16 de Março de 2021

4a semana da Quaresma Terça-feira

- por Pe. Alexandre

TERÇA FEIRA DA IV SEMANA DA QUARESMA
(roxo – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

– Vós, que tendes sede, vinde às águas; vós que não tendes com que pagar, vinde e bebei com alegria (Is 55,1).

 

Oração do dia

– Ó Deus, que a fiel observância dos exercícios quaresmais prepare o coração dos vossos filhos e filhas para acolher com amor o ministério pascal e anunciar ao mundo a salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Ez 47, 1-9.12

– Leitura da profecia de Ezequiel: Naqueles dias, 1o anjo fez-me voltar até a entrada do Templo e eis que saía água da sua parte subterrânea na direção leste, porque o Templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do Templo, ao sul do altar. 2Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte, e fez-me dar uma volta por fora, até a porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito. 3Quando o homem saiu na direção leste, tendo uma corda de medir na mão, mediu quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos tornozelos. 4Mediu outros quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos joelhos. 5Mediu mais quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me à cintura. Mediu mais quinhentos metros, e era um rio que eu não podia atravessar. Porque as águas haviam crescido tanto, que se tornaram um rio impossível de atravessar, a não ser a nado. 6Ele me disse: “Viste, filho do homem?” Depois fez-me caminhar de volta pela margem do rio. 7Voltando, eu vi junto à margem muitas árvores, de um e de outro lado do rio. 8Então ele me disse: “Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar, e elas se tornarão saudáveis. 9Onde o rio chegar, todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida onde chegar o rio. 12Nas margens junto ao rio, de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas; suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão: cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: SL 46, 2-3.5-6.8-9 (R: 8)

 

– Conosco está o Senhor do Universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó.

R: Conosco está o Senhor do Universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó.

 

– O Senhor para nós é refúgio e vigor, sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia; assim não tememos, se a terra estremece, se os montes desabam, caindo nos mares.

R: Conosco está o Senhor do Universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó.

 

– Os braços de um rio vêm trazer alegria à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo. Quem a pode abalar? Deus está no seu meio! Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la.

R: Conosco está o Senhor do Universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó.

 

– Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó! Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus e a obra estupenda que fez no universo.

R: Conosco está o Senhor do Universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 5, 1-16

 

Glória a vós, Senhor Jesus, primogênito dentre os mortos!

Glória a vós, Senhor Jesus, primogênito dentre os mortos!

 

– Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo a alegria de ser salvo! (Sl 50,12.14)

 

Glória a vós, Senhor Jesus, primogênito dentre os mortos!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João.

– Glória a vós, Senhor!

 

1Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3Muitos doentes ficavam ali deitados: cegos, coxos e paralíticos. 4De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos. 6Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” 7O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente”. 8Jesus disse: “Levanta-te, pega tua cama e anda”. 9No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou sua cama e começou a andar. Ora, esse dia era um sábado. 10Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: “É sábado! Não te é permitido carregar tua cama”. 11Ele respondeu-lhes: “Aquele que me curou disse: ‘Pega tua cama e anda’”. 12Então lhe perguntaram: “Quem é que te disse: ‘Pega tua cama e anda’?” 13O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar. 14Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: “Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior”. 15Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado.16Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

Santa Eusébia

- por Pe. Alexandre

Pertenceu a uma família de muitos santos. Com oito anos seu pai, Santo Adalberto, faleceu. Sua mãe, chamada a uma vida de entrega total a Deus, montou um convento e quis a sua filha junto. Sua avó Gertrudes também a chamou para a vida religiosa em Hamage (França), e ela aceitou.

A mãe, Santa Riertrudes, soube que Eusébia seria a Abadessa após a morte de sua avó. Então fez de tudo para ela ser bem formada antes, pois tinha apenas 12 anos. E foi para junto de sua mãe, mas às vezes escapava para a comunidade de Hamage (França), onde percebia ser o seu lugar.

Riertrudes repensou, e após se aconselhar com bispos e abades liberou sua filha para voltar e ser Abadessa, talvez a mais jovem da França.

Eusébia pressentiu que não duraria muito por aqui. Com apenas 23 anos reuniu suas filhas espirituais, e deu-lhes vários conselhos. Depois, esperou a morte de maneira calma e confiante. Isso no ano de 680.

Santa Eusébia, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

Queres ser curado? (Jo 5,1-16)

 

38 anos de paralisia! Tempo demais! Depois de tanto tempo, corre-se o risco de se acostumar à dor, resignar-se ao mal, desistir da vida.

Aliás, na mentalidade bíblica, onde o número 40 representa algo completo, com início, meio e fim, o número 38 pode ser lido como um tempo incompleto. Sim, ainda faltava alguma coisa…

Faltava o encontro pessoal com Jesus, que se aproxima da piscina de cinco pórticos – hoje localizada no interior da igreja de Sant’Ana, confiada aos Padres Brancos, em Jerusalém -, e vê a chocante multidão de doentes, cegos e paralíticos que esperavam pela passagem do Anjo de Deus que agitava as águas. Esse encontro é a oportunidade de superar o incompleto, recuperar o sentido da existência.

Mas é preciso querer. Mais que sentimentos e emoções, é esse núcleo volitivo, bem no âmago da pessoa, que pode mover a paralisia e mobilizar todo o ser. Sem a cooperação da vontade, nem Deus faz milagres em nossa vida.

Daí a pergunta de Jesus, que poderia parecer até ofensiva, pois é dirigida a um homem que vivera uma vida inteira na imobilidade, preso ao leito, em tudo dependente da caridade alheia. Na verdade, a pergunta é um aguilhão. Ela vem testar a capacidade de reação do enfermo.

E como existem paralisias em nossa vida! “Eu sou assim!” “Sempre fizemos deste jeito…” “Não adianta!” “Já desisti…” “Tarde demais!” São frases comuns, tantas vezes repetidas, e todas elas apontam para a acomodação com a própria situação.

Pior ainda, quando nossas fraquezas e incapacidades nos transformam em vítimas: aceitar a cura significaria abrir mão de um tratamento especial por parte dos outros, perder atenções e, acima de tudo, reassumir a responsabilidade por nós mesmos.

“Queres ser curado?” A pergunta se dirige também a famílias inteiras que vivem relacionamentos doentios, a comunidades petrificadas em normas e ritos, mas que perderam a vitalidade e o sopro do Espírito. Se aceitam a cura de Jesus, podem experimentar a renovação que irá transformá-las em instrumentos de salvação.

A Bíblia está cheia de situações aparentemente sem cura, becos sem saída, barreiras que foram demolidas pelo toque divino. Sara, estéril, chega a rir da possibilidade de ser mãe, e terá um filho chamado Isaac, ou seja, o “filho do meu riso”.

No Evangelho, o paralítico não precisou da água borbulhante para ser curado. Bastou a Palavra de Jesus: “Levanta-te e anda!” Ouviremos sua Palavra?

 

29ª Semana do Tempo Comum

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