13 de Agosto de 2020

19a semana comum Quinta-feira

- por Pe. Alexandre

QUINTA FEIRA – XIX SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

– Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Lembrai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca (Sl 73,20.19.22).

 

Oração do dia

– Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança prometida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Ez 12,1-12

– Leitura da profecia de Eze­quiel: 1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2“Filho do homem, estás morando no meio de um povo rebelde. Eles têm olhos para ver e não veem, ouvidos para ouvir e não ouvem, pois são um povo rebelde. 3Quanto a ti, Filho do homem, prepara para ti uma bagagem de exilado, em pleno dia, à vista deles. Emigrarás do lugar onde estás, à vista deles, para outro lugar. Talvez percebam que são um povo rebelde. 4Deverás tirar a bagagem em pleno dia, à vista deles, como se fosse a bagagem de um exilado. Mas deverás sair à tarde, à vista deles, como quem vai para o exílio.
5À vista deles deverás cavar para ti um buraco no muro, pelo qual sairás; 6deverás carregar a bagagem nas costas e retirá-la no escuro. Deverás cobrir a face para não ver o país, pois eu fiz de ti um sinal para a casa de Israel”. 7Eu fiz assim como me foi ordenado. Tirei a bagagem durante o dia, como se fosse a bagagem de exilado; à tarde, abri com a mão um buraco no muro. Saí no escuro, carregando a bagagem às costas, diante deles. 8De manhã, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 9“Filho do homem, não te perguntaram os da casa de Israel, essa gente rebelde, o que estavas fazendo?
10Dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Este oráculo refere-se ao príncipe de Jerusalém e a toda a casa de Israel que está na cidade. 11Dize: Eu sou um sinal para vós. Assim como eu fiz, assim será feito com eles: irão cativos para o exílio. 12O príncipe que está no meio deles levará a bagagem às costas e sairá no escuro. Farão no muro um buraco para sair por ele. O príncipe cobrirá o rosto para não ver com seus olhos o país.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 78,56-57.58-59.61-62 (R: 7c)

 

– Das obras do Senhor não se esqueçam.
R: Das obras do Senhor não se esqueçam.

– Mesmo assim, eles tentaram o Altíssimo, recusando-se a guardar os seus preceitos. Como seus pais, se transviaram, e o traíram como um arco enganador que volta atrás;

R: Das obras do Senhor não se esqueçam.

– Irritaram-no com seus lugares altos, provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos. Deus ouviu e enfureceu-se contra eles, e repeliu com violência a Israel.

R: Das obras do Senhor não se esqueçam.

– Entregou a sua arca ao cativeiro, e às mãos do inimigo a sua glória; fez perecer seu povo eleito pela espada, e contra a sua herança enfureceu-se.

R: Das obras do Senhor não se esqueçam.

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos!  (Sl 118,135).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 18,21-19,1

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 18,21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo’. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair dali aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei’. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muitos tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Servo perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. 19,1Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

Santos Ponciano e Hipólito

- por Pe. Alexandre

Ponciano foi o zeloso Papa da Igreja de Cristo, eleito em 230, enquanto Hipólito, um fecundo escritor e orador.

Aconteceu que, naquele tempo, rompeu um cisma na Igreja, onde Hipólito defendia um tal rigorismo que os adúlteros, fornicadores e apóstatas não mereceriam perdão, mesmo diante de arrependimento. Ponciano, o Papa da Misericórdia, não concordava com este duro princípio e nem outras reflexíveis cheias de boa fé, porém que não revelavam o coração do Pai, o qual escolheu a Igreja como instrumento deste amor que perdoa e salva.

Ponciano, que confirmava a fé nos cristãos, diante do clima de perseguição criado pelo imperador Maximiano, foi denunciado e, por isso, preferiu prudentemente renunciar ao serviço de Papa, visando o bem da Igreja e acolheu o exílio. Na ilha da Sardenha encontrou exilado também o sacerdote Hipólito e, em meio aos trabalhos forçados, se reconciliaram, sendo que Hipólito renunciou aos seus erros, antes de colherem em 235 o “passaporte” do Céu, ou seja o martírio.

Santos Ponciano e Hipólito, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

Não tinha com que pagar… (Mt 18,21 – 19,1)

 

Entre outros ensinamentos, esta parábola de Jesus traça uma síntese de nossa situação diante de Deus, com uma clara alusão à futura passagem de nosso juízo particular, logo após a morte. Nosso balanço estará no vermelho. Somos devedores em situação de insolvência.

Em seu comentário sobre Mateus, o “Evangelho do Reino”, Hébert Roux observa: “Mesmo fazendo o inventário daquilo que o homem possui de mais precioso, e reunindo todos os valores que representam sua pessoa e seus bens, o servidor bem sabe que não poderá satisfazer as exigências de seu patrão, a despeito de suas próprias promessas. A decisão do Rei é motivada não pelo crédito que ele concede a seu devedor, mas unicamente pelo fato de que ele é ‘movido de compaixão’. O devedor insolvente deve sua liberdade exclusivamente a um decreto de pura graça: “deixou-o ir e perdoou-lhe a dívida’”.

Certos grupos religiosos ou correntes espirituais acreditam piamente que devem seguir determinadas leis morais e fugir dos erros conscientes para acumular méritos diante do Criador, de tal modo que, de posse desse “capital”, possam ao fim da vida apresentar-se ao tribunal divino com “valores a receber”. O céu (ou o nirvana) seria, pois, simples conquista humana. Ele “mereceram” o céu…

Ledo engano! Esta passagem para Deus (podem chamá-la de salvação…) custou o sangue de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Como assevera o apóstolo, “por alto preço fostes comprados” (1Cor 6,20). Não será o nosso esforço ou o nosso sangue que pagará uma dívida (que, aliás, já foi paga) infinitamente superior aos nossos recursos humanos.

Nossa esperança consiste apenas na possibilidade (bem real, diz nossa fé…) de ocorrer um movimento nas entranhas de misericórdia de nosso Deus, que se deixa “mover de compaixão”.

De volta à parábola, fica bem claro que há servidores tão indignos, a ponto de negarem ao irmão mais próximo a mesma misericórdia que esperam encontrar no divino Juiz. Ora, a simples expectativa de ter a própria dívida perdoada deve ser suficiente para me decidir a perdoar, desde já, qualquer dívida que meus irmãos ainda tenham comigo. Qualquer outra decisão seria loucura…

 

29ª Semana do Tempo Comum

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