14 de Março de 2019

1ª Semana do Quaresma - Quinta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUINTA FEIRA – I SEMANA DA QUARESMA

(Roxo, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Ouvi, Senhor, minha oração, compreendei o meu lamento. Atendei à voz de meu apelo, ó meu rei e meu Deus! (Sl 5,2).

 

Oração do dia

 

– Dai-nos, ó Deus, pensar sempre o que é reto e realizá-lo com solicitude. E, como só podemos existir em vós, fazei-nos viver segundo a vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Es 4,17

 

– Leitura do livro de Ester: Naqueles dias, 17na rainha Ester, temendo o perigo de morte que se aproximava, buscou refúgio no Senhor. 17pProstrou-se por terra desde a manhã até o anoitecer, juntamente com suas servas, e disse: 17q“Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó, tu és bendito. Vem em meu socorro, pois estou só e não tenho outro defensor fora de ti, Senhor, 17rpois eu mesma me expus ao perigo. 17ªa Senhor, eu ouvi, dos livros de meus antepassados, que tu libertas, Senhor, até o fim, todos os que te são caros.
17bb Agora, pois, ajuda-me, a mim que estou sozinha e não tenho mais ninguém senão a ti, Senhor meu Deus. 17gg Vem, pois, em auxílio de minha orfandade. Põe em meus lábios um discurso atraente, quando eu estiver diante do leão, e muda o seu coração para que odeie aquele que nos ataca, para que este pereça com todos os seus cúmplices. 17hh E livra-nos da mão de nossos inimigos. Transforma nosso luto em alegria e nossas dores em bem-estar”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 138,1-2a.2bc-3.7c-8 (R:3a)

 

– Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!
R: Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!

– Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me.

R: Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!

– Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma.

R: Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!

– Estendereis o vosso braço em meu auxílio e havereis de me salvar com vossa destra. Completai em mim a obra começada; ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos!

R: Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!
 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 7,7-12

 

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

 

– Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo a alegria de ser salvo! (Sl 50,12.14).

 

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!  

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! 8Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate a porta será aberta.
9Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? 10Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? 11Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santa Matilde

- por Padre Alexandre Fernandes

Santa Matilde, mulher cheia de compaixão que dentro das possibilidades ajudou a muitos

Santa Matilde foi educada numa nobre família junto a um mosteiro beneditino. Cresceu e casou-se com Henrique I, rei da Alemanha, mas manteve sua nobreza interior, não deixando influenciar-se pelo poder. Teve cinco filhos, e sempre como mãe humilde e orante, buscou ensinar aos filhos os caminhos da salvação eterna.

Matilde também foi mãe para o povo, para os pobres. Mulher cheia de compaixão que dentro das possibilidades ajudou e influenciou a muitos.

Com o falecimento de Henrique I, essa grande mulher de Deus disse aos filhos: “Gravai bem no vosso coração o temor de Deus. Ele é o Rei e Senhor verdadeiro, que dá poder e dignidade perecíveis. Feliz aquele que prepara sua eterna salvação”.

Com a morte do marido, o seu calvário começou: foi traída pelos filhos, sob a falsa acusação de que estaria desperdiçando os bens com os pobres. Retirou-se para um convento e ali intercedeu pelos seus amados filhos, através da oração e sacrifícios.

Seus filhos então, tomaram consciência da injustiça que estavam cometendo. Com a conversão deles, teve mais facilidade para ajudar a muitos outros pobres. Em 968 partiu para o Reino dos céus, o Reino dos santos.

Santa Matilde, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Se ele pedir um pão… (Mt 7,7-12)

 

            Admirável a pedagogia do Mestre de Nazaré! Notável a sua didática! Ensina de modo claro, simples, utilizando situações e figuras do dia-a-dia da Palestina. Exatamente aquele meio onde se come pão feito no quintal, no forno de pedra; onde a falta de carne é suprida com os ovos e com os peixes de Genesaré.

 

            E Jesus quer mostrar o insuperável amor de Deus por seu povo. Para isso, ele recorre à situação familiar, quando o pai é o encarregado de alimentar os filhos. Com um tríplice contraste, o Rabi vai argumentar pela via do absurdo: pedras em lugar de pão, serpente em lugar de peixe, escorpião em lugar do ovo.

 

            Não é fortuita a escolha dessas imagens. Há entre elas uma relação de semelhança, como bem acentuou Joachim Jeremias em um comentário. O pão caseiro da Palestina, onde não havia padarias como as nossas, é do tipo “pão sírio”, de forma achatada como um disco. Exatamente no formato das pedras da região. No Mar da Galileia, havia muitos peixes de morfologia anguiforme (com o desenho de enguias), em tudo semelhantes a serpentes. E o escorpião do deserto vivia dentro de uma espécie de casulo: branco e ovoide, com a aparência de um ovo.

 

            Ora, nada mais fácil que trapacear com uma criança pequena e, iludindo-a com as aparências, dar-lhe uma pedra em vez de pão. A cobra em lugar do peixe. O lacrau em lugar do ovo. Em sua lição magistral, Jesus acentua o contraste: o pão é macio, quente, orgânico; a pedra é dura, fria, inorgânica. O peixe é manso, indefeso; a serpente é agressiva, venenosa. O ovo traz em sua gema o germe da vida; o escorpião traz em sua cauda o veneno da morte.

 

            É a hora de Jesus dar uma laçada e concluir a lição: “Vocês fariam isso? Enganariam assim aos seus filhos? Dariam pedra por pão? Cobras por peixes? Morte por vida? Ora, se vocês – que são maus – sabem dar boas coisas a seus filhos, quanto mais o Pai do céu – que é bom! – dará a seus filhos muitas coisas boas…”

 

            A síntese devia ser óbvia: “Pedi e recebereis!” Quem pede, recebe. Batendo à porta, ela se abrirá. Vocês não rezam a um deus cruel. Não pedem esmolas a um feitor indiferente. Não precisam arrancar os dons do céu a golpes de aríete. É a um Pai que você se dirigem quando rezam. Ele sabe de que vocês necessitam. Não deixará que lhes falte o essencial à vida…

 

            Rezo como filho? Como mendigo? Como réu?

 

Orai sem cessar: “De teus filhos farás príncipes sobre a terra!” (Sl 45,17)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

29ª Semana do Tempo Comum

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