11 de Fevereiro de 2020

5a Semana Comum Terça-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

TERÇA FEIRA DA V SEMANA DO TEMPO COMUM
(cor verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6).

 

Oração do dia

 

– Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1 Rs 8,22-23.27-30

– Leitura do primeiro livro dos Reis: Naqueles dias, 22Salomão pôs-se de pé diante do altar do Senhor, na presença de toda a assembleia de Israel, estendeu as mãos para o céu e disse: 23 “Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus igual a ti nem no mais alto dos céus, nem aqui embaixo na terra; tu és fiel à tua misericordiosa aliança com teus servos, que andam na tua presença de todo o seu coração. 27Mas será que Deus pode realmente morar sobre a terra? Se os mais altos céus não te podem conter, muito menos esta casa que eu construí! 28Mas atende, Senhor meu Deus, à oração e à súplica do teu servo, e ouve o clamor e a prece que ele faz hoje em tua presença. 29Teus olhos estejam abertos noite e dia sobre esta casa, sobre o lugar do qual disseste: ‘Aqui estará o meu nome!’ Ouve a oração que o teu servo te faz neste lugar. 30Ouve as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando aqui orarem. Escuta-os do alto da tua morada, no céu, escuta-os e perdoa!

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 84,3.4.5.10,11 (R: 2)

 

– Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!
R: Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

– Minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo!

R: Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

– Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa, e a andorinha ali prepara o seu ninho, para nele seus filhotes colocar: vossos altares, ó Senhor Deus do universo! Vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor!

R: Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

– Felizes os que habitam vossa casa; para sempre haverão de louvar! Olhai, ó Deus, que sois a nossa proteção, vede a face do eleito, vosso Ungido!

R: Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

– Na verdade, um só dia em vosso templo vale mais do que milhares fora dele! Prefiro estar no limiar de vossa casa, a hospedar-me na mansão dos pecadores!

R: Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!
 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Inclinai meu coração às vossas advertências e dai-me a vossa lei como um presente valioso! (Sl 118,36.29).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 7,1-13

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. 3Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre. 5Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?” 6Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”.  9E dizia-lhes: “Vós sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus, a fim de guardar as vossas tradições. 10Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honra teu pai e tua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe deve morrer’. 11Mas vós ensinais que é lícito alguém dizer a seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que vós poderíeis receber de mim é Corban, isto é, Consagrado a Deus’. 12E essa pessoa fica dispensada de ajudar seu pai ou sua mãe. 13Assim vós esvaziais a Palavra de Deus com a tradição que vós transmitis. E vós fazeis muitas outras coisas como estas”.

 

 – Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

Nossa Senhora de Lourdes

- por Padre Alexandre Fernandes

Foi no ano de 1858 que a Virgem Santíssima apareceu, nas cercanias de Lourdes, França, na gruta Massabielle, a uma jovem chamada Santa Marie-Bernard Soubirous ou Santa Bernadete. Essa santa deixou por escrito um testemunho que entrou para o ofício das leituras do dia de hoje.

“Certo dia, fui com duas meninas às margens do Rio Gave buscar lenha. Ouvi um barulho, voltei-me para o prado, mas não vi movimento nas árvores. Levantei a cabeça e olhei para a gruta. Vi, então, uma senhora vestida de branco; tinha um vestido alvo com uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa de ouro em cada pé, da cor do rosário que trazia com ela. Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá voltei e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, vária vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores. Muitas e muitas vezes perguntei-lhe quem era, mas ela apenas sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”.

Maria, a intercessora, modelo da Igreja, imaculada, concebida sem pecado, e, em virtude dos méritos de Cristo Jesus, Nossa Senhora, nessa aparição, pediu o essencial para a nossa felicidade: a conversão para os pecadores. Ela pediu que rezássemos pela conversão deles com oração, conversão, penitência.

Isso aconteceu após 4 anos da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. Deus quis e Sua Providência Santíssima também demonstrou, dessa forma, a infalibilidade da Igreja. Que chancela do céu essa aparição da Virgem Maria em Lourdes. E os sinais, os milagres que aconteceram e continuam a acontecer naquele local.

Lá, onde as multidões afluem, o clero e vários Papas lá estiveram. Agora, temos a graça de ter o Papa Francisco para nos alertar sobre este chamado.

Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

18. NOSSA SENHORA DE LOURDES

Memória

– As aparições na gruta. Santa Maria, Salus infirmorum.

– O sentido da doença e da dor.

– Santificar a dor. Recorrer a Nossa Senhora.

No ano de 1858, a Imaculada Virgem Maria apareceu dezoito vezes a Bernadette Soubirous em Lourdes. A primeira aparição foi no dia 11 de fevereiro. Por meio dessa menina, a Virgem chama os pecadores à conversão e a um maior espírito de oração e caridade, principalmente para com os necessitados. Recomenda a recitação do terço, oração por meio da qual recorremos à nossa Mãe como filhos pequenos e necessitados. Leão XIII aprovou esta festividade e Pio X estendeu-a a toda a Igreja. Bernadette foi canonizada por Pio XI em 1925.

I. QUATRO ANOS DEPOIS de ter sido proclamado o dogma da Imaculada Conceição, a Santíssima Virgem apareceu a uma menina de catorze anos, Bernadette Soubirous, numa gruta perto de Lourdes. A Virgem era de tal beleza que se tornava impossível descrevê-la, conta a Santa1. Quando, tempos mais tarde, o escultor da gruta perguntou a Bernadette se a sua obra, que representava a Virgem, se assemelhava à aparição, ela respondeu com grande candura e simplicidade: “Oh, não, senhor, de maneira nenhuma! Não se parece nada!” A Virgem é sempre mais bela.

As aparições sucederam-se durante mais dezessete dias. A menina perguntava à Senhora qual o seu nome, e ela “sorria docemente”. Finalmente, Nossa Senhora revelou-lhe que era a Imaculada Conceição.

Ocorreram em Lourdes muitos prodígios nos corpos e muitos mais nas almas. Foram incontáveis as curas, e muitos mais os que regressaram curados das diferentes doenças de que a alma pode sofrer: recuperaram a fé, abriram-se a uma piedade mais profunda e enérgica ou passaram a aceitar amorosamente a vontade divina.

A primeira Leitura da Missa2 propõe à nossa consideração as palavras com que o profeta Isaías consolava o Povo eleito no desterro, animando-o com a esperança do retorno à Cidade Santa, onde encontrariam o consolo que um filho pequeno encontra em sua mãe. Porque isto é o que diz o Senhor: Eis que eu farei correr a paz sobre ela como um rio, e a opulência das nações como uma torrente que transborda. Sugareis o seu leite, sereis levados ao seu regaço e acariciados no seu colo. Como uma mãe acaricia o seu filhinho, assim Eu vos consolarei…

Ao meditarmos na festa de hoje, vemos como o Senhor quis colocar nas mãos de Maria todas as verdadeiras riquezas que nós, os homens, devemos implorar, e como nos deixou nEla o consolo de que estamos tão necessitados. As dezoito aparições à pequena Bernadette são uma mensagem que nos recorda a misericórdia de Deus, exercida por meio de Santa Maria.

A Virgem mostra-se sempre como Saúde dos enfermos e Consoladora dos aflitos. Ao fazermos hoje a nossa oração, expomos-lhe todas as nossas necessidades, que são muitas. Ela conhece-as bem, escuta-nos sem termos de sair do lugar em que nos encontramos e quer que recorramos à sua proteção. E isto cumula-nos de alegria e de consolo, especialmente na festa que celebramos hoje. Recorremos a Maria como filhos pequenos que não querem afastar-se de sua mãe: “Mãe, minha Mãe…”, dizemos-lhe na intimidade da nossa oração, pedindo-lhe ajuda para todas as necessidades que nos afligem ou nos preocupam.

II. A SANTÍSSIMA VIRGEM também quis recordar naquela gruta a necessidade da conversão e da penitência. A nossa Mãe quis pôr de relevo que a humanidade foi redimida na Cruz, e que é atual o valor redentor da dor, do sofrimento e da mortificação voluntária.

Aquilo que, com uma visão puramente humana, os homens consideram um grande mal pode ser, com olhos de bons cristãos, um grande bem: a doença, a pobreza, a dor, o fracasso, a difamação, a perda do emprego… Em momentos humanamente muito difíceis, podemos descobrir, com a ajuda da graça, que essas situações de desamparo são um grande caminho para uma sincera humildade, abrindo-nos os olhos para a absoluta dependência de Deus em que o homem se encontra. A doença, ou qualquer desgraça, pode ajudar-nos muito a desapegar-nos um pouco mais das coisas da terra, a que talvez estejamos demasiado presos, quase sem o percebermos. Sentimos então a necessidade de olhar para o Céu e de fortalecer a esperança sobrenatural, ao verificarmos a fragilidade das esperanças humanas.

A doença ajuda-nos a confiar mais em Deus, que nunca nos prova acima das nossas forças3, e a abandonar-nos plenamente nos seus braços fortes de pai. Deus conhece bem as nossas forças e nunca nos pedirá mais do que aquilo que podemos dar. Qualquer infelicidade é uma boa ocasião para pormos em prática o conselho de Santo Agostinho: fazer o que se pode e pedir o que não se pode4, pois o Senhor não manda coisas impossíveis.

A grande prova de amor que podemos dar é aceitar a doença – e a própria morte – entregando a vida como oblação e sacrifício por Cristo, para o bem de todo o seu Corpo Místico, a Igreja. As nossas penas e dores perdem a sua carga de amargura quando se elevam ao Céu. Poenae sunt pennae, “as penas são asas”, diz uma antiga expressão latina. Uma doença pode converter-se em asas que nos elevam até Deus. Como é diferente uma doença que acolhemos com fé e humildade de uma outra que, pelo contrário, recebemos com pouca fé, mal-humorados, magoados ou tristes!

III. E ESTAVA LÁ a mãe de Jesus5. Vemos com alegria como é enorme a variedade de tipos e condições de pessoas que se aproximam dos santuários da Virgem e se prostram aos seus pés. Talvez não se aproximassem se não tivessem experimentado a debilidade, a dor ou a necessidade, própria ou alheia.

Referindo-se à festa de hoje, o Papa João Paulo II perguntava-se por que pessoas tão diversas se dirigem à gruta onde ocorreram as aparições, e respondia: “Porque sabem que ali, como em Caná, «está a mãe de Jesus»: e onde Ela está não pode faltar o seu Filho. Esta é a certeza que arrasta as multidões que todos os anos – como uma avalanche – se dirigem a Lourdes à procura de um alívio, de um consolo, de uma esperança […].

“A cura milagrosa, no entanto, é, apesar de tudo, um acontecimento excepcional. A potência salvífica de Cristo, obtida por intercessão de sua Mãe, revela-se em Lourdes sobretudo no âmbito espiritual. Nos corações dos doentes, Ela faz ouvir a voz do Filho que dissolve prodigiosamente os tumores da acritude e da rebelião, e restitui a vista aos olhos da alma para que possam ver sob uma luz nova o mundo, os outros, o seu próprio destino”6.

O Senhor, a quem a sua Mãe sempre nos conduz, amava os doentes. São Pedro resume a sua vida nestas poucas palavras: Jesus de Nazaré… passou fazendo o bem e curando…7 Os Evangelhos não se cansam de mencionar a misericórdia do Mestre para com os que sofriam na alma ou no corpo. Grande parte do seu ministério aqui na terra, dedicou-o o Senhor a curar os doentes e a consolar os aflitos. “Era sensível a todo o sofrimento humano, tanto do corpo como da alma”8.

Ele é compassivo e espera da nossa parte que empreguemos os meios ao nosso alcance para sairmos de uma doença ou de uma situação difícil; e nunca permitirá provas que estejam acima das nossas forças. Dar-nos-á em todos os instantes as graças suficientes para que essas circunstâncias dolorosas não nos afastem dEle. Podemos pedir-lhe a cura ou que se resolvam os problemas que pesam sobre nós, mas devemos sobretudo pedir-lhe docilidade à graça, para que nessas circunstâncias – nessas e não em outras – saibamos crescer na fé, na esperança e na caridade.

Experimentaremos também um grande alívio nos nossos sofrimentos se não pensarmos excessivamente neles, por termos deixado essas penas nas mãos de Deus; como também se não pensarmos nas conseqüências futuras dos males que nos acometem, pois ainda não temos as graças necessárias para suportá-las… e talvez não se apresentem. A cada dia basta o seu cuidado9. Não esqueçamos que “todos estamos chamados a sofrer, mas nem todos no mesmo grau e da mesma maneira; cada um seguirá nisto a sua chamada, correspondendo a ela generosamente. O sofrimento, que do ponto de vista humano é tão desagradável, converte-se em fonte de santificação e de apostolado quando o aceitamos com amor e em união com Jesus…10, corredimindo com Ele, sentindo-nos filhos de Deus, especialmente nessas circunstâncias.

Recorramos em tudo a Maria. Ela sempre nos atenderá. Alcançar-nos-á o que lhe pedimos, ou conseguir-nos-á graças ainda maiores e mais abundantes para que dos males saibamos tirar bens; e dos grandes males, grandes bens. Seja qual for a nossa situação, experimentaremos sempre o seu consolo. Consolatrix afflictorum, Salus infirmorum, Auxilium christianorum… ora pro eis…, ora pro me.

Vinde em auxílio da nossa fraqueza, ó Deus de misericórdia, e fazei que, ao recordarmos hoje a Imaculada Mãe do vosso Filho, nos vejamos livres das nossas culpas por sua intercessão11

18ª Semana do Tempo Comum