11 de Março de 2020

2a Semana da Quaresma Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA-FEIRA DA II SEMANA DA QUARESMA
(roxo – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Não me abandoneis jamais, Senhor, meu Deus, não fiqueis longe de mim! Depressa, vinde em meu auxilio, ó Senhor, minha salvação (Sl 37,22).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, conservai constantemente vossa família na prática das boas obras e, assim como nos confortais agora com vossos auxílios, conduzis-nos aos bens eternos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Jr 18, 18-20

– Leitura do livro do profeta Jeremias: Naqueles dias, 18disseram eles: “Vinde para conspirarmos juntos contra Jeremias; um sacerdote não deixará morrer a lei; nem um sábio, o conselho; nem um profeta, a palavra. Vinde para o atacarmos com a língua, e não vamos prestar atenção a todas as suas palavras”. 19Atende-me, Senhor, ouve o que dizem meus adversários. 20Acaso pode-se retribuir o bem com o mal? Pois eles cavaram uma cova para mim. Lembra-te de que fui à tua presença, para interceder por eles e tentar afastar deles a tua ira.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 31, 5-6.14.15-16 (R: 17b)

 

– Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!

R: Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!

 

– Retirai-me desta rede traiçoeira, porque sois o meu refúgio protetor! Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel!

R: Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!

 

– Ao redor, todas as coisas me apavoram; ouço muitos cochichando contra mim; todos juntos se reúnem, conspirando e pensando como vão tirar-me a vida.

R: Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!

 

– A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! Eu entrego em vossas mãos o meu destino; liber­tai-me do inimigo e do opressor!

R: Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 20, 17-28

 

Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!

Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!

 

– Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12).

 

Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

 

 – Naquele tempo, 17enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: 18“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, 19e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará”. 20A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “Que queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. 22Jesus, então, respondeu-lhe: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”. 24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os, e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

 

São Constantino

- por Padre Alexandre Fernandes

Constantino foi rei da Cornualha, região da Inglaterra. Casou-se com a princesa de Bretanha e se tornou maior evangelizador, convertendo todo o país.

 

Mas antes disso, ele era um pecador. Cometeu muitos sacrilégios e até assassinatos, chegou a se separar de sua mulher só para não ter cobranças na vida pessoal.

 

Foi quando ela faleceu que ele foi tocado pela graça e decidiu transformar sua vida. Primeiro abriu mão do trono em favor de seu filho, depois se converteu, recebendo o batismo. Em seguida se isolou no mosteiro de São Mócuda, na Irlanda, onde trabalhou por sete anos no mais absoluto silêncio.

 

Nessa época, Columbano, também santo, estava em missão na mesma região de Constantino. Partiram juntos para evangelizar.

 

Constantino representava esperança na época de Idade Média, vestindo hábito simples e humilde dos padres. Lutou fortemente pelo cristianismo, pregou, converteu, fundou conventos e construiu igrejas.

 

Sua terra, atual Escócia, antes de ser católica, viu o santo se tornar mártir.

 

Enquanto pregava, em 11 de março de 598, um pagão o atacou e acabou por amputar seu braço direito. O sangramento foi tão grande, que não resistiu e sangrou até morrer.

 

Enquanto sentia as dores de perder o braço, abraçou e abençoou cada um de seus seguidores.

 

O seu culto correu rápido entre os cristãos de língua anglo-saxônica, atingiu a Europa e se propagou por todo o mundo cristão, ocidental e oriental. Sua veneração litúrgica foi marcada para o dia de seu martírio.

 

São Costantino, rogai por nós!

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

TEMPO DA QUARESMA. SEGUNDA SEMANA. QUARTA-FEIRA

15. BEBER O CÁLICE DO SENHOR

– Identificar em tudo a nossa vontade com a do Senhor. Corredimir com Ele.

– Oferecimento da dor e da mortificação voluntária. Penitência na vida corrente. Alguns exemplos de mortificação.

– Mortificações que nascem do serviço aos outros.

I. JESUS FALA pela terceira vez aos seus discípulos da sua Paixão e Morte, bem como da sua Ressurreição gloriosa, enquanto se dirige a Jerusalém. A certa altura do caminho, perto já de Jericó, uma mulher, a mãe de Tiago, aproxima-se dEle para lhe fazer um pedido em favor dos seus filhos. Prostrou-se diante de Jesus, conta São Mateus, para lhe fazer uma súplica. Com toda a simplicidade, diz a Jesus: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu reino, um à tua direita e outro à tua esquerda1. O Senhor responde-lhe imediatamente: Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que eu hei de beber? Eles disseram: Podemos2.

Os dois irmãos não deviam ter uma noção muito exata do alcance das palavras do Senhor, pois São Lucas nos diz que, pouco antes, quando Jesus falava da sua Paixão, eles nada disso compreendiam, e essas palavras eram para eles um enigma cujo sentido não podiam entender3. No entanto, ainda que movidos por uma intenção apenas geral, mostraram-se dispostos a querer tudo o que Jesus quisesse; não puseram limite algum ao seu Senhor.

Nós também não os pusemos e por isso, quando pedimos alguma coisa na nossa oração, devemos estar dispostos a aceitar, acima de tudo, a vontade de Deus, mesmo que não coincida com os nossos desejos. “Sua Majestade – diz Santa Teresa – sabe melhor o que nos convém. Para que havemos de aconselhá-lo sobre o modo de nos distribuir os seus dons? Poderia com razão dizer-nos que não sabemos o que pedimos”4. O Senhor quer que lhe peçamos o que precisamos e desejamos mas, sobretudo, que conformemos a nossa vontade com a sua. Ele nos dará sempre o melhor.

João e Tiago pedem um lugar de honra no novo Reino, e Jesus fala-lhes da Redenção. Pergunta-lhes se estão dispostos a padecer com Ele. Utiliza a imagem hebraica do cálice, que simboliza a vontade de Deus sobre um homem5. O do Senhor é um cálice amarguíssimo, que se converterá em cálice de benção6 para todos os homens.

Beber o cálice de outro era sinal de uma profunda amizade e da disposição de partilhar de um destino comum. É a esta íntima participação que o Senhor convida os que o queiram seguir. Para participar na sua Ressurreição gloriosa, é necessário compartilhar a Cruz com Ele. Estais dispostos a padecer comigo? Podeis beber o cálice comigo? Podemos, responderam aqueles dois Apóstolos. Tiago morreu poucos anos depois, decapitado por ordem de Herodes Agripa7. São João passou por inúmeros sofrimentos e perseguições por amor ao seu Senhor.

O Senhor “também nos chama a nós e nos pergunta, como a Tiago e a João: Potestis bibere calicem quem ego bibiturus sum? (Mt XX, 22); estais dispostos a beber o cálice – este cálice da completa entrega ao cumprimento da vontade do Pai – que eu vou beber? Possumus (Mt XX, 22). Sim, estamos dispostos, é a resposta de João e de Tiago… Vós e eu estamos dispostos seriamente a cumprir, em tudo, a vontade do nosso Pai-Deus? Demos ao Senhor o nosso coração inteiro, ou continuamos apegados a nós mesmos, aos nossos interesses, à nossa comodidade, ao nosso amor próprio? Há em nós alguma coisa que não corresponda à nossa condição de cristãos e que nos impeça de nos purificarmos? Hoje apresenta-se-nos a ocasião de retificar”8.

II. “O SENHOR SABIA que os dois Apóstolos poderiam imitá-lo na sua paixão, mas mesmo assim faz-lhes a pergunta, para que todos ouçamos que ninguém pode reinar com Cristo se não o imitar antes na sua paixão; porque as coisas de grande valor só se conseguem a um preço muito alto”9.

Não existe vida cristã sem mortificação; é o seu preço. “O Senhor salvou-nos pela Cruz; com a sua morte, voltou a dar-nos a esperança, o direito à vida. Não o podemos honrar se não o reconhecermos como nosso Salvador, se não o honrarmos no mistério da Cruz… O Senhor fez da dor um meio de redenção; com a sua dor redimiu-nos, sempre que não nos recusemos a unir a nossa dor à sua e a fazer dela, com a sua, um meio de redenção”10.

O espírito de penitência e de mortificação manifesta-se na nossa vida corrente, nas tarefas de cada dia, sem termos de esperar por ocasiões extraordinárias. “Penitência é o cumprimento exato do horário que marcaste, ainda que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se em sonhos quiméricos. Penitência é levantar-se na hora. É também não deixar para mais tarde, sem um motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou trabalhosa.

“A penitência está em saberes compaginar todas as tuas obrigações – com Deus, com os outros e contigo próprio –, sendo exigente contigo de modo que consigas encontrar o tempo de que cada coisa necessita. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares esgotado, sem vontade ou frio.

“Penitência é tratar sempre com a máxima caridade os outros, começando pela tua própria casa. É atender com a máxima delicadeza os que sofrem, os doentes, os que padecem. É responder com paciência aos maçantes e inoportunos. É interromper ou modificar os programas pessoais, quando as circunstâncias – sobretudo os interesses bons e justos dos outros – assim o requerem.

“A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas contrariedades da jornada; em não abandonares a tua ocupação, ainda que de momento te tenha passado o gosto com que a começaste; em comermos com agradecimento o que nos servem, sem importunar ninguém com caprichos.

“Penitência, para os pais e, em geral, para os que têm uma missão de governo ou educativa, é corrigir quando é preciso fazê-lo, de acordo com a natureza do erro e com as condições de quem necessita dessa ajuda, sem fazer caso de subjetivismos néscios e sentimentais.

“O espírito de penitência leva a não nos apegarmos desordenadamente a esse bosquejo monumental de projetos futuros, em que já previmos quais serão os nossos traços e pinceladas mestras. Que alegria damos a Deus quando sabemos renunciar às nossas garatujas e broxadas de mestrinhos, e permitimos que seja Ele a acrescentar os traços e as cores que mais lhe agradem!”11

III. OS OUTROS DISCÍPULOS, que tinham ouvido o diálogo de Jesus com os dois irmãos, começaram a indignar-se. Então o Senhor disse-lhes: Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós faça-se vosso servo. E aquele que quiser tornar-se entre vós o primeiro faça-se vosso escravo. Pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por uma multidão12.

O serviço de Cristo à humanidade tem em vista a salvação. A nossa atitude deve ser a de servir a Deus e aos outros com sentido sobrenatural, especialmente no que se refere à salvação, mas também em todas as ocasiões que se apresentem em cada dia. Devemos servir mesmo àqueles que não no-lo agradecem, sem esperar nada em troca. É a melhor maneira de darmos a vida pelos outros, de um modo eficaz e discreto, e de combatermos o nosso egoísmo, que tende a roubar-nos a alegria.

A maior parte das profissões é um serviço direto aos outros: as donas de casa, os comerciantes, os professores, as empregadas domésticas, todos eles, de um modo mais ou menos direto, realizam um serviço. Oxalá não percamos de vista este aspecto, que contribuirá para nos santificar no trabalho.

O espírito de serviço exige mortificação e esquecimento próprio, e por isso haverá ocasiões em que colidirá com a mentalidade de muitos que só pensam em si mesmos. Para nós, cristãos, servir é o “nosso orgulho” e a nossa dignidade, porque assim imitamos Cristo, e porque, para servirmos voluntariamente, por amor, temos de pôr em prática muitas virtudes humanas e sobrenaturais. “Esta dignidade manifesta-se pela disposição de servir segundo o exemplo de Cristo, o qual não veio para ser servido, mas para servir. Se, portanto, à luz da atitude de Cristo, é sóservindo que se pode verdadeiramente reinar, por outro lado o servir reclama tal maturidade espiritual que se torna necessário defini-lo precisamente como reinar. Para se poder servir digna e eficazmente os outros, é necessário saber dominar-se, é necessário possuir as virtudes que tornam possível tal domínio”13.

Não nos importemos de servir e ajudar muito os que estão ao nosso lado, mesmo que não recebamos em troca nenhum pagamento ou recompensa. Servir, com Cristo e por Cristo, é reinar com Ele. A nossa Mãe Santa Maria, que serviu a seu Filho e a São José, nos ajudará a dar-nos sem medida nem cálculo.

18ª Semana do Tempo Comum