13 de Novembro de 2019

32ª semana comum Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA DA XXXII SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, ofíco do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Chegue até vós a minha súplica; inclinai vosso ouvido à minha prece (Sl 87,3).

 

Oração do Dia

 

– Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Sb 6, 1-11

– Leitura do livro da Sabedoria: 1Escutai, ó reis, e compreendei. Instruí-vos, governadores dos confins da terra! 2Prestai atenção, vós que dominais as multidões e vos orgulhais do número dos vossos súditos. 3Pois o poder vos foi dado pelo Senhor e a soberania pelo Altíssimo. É ele quem examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções; 4apesar de estardes a serviço do seu reino, não julgastes com retidão, nem observastes a Lei, nem procedestes conforme a vontade de Deus. 5Por isso, ele cairá de repente sobre vós, de modo terrível, porque um julgamento implacável será feito sobre os poderosos.

6O pequeno pode ser perdoado por misericórdia, mas os poderosos serão examinados com poder. 7O Senhor de todos não recuará diante de ninguém nem se deixará impressionar pela grandeza, porque o pequeno e o grande foi ele quem os fez, e a sua providência é a mesma para com todos; 8mas para os poderosos, o julgamento será severo. 9A vós, pois, governantes, dirigem-se as minhas palavras, para que aprendais a Sabedoria e não venhais a tropeçar. 10Os que observam fielmente as coisas santas serão justificados; e os que as aprenderem vão encontrar sua defesa. 11Portanto, desejai ardentemente minhas palavras, amai-as e sereis instruídos.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 82, 3-4.6-7 (R: 8a)

 

– Levantai-vos, ó Senhor, julgai a terra!

R: Levantai-vos, ó Senhor, julgai a terra!

 

– Fazei justiça aos indefesos e aos órfãos, ao pobre e ao humilde absolvei! Libertai o oprimido, o infeliz, da mão dos opressores arrancai-os!

R: Levantai-vos, ó Senhor, julgai a terra!

 

– Eu disse: “Ó juízes, vós sois deuses, sois filhos, todos vós, do Deus Altíssimo! E, contudo, como homens morrereis, caireis como qualquer dos poderosos!”

R: Levantai-vos, ó Senhor, julgai a terra!

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Em tudo daí graças, pois esta é a vontade de Deus para conosco, em Cristo, o Senhor. (1Ts 5,18).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 17, 11-19

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor!

 

11Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. 12Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram a seu encontro. Pararam à distância, 13e gritaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” 14Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. 17Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” 19E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

Santo Estanislau Kostka

- por Padre Alexandre Fernandes

Santo Estanislau Kostka, penitente menino permanecia firme em seus propósitos cristãos

O santo, que lembramos com muito carinho neste dia, nasceu na nobre e influente família dos Kostka, a qual possuía uma sólida vida de piedade familiar. Nasceu no castelo de Rostkow, na vila de Prasnitz (Polônia), a 28 de outubro de 1550. Nesse ambiente é que Estanislau cresceu na amizade e intimidade com Cristo.

Quando tinha 14 anos foi estudar em Viena, juntamente com seu irmão mais velho, Paulo. Devido a uma ordem do Imperador Maximiliano I, o internato jesuíta onde estudavam foi fechado, sobrando como refúgio o castelo de um príncipe luterano, que com Paulo, promoveu o calvário doméstico de Estanislau. Em resposta às agressões do irmão, que também eram físicas, e as tentações da corte, o santo e penitente menino permanecia firme em seus propósitos cristãos: “Eu nasci para as coisas eternas e não para as coisas do mundo”.

Diante da pressão sofrida, a saúde de Estanislau cedeu, e ao pedir que providenciassem um sacerdote para que pudesse comungar o Corpo de Cristo, recebeu a negativa dos homens, mas não a de Deus. Santa Bárbara apareceu-lhe, na companhia de anjos, portando Jesus Eucarístico e, em seguida, trazendo-lhe a saúde física, surgiu a Virgem Maria com o Menino Jesus.

Depois desse fato o jovem discerniu sua vocação à vida religiosa como jesuíta, por isso enfrentou familiares e, ousadamente, fugiu sozinho, a pé, e foi parar na Companhia de Jesus. Acolhido pelo Provincial que o ouviu e se encantou com sua história, com somente 18 anos de idade, viveu apenas 9 meses no Noviciado, porque adquiriu uma misteriosa febre e antes de morrer os sacerdotes ouviram do seus lábios sorridentes dizerem: “Maria veio buscar-me, acompanhada de virgens para me levar consigo”.

Santo Estanislau Kostka , rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Onde estão os nove? (Lc 17,11-19)

 

            Em apenas nove versículos, um amplo panorama sobre a realidade humana! Na porta da aldeia de fronteira, dez leprosos marginalizados, definitivamente impedidos de participar da vida social. Como tantos marginais de nosso tempo…

 

            Vendo a passagem da multidão em torno de Jesus, cuja fama de terapeuta há havia chegado até eles, clamam de longe, mas não ousam se aproximar. Como tantos infelizes de nosso século…

 

            Tomados de uma doença incurável naquela época, os dez leprosos não têm a quem recorrer. Como tantos enfermos do Brasil, aos quais os serviços de saúde se declaram sem condições de ajudar…

 

            Necessidade e indiferença… Doença e marginalização… A quem recorrerá o pobre? Neste Evangelho, os pobres leprosos recorrem a Jesus, à espera da esmola da saúde. O verbo que eles utilizam [eleéson] é da mesma família que a palavra “esmola” [eleemosýne], associada ao termo “misericórdia”, inseparável, em grego, do substantivo eláion, o azeite – exatamente o óleo de oliva utilizado para amenizar as feridas da carne humana.

 

            Os leprosos não pedem por justiça. Não pedem um acerto de contas. Não alegam nenhum mérito pessoal. Apenas clamam por compaixão. Afinal, esta é a condição da realidade humana: a miséria. Exatamente aquela miséria que faz cócegas na misericórdia e puxa o gatilho do dom…

 

            A reação de Jesus não parece muito emocionada. Antes, alguém diria que foi algo burocrática, pois apenas os enviou aos sacerdotes do Tempo, legalmente encarregados de examinar uma pessoa e declarar sua pureza ritual (no caso de um leproso, um atestado de saúde).

 

            Eles obedecem. E nós, modernos, já nos espantamos com sua prontidão. O que os move? Fé? Esperança? Apostam na última tábua de salvação? Não importa. Eles se põem a caminho e logo se percebem curados, sem as marcas de seu mal. Que fazer agora? Ora, curado, vou cuidar da vida. Há trabalhos a fazer. Uma família a recuperar. Novas expectativas. Assim fazem os nove judeus.

 

            Um deles, no entanto, o único samaritano entre os dez, vai agir diferente. Refaz o seu caminho e volta para Jesus, prostrando-se a seus pés, neste gesto que só se realiza diante de Deus.

 

            E Jesus a perguntar: “Onde estão os outros nove?” Pois além da fé e da esperança, quanto bem nos faria a gratidão!…

 

Orai sem cessar: “Cantai ao Senhor um cântico de gratidão!” (Sl 147,7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

14º Domingo do Tempo Comum