14 de Dezembro de 2019

2a semana do Advento Sábado

- por Padre Alexandre Fernandes

SABADO – SÃO JOÃO DA CRUZ – PRESBÍTERO E DOUTOR
(branco, pref. do Advento I ou dos pastores – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou (Gl 6,14).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que inspirastes ao presbítero são João da Cruz extraordinário amor pelo Cristo e total desapego de si mesmo, fazei que, imitando sempre o seu exemplo, cheguemos à contemplação da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Eclo 48,1-4.9-11

– Leitura do livro do Eclesiástico: Naqueles dias, 1o profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como uma tocha. 2Fez vir a fome sobre eles e, no seu zelo, reduziu-os a pouca gente. 3Pela palavra do Senhor fechou o céu e de lá fez cair fogo por três vezes. 4Ó Elias, como te tornaste glorioso por teus prodígios! Quem poderia gloriar-se de ser semelhante a ti? 9Tu foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro de cavalos também de fogo, 10tu, nas ameaças para os tempos futuros, foste designado para acalmar a ira do Senhor antes do furor, para conduzir o coração do pai ao filho, e restabelecer as tribos de Jacó. 11Felizes os que te viram, e os que adormeceram na tua amizade!

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 80,2ac.3b.15-16.18-19 (R: 4)

 

– Convertei-nos, ó Senhor, resplandecei a vossa face e nós seremos salvos!
R: Convertei-nos, ó Senhor, resplandecei a vossa face e nós seremos salvos!

– Ó pastor de Israel, prestai ouvidos. Vós que sobre os querubins vos assentais. Despertai vosso poder, ó nosso Deus, e vinde logo nos trazer a salvação!

R: Convertei-nos, ó Senhor, resplandecei a vossa face e nós seremos salvos!

– Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a e ao rebento que firmastes!

R: Convertei-nos, ó Senhor, resplandecei a vossa face e nós seremos salvos!

– Pousai a mão sobre o vosso Protegido, o filho do homem que escolhestes para vós! E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus! Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!

R: Convertei-nos, ó Senhor, resplandecei a vossa face e nós seremos salvos!
 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas! Toda a carne há de ver a salvação que vem de Deus! (Lc 3,4.6)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 17,10-13

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

 

 – Ao descerem do monte, 10os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que Elias deve vir primeiro?” 11Jesus respondeu: “Elias vem e colocará tudo em ordem. 12Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer por eles”. 13Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São João da Cruz

- por Padre Alexandre Fernandes

São João da Cruz é conhecido como “doutor místico”

Nasceu em Fontiveros, na Espanha, em 1542. Seus pais, Gonçalo e Catarina, eram pobres tecelões. Gonçalo morreu cedo e a viúva teve de passar por dificuldades enormes para sustentar os três filhos: Francisco, João e Luís, sendo que este último morreu quando ainda era criança. Como João de Yepes (era este o seu nome de batismo) mostrou-se inclinado para os estudos, a mãe o enviou para o Colégio da Doutrina. Em 1551, os padres jesuítas fundaram um colégio em Medina (centro comercial de Castela). Nele, esse grande santo estudou Ciências Humanas.

Com 21 anos, sentiu o chamado à vida religiosa e entrou na Ordem Carmelita, na qual pediu o hábito. Nos tempos livres, gostava de visitar os doentes nos hospitais, servindo-os como enfermeiro. Ocasião em que passou a ser chamado de João de Santa Maria. Devido ao talento e à virtude, rapidamente foi destinado para o colégio de Santo André, pertencente à Ordem, em Salamanca, ao lado da famosa Universidade. Ali estudou Artes e Teologia. Foi nesse colégio nomeado de “prefeito dos estudantes”, o que indica o seu bom aproveitamento e a estima que os demais tinham por ele. Em 1567 foi ordenado sacerdote.

Desejando uma disciplina mais rígida, São João da Cruz quase saiu da Ordem para ir ingressar na Ordem dos Cartuxos, mas, felizmente, encontrou-se com a reformadora dos Carmelos, Santa Teresa D’Ávila, a qual havia recebido autorização para a reforma dos conventos masculinos. João, empenhado na reforma, conheceu o sofrimento, as perseguições e tantas outras resistências. Chegou a ficar nove meses preso num convento em Toledo, até que conseguiu fugir. Dessa forma, o santo espanhol transformou, em Deus e por Deus, todas as cruzes num meio de santificação para si e para os irmãos. Três coisas pediu e acabou recebendo de Deus: primeiro: força para trabalhar e sofrer muito; segundo: não sair deste mundo como superior de uma comunidade; e terceiro: morrer desprezado e escarnecido pelos homens.

Pregador, místico, escritor e poeta, esse grande santo da Igreja faleceu após uma penosíssima enfermidade, em 1591, com 49 anos de idade. Foi canonizado no ano de 1726 e, em 1926, o Papa Pio XI o declarou Doutor da Igreja. Escreveu obras bem conhecidas como: Subida do Monte Carmelo; Noite escura da alma (estas duas fazem parte de um todo, que ficou inacabado); Cântico espiritual e Chama viva de amor. No decurso delas, o itinerário que a alma percorre é claro e certeiro. Negação e purificação das suas desordens sob todos os aspectos.

São João da Cruz é o Doutor Místico por antonomásia, da Igreja, o representante principal da sua mística no mundo, a figura mais ilustre da cultura espanhola e uma das principais da cultura universal. Foi adotado como Patrono da Rádio, pois, quando pregava, a sua voz chegava muito longe.

São João da Cruz, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

O Filho do Homem há de padecer… (Mt 17, 10-13)

 

          Este Evangelho deixa claro que Jesus Cristo não foi surpreendido por sua Paixão. Sabia muito bem o que esperava por ele. Sua Paixão e Morte não foram acidentes de percurso. Afinal, o martírio de João Batista, como recusa de sua mensagem profética, já alertara a Jesus acerca de seu próprio fim.

 

          Nos Evangelhos, Jesus anuncia por três vezes que a cruz estava à sua espera… Em uma delas, o Mestre teve de repreender asperamente a Simão Pedro, que se manifestava contrário a tal rebaixamento, assumindo o papel de Satã, o adversário. Não foi com passiva resignação que Cristo carregou sua cruz, mas abraçou-a com uma atitude ativa e amorosa, pois sabia dos frutos de salvação que brotariam da rocha do Calvário.

 

          Por isso mesmo, é fundamental para nós que os sofrimentos de Cristo sejam traduzidos como sinal de seu amor por nós, sem nada que lembre masoquismo ou inútil flagelação. Mais que infamante instrumento de tortura, a Cruz sinaliza que Deus nos ama com amor sem limites.

 

        Talvez ajude a leitura de meu soneto “Exclamações”:

 

Pensar que meus pecados e meu crime

Transpassaram no Gólgota os teus braços!

E mesmo tropeçando, os membros lassos,

Carregas tua Cruz que me redime!

 

          Pensar que teu Amor jamais se exime

          Da culpa semeada por meus passos!…

          E contemplando a dor de meus fracassos,

          Levas também o fardo que me oprime!…

 

Pensar que és a Vítima inocente,

O Cordeiro que morre pela gente

Para que a Vida, em nós, supere a Morte!…

 

          Pensar que, na amplidão do céu sem brilho,

          O Pai entrega à morte o próprio Filho!…

          Onde encontrar, Jesus, amor tão forte?!

 

Orai sem cessar: “O Senhor me esconde no segredo de sua tenda

                              e me levanta sobre um rochedo.” (Sl 27, 5b)

18ª Semana do Tempo Comum