos outros.

II. O TRABALHO É UM TALENTO que o homem recebe para fazer frutificar, e “é testemunho da dignidade do homem, do seu domínio sobre a criação; é meio de desenvolvimento da personalidade; é vínculo de união com os outros seres; fonte de recursos para o sustento da família; meio de contribuir para o progresso da sociedade em que se vive e para o progresso de toda a humanidade”6. Para o cristão, é, além disso, ocasião de um encontro pessoal com Jesus Cristo e meio para que todas as realidades deste mundo sejam vivificadas pelo espírito do Evangelho.

Para que “o homem se faça mais homem”7 com o trabalho, para que este seja meio e ocasião de amar a Cristo e de fazer com que o conheçam, são necessárias diversas condições humanas: a diligência, a constância, a pontualidade…, a competência profissional. Em sentido contrário, o pouco interesse por aquilo que se realiza, a incompetência, a impontualidade e as ausências no trabalho… são incompatíveis com o sentido autenticamente cristão da vida. O trabalhador negligente ou desinteressado, seja qual for o posto que ocupe na sociedade, ofende em primeiro lugar a própria dignidade da sua pessoa e a daqueles a quem se destinam os frutos dessa tarefa mal feita. E ofende ainda a sociedade em que vive, pois nela repercute de alguma forma todo o mal e todo o bem dos indivíduos. Além disso, o trabalho realizado descuidadamente, com atrasos e mal acabado, não é uma falta ou um pecado apenas contra a virtude da justiça, mas também contra a caridade, pelo mau exemplo e pelas conseqüências que derivam dessa atitude.

O grande inimigo do trabalho é a preguiça, que se manifesta de muitas maneiras. Não é preguiçoso somente aquele que deixa o tempo passar sem fazer nada, mas também aquele que se dedica a muitas coisas, mas foge da sua obrigação concreta: escolhe as suas ocupações de acordo com o gosto do momento, realiza-as sem energia, e qualquer pequena dificuldade é suficiente para que mude de tarefa. O preguiçoso costuma ser amigo dos “começos”, mas a repugnância que sente pelo sacrifício de um trabalho contínuo e profundo impede-o de pôr as “últimas pedras”, de acabar bem o que começou.

Se queremos imitar Jesus Cristo, devemos esforçar-nos por adquirir uma preparação profissional adequada, dando-lhe continuidade nos anos de exercício da nossa profissão ou ofício. A mãe de família que se dedica aos seus filhos deve saber cuidar do lar, ser boa administradora dos recursos e dos bens domésticos: manter a casa agradável, arrumada com bom gosto mais do que com luxo, para que toda a família se sinta bem; conhecer o caráter dos filhos e do marido, e saber, quando chegue a ocasião, como falar-lhes daquelas questões difíceis em que podem corrigir-se e melhorar; deve ser forte e ao mesmo tempo doce e simples. Deverá conduzir essa tarefa com mentalidade profissional, sujeitando-se a um horário fixo, não perdendo o tempo em conversas intermináveis, evitando ligar a televisão nas horas em que não deve…

O estudante, se quiser ser um bom cristão, deve ser bom estudante: assistindo às aulas, tendo as matérias em dia, aprendendo a distribuir o tempo que dedica a cada matéria. Devem ser igualmente competentes o arquiteto, a secretária, a costureira, o empresário… “O cristão que falha nas suas obrigações temporais – ensina o Concílio Vaticano II –, falha nos seus deveres para com o próximo; falha, sobretudo, nas suas obrigações para com Deus e põe em perigo a sua salvação eterna”8; errou de caminho numa matéria essencial e, se não muda, estará impossibilitado de encontrar a Deus.

Olhemos para Jesus enquanto realiza o seu trabalho na oficina de José e perguntemo-nos hoje se somos conhecidos no nosso ambiente pelo esmero com que trabalhamos.

III. PRESTÍGIO PROFISSIONAL é conquistado dia após dia, num trabalho silencioso, cuidado até o menor detalhe, feito conscientemente, na presença de Deus, sem dar muita importância a que seja visto ou não pelos homens. Este prestígio na própria profissão, ofício ou estudo, tem repercussões imediatas nos colegas e amigos, pois a palavra com que tratamos de aproximá-los de Deus passará a ter peso e autoridade, e o nosso exemplo de um trabalho profissional competente os ajudará a melhorar nas suas tarefas. A profissão converte-se assim num pedestal de Cristo, que permite avistá-lo mesmo de longe.

Com o prestígio profissional, o Senhor pede-nos outras virtudes: o espírito de serviço amável e sacrificado, a simplicidade e a humildade para ensinar, a serenidade para não converter a atividade intensa em ativismo e saber deixar as tarefas e as preocupações de lado quando chega o momento de dedicar uns minutos à oração ou de cuidar da família e escutar a mulher, o marido, os filhos, os pais, os amigos…

Se o trabalho ocupasse o dia de tal maneira que invadisse esses momentos que se devem dedicar a Deus, à família, à formação religiosa, aos amigos…, seria um sintoma claro de que não nos estamos santificando, mas de que nos estamos buscando a nós mesmos. Seria mais uma forma de corrupção desse “dom divino”, uma deformação talvez mais perigosa na nossa época, pelas próprias exigências desfocadas em que se baseiam muitas ocupações. Um cristão corrente e normal não pode esquecer nunca que deve encontrar Cristo no meio e através dos seus afazeres, sejam quais forem.

Peçamos a São José que nos ensine as virtudes fundamentais que devemos viver no exercício da nossa profissão. “José devia tirar muita gente de dificuldades, com um trabalho bem acabado. O seu trabalho profissional era uma ocupação orientada para o serviço, tinha em vista tornar mais grata a vida das outras famílias da aldeia; e far-se-ia acompanhar de um sorriso, de uma palavra amável, de um comentário dito como que de passagem, mas que devolve a fé e a alegria a quem está prestes a perdê-las”9. Perto de José, encontraremos Maria.

29ª Semana do Tempo Comum

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