14 de Novembro de 2019

32ª semana comum Quinta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUINTA FEIRA DA XXXII SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, ofíco do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Chegue até vós a minha súplica; inclinai vosso ouvido à minha prece (Sl 87,3).

 

Oração do dia

 

– Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Sb 7,22-8,1

 

– Leitura do livro da Sabedoria: 7,22Na Sabedoria há um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, perspicaz, imaculado, lúcido, invulnerável, amante do bem, penetrante, 23desimpedido, benfazejo, amigo dos homens, constante, seguro, sem inquietação, que tudo pode, que tudo supervisiona, que penetra todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais sutis. 24Pois a Sabedoria é mais ágil que qualquer movimento, e atravessa e penetra tudo por causa da sua pureza. 25Ela é um sopro do poder de Deus, uma emanação pura da glória do todo-poderoso; por isso, nada de impuro pode introduzir-se nela: 26ela é um reflexo da luz eterna, espelho sem mancha da atividade de Deus e imagem da sua bondade. 27Sendo única, tudo pode; permanecendo imutável, renova tudo; e comunicando-se às almas santas de geração em geração, forma os amigos de Deus e os profetas. 28Pois Deus ama tão-somente aquele que vive com a Sabedoria. 29De fato, ela é mais bela que o sol e supera todas as constelações; comparada à luz, ela tem a primazia: 30pois a luz cede lugar à noite, ao passo que, contra a Sabedoria, o mal não prevalece. 8,1Ela se estende com vigor de uma extremidade à outra da terra e com suavidade governa todas as coisas.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 119,89.90.91.130.135.175 (R: 89a)

 

– É eterna, ó Senhor, vossa palavra!
R: É eterna, ó Senhor, vossa palavra!

– É eterna, ó Senhor, vossa palavra, ela é tão firme e estável quanto o céu.

R: É eterna, ó Senhor, vossa palavra!

– De geração em geração, vossa verdade permanece como a terra que firmastes.

R: É eterna, ó Senhor, vossa palavra!

– Porque mandastes, tudo existe até agora; todas as coisas, ó Senhor, vos obedecem!

R: É eterna, ó Senhor, vossa palavra!

– Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina, ela dá sabedoria aos pequeninos.

R: É eterna, ó Senhor, vossa palavra!

– Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo, e ensinai-me vossas leis e mandamentos!

R: É eterna, ó Senhor, vossa palavra!

– Possa eu viver e para sempre vos louvar; e que me ajudem, ó Senhor, vossos conselhos!

R: É eterna, ó Senhor, vossa palavra!
 

 Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Eu sou a videira e vós sois os ramos; um fruto abundante vós haveis de dar (Jo 15,5).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 17,20-25

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 20os fariseus perguntaram a Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem ostensivamente. 21Nem se poderá dizer: ‘Está aqui’ ou ‘Está ali’, porque o Reino de Deus está entre vós”. 22E Jesus disse aos discípulos: “Dias virão em que desejareis ver um só dia do Filho do Homem e não podereis ver. 23As pessoas vos dirão: ‘Ele está ali’ ou ‘Ele está aqui’. Não deveis ir, nem correr atrás. 24Pois, como o relâmpago brilha de um lado até o outro do céu, assim também será o Filho do Homem, no seu dia. 25Antes, porém, ele deverá sofrer muito e ser rejeitado por esta geração”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São José Pignatelli

- por Padre Alexandre Fernandes

São José Pignatelli, dedicou-se ao ensino das letras e, com grande fruto, aos ministérios apostólicos

José Pignatelli nasceu em 1737 em Saragoça, do ramo espanhol de uma nobilíssima família do reino de Nápoles. Perdendo a mãe aos cinco anos, veio para esta cidade onde recebeu, de uma irmã, ótima educação católica. Voltando para Espanha, aos quinze anos entrou na Companhia de Jesus. Feito o Noviciado e emitidos depois os primeiros votos em Tarragona, aplicou-se aos estudos, primeiro em Manresa e depois nos colégios de Bilbau e de Saragoça.

Ordenado sacerdote, dedicou-se ao ensino das letras e, com grande fruto, aos ministérios apostólicos. Levantou-se, porém, uma grande perseguição contra a Companhia de Jesus e ele figurou entre os jesuítas que foram expulsos da Espanha para a Córsega.

Entre adversidades, mostrou o Padre Pignatelli grande fortaleza e constância; foi por isso nomeado Provincial de todos esses exilados. E recomendaram-lhe especial cuidado pelos mais jovens, o que ele praticou com grande zelo. Da Córsega foi obrigado a transferir-se, com os outros, para várias regiões, vindo finalmente a fixar-se em Ferrara (Itália), onde fez a profissão solene de quatro votos.

Pouco depois, sendo a Companhia de Jesus dissolvida por Clemente XIV, em 1773, Padre Pignatelli deu exemplo extraordinário de perfeita obediência à Sé Apostólica como também de intenso amor para com a Companhia de Jesus. Indo para Bolonha e, estando proibido de exercer o ministério apostólico com as almas, durante quase vinte e cinco anos entregou-se totalmente ao estudo, reunindo uma biblioteca de valor, dando-se principalmente a obras de caridade para com os antigos membros da suprimida Companhia.

Logo, porém, que lhe foi possível, pediu para ser recebido na Família Inaciana existente na Rússia, onde reinava Catarina, que sendo cismática não aceitara a supressão vinda de Roma. Os jesuítas da Rússia ligaram-se a bom número de ex-jesuítas italianos, e Padre Pignatelli uniu-se a todos eles, tendo-lhe sido permitido renovar a profissão solene. Com licença do Papa Pio VI, foi construída uma casa para noviços no ducado de Parma, onde o Padre Pignatelli foi reitor. Em 1804, Pio VII restaurou a Companhia de Jesus no reino de Nápoles, e o Padre Pignatelli vem a ser Provincial. Mas o exército francês aparece e dispersa este grupo de jesuítas.

Em 1806, transfere-se para Roma onde é muito bem recebido pelo Sumo Pontífice. Os franceses, que estão a ocupar Roma, toleram-no. No silêncio, Padre Pignatelli vai preparando o renascimento da sua Companhia. Este fato ocorre em 1814, com o citado Papa beneditino Pio VII. Mas o Padre Pignatelli já tinha morrido em 1811, com setenta e quatro anos. O funeral decorreu quase secretamente.

Foi beatificado por Pio XI em 1933, que chamou o santo de “o principal anel da cadeia entre a Companhia que existira e a Companhia que ia existir,… o restaurador dos Jesuítas”.

Profundo devoto do Sagrado Coração de Jesus e da Virgem Santíssima, homem adorador (passava noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento), São José Pignatelli foi canonizado em 1954 pelo Papa Pio XII.

São José Pignatelli, rogai por nós!

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

O Reino está dentro de vós… (Lc 17,20-25)

 

            No mundo capitalista, a ação humana tem sido superestimada. As pessoas costumam ser valorizadas por aquilo que fazem. Mesmo a missão pastoral da Igreja, cujo fim último devia ser encaminhar os homens para Deus, muitas vezes tem sido confundida com “atividades”. Nesta linha de pensamento, oração e contemplação, meditação e escuta de Deus seriam sintomas de “intimismo”, ou seja, uma forma ligeira de “perder tempo”, quando há tanta coisa a fazer lá fora…

 

            Ora, a história recente mostra que a simples ação humana, sem o sopro interior do Espírito, não só é incapaz de aperfeiçoar a sociedade, mas acaba por levar os agentes de pastoral ao stress, ao desânimo e à busca de compensações nada evangélicas… Transpiração sem inspiração, isto sim, é perda de tempo!

 

            Ao afirmar aos fariseus que o Reino de Deus está dentro da pessoa humana, Jesus ensina que uma voz interior está sempre a dialogar conosco. Há uma “presença” divina no coração humano. A voz da consciência alerta para a responsabilidade moral, as inspirações apontam o caminho, aquela fonte silenciosa brota em momentos especiais: eis alguns sinais dessa presença.

 

            Lendo a vida dos santos, nós os vemos sintonizados na emissora do Espírito Santo. Trata-se de uma sintonia fina lhes permitia perceber sua vocação e missão, fortalecendo-os diante dos obstáculos que o maligno ergue habitualmente contra a obra de Deus. Uma sintonia obtida exatamente por meio daqueles procedimentos que a crítica moderninha chama de perda de tempo: escuta e oração, meditação da Palavra de Deus, intimidade com Jesus nos sacramentos.

 

            Depois disto, alimentados e iluminados, aí, sim, saíam na direção do pobre e do descrente, do faminto e do desesperado, levando o amor que haviam haurido no deserto com Deus. Apesar de suas fragilidades humanas, temores e inseguranças, limitações intelectuais e psíquicas, esses homens e mulheres eram “portadores de Deus”: levavam o Reino em seu interior. E era essa a mensagem que transformava a vida das pessoas que atravessavam o seu caminho.

 

            Fazer a leitura dos corações (como Pe. Pio de Pietrelcina), curar os doentes (como Pe. Emiliano Tardiff), atrair os jovens (como Pe. Jonas Abib), encontrar Jesus nos mendigos (como Madre Teresa) – nada disto estará ao nosso alcance sem a vida interior, alimentada de silêncio e oração.

 

            Estou atento a Deus que fala em meu interior?

 

Orai sem cessar: “Que o Pai abra o vosso coração à sua luz!” (Ef 1,18)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum