11 de Dezembro de 2019

2a semana do Advento Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA – II SEMANA DO ADVENTO
(cor roxo,pref. Advento I – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– O Senhor vai chegar, não tardará: há de iluminar o que as trevas ocultam e se manifestará a todos os povos (Hab 2,3; 1Cor 4,5).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus todo-poderoso, que nos mandais preparar o caminho do Cristo Senhor, fazei que, confortados pela presença do divino médico, nenhuma fraqueza possa abater-nos. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 40,25-31

– Leitura do livro do profeta Isaías: 25“Com quem haveis de me comparar, e a quem seria eu igual?” — fala o Santo. 26Levantai os olhos para o alto e vede: Quem criou tudo isto? — Aquele que expressa em números o exército das estrelas e a cada uma chama pelo nome: tal é a grandeza e força e poder de Deus que nenhuma delas falta à chamada. 27Então, por que dizes, Jacó, e por que falas, Israel: “Minha vida ocultou-se da vista do Senhor e meu julgamento escapa ao do meu Deus?” 28Acaso ignoras, ou não ouviste? O Senhor é o Deus eterno que criou os confins da terra; ele não falha nem se cansa, insondável é sua sabedoria; 29ele dá coragem ao desvalido e aumenta o vigor do mais fraco. 30Cansam-se as crianças e param, os jovens tropeçam e caem, 31mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 103,1-2.3-4.8.10 (R: 1a)

 

–  Bendize, ó minha alma, ao Senhor.
R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor.

– Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!

R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor.

– Pois ele te perdoa toda culpa e cura toda a tua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão;

R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor.

– O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas.

R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor.

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Eis que o Senhor há de vir, a fim de salvar o seu povo; felizes são todos aqueles que estão prontos para ir-lhe ao encontro..

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 11,28-30

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: 28“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Dâmaso

- por Padre Alexandre Fernandes

São Dâmaso, o Papa mais notável do século IV

Ocupou a Sé de Roma de 366 a 384. Foi natural, ou pelo menos originário, da antiga Hispânia. O Livro Pontifical, não muito posterior, dá-o como hispanus. Seu pai e uma irmã ao menos, Santa Irene, viveram também em Roma. Lá, S. Dâmaso erigiu uma Basílica a S. Lourenço, que recebeu o cognome de in Damaso.

Viveu num período de grande agitação para a Igreja. No tempo de seu Pontificado, era Bispo de Milão o grande Santo Ambrósio e São Jerônimo punha sua formidável inteligência ao serviço da Igreja. São Dâmaso teve que enfrentar um cisma causado por um antipapa, isto no início do seu Pontificado. Infelizmente este não consistiu no único problema para Dâmaso, já que teve de combater o Arianismo, que negava a consubstancialidade de Cristo com o Pai. Sendo ele Papa, chegou quase a extinguir-se a heresia ariana. O Imperador Teodósio, se não encontrou nele um indomável mestre de moral como Santo Ambrósio, encontrou um Papa que afirmou sempre, com serena firmeza, a “autoridade da Sé Apostólica”. Dâmaso fez de tudo pela unidade da Igreja, e para deixar claro o Primado do Papa, pois foi o próprio Cristo quem quis: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).

O Papa Dâmaso esteve no II Concílio Ecumênico onde aconteceu a definição dogmática sobre a Divindade do Espírito Santo. Foi ele quem encarregou São Jerônimo na tradução da Bíblia da língua original para o latim, língua oficial da Igreja. Conhecido como o “Papa das Catacumbas”, São Dâmaso foi responsável pela zelosa restauração das catacumbas dos mártires. Em Roma, conseguiu separar Estado e Paganismo. A sua obra foi paciente e oculta, mas não medíocre nem definhante. Soube ligar à Sé apostólica todas as Igrejas e obteve do poder civil o maior respeito.

São Dâmaso, o Papa mais notável do século IV, veio a falecer em 384. Na chamada Cripta dos Papas, por ele explorada nas Catacumbas de S. Calisto, no fim de uma longa inscrição, escreveu: “Aqui eu, Dâmaso, desejaria mandar sepultar os meus restos, mas tenho medo de perturbar as piedosas cinzas dos santos”. Humildade e discrição de um Papa verdadeiramente santo, que de fato preparou para si a sepultura longe, num local solitário, à margem da Via Ardeatina.

São Dâmaso, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Encontrareis descanso… (Mt 11,28-30)

 

            O pecado cansa. Esgota o coração. Corrói a alma. Assim, é em primeiro lugar ao pecador que se dirige o convite de Jesus, ao qual está anexa esta promessa: “Vinde a mim! Eu vos aliviarei… Encontrareis descanso…”

 

            Pense no filho pródigo: deixou a casa paterna e partiu para uma região distante. Lá, “curtiu” a vida, perdeu tudo, até os amigos dos tempos de fartura, e sonha agora com a lavagem dos porcos. Isto cansa.

 

Não admira que comece a avaliar a conveniência de voltar para casa, ainda que seja como reles empregado. Claro que a vergonha, o respeito humano hão de retardar o seu regresso, mas acabará voltando. Ele precisa descansar…

 

            A missão também cansa. Até Jesus aparece cansado de suas andanças, quando o Evangelho de João o surpreende sentado junto ao poço de Jacó (cf. Jo 4, 6.) Como podemos ler nas cartas do apóstolo Paulo, a vida missionária inclui viagens estafantes, oposições surdas, indiferenças, contestações ásperas, colheitas ralas. Isto cansa.

 

Não admira que muitos missionários tenham desistido de seu ministério, enquanto outros precisaram refugiar-se no silêncio para recuperar o dinamismo perdido. E depois de mergulhar no coração de Cristo, retomaram a missão, muitas vezes chegando à palma do martírio.

 

Muita gente anda cansada de fazer força e obter resultados pouco animadores. Acontece com os pais que educam filhos rebeldes, imaturos, preguiçosos. Acontece com os educadores que sofrem as consequências de políticas educacionais desastrosas. Acontece com os profissionais da saúde que labutam em hospitais onde falta até o esparadrapo. Isto cansa.

 

Não admira que haja médicos fabricando pão e psicólogos vendendo pipocas. Não admira que tantos professores tenham perdido o entusiasmo com sua profissão. Não admira que tantos casais já não queiram filhos. Estão cansados de lutar.

 

Ora, é para todos vocês que Jesus está dizendo: “Vinde a mim!” Esse cansaço encontrará descanso nos braços do Senhor. É ali, na intimidade de Cristo, que o fiel há de recuperar o impulso missionário e os pais descobrirão uma nova capacidade de amar.

 

Afinal, não era assim que rezava Santo Agostinho? “Senhor, tu nos fizeste para ti, e em vão procura o nosso coração, até que repouse em ti!”

 

Orai sem cessar: “Descansa junto ao Senhor, espera nele.” (Sl 37 [36], 7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum