10 de Novembro de 2020

32a semana do tempo comum Terça-feira

- por Pe. Alexandre

TERÇA FEIRA – SÃO LEÃO MAGNO – PAPA E DOUTOR
(branco, pref. comum ou dos pastores– ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– O Senhor o escolheu para plenitude do sacerdócio e, abrindo seus tesouros, o cumulou de bens.

 

Oração do dia

– Ó Deus, que jamais permitis que as potências do mal prevaleçam contra a vossa Igreja, fundada sobre a rocha inabalável dos Apóstolos, dai-lhe, pelos méritos do papa São Leão, permanecer firme na verdade e gozar paz para sempre. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Tt 2,1-8.11-14

– Leitura da carta de são Paulo a Tito: Caríssimo, 1o teu ensino seja conforme à sã doutrina. 2Os mais velhos sejam sóbrios, ponderados, prudentes, fortes na fé, na caridade, na paciência. 3Assim também as mulheres idosas observem uma conduta santa, não sejam caluniadoras nem escravas do vinho, mas mestras do bem. 4Saibam ensinar as jovens a amarem seus maridos, a cuidarem dos filhos, 5a serem prudentes, castas, boas donas de casa, dóceis para com os maridos, bondosas, para que a palavra de Deus não seja difamada. 6Exorta igualmente os jovens a serem moderados 7e mostra-te em tudo exemplo de boas obras, de integridade na doutrina, de ponderação, 8de palavra sã e irreversível, para que os adversários se confundam, não tendo nada de mal para dizer de nós. 11Pois a graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. 12Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, 13aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. 14Ele se entregou por nós, para nos resgatar de toda a maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 37,3-4.18.27.29 (R: 39a)

 

– A salvação de quem é justo vem de Deus!
R: A salvação de quem é justo vem de Deus!

– Confia no Senhor e faze o bem, e sobre a terra habitarás em segurança. Coloca no Senhor tua alegria, e ele dará o que pedir teu coração.

R: A salvação de quem é justo vem de Deus!

– O Senhor cuida da vida dos honestos, e sua herança permanece eternamente. É o Senhor quem firma os passos dos mortais e dirige o caminhar dos que lhe agradam.

R: A salvação de quem é justo vem de Deus!

– Afasta-te do mal e faze o bem, e terás tua morada para sempre. Mas os justos herdarão a nova terra e nela habitarão eternamente.

R: A salvação de quem é justo vem de Deus!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Quem me ama realmente, guardará minha palavra, e meu Pai o amará e a ele nós viremos (Jo 14,23).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 17,7-10

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, disse Jesus: 7“Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’ 8Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso poderás comer e beber?’ 9Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? 10Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São Leão Magno

- por Pe. Alexandre

O santo de hoje mostrou-se digno de receber o título de “Magno”, que significa Grande, isto porque é considerado um dos maiores Papas da história da Igreja, grande no trabalho e na santidade. São Leão Magno nasceu em Toscana (Itália) no ano de 395 e depois de entrar jovem no seminário, serviu a diocese num sacerdócio santo e prestativo.

Ao ser eleito Papa, em 440, teve que evangelizar e governar a Igreja numa época brusca do Império Romano, pois já sofria com as heresias e invasões dos povos bárbaros, com suas violentas invasões. São Leão enfrentou e condenou o veneno de várias mentiras doutrinais, porém, combateu com intenso fervor o monofisismo que defendia, mentirosamente, ter Jesus Cristo uma só natureza e não a Divina e a humana em uma só pessoa como é a verdade. O Concílio de Calcedônia foi o triunfo da doutrina e da autoridade do grande Pontífice. Os 500 Bispos que o Imperador convocara, para resolverem sobra a questão do monofisismo, limitaram-se a ler a carta papal, exclamando ao mesmo tempo: “Roma falou por meio de Leão, a causa está decidida; causa finita est”.

Quanto à dimensão social, Leão foi crescendo, já que com a vitória dos desordeiros bárbaros sobre as forças do Império Romano, a última esperança era o eloquente e santo Doutor da Igreja, que conseguiu salvar da destruição, a Itália, Roma e muitas pessoas. Átila ultrapassara os Alpes e entrara na Itália. O Imperador fugia e os generais romanos escondiam-se. O Papa era a única força capaz de impedir a ruína universal. São Leão sai ao encontro do conquistador bárbaro, acampado às portas de Mântua. É certo que o bárbaro abrandou-se ao ver diante de si, em atitude de suplicante, o Pontífice dos cristãos e retrocedeu com todo o seu exército.

Dentre tantas riquezas em obras e escritos, São Leão Magno deixou-nos este grito: “Toma consciência, ó cristão da tua dignidade, já que participas da natureza Divina”.

Entrou no Céu no ano de 461.

São Leão Magno, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

77. SERVOS INÚTEIS

– Sem a graça santificante, não serviríamos para nada.

– O Senhor nunca nega a sua ajuda.

– Colaboradores de Deus.

I. NO EVANGELHO DA MISSA1, o Senhor coloca-nos hoje diante da realidade da nossa vida. Se algum de vós – diz Jesus – tiver um servo que estiver lavrando a terra ou apascentando o gado, com certeza não lhe dirá quando o vir chegar a casa: Entra logo e senta-te à mesa. Pelo contrário, primeiro o servo servirá a refeição ao seu senhor, e só depois é que comerá. Aliás, segundo as condições daquela época, o próprio servo não esperava nenhum agradecimento pelo seu trabalho: fez o que deviaAssim vós – prossegue o Senhor –, depois de terdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.

Jesus não aprova a conduta daquele senhor, talvez abusiva e arbitrária, mas serve-se de uma realidade do seu tempo, conhecida por todos, para ilustrar qual deve ser a atitude da criatura em relação ao Criador. Desde a nossa chegada a este mundo até a vida eterna a que fomos destinados, tudo procede do Senhor como uma imensa dádiva. Portanto, comenta Santo Ambrósio, “não te julgues mais por seres chamado filho de Deus – deves, sim, reconhecer a graça, mas não deves esquecer a tua natureza –, nem te envaideças por teres servido fielmente, já que esse era o teu dever. O sol cumpre a sua tarefa, a lua obedece, os anjos também servem”2. Não havemos também nós de servir a Deus com a nossa inteligência e vontade, com todo o nosso ser?

Não devemos esquecer que fomos elevados gratuitamente, sem mérito algum da nossa parte, à dignidade de filhos de Deus; mas, por nós mesmos, não só somos servos, como servos inúteis, incapazes de levar a cabo o que o nosso Pai nos encomendou, se Ele não nos ajudar. A graça divina é a única coisa que pode potenciar os nossos talentos humanos para trabalharmos por Cristo, para sermos seus colaboradores e fazermos obras meritórias. A nossa capacidade não está em proporção com os frutos sobrenaturais que procuramos.

Sem a graça santificante, para nada serviríamos. Somos como o “pincel nas mãos do artista”3. As grandes obras que o Senhor quer realizar com a nossa vida devem ser atribuídas ao Artista, não ao pincel. A glória do quadro pertence ao pintor; o pincel, se tivesse vida própria, experimentaria a imensa felicidade de ter colaborado com um mestre tão grande, mas não cometeria a insensatez de apropriar-se do mérito.

Se formos humildes – “andar na verdade” é ser consciente de que não passamos de servos inúteis –, sentir-nos-emos impelidos a pedir a Deus a graça necessária para cada obra que realizamos. E além disso rejeitaremos sempre – ao menos interiormente – qualquer louvor que nos façam, e dirigi-lo-emos ao Senhor, pois qualquer coisa boa que tenha saído das nossas mãos, devemos atribuí-la em primeiro lugar a Deus, que pode “servir-se de uma vara para fazer brotar água da rocha, ou de um pouco de barro para devolver a vista aos cegos”4. Somos o barro que dá vista aos cegos, a vara que faz brotar uma fonte no meio do deserto…, mas é Cristo o verdadeiro autor dessas maravilhas. Que faria o barro por si próprio…? Apenas sujar.

II. O SENHOR RESSALTA na parábola da videira e dos sarmentos5 a necessidade do influxo divino para podermos produzir frutos. Uma vez que Cristo “é a fonte e a origem de todo o apostolado da Igreja, torna-se evidente que a fecundidade do apostolado dos leigos depende da sua união vital com Cristo”6O que permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque, sem mim, nada podeis fazer7, afirmou rotundamente o Senhor.

São Paulo ensina que é Deus quem opera em nós o querer e o agir, segundo o seu beneplácito8. Esta ação divina é necessária para querer e executar boas obras, muito embora esse “querer” e esse “executar” sejam do homem: a graça não substitui a tarefa da criatura, mas torna-a possível na ordem sobrenatural. Santo Agostinho compara a necessidade do auxílio divino à da luz para podermos ver9. É o olho que vê, mas não poderia fazê-lo se não houvesse luz. Esta incapacidade humana de realizar por si mesma obras meritórias não nos deve levar ao desalento; pelo contrário, é mais uma razão para permanecermos em contínua ação de graças ao Senhor, pois Ele está sempre pendente de enviar-nos o auxílio necessário.

A liturgia da Igreja faz-nos pedir constantemente a ajuda divina, e quando a pedimos com humildade e confiança, o Senhor nunca a nega. São Francisco de Sales ilustra esta maravilha divina com um exemplo: “Quando uma terna mãe ensina o seu filhinho a andar, ajuda-o e ampara-o quanto necessário, fazendo-o dar alguns passos nos lugares menos perigosos e mais planos, ora tomando-o pela mão e firmando-o, ora tomando-o nos braços e carregando-o. Da mesma maneira Nosso Senhor cuida continuamente dos passos dos seus filhos”10.

Esta solicitude divina, longe de nos levar a uma atitude passiva, faz com que nos empenhemos na luta ascética, na ação apostólica, nos assuntos que temos de resolver, como se tudo dependesse exclusivamente de nós. Ao mesmo tempo, recorreremos ao Senhor como se tudo dependesse dEle. Assim fizeram os santos e nunca se viram defraudados.

III. SÃO PAULO UTILIZA a imagem das fainas do campo para ilustrar a nossa condição de instrumentos no trabalho apostólico. Eu plantei, Apolo regou; mas foi Deus que deu o crescimento. De modo que não é nada nem o que planta, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento […]. Porque nós somos cooperadores de Deus11.

Que maravilha podermos ser cooperadores de Deus na grande obra da Redenção! O Senhor, de certo modo, precisa de nós. Mas devemos ter presente que, mediante a sua graça, Ele é o único que pode conseguir que a semente da fé lance raízes e dê fruto nas almas: o instrumento “poderá ir lançando a semente entre lágrimas, poderá cuidar do campo sem fugir ao esforço; mas que a semente germine e chegue a dar os frutos desejados é algo que depende somente de Deus e do seu auxílio todo-poderoso. É preciso insistir em que os homens não são senão instrumentos de que Deus se serve para a salvação das almas, e é necessário procurar que esses instrumentos estejam em bom estado para que Deus possa utilizá-los”12.

Para que o pincel seja um instrumento útil nas mãos do pintor, deve absorver bem a tinta e permitir traçar linhas grossas ou finas, tons enérgicos ou menos fortes. Deve subordinar a sua qualidade ao uso que dele queira fazer o artista, que é quem compõe o quadro, distribui as sombras e as luzes, os tons vivos e os mais tênues, quem dá profundidade e harmonia à tela até formar um conjunto coerente e vivo. Além disso, o pincel deve ter uma boa empunhadura e estar unido à mão do mestre: se não for assim, se não secundar fielmente o impulso que recebe, não haverá arte. Essas são as condições de todo o bom instrumento. Nós, que queremos sê-lo nas mãos do Senhor, mas que percebemos tantas coisas que não nos correm bem, dizemos a Jesus na nossa oração:

“«Considero, Senhor, as minhas misérias, que parecem aumentar apesar das tuas graças, sem dúvida pela minha falta de correspondência. Reconheço a ausência em mim da menor preparação para o empreendimento que pedes. E quando leio nos jornais que tantos e tantos homens de prestígio, de talento e de dinheiro falam e escrevem e organizam para defender o teu reinado…, olho para mim e vejo-me tão ignorante e tão pobre, numa palavra, tão pequeno…, que me encheria de confusão e de vergonha se não soubesse que Tu me queres assim. Ó Jesus! Por outro lado, sabes bem como coloquei a teus pés, com a maior das boas vontades, a minha ambição… Fé e Amor: Amar, Crer, Sofrer. Nisto, sim, quero ser rico e sábio, mas não mais sábio nem mais rico do que aquilo que Tu, na tua Misericórdia sem limites, tenhas determinado: porque devo pôr o meu prestígio e honra em cumprir fielmente a tua justíssima e amabilíssima Vontade»”13.

A nossa Mãe Santa Maria, fidelíssima colaboradora do Espírito Santo na tarefa da Redenção, ensinar-nos-á a ser instrumentos eficazes do Senhor. O nosso Anjo da Guarda purificará a nossa intenção e nos recordará que somos servos inúteis nas mãos do Senhor.

29ª Semana do Tempo Comum

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