15 de Março de 2019

3a Semana da Quaresma Domingo

- por Padre Alexandre Fernandes

III DOMINGO DA QUARESMA.

(Roxo, creio, prefácio próprio, III semana do saltério)

 

Antífona da entrada

 

– Quando reconhecerdes a minha santidade, eu vos reunirei de todas as nações. Derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados de todas as faltas. Dar-vos-ei um equilíbrio novo, diz o Senhor (Ez 36, 23-26).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, fonte de toda misericórdia e toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Ex 17,3-7

 

– Leitura do livro do Êxodo: Naqueles dias, 3o povo, sedento de água, murmurava contra Moisés e dizia: “Por que nos fizeste sair do Egito? Foi para nos fazer morrer de sede, a nós, nossos filhos e nosso gado?” 4Moisés clamou ao Senhor, dizendo: “Que farei por este povo? Por pouco não me apedrejam!”
5O Senhor disse a Moisés: “Passa adiante do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma a tua vara com que feriste o rio Nilo e vai. 6Eu estarei lá, diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Ferirás a pedra e dela sairá água para o povo beber”.  Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel. 7E deu àquele lugar o nome de Massa e Meriba, por causa da disputa dos filhos de Israel e porque tentaram o Senhor, dizendo: “O Senhor está no meio de nós ou não?”

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 95, 1-2.6-7.8-9 (R: 8)

 

– Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!
R: Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!

– Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o Rochedo que nos salva! Ao seu encontro caminhemos com louvores, e com cantos de alegria o celebremos!

R: Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!

– Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão.

R: Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!

– Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não fecheis os corações como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras”.

R: Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!
 

2ª Leitura: Rm 5,1-2.5-8

 

– Leitura da carta de são Paulo aos Romanos: Irmãos: 1Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. 2Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. 5E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa talvez alguém se anime a morrer. 8Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.

 

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42

 

Glória e louvor a vós, ó Cristo.

Glória e louvor a vós, ó Cristo.

 

– Na verdade, sois Senhor, o salvador do mundo. Senhor dai-me água viva a fim de eu não ter sede! (Jo 4,42.15)

 

Glória e louvor a vós, ó Cristo.

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

– Glória a vós, Senhor!  

Naquele tempo, 5Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. 7Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. 8Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. 10Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. 11A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar água viva? 12Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?” 13Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. 15A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 19b“Senhor, vejo que és um profeta!” 20Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”. 21Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.
23Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”. 25A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”. 26Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”. 39aMuitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. 40Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santa Luíza de Marillac

- por Padre Alexandre Fernandes

Santa Luisa, nascida no ano 1591, era filha de uma família nobre. Órfã de mãe muito cedo, seu pai lhe proporcionou uma formação extraordinária em todos os ramos do saber. Era também sumamente piedosa e exemplar. Aos quinze anos quis entrar em um convento de capuchinas, mas a dissuadiram por sua delicada saúde. Morre então seu pai, e a instâncias de seus parentes se casou com o senhor Le Gras. Lê-se no processo de beatificação: “Foi um exemplo de esposa cristã. Com sua bondade e doçura conseguiu abrandar o seu marido, que era de caráter pouco maleável, dando o exemplo de um matrimônio ideal em tudo era comum, até a oração”.

 

Tiveram um filho a quem Luisa tinha um amor sem limites. Esta experiência maternal lhe serviria muito para a futura fundação. Ficou viúva aos trinta e quatro anos. O senhor Le Gras morreu santamente em seus braços. Desde então decidiu entregar-se totalmente a Deus e às boas obras.

 

França estava enredada em guerras de religião no século XVI. Mas no século XVII surge com força uma plêiade de santos, que realizam uma grande tarefa: Francisco de Sales, Joana Francisca, Vicente de Paula, Luisa de Marillac.

 

Luisa se dirigia com Francisco de Sales, que encaminhou a Vicente de Paula. Vicente tinha começado já suas ingentes obras de misericórdia, como as Caridades, associações ao serviço dos pobres. Luisa porá nelas um toque maternal e feminino, todo seu coração. Percorria os povoados, reanimava as confrarias, visitava aos doentes e tudo ficava renovado. Faziam falta mais braços para atender a tantas necessidades. A miséria imperava em certas regiões, onde, segundo informe ao Parlamento “os aldeãos se viam obrigados a pastar a erva como os animais”.

 

Vicente e Luisa não descansam. Ampliam seu raio de ação. Outras muitas jovens se uniam a Luisa para atender a tantos necessitados. Depois de um tempo de noviciado, Luisa e suas companheiras pronunciam os votos, na festa da anunciação de 1634, data em que logo renovarão seus votos em todo o mundo a Filhas da Caridade de São Vicente de Paula.

 

A partir de então a bola de neve se converte em esmagadora avalanche. Multiplicaram-se as obras em favor de “seus senhores pobres”, como gostam de chamá-los. Visita a hospitais.

 

Acolhida de crianças abandonadas. Atenção às regiões em guerra. Estendem-se a Flandes e Polônia, e logo a todo o mundo. Albergues para os pobres. Estabelecimentos para loucos e doentes mentais. Não há doença sem remédio para Luisa e suas companheiras. A princípios de 1665 ficava canonicamente erigida a Congregação das Filhas da Caridade. São Vicente leu as Regras e lhes disse: “De hoje em diante, levareis o nome de Filhas da Caridade. Conservai este título, que é o mais formoso que podeis ter”.

 

Contrariamente ao que ocorreu com outras comunidades, também nascidas para atender aos pobres, as Filhas da Caridade permaneceram fiéis a seu carisma. A atividade desenvolvida por Santa Luisa era sobre-humana, apesar de sua fraca constituição. Caiu esgotada no sulco do trabalho em 15 de março de 1660. Vicente, também doente, não pôde acompanhá-la à hora da morte. Enviou-lhe este recado: “Vai adiante, logo voltarei a ver no céu”. Vicente, carregado de boas obras, não tardaria em acompanhá-la.

 

Os veneráveis restos de Santa Luisa de Marillac repousam em Paris, na casa mãe da Congregação, na mesma capela das aparições da Virgem da Medalha Milagrosa a Santa Catarina Lebouré. Sua festa é celebrada em 15 de março.

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Por volta da hora sexta… (Jo 4,5-42)

 

            Hora sexta? Meio-dia. Pois sim… Isto lá é hora de ir ao poço de Jacó para buscar água? Claro que não! E se o Evangelho de João insiste neste particular inverossímil, só admite uma explicação: aconteceu exatamente assim…

 

            As mulheres do povo vão buscar água no poço bem cedinho, quando o sol é fraco, o calor ainda não veio. Ou, então, ao cair da noite, para deixar as bilhas de água ao relento, sob o orvalho da noite, e ter uma aguinha bem gostosa no dia seguinte… O sol do meio-dia faz mal à saúde. Todo mundo o evita. Perguntem às lavadeiras de Marabá, que lavam sua roupa às margens do Tocantins!

 

            Mas esta mulher anônima – uma samaritana – foi buscar água ao meio-dia. Explicação? Apenas uma: não queria encontrar ninguém. Preferia não ser vista. Ferida pela vida, cinco vezes repudiada, vivendo com o sexto homem (e não é marido dela! Cf. Jo 4,18), passa a evitar os encontros e… os comentários engraçadinhos…

 

            Deixou a aldeia de Sicar dos palestinos, descendentes de Jacó, o trapaceiro, bem na soalheira mais forte, pisando a areia ardente do semiárido, onde as ondas de calor favorecem muitas miragens. Levava à cabeça o cântaro de barro. Vazio. Tão vazio como a alma de sua dona…

 

            E não foi uma miragem que ela encontrou no poço. Encontrou Jesus. Ela pensa que não tem nada para dar. E o judeu lhe pede: “Dá-me de beber!” Muitos já comentaram que a sede de Jesus é sede de almas. Ele mesmo parece confirmar isto aos discípulos: “Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis”. (Jo 4,32.)

 

            Ao fim do diálogo com Jesus, a mulher volta para sua aldeia sem o cântaro (cf. v. 28). Mas a alma está cheia. Agora, é ela quem procura contato com as pessoas, perguntando aos seus compatriotas: “Não seria ele o Messias?” A escorraçada dos homens torna-se a anunciadora do Evangelho.

 

            Faz pensar? Com certeza! Muita gente honesta vive a rotina de sua segurança, contente em cumprir os doze mandamentos (que são dez…), sem nenhuma preocupação com os que parecem viver mal. Já a desclassificada da samaritana tem um único e breve encontro com o Senhor, e isto lhe basta para sair a campo e anunciar o Desconhecido. Não pode calar a sua descoberta!

 

            E nós? Já estamos anunciando?

29ª Semana do Tempo Comum

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