15 de Fevereiro de 2020

5a Semana Comum Sábado

- por Padre Alexandre Fernandes

SABADO – V SEMANA COMUM

 (cor verde – oficio do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6).

 

Oração do dia

 

– Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1Rs 12,26-32; 13,33-34

 

– Leitura do primeiro livro dos Reis: Naqueles dias, 26Jeroboão refletiu consigo mesmo: ‘Como estão as coisas, o reino vai voltar à casa de Davi. 27Se este povo continuar a subir ao templo do Senhor em Jerusalém, para oferecer sacrifícios, seu coração se voltará para o seu soberano Roboão, rei de Judá; eles me matarão e se voltarão para Roboão, rei de Judá”. 28Depois de ter refletido bem, o rei fez dois bezerros de ouro e disse ao povo: “Não subais mais a Jerusalém! Eis aqui, Israel, os deuses que te tiraram da terra do Egito”. 29Colocou um bezerro em Betel e outro em Dã. 30Isto foi ocasião de pecado, pois o povo ia em procissão até Dã para adorar um dos bezerros. 31Jeroboão construiu também templos sobre lugares altos, e designou como sacerdotes homens tirados do povo, que não eram filhos de Levi. 32E instituiu uma festa no dia quinze do oitavo mês, à semelhança da que era celebrada em Judá. E subiu ao altar. Fez a mesma coisa em Betel, para sacrificar aos bezerros que havia feito. E estabeleceu em Betel sacerdotes nos santuários que tinha construído nos lugares altos. 13,33Depois disso, Jeroboão não abandonou o seu mau caminho, mas continuou a tomar homens do meio do povo e a constituí-los sacerdotes dos santuários dos lugares altos. Todo aquele que queria era consagrado e se tornava sacerdote dos lugares altos. 34Esse modo de proceder fez cair em pecado a casa de Jeroboão e provocou a sua ruína e o seu extermínio da face da terra.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 106, 6-7a.19-20.21-22 (R: 4a)

 

– Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos; segundo o amor que demonstrais ao vosso povo.
R: Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos; segundo o amor que demonstrais ao vosso povo.

– Pecamos como outrora nossos pais, praticamos a maldade e fomos ímpios; no Egito nossos pais não se importaram com os vossos admiráveis grandes feitos.

R: Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos; segundo o amor que demonstrais ao vosso povo.

– Construíram um bezerro no Horeb e adoraram uma estátua de metal; eles trocaram o seu Deus, que é sua glória, pela imagem de um boi que come feno.

R: Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos; segundo o amor que demonstrais ao vosso povo.

– Esqueceram-se do Deus que os salvara, que fizera maravilhas no Egito; no país de Cam fez tantas obras admiráveis, no Mar Vermelho, tantas coisas assombrosas.

R: Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos; segundo o amor que demonstrais ao vosso povo.

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus (MT 4,4).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 8,1-10

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!

 

 – 1Naqueles dias, havia de novo uma grande multidão e não tinha o que comer. Jesus chamou os discípulos e disse: 2"Tenho compaixão dessa multidão, porque já faz três dias que está comigo e não têm nada para comer. 3Se eu os mandar para casa sem comer, vão desmaiar pelo caminho, porque muitos deles vieram de longe". 4Os discípulos disseram: " onde encontrar pão num deserto? " 5Jesus perguntou-lhes: "Quantos pães tendes?" Eles responderam: "Sete". 6Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. Depois, pegou os sete pães, e deu graças, partiu-os e ia dando aos seus discípulos, para que o distribuíssem. E eles os distribuíram ao povo. 7Tinham também alguns peixinhos. Depois de pronunciar a bênção sobre eles, mandou que os distribuíssem também. 8Comeram e ficaram satisfeitos, e recolheram sete cestos com os pedaços que sobraram. 9Eram quatro mil, mais ou menos. E Jesus os despediu. 10Subindo logo na barca com seus discípulos, Jesus foi para a região de Dalmanuta.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Cláudio de La Colombiere

- por Padre Alexandre Fernandes

Nasceu na França, em 1641. Sua mãe, muito cedo, havia profetizado que seu filho seria um santo religioso. Não que isso o forçou, mas ajudou no seu discernimento. Passado um tempo, ele, pertencente e uma família religiosa, pôde fazer este caminho de seguimento a Cristo e entrou para a Companhia de Jesus. Dado aos estudos, aprofundou-se, lecionou e chegou a superior de um colégio jesuíta.

Mas Deus tinha muitos planos para ele. Ele dizia: “Os planos de Deus nunca se realizam senão à custa de grandes sacrifícios” e pôde experimentar essa realidade. Ao ser o confessor do convento de Nossa Senhora da Visitação, conheceu a humilde e serva do Senhor, Margarida Maria Alacoque, que ia recebendo as promessas do Sagrado Coração de Jesus. Ele a orientou muito e pôde se aprofundar também nesta devoção; amor ao coração de Jesus. Amando o Senhor, pôde estar em comunhão também com o sacrifício e com a dor. Ele mergulhou o seu coração nessa devoção e pôde ajudar a santa, mas, por obediência, teve de ir para Londres onde sofreu incompreensões por parte de cristãos não católicos, ao ponto de calúnias o levarem ao julgamento e à prisão. Só não foi morto por causa da intervenção do rei da França, Luís XIV.

São Cláudio de La Colombiere voltou para o berço da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Com 41 anos, partiu para a glória, como havia profetizado Margarida Maria Alacoque. O seu testemunho nos mostra que é do coração de Jesus que vem a santidade para o nosso coração.

São Cláudio de La Colombiere, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

42. MÃE DE MISERICÓRDIA

– Maria participa em grau eminente da misericórdia divina.

– Saúde dos enfermos. Refúgio dos pecadores.

– Consoladora dos aflitos. Auxílio dos cristãos.

I. UMA GRANDE MULTIDÃO seguia Jesus, e todos estavam tão atentos à sua doutrina que se foram afastando das cidades e aldeias sem terem levado nada que comer. O Senhor chamou então os seus discípulos e disse-lhes: Tenho compaixão da multidão, porque já há três dias que me seguem e não têm o que comer; se eu os despedir em jejum para suas casas, desfalecerão pelo caminho, pois alguns deles vieram de longe1. A compaixão misericordiosa que domina o coração de Jesus levá-lo-á a repetir o extraordinário milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.

Nós devemos recorrer freqüentemente à misericórdia divina, porque da sua compaixão por nós dependem a nossa salvação e a nossa segurança. Esse é o caminho para atrairmos mais prontamente a ajuda de Deus.

Santo Agostinho ensina que a misericórdia é um sentimento que nasce do coração e tem por objeto as misérias alheias, corporais ou espirituais, de tal modo que elas nos doem e entristecem como se fossem próprias, levando-nos a empregar na medida do possível os meios oportunos para tentar aliviá-las2. Esta disposição do coração está em Deus na sua perfeição infinita, e por isso a Sagrada Escritura diz que Deus é rico em misericórdia3 e que “glorifica-o muito mais tirar o bem do mal do que criar do nada algo novo; converter um pecador, dando-lhe a vida da graça, é muito mais do que criar do nada todo o universo físico, o céu e a terra”4.

Jesus Cristo, Deus feito homem, é a plena expressão da misericórdia divina, manifestada de muitas maneiras ao longo da história da salvação. O Senhor entregou-se na Cruz, num ato supremo de Amor misericordioso, e agora exerce esse amor compassivo do Céu e no Sacrário, onde nos espera para que lhe exponhamos todas as nossas necessidades. O nosso Pontífice não é tal que não possa compadecer-se das nossas fraquezas […]. Aproximemo-nos, pois, com toda a confiança do trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para sermos socorridos no tempo oportuno5. Que frutos de santidade não produz na alma a meditação freqüente deste convite divino!

A nossa Mãe Santa Maria alcança-nos continuamente a compaixão do seu Filho e ensina-nos o modo de nos comportarmos em face das necessidades próprias e alheias. Quantas vezes não lhe teremos suplicado, particularmente aos sábados, cantando-lhe ou rezando-lhe como se vem fazendo há séculos: Salve Rainha, Mãe de Misericórdia…

Maria “é aquela que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina. Conhece o seu preço e sabe como é elevado. Neste sentido, chamamo-la Mãe de misericórdia, Nossa Senhora da Misericórdia ou Mãe da divina misericórdia. Em cada um desses títulos encerra-se um profundo significado teológico, porque todos eles exprimem a particular preparação da sua alma, de toda a sua pessoa, que lhe permitiu ver – primeiro, através dos complexos acontecimentos de Israel, e, depois, daqueles que dizem respeito a cada um dos homens e à humanidade inteira – aquela misericórdia da qual todos participamos, segundo o eterno desígnio da Santíssima Trindade, de geração em geração (Lc 1, 50)”6.

Em Maria, a misericórdia une-se à piedade de mãe; Ela nos conduz sempre ao trono da graça. O título de Mãe de Misericórdia, alcançado com o seu fiat – faça-se – em Nazaré e no Calvário, é um dos seus maiores e mais belos nomes. Maria é o nosso consolo e a nossa segurança: “Com o seu amor maternal, cuida dos irmãos do seu Filho que ainda peregrinam e se acham em perigos e ansiedades até que sejam conduzidos à pátria celestial. Por este motivo, a Santíssima Virgem é invocada na Igreja com os títulos de Advogada, Auxiliadora, Socorro, Medianeira”7. Nem um só dia a Virgem deixou de ajudar-nos, de proteger-nos, de interceder pelas nossas necessidades.

II. O TÍTULO DEMãe de Misericórdia expressou-se tradicionalmente através das diversas invocações da ladainha do Rosário: Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos aflitos, Auxílio dos cristãos… “Esta gradação é belíssima. Mostra como Maria exerce a sua misericórdia sobre aqueles que sofrem no corpo para lhes curar a alma, e como depois os consola nas suas aflições e como os torna fortes no meio de todas as dificuldades que têm que enfrentar”8.

Santa Maria espera-nos como Saúde dos enfermos porque obtém a cura do corpo, sobretudo quando esta se ordena para a salvação da alma. Há casos em que nos concede algo mais importante que a saúde corporal: a graça de entendermos que a dor, o mal físico, é instrumento de Deus. Através dessa doença que nos aflige, acolhida com paciência e sentido sobrenatural, conseguimos uma boa parte do tesouro que encontraremos no Céu, assim como abundantes frutos apostólicos: decisões de entrega a Deus e salvação de pessoas que, sem essas graças, não teriam encontrado a porta do Céu. Neste sentido, a Virgem Maria remedeia também as feridas que o pecado original deixou em nossa alma e que os pecados pessoais agravaram: a concupiscência desordenada, a debilidade na prática do bem. Fortalece os que vacilam, levanta os que caíram, ajuda a dissipar as trevas da ignorância e do erro.

A Virgem misericordiosa é igualmente Refúgio dos pecadores. Encontramos nEla um amparo seguro. Depois do seu Filho, ninguém detestou mais o pecado do que Santa Maria, mas, longe de afugentar os pecadores, Ela os acolhe, move-os ao arrependimento: em quantas confissões não interveio com um auxílio especialíssimo! Envia graças de luz e de arrependimento mesmo àqueles que estão mais afastados e que, se não resistirem, serão conduzidos de graça em graça até à conversão. “Quem poderá investigar, pois, ó Virgem bendita, a extensão e a largura, a altura e a profundidade da tua misericórdia? Porque a sua extensão alcança até à última hora os que a invocam. A sua largura abarca o orbe para que toda a terra esteja repleta da sua misericórdia”9.

Recorremos hoje à nossa Mãe, pedindo-lhe que tenha piedade de nós. Dizemos-lhe que somos pecadores, mas que queremos amar cada vez mais o seu Filho Jesus Cristo; que tenha compaixão das nossas fraquezas e nos ajude a superá-las. Ela é Refúgio dos pecadores e, portanto, a nossa garantia, o porto seguro onde atracamos depois das ondas e dos ventos contrários, onde reparamos os possíveis danos causados pela tentação e pela nossa fraqueza. A sua misericórdia é o nosso amparo e a nossa paz: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores…

III. A VIRGEM MARIA, nossa Mãe, Consoladora dos aflitos, foi durante toda a sua vida consolo daqueles que andavam sobrecarregados por um peso grande demais para o levarem sozinhos.

Animou São José naquela noite em que o Patriarca, depois de bater de porta em porta pedindo alojamento, não encontrou em Belém nenhuma casa que os acolhesse; bastou-lhe um sorriso de Maria para recuperar as forças e acomodar-se ao que encontrou: um estábulo nos arredores da cidade. E ajudou-o a prosseguir na fuga para o Egito e a estabelecer-se naquele país… E apesar de José ser um homem cheio de fortaleza, o consolo de Maria tornou-lhe mais fácil o cumprimento da vontade de Deus.

Os Apóstolos ampararam-se em Maria quando tudo se tornou negro e sem sentido para eles depois de Cristo ter expirado na Cruz. Quando se deu sepultura ao corpo de Jesus e os habitantes de Jerusalém se preparavam para celebrar em família a festa da Páscoa, os Apóstolos, que vagueavam perdidos pela cidade, encontraram-se em casa de Maria, quase sem o perceberem.

Desde então, a Virgem jamais deixou por um momento sequer de consolar os que se sentem oprimidos pelo peso da tristeza, da solidão ou de uma grande dor. “Maria acolheu muitos cristãos nas perseguições, libertou muitos possessos e almas tentadas, salvou da angústia muitos náufragos; assistiu e fortaleceu muitos agonizantes, recordando-lhes os méritos infinitos do seu Filho”10.

Se alguma vez nos pesam as coisas da vida, a doença, o esforço na tarefa apostólica, a preocupação com a família, os obstáculos que se juntam e se amontoam, recorramos à Virgem, e sempre encontraremos consolo, alento e força para cumprir em tudo a vontade amável do seu Filho. Repetir-lhe-emos devagar: Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa…

Nossa Senhora éAuxílio dos cristãos, porque sempre se favorece principalmente aqueles a quem se ama, e ninguém como Maria amou aqueles que fazem parte da família do seu Filho. Encontramos nEla todas as graças necessárias para sairmos vitoriosos nas tentações, no apostolado, no trabalho… No Rosário temos uma “arma poderosa”11 para superar todos os obstáculos que nos aguardam. São muitos os cristãos no mundo que, seguindo o ensinamento ininterrupto dos Sumos Pontífices, introduziram na sua vida de piedade o costume de rezá-lo diariamente: em família, numa igreja, pela rua ou nos meios de transporte.

“Em mim encontra-se toda a graça de doutrina e de verdade, toda a esperança de vida e de virtude (Eclo 24, 25). Com quanta sabedoria a Igreja colocou estas palavras na boca da nossa Mãe, para que não as esquecêssemos! Ela é a segurança, o Amor que nunca abandona, o refúgio constantemente aberto, a mão que acaricia e consola sempre”12.

18ª Semana do Tempo Comum