15 de Dezembro de 2019

3a semana do Advento Domingo

- por Padre Alexandre Fernandes

III DOMINGO DO ADVENTO
(roxo, ou róseo, creio, pref. do Advento I – III semana do Saltério)

 

Antífona da entrada

 

– Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto (F l4,4).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus de bondade, que vedes o vosso povo esperando fervoroso o Natal do Senhor, dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las sempre, com intenso júbilo, na solene liturgia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 35,1-6.10

– Leitura do livro do profeta Isaías: 1Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. 2Germine e exulte de alegria e louvores. Foi-lhe dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron; seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus. 3Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. 4Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. 5Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. 6aO coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos. 10Os que o Senhor salvou voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos; cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 146,7. 8-9 a.9bc-10 (R: Is 35,4)

 

– Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!
R: Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!

– O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos.

R: Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!

– O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído, o Senhor ama aquele que é justo, é o Senhor que protege o estrangeiro.

R: Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!

– Ele ampara a viúva e o órfão, mas confunde os caminhos dos maus. O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará!

R: Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!

 

2ª Leitura: Tg 5,7-10

– Leitura da carta de são Tiago: Irmãos: 7Ficai firmes até à vinda do Senhor. Vede o agricultor: ele espera o precioso fruto da terra e fica firme até cair a chuva do outono ou da primavera. 8Também vós, ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. 9Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está às portas. 10Irmãos, tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas, que falaram em nome do Senhor.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – O Espírito do Senhor sobre mim fez a sua unção; enviou-me aos empobrecidos a fazer feliz proclamação! (Is 61,1).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 11,2-11

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 2João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, 3para lhe perguntarem: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?4Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: 5os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. 6Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” 7Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões sobre João: “O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis. 9Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. 10É dele que está escrito: ‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti’. 11Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São João da Cruz

- por Padre Alexandre Fernandes

São João da Cruz é conhecido como “doutor místico”

Nasceu em Fontiveros, na Espanha, em 1542. Seus pais, Gonçalo e Catarina, eram pobres tecelões. Gonçalo morreu cedo e a viúva teve de passar por dificuldades enormes para sustentar os três filhos: Francisco, João e Luís, sendo que este último morreu quando ainda era criança. Como João de Yepes (era este o seu nome de batismo) mostrou-se inclinado para os estudos, a mãe o enviou para o Colégio da Doutrina. Em 1551, os padres jesuítas fundaram um colégio em Medina (centro comercial de Castela). Nele, esse grande santo estudou Ciências Humanas.

Com 21 anos, sentiu o chamado à vida religiosa e entrou na Ordem Carmelita, na qual pediu o hábito. Nos tempos livres, gostava de visitar os doentes nos hospitais, servindo-os como enfermeiro. Ocasião em que passou a ser chamado de João de Santa Maria. Devido ao talento e à virtude, rapidamente foi destinado para o colégio de Santo André, pertencente à Ordem, em Salamanca, ao lado da famosa Universidade. Ali estudou Artes e Teologia. Foi nesse colégio nomeado de “prefeito dos estudantes”, o que indica o seu bom aproveitamento e a estima que os demais tinham por ele. Em 1567 foi ordenado sacerdote.

Desejando uma disciplina mais rígida, São João da Cruz quase saiu da Ordem para ir ingressar na Ordem dos Cartuxos, mas, felizmente, encontrou-se com a reformadora dos Carmelos, Santa Teresa D’Ávila, a qual havia recebido autorização para a reforma dos conventos masculinos. João, empenhado na reforma, conheceu o sofrimento, as perseguições e tantas outras resistências. Chegou a ficar nove meses preso num convento em Toledo, até que conseguiu fugir. Dessa forma, o santo espanhol transformou, em Deus e por Deus, todas as cruzes num meio de santificação para si e para os irmãos. Três coisas pediu e acabou recebendo de Deus: primeiro: força para trabalhar e sofrer muito; segundo: não sair deste mundo como superior de uma comunidade; e terceiro: morrer desprezado e escarnecido pelos homens.

Pregador, místico, escritor e poeta, esse grande santo da Igreja faleceu após uma penosíssima enfermidade, em 1591, com 49 anos de idade. Foi canonizado no ano de 1726 e, em 1926, o Papa Pio XI o declarou Doutor da Igreja. Escreveu obras bem conhecidas como: Subida do Monte Carmelo; Noite escura da alma (estas duas fazem parte de um todo, que ficou inacabado); Cântico espiritual e Chama viva de amor. No decurso delas, o itinerário que a alma percorre é claro e certeiro. Negação e purificação das suas desordens sob todos os aspectos.

São João da Cruz é o Doutor Místico por antonomásia, da Igreja, o representante principal da sua mística no mundo, a figura mais ilustre da cultura espanhola e uma das principais da cultura universal. Foi adotado como Patrono da Rádio, pois, quando pregava, a sua voz chegava muito longe.

São João da Cruz, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Devemos esperar por outro? (Mt 11,2-11)

 

            Toda a vida de João, o Batizador, encontrava seu sentido em uma missão única na história: apontar para o Messias esperado. E não era uma expectativa qualquer, mas traduzia séculos de esperança que o povo escolhido havia alimentado ao longo de séculos, apesar de todas as dificuldades, perseguições e intempéries da sua história.

 

            De fato, ele já o fizera às margens do Jordão, ao apontar para Jesus de Nazaré e defini-lo: “Eis o cordeiro de Deus! Eis aquele que tira o pecado do mundo!” (Jo 1,29) Agora, já na prisão, de onde só iria sair morto, João Batista envia seus discípulos até Jesus com uma pergunta essencial: “És tu aquele que há de vir?” Ele se referia evidentemente ao Messias esperado. E acrescentou uma alternativa: “Ou devemos esperar por outro?”

 

            Esta pergunta permanece atual, viva e pulsante, para cada homem e mulher do século XXI. Jesus Cristo nos basta? Ou, insatisfeitos, decidimos esperar por outra via de salvação?

 

            Hébert Roux repete a interrogação: “Jesus é verdadeiramente o Cristo, ‘aquele que há de vir’? Toda a obra de Deus está realmente cumprida nele? Não existe mesmo um lugar ao lado dele, depois dele, para outra coisa? Tudo já está dito apenas com este único ‘nome’ e a vinda do Reino dos céus não deve suscitar em nós uma outra expectativa que não seja a única fé neste nome? Não se pode prever uma ação, uma intervenção de Deus mais evidente, mais atual, mais decisiva, de modo que não seja absolutamente necessário aceitar de imediato e sem reservas a sua exclusiva e total exigência?”

 

            Muitas perguntas com uma só resposta: Jesus Cristo basta. Nele, cheio do Espírito, o Pai apostou todas as suas fichas e fez dele “o Caminho”, “a Porta”, “o Pastor”, o Senhor e Salvador.

 

            Acredito, pessoalmente, que João sabia disso, mas enviou seus discípulos com tal pergunta movido por uma intenção claramente pedagógica: na iminência da própria morte, era esta a sua maneira de passar seus discípulos para Jesus. Antes de fazer a pergunta, eles haviam passado o dia ao lado de Jesus e foram testemunhas oculares dos sinais messiânicos: a cura de cegos e paralíticos, a sanidade dos leprosos, e a Boa Nova anunciada aos pobres (cf. Lc 7,22).

 

            Jesus Cristo nos basta? Ou vamos trocá-lo por algum outro “iluminado”?

 

Orai sem cessar: “Em nenhum outro Nome há salvação…” (At 4,12)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

13ª Semana do Tempo Comum