10 de Janeiro de 2020

Epifania do Senhor Sexta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEXTA FEIRA – SEMANA EPIFANIA
(branco, pref. da Epifania – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Para os retos de coração surgiu nas trevas uma luz: o Senhor cheio de compaixão, justo e misericordioso (Sl 111, 4).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus todo-poderoso, que o Natal do salvador do mundo, manifestado pela luz da estrela, sempre refulja e cresça em nossas vidas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1 Jo 5, 5,13

 

– Leitura da primeira carta de são João – Caríssimos:  5quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue.) E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade. 7Assim, são três que dão testemunho: 8o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes. 9Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior. Este é o testemunho de Deus, pois ele deu testemunho a respeito de seu Filho. 10Aquele que crê no Filho de Deus tem este testemunho dentro de si. Aquele que não crê em Deus faz dele um mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho. 11E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. 12Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho não tem a vida. 13Eu vos escrevo estas coisas a vós que acreditastes no nome do Filho de Deus, para que saibais que possuís a vida eterna.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 147B, 12-13.14-15.19-20  (R: 12a)

 

– Glorifica o Senhor, Jerusalém!
R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!

– Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou.

R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!

– A paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra e a palavra que ele diz corre veloz.

R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!

– Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos, suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.

R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!
 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Jesus pregava a boa-nova, o reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo (Mt 4,23).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 5,12-16

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor!   

12Aconteceu que Jesus estava numa cidade, e havia aí um homem leproso. Vendo Jesus, o homem caiu a seus pés, e pediu: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. 13Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero, fica purificado”. E imediatamente, a lepra o deixou. 14E Jesus recomendou-lhe: “Não digas nada a ninguém. Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela purificação o prescrito por Moisés como prova de tua cura”. 15Não obstante, sua fama ia crescendo, e numerosas multidões acorriam para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. 16Ele, porém, se retirava para lugares solitários e se entregava à oração.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

Frei Gonçalo de Amarante

- por Padre Alexandre Fernandes

O amor apostólico de Frei Gonçalo o levava a ser um sinal no meio da sociedade

Nasceu no século XIII, em Arriconha, freguesia de Tagilde, próximo a Guimarães, norte de Portugal. Muito cedo, ele se viu chamado ao sacerdócio. Em sua formação humana e cristã, Frei Gonçalo passou pelo Convento Beneditino, depois por Braga, lugar onde foi ordenado pelo Arcebispo. Não demorou muito para ser abade em São Paio.

Frei Gonçalo de Amarante pôde fazer várias peregrinações que muito enriqueceram sua vida espiritual e também apostólica. Ele foi a Roma, visitou os túmulos de São Pedro e São Paulo e tomou um “banho” de Igreja. Visitou a Terra Santa, conheceu os lugares santos por onde Jesus passou. Seu amor foi crescendo cada vez mais por Nosso Senhor.

Depois de voltar dessas peregrinações, ele teve ainda mais ardor para evangelizar. Discerniu sua vida religiosa e entrou para a família dominicana, daí vem o “frei”. Quanto ao “Amarante”, com seus irmãos de comunidade, ele foi para a cidade de Amarante em missão. Ele ficou conhecido como um segundo fundador dessa cidade, porque o seu amor apostólico o levava a ser um sinal no meio da sociedade.

Em 1262, partiu para a glória, deixando para o povo de Amarante, para todas as gerações ao norte de Portugal, para toda Europa e para todo o mundo, um testemunho de santidade que colabora para uma civilização mais justa.

Frei Gonçalo de Amarante, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Vai mostrar-te! (Lc 5,12-16)

 

            No tempo de Cristo – hoje, não mais? – o leproso era duramente estigmatizado. Moléstia grave, deformante, sem remédio, levava a sociedade a excluir o doente, separando os pais dos filhos sem piedade. De certo modo, o leproso sofria um processo de ocultação: empurrado para fora da cidade, vivendo em lugares afastados, nas encruzilhadas, o rosto coberto pelo capuz.

 

            Agora, vem Jesus, o libertador, e diz ao leproso: “Vai mostrar-te!” Vale dizer: chegou ao fim o teu tempo de ocultamento, o tempo de não-pessoa… Curado, voltas a ter um rosto, um olhar.

 

            São Lucas – também ele dedicado à medicina – nos mostra a figura de Jesus como o médico dos corpos e das almas. Nesta passagem, ele não se limita a regenerar o tecido material degenerado pelo mal, mas reintegra a pessoa do doente ao convívio social. E faz questão de enviá-lo aos homens do Templo, para dar aos religiosos a oportunidade de intuírem que havia chegado o tempo do Messias.

 

            O “maldito de Deus” – apelido impiedoso que a época atribuía aos leprosos -, obrigado a gritar: “Impuro! Impuro!” quando alguém se aproximava, ousa aproximar-se de Jesus, caindo por terra a seus pés. Sem medo de ser apedrejado, o cadáver ambulante vê no Rabi última esperança.

 

Este impulso do desespero confiante jamais fracassa diante de Deus. Quando o Senhor percebe que já não temos outro recurso, sua compaixão o move a uma resposta de amor. Por trás das chagas infectas, o divino Médico enxerga o homem primeiro, o Adão inicial, com a perfeição que lhe dera o Criador. Para Deus, curar é regenerar…

 

O intocável sabe onde tocar em Jesus: “Se queres… podes…” Trata-se de um ato de fé. Ele sabe que Jesus “pode”; basta agora que ele “queira”. A resposta de Jesus logo confirma o seu poder.

 

A rejeição social sofrida pelo doente ia muito além do medo do contágio ou do nojo perante as chagas deformantes: a doença brotara do pecado, pensavam os “puros”. No fundo, reagiam diante do leproso intuindo que também eles estavam sujeitos ao mesmo “castigo”, pois todos são pecadores. Daí, a necessidade de manter à distância aquele que sugere o meu possível abismo.

 

            Mas existe um médico. Existe uma cura. A vida nova é possível…

 

Orai sem cessar: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades…” (Is 53,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança

14º Domingo do Tempo Comum