13 de Fevereiro de 2019

5ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA DA V SEMANA DO TEMPO COMUM.

(verde  – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6).

 

Oração do dia

 

– Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Gn 2,4-9.15-17

 

– Leitura do livro do Gênesis: 4bNo dia em que o Senhor fez a terra e o céu, 5ainda não havia nenhum arbusto do campo sobre a terra, e ainda nenhuma erva do campo tinha brotado, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem existia homem para cultivar o solo. 6Mas uma fonte brotava da terra, e lhe regava toda a superfície. 7Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente. 8Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden, a oriente, e ali pôs o homem que havia formado. 9E o Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores de aspecto atraente e de fruto saboroso ao paladar, a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. 15O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim de Éden, para o cultivar e guardar. 16E o Senhor Deus deu ao homem uma ordem, dizendo: “Podes comer de todas as árvores do jardim, 17mas não comas da árvore do conhecimento do bem e do mal; porque, no dia em que fizeres, sem dúvida morrerás”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 104, 1-2a.27-28.29b-30 (R: 1a)

 

– Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

– Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto.

R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

– Todos eles, ó Senhor, de vós esperam que a seu tempo vós lhes deis o alimento; vós lhes dais o que comer e eles recolhem, vós abris a vossa mão e eles se fartam.

R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

– Se tirais o seu respiro, eles perecem e voltam para o pó de onde vieram; enviais o vosso espírito e renascem e da terra toda a face renovais.

R: Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade! (Jo 17,17)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 7,14-23

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos

– Glória a vós, Senhor!  

Naquele tempo, 14Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai todos e com­preendei: 15o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 16Quem tem ouvidos para ouvir ouça”. 17Quando Jesus entrou em casa, longe da multidão, os discípulos lhe perguntaram sobre essa parábola. 18Jesus lhes disse: “Será que nem vós compreen­deis? Não entendeis que nada do que vem de fora e entra numa pessoa pode torná-la impura, 19porque não entra em seu coração, mas em seu estômago e vai para a fossa?” Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros. 20Ele disse: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. 21Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

São Martiniano

- por Padre Alexandre Fernandes

São Martiniano foi capaz de converter muitos que o procuravam e ser instrumento de muitos milagres

Nasceu no século IV, em Cesareia, na Palestina. Muito jovem, discerniu sua vocação à vida de eremita; retirou-se a um lugar distante para se entregar à vida de sacrifício e de oração pela salvação das pessoas e também pela própria conversão. Ele vivia um grande combate contra o homem velho, aquele que tem fome de pecado, que é desequilibrado pela consequência do pecado original que atingiu a humanidade que todos nós herdamos. Mas foi pela Misericórdia, pela força do Espírito Santo que ele se tornou santo.

Sua fama foi se espalhando e muitos procuravam Martiniano. Embora jovem, ele era cheio do Espírito Santo para o aconselhamento, a direção espiritual, até apresentando situações de enfermidades, na qual ele clamava ao Senhor Jesus pela cura e muitos milagres aconteciam. Através dele, Jesus curava os enfermos.

Homem humilde, buscava a vontade de Deus dentro deste drama de querer ser santo e ter a carnalidade sempre presente. Aconteceu que Zoé, uma mulher muito rica, mas dada aos prazeres carnais e também às aventuras com um grupo de amigos, fez uma aposta de que levaria o santo para o pecado. Vestiu-se com vestes simples, pobres, pediu para que ele a abrigasse por um dia. Eles dormiram em lugares distantes, mas ela, depois, vestiu-se com uma roupa bem sedutora e foi ser instrumento de sedução para Martiniano. Conta-nos a história que ele caiu na tentação.

Os santos não foram homens e mulheres de aço, pelo contrário, ao tomar consciência daquele pecado, ele se prostrou, arrependeu-se, penitenciou-se, mergulhou o seu coração e a sua natureza na misericórdia de Deus. Claro que o Senhor o perdoou.

Só há um pecado que Deus não perdoa: aquele do qual não somos capazes de nos arrepender.

São Martiniano arrependeu-se e retomou o seu propósito. Ele foi um instrumento de evangelização para aquela mulher que, de tal forma, também acolheu a graça do arrependimento, entrou para a vida religiosa e consagrou-se, fazendo parte do mosteiro das religiosas de Santa Paula e ali se santificou.

O santo, depois, foi para uma ilha; em seguida para Atenas, na Grécia, e, no ano 400, partiu para a glória tendo recebido os sacramentos.

Santo não é aquele que “nunca pecou”. A oração, a vigilância e o mergulho da própria miséria na Misericórdia Divina é o que nos santifica.

São Martiniano, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

O que sai da pessoa… (Mc 7,14-23)

 

            Prossegue a polêmica entre os fariseus e os discípulos de Jesus, acusados de não seguirem as tradições dos antigos, como a rígida preocupação com a pureza ritual, que insistia em classificar os alimentos como puros e impuros. Jesus corta a discussão pela raiz, afirmando que o que “sai” da pessoa é que a torna impura.

 

            Em sua Carta, o apóstolo Tiago iria chamar nossa atenção para a absoluta incompatibilidade entre o bem e o mal que costumam sair de dentro de nós: “Porventura a fonte faz jorrar, pelo mesmo orifício, água doce e agua amarga? Porventura a figueira, meus irmãos, é capaz de produzir azeitonas, ou a videira, figos? Assim também a fonte salina não pode produzir água doce”. (Tg 3,12)

 

            E Jesus resume esta evidência em um princípio definitivo: “Pelos frutos os conhecereis!” (Mt 7,16) Segundo este critério, nossas palavras e nossas ações serão em definitivo a prova palpável dos sentimentos que alimentamos dentro de nós. Pode a mesma boca proclamar louvores a Deus e, em seguida, caluniar o próximo?

 

            Barsanufo de Gaza, um antigo Padre do deserto, da Igreja Copta, escrevia a um discípulo: “Se a atividade interior não vem em ajuda, depois de Deus, ao homem, este se fatiga externamente em vão. A atividade interior vivida com a contrição do coração traz a pureza; a pureza traz a verdadeira quietude do coração; esta quietude traz a humildade, e a humildade faz do homem a habitação de Deus. Desta habitação são banidos os demônios perversos e seu chefe, o diabo, com suas paixões vergonhosas, e o home se torna um templo de Deus, santificado, iluminado, purificado, enriquecido de graça, cheio de todo bom odor, de ternura e de exultação. O homem se torna portador de Deus, e ainda mais: ele se torna deus, conforme esta palavra do Salmo: ‘Eu o disse: vós sois deuses, e sois todos filhos do Altíssimo’ (Sl 82,6)”.

 

            No entanto, é mais comum do que parece esta espécie de neurose em que o cristão tenta conciliar uma aparência de religiosidade com uma treva interior onde domina a preguiça, a cupidez, a ambição material, a busca de luxo e conforto, tudo no polo oposto ao espírito de Evangelho que Jesus nos veio anunciar.

 

            Sem dúvida, a confissão frequente e a direção espiritual seriam os remédios adequados para a nossa cura interior.

 

Orai sem cessar: “Porei a minha lei no seu coração…” (Jr 31,33)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

25ª Semana do Tempo Comum