15 de Abril de 2020

1a Semana da Páscoa Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA – OITAVA DA PÁSCOA

(Branco, glória pref. dá Páscoa I, ofício próprio)

 

Antífona da entrada

 

– Vinde benditos de meu Pai: tomai posse do reino preparado para vós desde o princípio do mundo, aleluia!  (Mt 25,34).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que nos alegrai todos os anos com a solenidade da ressurreição do Senhor, concedei-nos, pelas festas que celebramos nesta vida, chegar às eternas alegrias. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: At 3,1-10

 

– Leitura dos Atos dos Apóstolos: Naqueles dias, 1Pedro e João subiram ao templo para a oração das três horas da tarde. 2Então trouxeram um homem, coxo de nascença, que costumavam colocar todos os dias na porta do Templo, chamada Formosa, a fim de que pedisse esmolas aos que entravam.
3Quando viu Pedro e João entrando no Templo, o homem pediu uma esmola. 4Os dois olharam bem para ele e Pedro disse: “Olha para nós!” 5O homem fitou neles o olhar, esperando receber alguma coisa. 6Pedro então lhe disse: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” 7E pegando-lhe a mão direita, Pedro o levantou. Na mesma hora, os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes. 8Então ele deu um pulo, ficou de pé e começou a andar. E entrou no Templo junto com Pedro e João, andando, pulando e louvando a Deus. 9O povo todo viu o homem andando e louvando a Deus. 10E reconheceram que era ele o mesmo que pedia esmolas, sentado na porta Formosa do Templo. E ficaram admirados e espantados com o que havia acontecido com ele.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 105,1-2.3-4.6-7.8-9 (R: 3b)

 

– Exulte o coração dos que buscam o Senhor.
R: Exulte o coração dos que buscam o Senhor.

– Dai graças ao Senhor, gritai seu nome, anunciai entre as nações seus grandes feitos! Cantai, entoai salmos para ele, publicai todas as suas maravilhas!

R: Exulte o coração dos que buscam o Senhor.

– Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus! Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face!

R: Exulte o coração dos que buscam o Senhor.

– Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra.

R: Exulte o coração dos que buscam o Senhor.

– Ele sempre se recorda da Aliança, promulgada a incontáveis gerações; da Aliança que ele fez com Abraão, e do seu santo juramento a Isaac.

R: Exulte o coração dos que buscam o Senhor.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!

(Sl 117,24)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 24,13-35

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!  

 

13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. 15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16Os discípulos, porém, estavam como cegos, e não o reconheceram. 17Então Jesus perguntou: “Que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias? 19Ele perguntou: “Que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” 27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” 35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Crescente

- por Padre Alexandre Fernandes

Nasceu em Mira, na Ásia Menor. Crescente chorou muitas vezes quando percebeu pessoas que se entregando a religiões politeístas, de muitas divindades, longe daquele que é o único Senhor e Salvador: Jesus Cristo.

Seu esforço era o de levar a sua experiência. Primeiro, através de uma oração de intercessão constante pela conversão de todos.

Certa vez, numa festa pagã aos deuses, ele se fez presente e movido pelo Espírito Santo, começou a evangelizar. Inimigos da fé cristã o levaram a um juiz, que propôs que ele “apenas” expressasse exteriormente o culto às divindades pagãs, com o objetivo de preservar sua vida.

Crescente desprezou a proposta, e foi martirizado por não negar a Jesus Cristo.

São Crescente, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

TEMPOPASCAL.OITAVA DAPÁSCOA.QUARTA-FEIRA

50. DEIXAR-SE AJUDAR

– No caminho de Emaús. Jesus vive e está ao nosso lado.

– Cristo nunca abandona os que são seus; que nós não o abandonemos. A virtude da fidelidade. Ser fiéis nas pequenas coisas.

– A virtude da fidelidade deve impregnar todas as manifestações da vida do cristão.

I. O EVANGELHO DA MISSA relata-nos outra aparição de Jesus na própria tarde do dia da Páscoa.

Dois discípulos regressam à sua aldeia, Emaús, profundamente desanimados porque Cristo, em quem haviam posto todo o sentido das suas vidas, tinha morrido. O Senhor, como se também Ele estivesse a caminho, alcança-os e junta-se a eles sem ser reconhecido1. A conversa tem um tom entrecortado, como quando se fala enquanto se caminha.

Contam a Jesus o que os preocupa: os acontecimentos ocorridos em Jerusalém na tarde da sexta-feira, que tinham culminado com a morte de Jesus de Nazaré. A crucifixão do Senhor fora uma grave prova para as esperanças de todos aqueles que se consideravam seus discípulos e que, num grau ou noutro, tinham depositado nEle a sua confiança. Tudo se tinha passado com grande rapidez, e ainda estavam muito abalados com o que tinham visto.

A conversa que mantêm com o Senhor revela a imensa tristeza, a desesperança e o desconcerto de que estavam possuídos: Nós esperávamos que fosse ele quem haveria de restaurar Israel, dizem. Falam de Jesus como de uma realidade passada: […]Jesus de Nazaré, que era um profeta poderoso…

“Reparai no contraste. Dizem era!… E, no entanto, têm-no ao seu lado, caminha com eles, está na sua companhia perguntando-lhes pela razão, pelas raízes íntimas da sua tristeza! «Era»… dizem eles. Nós, se fizéssemos um exame sincero e detido da nossa tristeza, dos nossos desalentos, dos nossos altos e baixos, compreenderíamos que estamos incluídos nessa passagem do Evangelho. Verificaríamos que dizemos espontaneamente: «Jesus foi…», «Jesus disse…», porque esquecemos que, como no caminho de Emaús, Jesus está vivo e ao nosso lado agora mesmo. Esta redescoberta aviva a fé, ressuscita a esperança, mostra-nos Cristo como uma felicidade presente: Jesus é, Jesus prefere, Jesus diz, Jesus manda, agora, agora mesmo”2. Jesus vive.

Os dois discípulos sabiam da promessa de Cristo sobre a sua Ressurreição ao terceiro dia, e naquela mesma manhã tinham ouvido as santas mulheres dizer que tinham visto o sepulcro vazio e os anjos; não lhes faltavam luzes suficientes para alimentar a sua fé e a sua esperança. Não obstante, falam de Cristo como de um fato passado, como de uma ocasião perdida. São a imagem viva do desalento. As suas inteligências estão mergulhadas na escuridão e os seus corações embotados.

E é o próprio Cristo – a quem a princípio não reconhecem, mas cuja companhia e conversa acolhem – quem lhes interpreta aqueles acontecimentos à luz das Escrituras. Com toda a paciência, o Senhor devolve-lhes a fé e a esperança. E, com a fé e a esperança, os dois recuperam a alegria e o amor: Não é verdade que o nosso coração se abrasava enquanto ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?3

É possível que nós também mergulhemos alguma vez no desalento e na falta de esperança, ao vermos os defeitos que não acabamos de vencer, as dificuldades na ação apostólica ou no trabalho, que nos parecem insuperáveis… Nessas ocasiões, se nos deixarmos ajudar, Jesus não permitirá que nos afastemos dEle. Talvez seja na direção espiritual, ao abrirmos a alma com sinceridade, que vejamos novamente o Senhor. E com Ele chegam sempre a alegria e os desejos de recomeçar quanto antes: Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém. Mas é necessário que nos deixemos ajudar, que estejamos dispostos a ser dóceis aos conselhos que recebemos.

II. A ESPERANÇA É A VIRTUDE do caminhante, daquele que, como nós, ainda não chegou à meta, mas sabe que sempre terá ao seu alcance os meios necessários para ser fiel ao Senhor e perseverar na vocação a que foi chamado, no cumprimento dos seus deveres. Mas temos que estar atentos a Cristo, que se aproxima de nós no meio das nossas ocupações, e “agarrar-nos a essa mão forte que Deus nos estende sem cessar, a fim de não perdermos o «ponto de mira» sobrenatural, mesmo quando as paixões se levantam e nos acometem, para nos aferrolharem no reduto mesquinho do nosso eu, ou quando – com vaidade pueril – nos sentimos o centro do universo. Eu vivo persuadido de que, sem olhar para cima, sem Jesus, nunca conseguirei nada; e sei que a minha fortaleza, para me vencer e para vencer, nasce de repetir aquele grito: Tudo posso nAquele que me conforta (Phil IV, 13), que encerra a promessa segura que Deus nos faz de não abandonar os seus filhos, se os seus filhos não o abandonam”4.

Ao longo do Evangelho, o Senhor fala-nos com freqüência de fidelidade: aponta-nos o exemplo do servo fiel e prudente, do criado bom e leal nas menores coisas, do administrador fiel, etc. A idéia da fidelidade está tão enraizada no cristão que bastará o título de “fiéis” para designar os discípulos de Cristo5.

À perseverança opõe-se a inconstância, que incita a desistir facilmente da prática do bem ou do caminho empreendido, quando surgem as dificuldades e as tentações. Opõe-se também, e em primeiríssimo lugar, a soberba, que vai minando os próprios alicerces da fidelidade e debilita a vontade na luta contra os obstáculos; sem humildade, a perseverança torna-se frágil e quebradiça. Opõe-se ainda o meio ambiente, a conduta de pessoas que deveriam ser exemplares e não o são, e, por isso mesmo, parecem querer dar a entender que a fidelidade não é um valor fundamental da pessoa.

Os obstáculos à lealdade aos compromissos adquiridos podem, enfim, ter a sua origem no descuido habitual dos pormenores. O próprio Senhor nos disse: Aquele que for fiel nas pequenas coisas também o será nas grandes6. O cristão que não se desleixa nos pequenos deveres em que se desdobra o seu trabalho profissional, que luta por manter-se na presença de Deus durante a jornada, que guarda com naturalidade os sentidos; o marido que é leal à sua esposa nos pequenos incidentes da vida diária; o estudante que prepara as suas aulas todas os dias…, esses estão a caminho de ser fiéis quando os seus compromissos lhes reclamarem um autêntico heroísmo.

A fidelidade até o fim da vida exige que se saiba recomeçar quando por fragilidade tenha havido algum tropeço, que se persevere no esforço ao longo da vida, ainda que não faltem momentos isolados de covardia ou derrota. A chamada de Cristo exige uma persistência firme e “teimosa”, buscada numa compreensão sempre mais profunda da grandeza e das exigências do caminho que Deus traçou para cada homem.

III. A VIRTUDE DA FIDELIDADE deve estar presente em todas as manifestações da vida do cristão: nas relações com Deus, com a Igreja e com o próximo, no trabalho, nos deveres de estado e de cada um consigo próprio. Acima de tudo, o homem vive a fidelidade em todas as suas formas quando é fiel à sua vocação, e é da sua fidelidade ao Senhor que se deduz – e a ela se reduz – a fidelidade a todos os seus compromissos verdadeiros. Fracassar, pois, na vocação que Deus quis para nós é fracassar em tudo. Quando se quebra a fidelidade ao Senhor, tudo se desconjunta e desmorona. Se bem que, na sua misericórdia, Deus pode recompor tudo, se o homem assim lhe pede humildemente.

Não esqueçamos que é o próprio Deus quem sustenta constantemente a nossa fidelidade, e que Ele conta sempre com a fragilidade da natureza humana, com os seus defeitos e erros. O Senhor está disposto a dar-nos as graças necessárias, como àqueles dois de Emaús, para que continuemos sempre a caminhar, se houver em nós sinceridade de vida e desejos de luta. E diante do aparente fracasso de muitas das nossas tentativas, devemos lembrar-nos de que Deus, mais do que o “êxito”, o que olha com olhos amorosos é o esforço perseverante na luta.

Deste modo, se nos esmerarmos com a ajuda de Deus em ser-lhe fiéis nas constantes batalhas de cada dia, conseguiremos ouvir no fim da nossa vida, com imensa alegria, aquelas palavras do Senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei o muito. Vem regozijar-te com o teu Senhor7.

Ao terminarmos a nossa oração, dizemos ao Senhor com os discípulos de Emaús: Fica conosco, porque já é tarde e o dia declinou. Fica conosco, Senhor, porque, sem Ti, tudo é escuridão e a nossa vida carece de sentido. Sem Ti, andamos desorientados e perdidos. E contigo, tudo tem um sentido novo; até a própria morte é uma realidade radicalmente diferente. Mane nobiscum, quoniam advesperascit et inclinata est iam dies. Fica conosco, Senhor…, lembra-nos sempre as coisas essenciais da nossa existência, ajuda-nos a ser fiéis e a saber escutar com atenção o conselho sábio das pessoas em quem Tu te fazes presente no nosso contínuo caminhar para Ti.

“«Fica conosco, porque escureceu…» Foi eficaz a oração de Cléofas e do seu companheiro. – Que pena se tu e eu não soubéssemos «deter» Jesus que passa! Que dor, se não lhe pedimos que fique!”8

14º Domingo do Tempo Comum